{"id":27098,"date":"2011-10-23T18:30:39","date_gmt":"2011-10-23T20:30:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=27098"},"modified":"2011-10-23T18:30:39","modified_gmt":"2011-10-23T20:30:39","slug":"bola-quadrada-no-campo-enlameado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/10\/23\/bola-quadrada-no-campo-enlameado\/","title":{"rendered":"Bola quadrada no campo enlameado"},"content":{"rendered":"<h3>&#8216;Esporte no Brasil \u00e9 o seguinte: a ger\u00eancia \u00e9 privada, mas os recursos s\u00e3o p\u00fablicos. Assim fica f\u00e1cil&#8217;, diz economista Elena Landau<\/h3>\n<p>Botafoguense tem cada uma&#8230; Dia desses a economista e advogada carioca Elena Landau praticava caminhada e sentiu uma dor aguda no quadril. &#8220;Fisgada no il\u00edaco. Meu amigo, voc\u00ea sabe o que \u00e9 uma fisgada no il\u00edaco?&#8221;, ela destrincha, na maior das intimidades atl\u00e9ticas com o m\u00fasculo acomodado nas cavidades \u00f3sseas das ancas. Com dificuldade para andar, foi afastada pelo departamento m\u00e9dico das cadeiras do Engenh\u00e3o, de onde costuma ver as partidas do Botafogo quando o time joga no Rio. Trocou o est\u00e1dio pela sala de casa. A vis\u00e3o direta do campo, pela intermedia\u00e7\u00e3o da TV. Bem sem gra\u00e7a, ela achou. &#8220;S\u00f3 que a\u00ed o Botafogo come\u00e7ou a subir na tabela e eu n\u00e3o quis arriscar: melhorei do il\u00edaco, mas n\u00e3o voltei pro est\u00e1dio&#8221;, conta.<\/p>\n<p>O time ainda vai bem no Campeonato Brasileiro, com chance de ser campe\u00e3o. Se isso tem a ver com a heterodoxia de arquibancada de Elena, n\u00e3o h\u00e1 como saber. Mas n\u00e3o deixa de ser curioso comparar. Integrante da linha de economistas da PUC-RJ que formaram a zaga do governo FHC, naqueles tempos ela era chamada de ortodoxa por comandar &#8211; &#8220;sem jogo de cintura&#8221;, diriam os oposicionistas de ent\u00e3o &#8211; o processo de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas p\u00fablicas. A plaquinha na porta do escrit\u00f3rio ajudava nessa imagem: diretora de desestatiza\u00e7\u00e3o do Banco Nacional de Desenvolvimento Econ\u00f4mico e Social, o BNDES.<\/p>\n<p>\u00c9 de dentro da \u00e1rea, portanto, que Elena fala: &#8220;O projeto da Copa do Mundo no Brasil est\u00e1 errado de partida. \u00c9 um evento privado, destinado a atender interesses privados, mas que conta com recursos p\u00fablicos. Tem cidade que faria melhor uso do dinheiro do BNDES se constru\u00edsse metr\u00f4 e corredor de \u00f4nibus, porque n\u00e3o tem renda nem p\u00fablico suficiente para fazer um payback do investimento&#8221;. Elena hoje trabalha como advogada numa grande banca no Rio e assessora o Instituto Teot\u00f4nio Vilela, \u00f3rg\u00e3o de estudos ligado ao PSDB.<\/p>\n<p>Numa semana rica em bolas quadradas rolando por campos enlameados &#8211; acusa\u00e7\u00f5es contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, ONGs de fachada, queda de bra\u00e7o entre o governo e a Fifa por meias-entradas e venda de cerveja nos est\u00e1dios da Copa &#8211; o Ali\u00e1s convocou Elena para comentar o jogo, mas ela avisou: &#8220;Houve um tempo em que eu acreditava que a gest\u00e3o do esporte brasileiro podia mudar. Montei uma consultoria esportiva e at\u00e9 trabalhei no Atl\u00e9tico Mineiro e no Botafogo&#8221;. Diz que desistiu por cansa\u00e7o. Deu c\u00e3ibra na paci\u00eancia, estiramento no desencanto. Sentiu-se vencida pelo jogo travado que se disputa no setor e, apesar de conhecer bem a cancha, agora prefere atuar como uma torcedora especializada, por assim dizer. &#8220;Hoje em dia os meus coment\u00e1rios sobre esporte s\u00e3o de pessoa f\u00edsica.&#8221; A eles, pois.<\/p>\n<p><strong>Esporte \u00e9 quest\u00e3o de Estado? <\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Depende. O esporte ligado a educa\u00e7\u00e3o, sociabilidade, cidadania e forma\u00e7\u00e3o do indiv\u00edduo, como agente transformador de vidas, este \u00e9 quest\u00e3o de Estado. Mas Copa do Mundo certamente n\u00e3o \u00e9. Trata-se de um evento privado. Como um show do U2 ou do Justin Bieber. Uma Copa s\u00f3 seria assunto de Estado se usada para alavancar uma transforma\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o urbano. E, pelo que estamos vendo atualmente e tamb\u00e9m pela experi\u00eancia dos Jogos Pan-Americanos de 2007 no Rio, sabemos que n\u00e3o \u00e9 esse o caso. O Pan de 2007 n\u00e3o revitalizou nada, n\u00e3o melhorou a cidade. Tem o est\u00e1dio do Engenh\u00e3o, que \u00e9 onde joga o meu Botafogo e \u00e9 at\u00e9 um bom est\u00e1dio. Mas e o entorno? Aquilo \u00e9 um abandono s\u00f3, n\u00e3o h\u00e1 sequer transporte p\u00fablico decente para chegar l\u00e1. Acho importante separar esses conceitos entre p\u00fablico e privado para entender as causas da precariedade do esporte no Brasil.<\/p>\n<p><strong>Terceirizar o esporte para ONGs seria uma dessas causas? <\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>O Brasil conseguiu desmoralizar a utiliza\u00e7\u00e3o das ONGs, que conceitualmente t\u00eam valor. Mas houve um exagero nessa terceiriza\u00e7\u00e3o do esporte. No fundo, as ONGs de esporte fazem hoje o que a escola p\u00fablica fazia antigamente, mas deixou de fazer por causa do abandono e da decad\u00eancia do ensino p\u00fablico, decad\u00eancia f\u00edsica, inclusive. H\u00e1 col\u00e9gios que n\u00e3o t\u00eam quadra de esportes e precisam fazer conv\u00eanio com academia de gin\u00e1stica para ter aula de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Para resumir, eu diria que o Estado brasileiro deixou de cumprir seu papel. Se achamos que o esporte \u00e9 suficientemente relevante a ponto de ter um minist\u00e9rio espec\u00edfico, precisamos definir uma pol\u00edtica esportiva clara para o Pa\u00eds. Mas minist\u00e9rio no Brasil serve para assegurar governabilidade, preencher cotas dos partidos da coaliz\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Nada se salva em termos de pol\u00edtica esportiva por aqui?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nEm 2016 vamos sediar uma Olimp\u00edada no Rio. Ok. Mas queremos desenvolver seriamente quantas modalidades ol\u00edmpicas at\u00e9 l\u00e1? Tr\u00eas? Trinta? Temos aptid\u00e3o para todas elas? Vamos investir s\u00f3 nas quais j\u00e1 somos bons ou tamb\u00e9m nas quais precisamos melhorar? O Brasil nem sequer sabe responder a essas perguntas. O projeto do Minist\u00e9rio do Esporte para a Olimp\u00edada no Rio em 2016 \u00e9 s\u00f3 fazer a Olimp\u00edada no Rio em 2016. \u00c9 um projeto de obras, n\u00e3o um projeto esportivo. A Austr\u00e1lia, quando sediou os Jogos em 2000, criou um programa para a nata\u00e7\u00e3o que d\u00e1 frutos at\u00e9 hoje. Eles n\u00e3o queriam passar o vexame de n\u00e3o ganhar medalha dentro de casa. No Brasil impera a mentalidade da escavadeira: &#8220;Oba, vamos sediar uma Olimp\u00edada porque assim podemos usar o or\u00e7amento pra fazer obra. Se ficarmos em \u00faltimo lugar no quadro de medalhas, n\u00e3o tem problema&#8221;. \u00c9 vergonhoso ver os ginastas brasileiros, que s\u00e3o uns her\u00f3is, talentos\u00edssimos, mendigando patroc\u00ednio. E ao mesmo tempo ver uma ONG levando dinheiro do governo para comprar camiseta. Que diabo o governo tem que comprar camiseta pra ONG?! Por outro lado, n\u00e3o acho que ONG deva formar atletas ol\u00edmpicos. Como se forma um atleta de competi\u00e7\u00e3o, eu n\u00e3o sei. O Brasil vive de modismos, de \u00eddolos moment\u00e2neos, como a sele\u00e7\u00e3o de v\u00f4lei do Bernardinho, o Gustavo Kuerten no t\u00eanis, anos atr\u00e1s.<\/p>\n<p><strong>Mas por que nunca aproveitamos essas modas para criar uma pol\u00edtica esportiva consistente?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nO problema \u00e9 que o Brasil n\u00e3o tem uma filosofia de trabalho nesse sentido, n\u00e3o segue nenhum dos dois modelos b\u00e1sicos de programas esportivos que conhecemos: o de participa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a do Estado no desenvolvimento de atletas, como em Cuba ou na China, e o de forma\u00e7\u00e3o nas escolas e universidades, como nos Estados Unidos. Aqui n\u00e3o temos nem um nem outro. Estamos perdidos no meio do caminho. Apesar de dizerem que n\u00f3s temos a participa\u00e7\u00e3o do Estado nos esportes, o fato \u00e9 que o Brasil privatizou &#8211; e privatizou mal &#8211; os esportes. Entregou sem crit\u00e9rio nenhum para federa\u00e7\u00f5es e confedera\u00e7\u00f5es, que n\u00e3o passam de feudos pol\u00edticos. Ent\u00e3o, quem cuida do esporte brasileiro? As ONGs, micro-organismos pulverizados e sem uma pol\u00edtica unificada e organizada, ou as federa\u00e7\u00f5es e confedera\u00e7\u00f5es. Ou seja, quando \u00e9 conveniente, o esporte \u00e9 p\u00fablico, e a\u00ed pede dinheiro ao governo para os programas das ONGs, e quando n\u00e3o \u00e9 conveniente, quando tem que prestar contas, ser transparente, reclama-se da interfer\u00eancia do governo em assunto privado. Eu sou a \u00faltima pessoa a ser contra privatiza\u00e7\u00e3o de alguma coisa, mas vejo claramente uma apropria\u00e7\u00e3o indevida do esporte brasileiro pelo setor privado. Nosso modelo \u00e9 o seguinte: a ger\u00eancia \u00e9 privada, mas os recursos s\u00e3o p\u00fablicos. Assim fica f\u00e1cil.<\/p>\n<p><strong>Qualquer semelhan\u00e7a com a Copa de 2014 \u00e9 mera coincid\u00eancia? <\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>A Copa do Mundo \u00e9 um evento da Fifa. N\u00e3o \u00e9 de governo de pa\u00eds nenhum e ningu\u00e9m obriga um governo a se oferecer para sedi\u00e1-la. Quem tem vontade de receber uma Copa se candidata porque quer. E desde o come\u00e7o conhece as regras estabelecidas pelo dono do neg\u00f3cio, no caso, a Fifa. Ent\u00e3o n\u00e3o vale agora, no final do segundo tempo, vir discutir se o Brasil est\u00e1 vendendo sua soberania ao ceder a press\u00f5es da Fifa para mudar esta e aquela legisla\u00e7\u00e3o interna. Isso \u00e9 uma bravata, uma coisa nacionalista, ufanismo bobo. Quando apresentou sua candidatura, o Brasil sabia perfeitamente onde estava se metendo. E a\u00ed fica discutindo a filigrana da meia-entrada e da venda de bebida dentro dos est\u00e1dios. Ali\u00e1s, deveriam aproveitar o momento para liberar de vez a venda de bebida. Isso \u00e9 uma hipocrisia. Bebe-se tranquilamente nas barraquinhas em torno do est\u00e1dio. E at\u00e9 parece que as torcidas organizadas deixam de brigar porque n\u00e3o podem mais beber. \u00c9 simples resolver a quest\u00e3o da viol\u00eancia. O cidad\u00e3o arrumou encrenca? Que ele seja retirado, fichado e impedido de voltar. A Inglaterra fez isso e funcionou&#8230;<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea falava que o Brasil conhecia as regras do jogo quando apresentou a candidatura. <\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>Por causa do nosso hist\u00f3rico futebol\u00edstico, n\u00f3s at\u00e9 gostar\u00edamos de acreditar que para a Fifa \u00e9 uma honra fazer uma copa no Brasil, o &#8220;pa\u00eds do futebol&#8221;. Mas a Fifa, obviamente, n\u00e3o poderia estar ligando menos pra isso. O que ela quer \u00e9 ganhar o dinheiro dela e acabou. Ela chega, n\u00e3o coloca um tost\u00e3o, ganha bilh\u00f5es e vai embora. Isso n\u00e3o \u00e9 novidade. O projeto da Copa no Brasil est\u00e1 errado desde a partida, porque foi feito pela CBF, tamb\u00e9m uma empresa privada, a fim de preservar seus feudos pol\u00edticos regionais. \u00c9 um projeto sem sentido. O governo brasileiro entra com dinheiro p\u00fablico &#8211; dinheiro do meu, do seu, do nosso imposto &#8211; em um projeto privado destinado a atender somente a interesses privados. A\u00ed vem o BNDES e financia est\u00e1dios em locais que jamais ter\u00e3o p\u00fablico suficiente para fazer um payback do investimento. Jamais. Isso \u00e9 dinheiro a fundo perdido. Nem o est\u00e1dio do Corinthians vai dar retorno. Teria se o clube colocasse 60 mil pessoas l\u00e1 dentro em todos os jogos. Mas vemos pelo Campeonato Brasileiro que a m\u00e9dia de p\u00fablico do Corinthians, que tem a maior torcida do Brasil (os flamenguistas que me desculpem), mal chega \u00e0 metade disso. Se o setor privado tivesse se interessado pela constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios, o BNDES poderia financiar a transforma\u00e7\u00e3o urbana das cidades. Eu n\u00e3o vou citar quais, para n\u00e3o melindrar prefeitos e governadores, mas tem cidade a\u00ed que certamente faria melhor uso do dinheiro do BNDES se constru\u00edsse metr\u00f4 e corredor de \u00f4nibus.<\/p>\n<p><strong>Por que o setor privado n\u00e3o se interessou pelos est\u00e1dios? <\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>Por que eles n\u00e3o v\u00e3o dar dinheiro. Fizeram algum estudo econ\u00f4mico s\u00e9rio nas sedes da Copa? Desconhe\u00e7o. Vamos ter est\u00e1dio digno de pa\u00eds com renda per capita de US$ 10 mil encravados em cidade com renda per capita que \u00e9 um quinto disso. Como \u00e9 que a iniciativa privada vai se interessar por algo assim? Mas o problema maior \u00e9 mais antigo, vem antes da Copa. N\u00f3s dev\u00edamos estar nos perguntando por que o Brasil, com toda sua for\u00e7a de pentacampe\u00e3o do mundo e gerador de craques, n\u00e3o tem est\u00e1dios com n\u00edvel internacional at\u00e9 hoje. A resposta \u00e9 simples: porque n\u00e3o tem p\u00fablico, a m\u00e9dia de p\u00fablico \u00e9 deprimente, e n\u00e3o tem p\u00fablico porque o futebol brasileiro n\u00e3o \u00e9 feito para atender o p\u00fablico. Quem programa um jogo de futebol para as 10 da noite de quarta-feira n\u00e3o est\u00e1 interessado na receita gerada pelo p\u00fablico. Mas deveria estar, porque um tipo de gera\u00e7\u00e3o de receita n\u00e3o exclui o outro. Na Europa adotam um modelo de receita tripla: tem a parte da televis\u00e3o, a do p\u00fablico pagante e a do marketing dos clubes. S\u00f3 que l\u00e1, quando voc\u00ea vai assistir a um jogo de futebol, o est\u00e1dio \u00e9 limpo, confort\u00e1vel, seguro, tem transporte p\u00fablico na porta, comida de qualidade, lojas, lugar marcado, hor\u00e1rio decente para que o jogo seja um programa familiar e um calend\u00e1rio imex\u00edvel. N\u00e3o tem esse neg\u00f3cio de adiar jogo porque vai haver um amistoso in\u00fatil da sele\u00e7\u00e3o contra o Gab\u00e3o s\u00f3 para satisfazer interesse de patrocinador da federa\u00e7\u00e3o. Desse modo, o p\u00fablico \u00e9 garantido; e p\u00fablico garantido faz brilhar os olhos do setor privado. Mas o que temos no Brasil? Se a CBF n\u00e3o faz nada direito no futebol interno, como \u00e9 que podemos esperar que ela possa fazer uma Copa direito?<\/p>\n<p><strong>Voc\u00ea estatizaria a CBF? <\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>Eu preferiria que n\u00e3o fosse privada. Ao contr\u00e1rio do que se fez no setor el\u00e9trico, por exemplo, em que a explora\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o foi concedida mediante licita\u00e7\u00e3o, nunca houve uma licita\u00e7\u00e3o que desse \u00e0 CBF o direito e o monop\u00f3lio de representar o futebol brasileiro. Mas n\u00e3o tem como mudar. N\u00e3o h\u00e1 elemento jur\u00eddico para isso. Me incomoda que a CBF n\u00e3o esteja preocupada com o futebol brasileiro. N\u00e3o vejo problema que ela ganhe dinheiro, desde que licitamente, mas acho mal resolvido o uso que ela faz dos s\u00edmbolos da Na\u00e7\u00e3o. A CBF n\u00e3o tem dinheiro p\u00fablico, n\u00e3o tem subven\u00e7\u00e3o, s\u00f3 que usa o verde-amarelo da nossa Bandeira, canta o Hino Nacional&#8230; Quem a elegeu para fazer isso por n\u00f3s e quanto ela paga ao governo para usar esses s\u00edmbolos? Ent\u00e3o, eu preferiria que ela n\u00e3o fosse privada. N\u00f3s brasileiros damos muito mais \u00e0 CBF do que a CBF d\u00e1 para n\u00f3s. O futebol brasileiro n\u00e3o amedronta mais advers\u00e1rio nenhum. Jogamos de igual para igual com a Costa Rica. E eu tenho certeza que a decad\u00eancia est\u00e1 diretamente relacionada a essa administra\u00e7\u00e3o da CBF.<\/p>\n<p><strong>A Fifa alega que pode ter preju\u00edzo de R$ 1,8 bilh\u00e3o se n\u00e3o houver as adequa\u00e7\u00f5es que ela espera na Lei Geral da Copa.<br \/>\n<\/strong><br \/>\nPreju\u00edzo?! Como \u00e9 que ela pode ter preju\u00edzo num neg\u00f3cio em que n\u00e3o est\u00e1 gastando nada? N\u00e3o estou entendendo essa conta. A Fifa deve estar procurando uma desculpa, pensando se vale a pena fazer a Copa no Brasil ou n\u00e3o. Mas ela n\u00e3o vai levar o evento para outro pa\u00eds. A rela\u00e7\u00e3o entre Fifa e CBF \u00e9 muito forte. A Fifa s\u00f3 tira a Copa do Brasil se o Ricardo Teixeira (presidente da CBF) quiser, n\u00e3o tem nada a ver com o governo brasileiro.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o sobre as den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o contra o ministro do Esporte, Orlando Silva, e o impacto delas na organiza\u00e7\u00e3o da Copa?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nMe parece que desde o in\u00edcio da gest\u00e3o a presidente Dilma Rousseff tinha a ideia de contar com algu\u00e9m de fora do minist\u00e9rio para tocar a Copa. \u00c9 um evento espec\u00edfico, n\u00e3o precisava misturar com o dia a dia do minist\u00e9rio. Mas isso n\u00e3o vingou. O fato de a presidente assumir o controle da Copa mostrou a import\u00e2ncia que o governo brasileiro est\u00e1 dando ao evento, o que \u00e9 muito bom. D\u00e1 mais moral para o cronograma, para a execu\u00e7\u00e3o das obras. Agora os envolvidos ter\u00e3o de despachar diretamente com a presidente da Rep\u00fablica, e ela j\u00e1 tem essa imagem de gestora determinada, incisiva. Talvez seja uma boa oportunidade de colocar algu\u00e9m no minist\u00e9rio com perfil estritamente t\u00e9cnico, para que a pasta deixe de ser s\u00f3 essa simples repassadora de verba para ONGs.<\/p>\n<p><strong>ELENA LANDAU<em> <\/em><\/strong>\u00e9 economista, advogada, ex-diretora do BNDES, ex-consultora em Gest\u00e3o Esportiva e botafoguense<\/p>\n<div>O Estado de S.Paulo<\/div>\n<p>CHRISTIAN CARVALHO CRUZ<br \/>\nNo <a href = \"http:\/\/www.estadao.com.br\/noticias\/impresso,bola-quadrada-no-campo-enlameado,789239,0.htm\" target = \"_news\"><b>www.estradao.com.br<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8216;Esporte no Brasil \u00e9 o seguinte: a ger\u00eancia \u00e9 privada, mas os recursos s\u00e3o p\u00fablicos. 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