{"id":259,"date":"2010-10-18T23:18:50","date_gmt":"2010-10-19T02:18:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=259"},"modified":"2010-10-18T23:18:50","modified_gmt":"2010-10-19T02:18:50","slug":"francisco-brennand-e-a-arte-cavalheresca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/10\/18\/francisco-brennand-e-a-arte-cavalheresca\/","title":{"rendered":"Francisco Brennand e a Arte Cavalheresca"},"content":{"rendered":"<p><strong>Guilherme Albagli<\/strong><\/p>\n<p><img align = \"right\" src = \"http:\/\/lh4.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TLz-ylkVIHI\/AAAAAAAAtko\/58IeePOjk4s\/guilherme%20albagli.jpg\"\/>As Artes florescem em todos os grupos s\u00f3cio-culturais humanos, podendo ser classificadas, por este crit\u00e9rio, em \u201carte cortes\u00e3\u201d, produzida para as cortes reais; \u201c<em>intinerante<\/em>\u201d, quando os artistas se deslocam para apresenta\u00e7\u00e3o do seu trabalho; \u201cpopular\u201d, aprendida sem escolas formais; \u201cerudita\u201d, dependente de treinamentos especializados; \u201csacra\u201d, aquela produzida para entidades religiosas; \u201ctotalit\u00e1ria\u201d, produzida para enaltecimento e manuten\u00e7\u00e3o de grupos de poder; \u201cindustrial\u201d, criada para a sua reprodu\u00e7\u00e3o em massa; \u201ctecnol\u00f3gica\u201d, dependente de t\u00e9cnicas inovadoras; \u201cfolcl\u00f3rica\u201d, uma arte de elite migrada a grupos sociais desfavorecidos; \u201cprofissional\u201d, realizada por artistas que sobrevivem economicamente deste trabalho; \u201camadora\u201d, a de todos n\u00f3s, ao assoviarmos na rua, cantarolarmos ao banho ou escolhermos a nossa roupa ou as plantas do nosso jardim; e a \u201ccavalheresca\u201d, aquela de grupos favorecidos economicamente, pr\u00f3ximos aos centros decis\u00f3rios de poder, que produzem a sua arte por puro deleite, sem interesse ou necessidade da sua comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No S\u00e9culo XIX chegou ao Sul do Brasil um cidad\u00e3o ingl\u00eas de Manchester que, curioso das coisas do Nordeste do Brasil, passou \u00e0 Bahia, Alagoas, se fixando em Pernambuco. Seus filhos e netos se casaram com mulheres da elite local, gente dos Albuquerque, Cavalcanti, descendentes dos primeiros donat\u00e1rios aparentados com as casas reais portuguesas do S\u00e9culo XV. Conjugando trabalho, estudo e honradez, os Brennand se tornaram uma poderosa fam\u00edlia no ramo da ind\u00fastria cer\u00e2mica e vidreira ao adquirirem, na V\u00e1rzea do Capibaribe, uma gleba onde instalaram gigantescos galp\u00f5es com fornos especiais que produziram porcelanas de qualidade compar\u00e1vel \u00e0 de poucos pa\u00edses europeus.<br \/>\n<!--more--><br \/>\nMas a f\u00e1brica fechou por d\u00e9cadas e a Mata Atl\u00e2ntica retomou o seu espa\u00e7o no grande parque industrial, voltando a crescer \u00e1rvores frondosas dentro e fora dos galp\u00f5es de tijolos vermelhos.<\/p>\n<p>Francisco, herdeiro dos capit\u00e3es-de-ind\u00fastria pernambucanos, sem preocupa\u00e7\u00f5es de ordem econ\u00f4mica, desde cedo mostrou voca\u00e7\u00e3o \u00e0 cria\u00e7\u00e3o art\u00edstica e, nos anos de 1970, resolveu reativar o parque abandonado, o transformando numa gigantesca oficina renovada onde produz arte seriada e obras originais &#8211; pinturas e cer\u00e2micas art\u00edsticas de excelente categoria est\u00e9tica -. Sem a necessidade de vender as suas obras originais, conservou a sua maior parte num acervo privado que est\u00e1 entre o que de melhor existe na arte sul-americana.<\/p>\n<p>Embora um erudito inspirado na arte folcl\u00f3rica e popular, usando recursos tecnol\u00f3gicos de ponta, um profissional na venda de utilit\u00e1rios produzidos sob encomenda e, tamb\u00e9m, um amador que guardou para exibi\u00e7\u00e3o p\u00fablica um excepcional conjunto do melhor da sua obra, Brennand, com o seu semblante de s\u00e1bio rabino, bem poderia ser definido como um \u201cartista cavalheresco\u201d.<\/p>\n<p>Na Am\u00e9rica Latina, poucos acervos de museus do M\u00e9xico e Per\u00fa suplantam a for\u00e7a das diversas cole\u00e7\u00f5es expostas na Oficina Brennand da V\u00e1rzea do Recife. No Brasil, n\u00e3o h\u00e1 nada semelhante, enfocando per\u00edodos, regi\u00f5es, estilos ou artistas. Suas cer\u00e2micas escult\u00f3ricas surrealistas s\u00e3o quase todas inspiradas em motivos er\u00f3ticos velados, masculinos e femininos, mas totalmente desprovidos de qualquer agressiva vulgaridade.<\/p>\n<p>Por t\u00e1xi, se chega l\u00e1 por R$ 35, partindo do centro da cidade. Por \u00f4nibus, se vai at\u00e9 ao ponto final da V\u00e1rzea, dali tomando um t\u00e1xi (R$ 6) at\u00e9 a oficina, que fica dentro de uma mata fechada \u00e0 margem do rio. Ali tem um caf\u00e9-restaurante com muito charme, onde est\u00e3o dispon\u00edveis cat\u00e1logos das pouqu\u00edssimas pe\u00e7as \u00e0 venda, entre R$ 7000 e R$ 80000. Um metro quadrado de azulejos para compor o tampo de uma mesa de ch\u00e1 lhe ser\u00e1 remetido por R$ 290.<\/p>\n<p>Vale ir ao Recife s\u00f3 para conhecer este museu &#8211; parque &#8211; f\u00e1brica &#8211; atelier, fechado aos fins de semana, que eleva a nossa auto-estima e enriquece o Patrim\u00f4nio Cultural Latino-Americano.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guilherme Albagli As Artes florescem em todos os grupos s\u00f3cio-culturais humanos, podendo ser classificadas, por este crit\u00e9rio, em \u201carte cortes\u00e3\u201d, produzida para as cortes reais; \u201cintinerante\u201d, quando os artistas se deslocam para apresenta\u00e7\u00e3o do seu trabalho; \u201cpopular\u201d, aprendida sem escolas formais; \u201cerudita\u201d, dependente de treinamentos especializados; \u201csacra\u201d, aquela produzida para entidades religiosas; \u201ctotalit\u00e1ria\u201d, produzida para [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/259"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=259"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/259\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":263,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/259\/revisions\/263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=259"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=259"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=259"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}