{"id":2623,"date":"2010-11-21T10:22:34","date_gmt":"2010-11-21T13:22:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=2623"},"modified":"2010-11-21T10:22:34","modified_gmt":"2010-11-21T13:22:34","slug":"sabores-da-bahia-na-feirinha-do-guanabara","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/11\/21\/sabores-da-bahia-na-feirinha-do-guanabara\/","title":{"rendered":"SABORES DA BAHIA NA FEIRINHA DO GUANABARA"},"content":{"rendered":"<p><center><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/anabel-mascarenhas.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/anabel-mascarenhas.jpg\" alt=\"\" title=\"anabel mascarenhas\" width=\"300\" height=\"133\" class=\"alignleft size-full wp-image-2625\" \/><\/a><\/center><\/p>\n<p><div id=\"attachment_2624\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Feirinha-do-Guanabara.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-2624\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Feirinha-do-Guanabara-300x225.jpg\" alt=\"\" title=\"Feirinha do Guanabara\" width=\"300\" height=\"225\" class=\"size-medium wp-image-2624\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Feirinha-do-Guanabara-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Feirinha-do-Guanabara.jpg 701w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-2624\" class=\"wp-caption-text\">Feirinha do Guanabara<\/p><\/div>Margeando a Pra\u00e7a Cair\u00fa, no Centro de Ilh\u00e9us, existiu, por muito tempo, o <b>\u201cBar Guanabara\u201d.<\/b> H\u00e1 alguns anos deu lugar a um a\u00e7ougue, mas continua dando nome \u00e0 feirinha que se formou ali, na Rua Firmino Eloy, em cuja esquina se encontrava o bar.<\/p>\n<p>Mais de quarenta anos, menos de sessenta. \u00c9 essa a estimativa que fazem os ilheenses moradores das cercanias, acerca da exist\u00eancia da Feirinha. <\/p>\n<p>Alguns sup\u00f5em que ela se firmou e cresceu naquela localidade com a sa\u00edda do Mercado Municipal da Av. 2 de julho, antigo Unh\u00e3o. Os moradores do centro n\u00e3o aceitaram plenamente a mudan\u00e7a da \u201cfeira\u201d para a Central de Abastecimento e alguns feirantes se dispuseram a montar todos os dias suas barracas ainda de madrugada, e desmont\u00e1-las por volta do meio-dia. <\/p>\n<p>Suposi\u00e7\u00f5es \u00e0 parte, o fato \u00e9 que na Feirinha do Guanabara se encontra \u201cde um tudo\u201d, frutas, verduras, farinha, al\u00e9m de todos os ingredientes necess\u00e1rios para fazer a comida t\u00edpica baiana. E eu descobri isso depois de ver as fotos, feitas em duas oportunidades, nos meses de mar\u00e7o e julho de 2009.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Antes de tudo, me encantaram as cores, a beleza e a variedade de produtos que se podia encontrar ali, e que n\u00e3o puderam ser plenamente expostas nesta oportunidade. (Foram mais de 300 fotografias, para delas extrair 30 para a mostra que aconteceu no foyer do Audit\u00f3rio Paulo Souto, na UESC.) As imagens expostas podem ser vistas na minha galeria do Flickr, no \u00e1lbum \u201cSabores da Bahia na Feirinha do Guanabara\u201d<br \/>\nNa escolha das imagens, veio a percep\u00e7\u00e3o: A feira \u00e9 \u201cespecializada\u201d em comida baiana! Vejam s\u00f3:<\/p>\n<p>Peixes os mais variados, camar\u00e3o fresco e seco, mariscos diversos, dend\u00ea, c\u00f4co seco (ralado na hora), todos os temperos, andu, feij\u00e3o verde, de corda e fradinho, pimenta, e at\u00e9 a palha de bananeira, limpinha e j\u00e1 cortada, para enrolar o abar\u00e1.<\/p>\n<p>Como em toda feira, a negocia\u00e7\u00e3o \u00e9 permitida,  descontos s\u00e3o dados, e se n\u00e3o tiver cuidado, o fregu\u00eas leva pra casa at\u00e9 o que n\u00e3o foi procurar. Os feirantes s\u00e3o simp\u00e1ticos e sol\u00edcitos no atendimento e da mesma forma que se encontra o caranguejo, siri e aratu catados, os peixes tamb\u00e9m s\u00e3o \u201ctratados\u201d, as escamas s\u00e3o limpas ou o couro tirado, e podem ser inteiros ou cortados em postas, ao gosto do fregu\u00eas, e com isso agregam valor ao seu produto.<\/p>\n<p>\u00c9 fato corrente que a gente come\u00e7a a comer com os olhos, isto \u00e9, se a comida for \u201cbonita\u201d, o prazer de comer j\u00e1 come\u00e7a no olhar. E a cor da comida tradicional baiana \u00e9 a cor do azeite de dend\u00ea, aliviada pelo branco do leite de c\u00f4co e incrementada com as pimentas dos mais variados tipos: \u201cdoces\u201d ou ardentes, de cheiro, malagueta&#8230; <\/p>\n<p>Depois de olhar, o cheiro completa a prepara\u00e7\u00e3o para o sabor. N\u00e3o sem motivo os temperos s\u00e3o chamados de \u201ccheiro verde\u201d. O coentr\u00e3o \u00e9 indispens\u00e1vel no peixe,  e n\u00e3o se faz nada sem coentro, cebolinha, hortel\u00e3&#8230; junto com a cebola e o alho, os mo\u00eddos que acentuam o sabor&#8230; Tudo isso \u00e9 encontrado na Feirinha.<br \/>\nAo fotografar os feirantes e seus produtos, ouvi de alguns deles: \u201cVai sair em algum jornal?\u201d E respondi: \u201cProvavelmente, n\u00e3o. Eu quero fazer uma exposi\u00e7\u00e3o, pra que todo mundo possa ver quanta coisa bonita tem aqui, todos os dias, e as pessoas n\u00e3o prestam aten\u00e7\u00e3o.\u201d  Quando, mais de um ano depois, a exposi\u00e7\u00e3o finalmente aconteceu, eu retornei \u00e0 feirinha levando um convite para que eles fossem ver as fotos expostas na UESC. Vi olhos brilharem, vi a autoestima dar pulos, ouvi promessas de que iriam, sim, ver as fotos. Infelizmente nos cinco dias de exposi\u00e7\u00e3o na UESC n\u00e3o vi nenhum deles por l\u00e1. Certamente a dist\u00e2ncia, ou o dia de trabalho duro impediram de fazer essa \u201cviagem\u201d at\u00e9 o Salobrinho para se verem retratados, e isso \u00e9 injusto.<\/p>\n<p>Eles precisam ver essas fotos. Quero dar esse presente a quem me proporcionou uma experi\u00eancia t\u00e3o rica, expondo mais uma vez, num local mais pr\u00f3ximo da vida real daquelas pessoas, que foi congelada em fotografias, fragmentos de seu mundo. Espero que a galeria do Teatro Municipal ou o foyer do Escrit\u00f3rio da Ceplac possam ser canais para essa realiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para finalizar, agradecendo a Maria Luiza Heine o espa\u00e7o que \u00e9 dela e que me foi cedido hoje neste jornal, gostaria que os leitores pensassem em um outro aspecto. A feirinha \u00e9 bonita, tem utilidade, facilita a vida de quem vende e de quem compra, mas \u00e9, inegavelmente, um assunto a ser observado pelos respons\u00e1veis pela sa\u00fade p\u00fablica e pelo planejamento urbano. At\u00e9 quando a feirinha vai resistir naquele local, com todas as suas vantagens mas tamb\u00e9m com os seus inconvenientes? Ser\u00e1 que n\u00e3o j\u00e1 estaria na hora do poder p\u00fablico municipal pensar em instalar a tradicional feirinha numa \u00e1rea planejada e com todas as condi\u00e7\u00f5es de higiene?<br \/>\nPara o bem dos compradores, vendedores e da organiza\u00e7\u00e3o espacial da nossa cidade, \u00e9 hora de se discutir, com responsabilidade, o futuro da Feirinha do Guanabara.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nAnabel Mascarenhas<br \/>\nNovembro, 2010.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Margeando a Pra\u00e7a Cair\u00fa, no Centro de Ilh\u00e9us, existiu, por muito tempo, o \u201cBar Guanabara\u201d. H\u00e1 alguns anos deu lugar a um a\u00e7ougue, mas continua dando nome \u00e0 feirinha que se formou ali, na Rua Firmino Eloy, em cuja esquina se encontrava o bar. 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