{"id":37111,"date":"2012-02-27T16:29:22","date_gmt":"2012-02-27T18:29:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=37111"},"modified":"2012-02-27T16:29:22","modified_gmt":"2012-02-27T18:29:22","slug":"luiz-castro-em-decolores-55","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/02\/27\/luiz-castro-em-decolores-55\/","title":{"rendered":"Luiz Castro em: DECOLORES"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/luiz-castro.jpg\" class=\"alignleft\" width=\"300\" height=\"118\" \/><strong>AS SABADADAS<\/strong><br \/>\n Lembro-me que at\u00e9 poucos tempos existia um grupo de amigos na cidade nova que se reuniam aos s\u00e1bados para jogar conversa fora, a base de um bom whisky e um seleto almo\u00e7o.<br \/>\nTamb\u00e9m na  casa de S\u00e1 Barretto  tinha  o habito de reunir seus amigos aos s\u00e1bados para  aquele bate papo . Os visitantes freq\u00fcentes moravam pr\u00f3ximo a sua resid\u00eancia a exemplo de  Hermilo Farias,  Coronel Fonseca, Zito Cardoso, Cabo Asterio, Augusto Paraiso, Gastura, Chico do Povo, Mesquita, al\u00e9m da minha pessoa.<br \/>\n O bate papo era o mais variado poss\u00edvel. As bebidas eram servidas  ao gosto do visitante, como tamb\u00e9m  os deliciosos acepipes feitos pela cozinheira Alzira.  Segundo S\u00e1 Barretto a cozinheira dormia com as m\u00e3os na virilha no intuito de acertar o tempero do manjar a ser servido.<br \/>\nTive oportunidade de participar de v\u00e1rios encontros em sua resid\u00eancia, inclusive com os escritores Jorge Amado, Adonias Filho, Waldir Pires e a atriz Luc\u00e9lia Santos, por ocasi\u00e3o de sua  apresenta\u00e7\u00e3o no Teatro Municipal de Ilh\u00e9us.<br \/>\nS\u00e1 Barretto sempre foi um homem espirituoso, tinha sempre uma est\u00f3ria para contar, era bastante vers\u00e1til e engra\u00e7ado.<br \/>\n Certa ocasi\u00e3o ele contou um episodio que aconteceu na pens\u00e3o Vasco , que funcionava onde hoje \u00e9 o  pr\u00e9dio do Banco do Brasil. <\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A pens\u00e3o Vasco era freq\u00fcentada por   Pedro Corro de Belmonte, o qual era de poucas letras mais bastante esperto, que aqui conheceu a propriet\u00e1ria Dona Carmen,  baixinha, de uma escola de baller. E ele tinha um metro e oitenta de altura, de modo que,   juntos nas ruas de Ilh\u00e9us, eram chamados de Ponto e Virgula.<br \/>\nNuma das salas do primeiro andar do pr\u00e9dio, reuniam-se \u00e0s tardes os coron\u00e9is do cacau para um carteado. Jogava-se, comemora-se, esmiu\u00e7ava-se a vida do pr\u00f3ximo. Era a \u00e9poca em que gerente de banco, coletor e autoridade com casca \u00e0s costas,  tinham prestigio, eram apontados nas ruas, mereciam cumprimentos e fidalguias. Por isso, quando chegou um novo gerente do Banco do Brasil, que jogava \u00e0s escondias para salvar as apar\u00eancias, o pessoal decidiu dar-lhe uma recep\u00e7\u00e3o triunfal no primeiro pavimento da Pens\u00e3o Vasco.<br \/>\nUma determinada criatura chamada Zuca que era espirituoso avisou:<br \/>\n-Vou pregar uma pe\u00e7a no gerente. Mas n\u00e3o entrou em pormenores. Ao Sargento Ars\u00eanio que ali encontrava-se encomendou balas de festim e carregou o revolver. Pretendia molestar o companheiro Dalmiro &#8211; impetuoso, de cabelo na venta, desses que n\u00e3o levam desaforo para casa, inimigo mortal de quem rouba em jogo de cartas, mesmo de brincadeira.<br \/>\n Zuca come\u00e7ou a esconder cartas na manga. Dalmiro por sua vez carregou o sobrolho. A cada rodada ficava mais silencioso. As veias do pesco\u00e7o incharam, a testa encheu-se de rugas, a voz tremia de emo\u00e7\u00e3o. Explodiu ao ver Zuca puxar um \u00e0s escondido no punho da camisa e exclamou! V\u00e1 roubar assim na casa da sua m\u00e3e.<br \/>\nDa\u00ed come\u00e7ou uma discuss\u00e3o violenta, improp\u00e9rios.<br \/>\n\u00c9 voc\u00ea! \u2013 bradou Zuca.<br \/>\nE ato continuo, levantando-se de rev\u00f3lver em punho, meteu dois bala\u00e7os em Dalmiro.<br \/>\nEstirado no ch\u00e3o, sentindo-se morto, Dalmiro implorou em voz plangente:<br \/>\n&#8211; Salom\u00e3o, meu amigo, meu irm\u00e3o, avise a Nica que estou baleado e vou morrer. Minhas reservas est\u00e3o dentro do colch\u00e3o&#8230;<br \/>\nMais p\u00e1lido que o suposto defunto, o novo gerente do Banco do Brasil resolveu enfrentar Zuca:<br \/>\n-Teje preso em nome da lei!<br \/>\n&#8211; Perdido por um, perdido por mil! \u2013 admitiu Zuca. E apertou novamente  o gatilho: duas balas dirigidas ao peito do gerente estupefato, que levou a m\u00e3o espalmada ao cora\u00e7\u00e3o e tombou.<br \/>\nPara n\u00e3o testemunhar a terr\u00edvel carnificina entre velhos amigos, entre companheiros do carteado de todas as tardes,  Salom\u00e3o  escafedeu-se pelos fundos da Pens\u00e3o Vasco.<br \/>\nUma encena\u00e7\u00e3o dessas, da pesada, n\u00e3o fica impune. Dalmiro ca\u00e7ou Zuca  durante um m\u00eas pelas ruas e arredores de Ilh\u00e9us. O destro\u00e7o seria inevit\u00e1vel. Todos previam uma segunda \u2013 e verdadeira &#8211;  cena de sangue, talvez um bangue-bangue digno do filme Terra Violenta. Mas os coron\u00e9is do cacau entraram em a\u00e7\u00e3o, aparando arestas, minimizando m\u00e1goas e ressentimentos. Depois de um m\u00eas de molho, Zuca e Dalmiro entravam sorrindo e abra\u00e7ados na Pens\u00e3o Vasco, de Pedro Corr\u00f3, o Corr\u00f3 de Belmonte, para o joguinho de todas as tardes.<br \/>\nFelizes tempos. Corria dinheiro em Ilh\u00e9us. O cacau estava no auge e quem falasse em vassoura-de-bruxa seria excomungado em nome do Santo Padre.<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o de Luiz Castro<br \/>\nBacharel Administra\u00e7\u00e3o de Empresa<br \/>\nFespi 1991, <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>AS SABADADAS Lembro-me que at\u00e9 poucos tempos existia um grupo de amigos na cidade nova que se reuniam aos s\u00e1bados para jogar conversa fora, a base de um bom whisky e um seleto almo\u00e7o. Tamb\u00e9m na casa de S\u00e1 Barretto tinha o habito de reunir seus amigos aos s\u00e1bados para aquele bate papo . 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