{"id":29028,"date":"2011-11-19T19:22:11","date_gmt":"2011-11-19T21:22:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=29028"},"modified":"2011-11-19T19:22:11","modified_gmt":"2011-11-19T21:22:11","slug":"grapiunes-%e2%80%93-o-idioma-da-civilizacao-cacaueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/11\/19\/grapiunes-%e2%80%93-o-idioma-da-civilizacao-cacaueira\/","title":{"rendered":"Grapiun\u00eas \u2013 O Idioma da Civiliza\u00e7\u00e3o Cacaueira."},"content":{"rendered":"<div>\n<div style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" title=\"Roberto Carlos Rodrigues\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Roberto-Carlos-Rodrigues.jpg\" alt=\"Roberto Carlos Rodrigues\" width=\"200\" height=\"303\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Roberto Carlos Rodrigues<\/p><\/div>\n<p>N\u00e3o \u00e9 um idioma propriamente estruturado nem t\u00e3o pouco um dialeto jocoso, mas o Grapiun\u00eas pode ser considerado a L\u00edngua oficial dos antigos moradores da Regi\u00e3o Cacaueira do Sul da Bahia. Recheada de express\u00f5es curiosas e fascinantes, com forte apelo ao sotaque nordestino, o linguajar alegre daquele povo tomou vulto mundial principalmente nas obras dos escritores Adonias Filho e Jorge Amado. Esses escritores usavam e abusavam destes termos ling\u00fc\u00edsticos nas suas est\u00f3rias para descrever as falas das pessoas que habitavam aquelas plagas baianas no meio do s\u00e9culo passado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 fortes evid\u00eancias que o linguajar grapiun\u00eas se formou a partir utiliza\u00e7\u00e3o das falas matreiras dos trabalhadores rurais que viviam nas cidades do que se conhecia no s\u00e9culo passado como a Civiliza\u00e7\u00e3o Cacaueira. Esses trabalhadores eram retirantes em maioria expressiva oriunda dos Estados de Sergipe, Pernambuco e Alagoas. O termo Civiliza\u00e7\u00e3o Cacaueira foi criado por Adonias Filho para designar toda regi\u00e3o do Sul da Bahia que tinha naquela \u00e9poca o cacau com seu produto principal de gera\u00e7\u00e3o de riquezas.<\/p>\n<p>Acredita-se que esse linguajar espec\u00edfico do Sul da Bahia adv\u00e9m das jun\u00e7\u00f5es de express\u00f5es faladas pelos nordestinos brasileiros, remanescentes ind\u00edgenas sul baianos, colonizadores estrangeiros e ex-escravos das antigas sesmarias e fazendas de cacau. \u00a0Desse bojo ling\u00fc\u00edstico surgiu o que se conhece como o Grapiun\u00eas, um linguajar cheio de sotaques regionais dentro do lindo, por\u00e9m, complexo idioma portugu\u00eas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Facilmente se v\u00eaem cita\u00e7\u00f5es dos neologismos grapi\u00fanas nas prosas de Jorge Amado, Adonias Filho, Euclides Neto, Florisvaldo Mattos, Sos\u00edgenes Costa, Jorge Medauar, Ild\u00e1sio Tavares, Odilon Pinto, H\u00e9lio P\u00f3lvoras, Adelino Kfoury Silveira e mais recentemente nos textos de Daniel Thame e Romualdo Lisboa.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Os neologismos grapi\u00fanas n\u00e3o s\u00e3o genu\u00ednos da Regi\u00e3o Cacaueira do Sul da Bahia e muitos deles foram dicionarizados por Euclides Neto, em Dicionareco das Ro\u00e7as de Cacau e Arredores. Em sua maioria esses neologismos s\u00e3o variantes do linguajar sertanejo. A express\u00e3o Grapi\u00fana, segundo Adonias Filho, teve sua primeira cita\u00e7\u00e3o no romance Maria Bonita, de Afr\u00e2nio Pessoa, referindo \u00e0 maneira depreciativa com que os sertanejos qualificavam os moradores da capital e do litoral.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jorge Amado, em Gabriela, Cravo e Canela, consagra o termo grapi\u00fana referindo-se aos estrangeiros que se transformavam em grandes plantadores de cacau. Foi, portanto, <em>Gabriela<\/em> que inseriu no dicion\u00e1rio Aur\u00e9lio o verbete Grapi\u00fana. Veja algumas frases comumente achadas nos livros grapi\u00fanas:<\/p>\n<\/div>\n<p><em><br clear=\"all\" \/> <\/em><\/p>\n<ul>\n<li><em>Afogar o ganso &#8211; Se refere a um homem que est\u00e1 precisando fazer sexo.<\/em><\/li>\n<li><em>Ave de mau agouro &#8211; Diz-se de pessoa portadora de m\u00e1s not\u00edcias ou que, com a sua presen\u00e7a.<\/em><\/li>\n<li><em>Colocar panos quentes &#8211; Favorecer ou acobertar coisa errada feita por outro.<\/em><\/li>\n<li><em>Comer com os olhos &#8211; Apreciar de longe, sem tocar.<\/em><\/li>\n<li><em>Casa de m\u00e3e Joana &#8211; Onde vale tudo, todo mundo pode entrar, mandar, etc.<\/em><\/li>\n<li><em>Cor de burro quando foge \u2013 Sem cor definida, Pessoa assustada, desprevenido.<\/em><\/li>\n<li><em>Chegar de m\u00e3os abanando &#8211; Chegar a algum lugar sem levar nada, de m\u00e3os vazias.<\/em><\/li>\n<li><em>Com o rei na barriga &#8211; Em nossos dias refere-se a uma pessoa que d\u00e1 muita import\u00e2ncia a si mesma.<\/em><\/li>\n<li><em>Chorar as pitangas &#8211; Chorar muito at\u00e9 os olhos ficarem vermelhos, parecendo duas pitangas.<\/em><\/li>\n<li><em>Da p\u00e1 virada &#8211; Um sujeito da p\u00e1 virada pode tanto ser um aventureiro corajoso como um vadio.<\/em><\/li>\n<li><em>De cabo a rabo &#8211; Total conhecedor. Conhecer algo do come\u00e7o ao fim.<\/em><\/li>\n<li><em>Dourar a p\u00edlula &#8211; Significado: Melhorar a apar\u00eancia de algo.<\/em><\/li>\n<li><em>Estar de paquete &#8211; Situa\u00e7\u00e3o das mulheres quando est\u00e3o menstruadas.<\/em><\/li>\n<li><em>Favas contadas &#8211; Coisa certa, neg\u00f3cio seguro.<\/em><\/li>\n<li><em>Fazer ouvidos de mercador &#8211; Fazer que n\u00e3o ouviu.<\/em><\/li>\n<li><em>Farinha do mesmo saco &#8211; Faz-se essa compara\u00e7\u00e3o para insinuar que os bons andam com \u2018as farinhas\u2019 ruins.<\/em><\/li>\n<li><em>Salvo pelo gongo &#8211; Significado: Escapar de se meter numa encrenca por uma fra\u00e7\u00e3o de segundos.<\/em><\/li>\n<li><em>Onde Judas perdeu as botas: Lugar longe, distante, inacess\u00edvel.<\/em><\/li>\n<li><em>Nhenhenh\u00e9m &#8211; Conversa intermin\u00e1vel em tom de lam\u00faria, irritante, mon\u00f3tona. Resmungo, rezinga.<\/em><\/li>\n<li><em>Pensando na morte da bezerra &#8211; Estar distante, pensativo, alheio a tudo.<\/em><\/li>\n<li><em>Sem eira nem beira &#8211; Pessoas sem bens, sem posses.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p><em><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>Baixe aqui o texto completo como o dicion\u00e1rio anat\u00f4mico grapiun\u00eas. <strong><a href=\"http:\/\/rcrodrigues.files.wordpress.com\/2011\/11\/grapiunc3aas-e28093-o-idioma-da-civilizac3a7c3a3o-cacaueira.pdf\" target=\"_blank\">BAIXAR!<\/a><\/strong><\/p>\n<p><strong><a href=\"http:\/\/rcrodrigues.files.wordpress.com\/2011\/11\/grapiunc3aas-e28093-o-idioma-da-civilizac3a7c3a3o-cacaueira.pdf\" target=\"_blank\"><br \/>\n<\/a><\/strong><\/p>\n<p>(LINK DO ARQUIVO EM PDF: <a href=\"http:\/\/rcrodrigues.files.wordpress.com\/2011\/11\/grapiunc3aas-e28093-o-idioma-da-civilizac3a7c3a3o-cacaueira.pdf\" target=\"_blank\">http:\/\/rcrodrigues.files.<wbr>wordpress.com\/2011\/11\/<\/wbr><wbr>grapiunc3aas-e28093-o-idioma-<\/wbr><wbr>da-civilizac3a7c3a3o-<\/wbr><wbr>cacaueira.pdf<\/wbr><\/a> )<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 um idioma propriamente estruturado nem t\u00e3o pouco um dialeto jocoso, mas o Grapiun\u00eas pode ser considerado a L\u00edngua oficial dos antigos moradores da Regi\u00e3o Cacaueira do Sul da Bahia. 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