{"id":3330,"date":"2010-11-29T19:46:17","date_gmt":"2010-11-29T22:46:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=3330"},"modified":"2010-11-29T19:46:17","modified_gmt":"2010-11-29T22:46:17","slug":"animo-minha-gente-tenham-confianca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/11\/29\/animo-minha-gente-tenham-confianca\/","title":{"rendered":"\u00c2nimo minha gente! Tenham confian\u00e7a!"},"content":{"rendered":"<p> <strong>MEMHED <\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 faz algum tempo que deixei de acreditar. A coisa de uns dez anos comecei a me dar conta que eu havia abolido todos os crit\u00e9rios que norteavam a s\u00edntese de julgamento com que eu via as atitudes humanas \u00e0 minha volta. N\u00e3o que eu houvesse sido tomado por alguma enfermidade que induzisse a apatia ou indiferen\u00e7a excludentes sobre as intera\u00e7\u00f5es interpessoais. Nada disso. Foi volunt\u00e1rio.<\/p>\n<p>Por diversas vezes me surpreendi tomado por uma autocr\u00edtica rigorosa e fundamentalista, enquanto a aplicava sobre os meus pr\u00f3prios princ\u00edpios morais e o absente\u00edsmo que me fez abominar o interagir nas a\u00e7\u00f5es coletivas; na participa\u00e7\u00e3o e milit\u00e2ncia, ou no opinar sobre os processos que envolvem atirar movimentos sociais no v\u00e1cuo das indiferen\u00e7as dos poderes p\u00fablicos; lideran\u00e7as do povo, representantes&#8230;  Pois sim.<br \/>\nA minha misantropia; a avers\u00e3o aos \u201chomens-l\u00edderes\u201d; a antropofobia evidente \u00e9 resultante dum pragmatismo existencial muito forte; como se de repente eu pudesse ver enxergar, onde antes minha vista n\u00e3o alcan\u00e7ava. Como se eu houvesse adquirido a capacidade da antevis\u00e3o do futuro; um amanhecer sem o sol da igualdade e da justi\u00e7a no decepcionante Mundo Novo onde seus personagens j\u00e1 n\u00e3o necessitam fantasias m\u00edticas; aquelas com que antes disfar\u00e7avam os cotos da amputa\u00e7\u00e3o do car\u00e1ter.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c0quela \u00e9poca, vinte anos passados, ate que n\u00e3o foi dif\u00edcil vivenciar a nova vis\u00e3o interagente da pir\u00e2mide sociol\u00f3gica j\u00e1 em avan\u00e7ado processo de constru\u00e7\u00e3o; quase acabamento. O dif\u00edcil mesmo foi encarar em catarse franca, o descobrir duma elipse distorcida imposta \u00e0 nossa \u00f3rbita \u00e9tica; que est\u00e1vamos deslocados num mundo rec\u00e9m transformado e, para um viver antropof\u00e1gico acometido de intensa autofagia, sequiosa para banquetear-se da moral com farofa e votos flambados. Um constrangimento imoral.<\/p>\n<p>A antropologia n\u00e3o me classifica jur\u00e1ssico; n\u00e3o sou t\u00e3o velho assim, embora me sinta no mundo como um verme atipicamente nauseado sob a imposi\u00e7\u00e3o de nadar numa carca\u00e7a apodrecida. Literalmente fora da apet\u00eancia do meu contexto moral.<\/p>\n<p>Ainda esta semana dei-me por ler profundamente sobre a Sociedade dos Ratos; seu sistema de castas (eleitores, eleg\u00edveis e eleitos); sua democracia hierarquizada, suas pol\u00edticas sociais, seu clientelismo selvagem, sua pir\u00e2mide social. Algo um tanto semelhante \u00e0 nossa sociedade \u201ccivilizada\u201d \u2013 humana, nem t\u00e3o humana.<\/p>\n<p>Fiquei surpreso com os artif\u00edcios quase humanos, utilizados para ascender e manter-se no topo das pir\u00e2mides do consumo e do poder. Sen\u00e3o vejamos: Colocadas por n\u00f3s, as iscas venenosas servidas aos ratos s\u00e3o deixadas intocadas por alguns dias, em sofism\u00e1tica ignor\u00e2ncia. Literalmente ignoradas. Passado esse determinado per\u00edodo de comedida precau\u00e7\u00e3o, ratos inferiores (eleitores) s\u00e3o estimulados pela priva\u00e7\u00e3o dos alimentos, com fome institucional e, sob impositivas determina\u00e7\u00f5es superiores, a cheirarem as iscas e, mais adiante, consumi-las numa de suas refei\u00e7\u00f5es. Nesse \u00ednterim, no intercurso da d\u00favida, passam ent\u00e3o a serem observados clinicamente pelos ratos de \u201ccima\u201d (a casta predominante; gordos e opulentos). Se n\u00e3o apresentarem rea\u00e7\u00f5es adversas como convuls\u00f5es e morte; as iscas passam ent\u00e3o \u00e0 propriedade exclusiva dos ratos de cima, a elite, que ir\u00e3o a consumi-las em seus festins e banquetes \u00e0 saciedade, com absoluta seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>Viram quanta semelhan\u00e7a? Na nossa sociedade, quando \u201cum representante do povo\u201d \u00e9 pego roubando, ele renuncia ao cargo; passa algum tempo fora do cen\u00e1rio pol\u00edtico e volta depois vitorioso e ufanista; reeleito por quem? Pelos ratinhos eleitores. Quando um homem p\u00fablico se d\u00e1 conta que o \u201csal\u00e1rio\u201d auferido \u00e9 remunera\u00e7\u00e3o insuficiente aos seus m\u00e9ritos e qualidades, e procura provimento repondo a parte que se julga credor, a partir do dinheiro p\u00fablico: Se descoberto empanturrando-se e a seu s\u00e9quito (homens, mulheres e GLS). Na pior das hip\u00f3teses, abre-se uma \u201cSindic\u00e2ncia\u201d corretiva para apurar responsabilidades. Ao final conclui-se por: \u201cMeras inconsist\u00eancias cont\u00e1beis. Tudo dentro da mais perfeita normalidade\u201d!<\/p>\n<p>O que nos espanta nisso tudo \u00e9 o voluntariado altru\u00edsta dos aspirantes e pretendentes a cargos eletivos. Todos desesperado para \u201cservirem\u201d ao povo! A resolverem \u201cnossos problemas\u201d, salvarem-nos de n\u00f3s mesmos, ratinhos insanos. Tanto empenho em eleger-se para servir, que muitas vezes gastam tudo que tem em bens nas campanhas e marketing para exporem m\u00e9ritos e atributos convincentes (?); tomam empr\u00e9stimos complementares aos ciganos e ate chegam a encomendar a morte de concorrentes postulantes, pr\u00e9-julgados incompetentes \u00e0 mesma vaga postulada. Que coisa Linda! Quanto amor pra dar!<\/p>\n<p>Agora me digam: Vale \u00e0 pena reclamar porque nossa cidade afundou no caos? Que tem gente morrendo por falta de esparadrapo e \u00e1gua oxigenada? Por falta de um analg\u00e9sico? Que a desordem generalizada impera em nossas ruas centrais e bairros? Que n\u00e3o temos acesso aos demonstrativos de gastos p\u00fablicos? Transpar\u00eancia opaca pra n\u00f3s. Insurgimo-nos pra que? Se Davi venceu o gigante filisteu Golias com uma funda, n\u00e3o sei. Pode ter sido com uma catapulta, que \u00e9 mais plaus\u00edvel. Ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Pra que gastar tempo e tinta com o incorrig\u00edvel e irrecuper\u00e1vel? Fomos n\u00f3s que os colocamos onde est\u00e3o; ratos como fi\u00e9is deposit\u00e1rios do nosso trigo! Seremos n\u00f3s mesmos que os reconduziremos, findos os mandatos, de volta aos seus tronos. N\u00f3s os reelegeremos inescapavelmente, porquanto nessa pir\u00e2mide somos os ratinhos kamikazes: Se, de t\u00e3o desassistidos, a mis\u00e9ria social n\u00e3o nos matar; nada mais nos matar\u00e1. Sobreviremos eleitores a despeito das iscas envenenadas que condescendentemente ELES colocam em nosso destino.<\/p>\n<p>Contraditoriamente, mantive intacta a minha moral, m\u00e1s fiz a abla\u00e7\u00e3o de alguns elementos sensoriais da minha fisiologia: j\u00e1 n\u00e3o vejo; n\u00e3o ou\u00e7o nada e n\u00e3o falo. Pra que servem esses sentidos, se deles nada resulta?<\/p>\n<p>Parodiando um velho ditado turco: \u201cOs c\u00e3es ladram e a caravana defeca\u201d&#8230; Pra n\u00f3s.<\/p>\n<p>Pronto! Agora vou lavar uma trouxa de roupas; varrer a casa e depois dar um \u201ctrato\u201d na Edimunda que est\u00e1 toda cheirosa l\u00e1 na rede a me esperar.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nMehmed<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MEMHED J\u00e1 faz algum tempo que deixei de acreditar. A coisa de uns dez anos comecei a me dar conta que eu havia abolido todos os crit\u00e9rios que norteavam a s\u00edntese de julgamento com que eu via as atitudes humanas \u00e0 minha volta. 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