{"id":37324,"date":"2012-03-19T16:57:48","date_gmt":"2012-03-19T19:57:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=37324"},"modified":"2012-03-19T16:57:48","modified_gmt":"2012-03-19T19:57:48","slug":"o-velho-isaac-albagli","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/03\/19\/o-velho-isaac-albagli\/","title":{"rendered":"O Velho Isaac Albagl\u00ed"},"content":{"rendered":"<p>Diferentes autores j\u00e1 estudaram diferentes aspectos da economia regional, principalmente ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da monocultura cacaueira. A partir de 1875  cresce vertiginosamemente o n\u00famero de estabelecimentos comerciais na cidade. Em 1927,  no pico da arrecada\u00e7\u00e3o municipal, j\u00e1 estava aberta a &#8220;Caza Alberto&#8221;, de Alberto Chicourel, loja  de tecidos importados onde os mais ricos coron\u00e9is do cacau mantinham contas para as suas senhoras-esposas e, outras, para as raparigas. Poligamia consentida e soberba marcavam o tom do alto status socio-economico local. Al\u00e9m dos comerciantes sirio-libaneses chegados em Ilh\u00e9us desde o S\u00e9culo XIX, cerca de vinte jovens solteiros, de religi\u00e3o israelita, vindos da R\u00fassia, Polonia, Ucr\u00e2nia e Turquia mercavam nas poucas ruas e ruelas da cidade, naqueles anos de 1920. Aqui se seguem dados mais pessoais sobre um destes mercadores  que aqui ficaram e fincaram ra\u00edzes. Um zoom que deixa o plano macro &#8211; econ\u00f4mico ou antropol\u00f3gico &#8211; para buscar uma vis\u00e3o mais intimista de um dos personagens do com\u00e9rcio de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Antes de falarmos um pouco sobre a pessoa do velho Isaac, talvez fosse interessante uma breve explica\u00e7\u00e3o sobre a sua hist\u00f3ria familiar e a sua vinda do Oriente M\u00e9dio a Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No Inicio da Era Crist\u00e3, Tito invade Jerusalem e deporta a elite local \u00e0 Espanha, onde j\u00e1 estavam estabelecidadss comunidades judaicas no sul do pa\u00eds. Vivem ali por mais de 1500 anos, quando Isabella decreta a convers\u00e3o ou sa\u00edda dos judeus do seu reino. Os mais ricos, logo se convertem. Os mais pobres, trocam casas e vinhas por cavalos ou carro\u00e7as e partem a p\u00e9 \u00e0 vizinha Portugal. Os da classe-m\u00e9dia, muitos oper\u00e1rios especializados na ind\u00fastria de armamentos, partem com suas familias ao Imp\u00e9ro Otomano, a convite do Sult\u00e3o Beyazid II, de bendita mem\u00f3ria.<\/p>\n<p>Na Idade M\u00e9dia, uma familia de pastores de Bayona, no norte da Espanha, adotou o sobrenome &#8220;Alba&#8221; (aurora) em homenagem \u00e0 hora em que se acordavam para o trabalho. Mudaram-se para o Sul da It\u00e1lia, onde era costume se acrescentar um &#8220;GLI&#8221; no final dos sobrenomes. Neste tempo, os primeiros Albagli trabalhavam na produ\u00e7\u00e3o de pelica e camur\u00e7a, eram peleteiros.<\/p>\n<p>No S\u00e9culo XVIII, um rabino daquela familia italiana foi chamado para chefiar a comunidade religiosa de Izmirna, Turquia. Filho e neto o  sucederam no cargo. Os Albagli de Izmirna s\u00e3o descendentes daquela familia italiana ali chegada.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Turca (1917), unificou-se a moeda nacional, ficando sem trabalho os &#8220;saraf&#8221; &#8211; trocadores profissionais de dinheiro, muitos deles judeus. Ocorreu, ent\u00e3o, uma migra\u00e7\u00e3o quase total desta antiga comunidade de l\u00edngua espanhola para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Sarah Chicourel, vi\u00fava do saraf  Iosef Albagli, com o seu filho Isaac e mais tr\u00eas do falecido marido  passam em 1920 ao Rio de Janeiro, num velho navio, quase uma sucata flutuante. Ficou ancorado um ano no porto de Masrselha para consertos.<\/p>\n<p>Isaac, aos 13 anos, entrega comparas para uma loja de um patricio seu junto \u00e0 Candel\u00e1ria. \u00c0 noite, depois da exaustiiva jornada, chegava em casa j\u00e1 dormindo. Depois vai a Carangola mercar, com a ajuda de um burrico, na sua zona rural. Em 1928 chega a Ilh\u00e9us a convite do primo Alberto Chicourel. Tem 21 anos e merca no Pontal e Praia do Sul, mas o trabalho tamb\u00e9m \u00e9 cansativo e passa a atender no exclusivo &#8220;Bar Sul-Americano&#8221;, no centro da cidade. Vira gerente, s\u00f3cio e  dono do estabelecimento.<\/p>\n<p>Em 1934 nasce-lhe Sarah e, dois anos depois,  vende o bar e abre em frente a &#8220;Caza Brazil&#8221;, hoje a mais antiga empresa comercial<br \/>\nsobrevivente na cidade.<\/p>\n<p>Nascem Jos\u00e9, Rodolfo, Juj\u00fa, Alberto, Ren\u00e9e e Franklin, a todos  ensinando a importancia do equil\u00edbrio entre o trabalho, a lisura e o lazer.<\/p>\n<p>Era de pouca conversa, mas cortez e gentil<\/p>\n<p>Humano, n\u00e3o deixava a pol\u00edcia bater nos ladr\u00f5es-de-galinha que visitavam regularmente o seu s\u00edtio.<\/p>\n<p>Leitor voraz de jornais, sabia quase tudo da geopol\u00edtica global do momento.<\/p>\n<p>Esmerado na higiene pessoal, investia pesado em lo\u00e7\u00f5es, sabonentes e perfumes.<\/p>\n<p>Rosa, a sua esposa, vela e leme do seu barco, atendeu ao seu pedido e, com a ajuda de amigos, construiu a primeira etapa da Escola Vov\u00f4 Isaac, na rua do Cano, Av. Esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Isaac Albagli, a um s\u00f3 tempo, \u00e9 um exemplo e uma saudade.<\/p>\n<p>do seu neto bohoro<br \/>\nGuilherme A. de Almeida     <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diferentes autores j\u00e1 estudaram diferentes aspectos da economia regional, principalmente ap\u00f3s a implanta\u00e7\u00e3o da monocultura cacaueira. A partir de 1875 cresce vertiginosamemente o n\u00famero de estabelecimentos comerciais na cidade. 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