{"id":37724,"date":"2012-03-28T18:49:08","date_gmt":"2012-03-28T21:49:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=37724"},"modified":"2012-03-28T18:49:08","modified_gmt":"2012-03-28T21:49:08","slug":"heckel-januario-em-na-briga-da-origem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/03\/28\/heckel-januario-em-na-briga-da-origem\/","title":{"rendered":"Heckel Janu\u00e1rio em: NA BRIGA DA ORIGEM"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" class=\"alignleft\" width=\"300\" height=\"129\" \/>A quest\u00e3o da pigmenta\u00e7\u00e3o da pele tem dado e continua dando o que falar.<br \/>\n\tEm sua forma\u00e7\u00e3o e firma\u00e7\u00e3o, a elite brasileira, escravocrata por excel\u00eancia, tinha a braveza de achar \u2013inclusive j\u00e1 com as provas da miscigena\u00e7\u00e3o em curso\u2013, a cor branca como superiora.<br \/>\nNesse processo, de definir o brasileiro como povo, essa suposta superioridade branca sempre esteve ocupando largo espa\u00e7o, e era defendida por gente do calibre de um Nina Rodrigues(este mesmo do conhecido IML &#8211; Instituto M\u00e9dico Legal, de Salvador, nomeado em sua homenagem), m\u00e9dico, intelectual, legista, antrop\u00f3logo \u2013autor  de v\u00e1rios livros e grande contribuinte da medicina brasileira\u2013, um sustentador que o ser humano de cor preta pertencia a ra\u00e7a inferior. Tal tese, sobretudo por defendida por intelectualidade de alto n\u00edvel, seria, \u00e0 luz dos dias atuais, considerada tendenciosa, ou no m\u00ednimo, sem nexo.<br \/>\nNa briga da origem, a mistura do imigrante europeu, negro africano e do \u00edndio daqui saiu-se vencedora, mas os descendentes com predomin\u00e2ncia de pele negra, sem darem \u2013como assim se comportaram os de tez branca\u2013 bolas pro resultado miscigenado, empreenderam, principalmente em tempos hodiernos, vitoriosos e justos movimentos na conquista da cidadania, sobressaindo-se, com efeito, em variados l\u00f3cus da sociedade. Foi desta maneira, e inovando, e conquistando gregos, troianos e adjacentes por todo o pa\u00eds, que ser \u201cneg\u00e3o\u201d passou a um estilo de vida, em especial entre a mo\u00e7ada aqui da Bahia, com destaque entre outros, na apar\u00eancia, para as famosas tran\u00e7as rastaf\u00e1ri, e, na m\u00fasica, para a impon\u00eancia e harmonia do som percussivo. <\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u201cOs pesquisadores afirmam que os genes da cor da pele e dos cabelos s\u00e3o muito poucos e desprez\u00edveis na heran\u00e7a gen\u00e9tica. Assim, o leigo toma esses efeitos vis\u00edveis como indicativo de ra\u00e7a, mas est\u00e3o enganados\u201d. Este entre aspas faz parte de \u201cOs \u2018negros\u2019 brasileiros s\u00e3o africanos?\u201d, artigo de Mario Eugenio Saturno, Tecnologista Senior do INPE(Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), publicado em 24 de fevereiro no jornal Di\u00e1rio de Ilh\u00e9us que li, guardei e resolvi traz\u00ea-lo \u00e0 reflex\u00e3o. Percebeu bem? \u00c9 sugestivo e diz respeito, o texto completo, a duas pesquisas sobre heran\u00e7a gen\u00e9tica: uma da UFMG(Universidade Federal de Minas Gerais) e outra da USP de Ribeir\u00e3o Preto em parceria com Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.<br \/>\nImpactantes? A meu ver, sim. Sem entrar em outros detalhes, a resposta dada \u00e0 an\u00e1lise do \u201cgenoma de 934 pessoas, observando um conjunto de 40 variantes de DNA\u201d \u00e9 que a ascend\u00eancia europ\u00e9ia na popula\u00e7\u00e3o brasileira nunca se mostrou inferior a 60% (indo aos 80%) e que a menor contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 do ind\u00edgena, s\u00f3 passando dos 10% na regi\u00e3o Norte do pa\u00eds. Ao panorama o autor n\u00e3o hesitou na conclus\u00e3o: \u201cIsso mostra que muita gente que se diz negra, querendo remeter ancestralidade \u00e0 \u00c1frica, n\u00e3o passam de europeus com pele escura\u201d.<br \/>\nTamb\u00e9m a pesquisa desbanca uma \u201ccren\u00e7a hist\u00f3rica\u201d de que o maior percentual (70%) dos escravos vinha de Angola \u2013e somente 10% da parte ocidental da \u00c1frica\u2013, ao constatar que esta regi\u00e3o africana, sobremaneira a Nig\u00e9ria, pode ter dado uma contribui\u00e7\u00e3o \u201c&#8230;at\u00e9 quatro vezes maior\u201d. A segunda pesquisa, que constou da \u201cverifica\u00e7\u00e3o de 180 \u00edndios da etnia patax\u00f3, distribu\u00eddos em seis aldeias do sul da Bahia, pr\u00f3ximo a Porto Seguro\u201d, o resultado foi igualmente (o mesmo realizado com outras tribos do Brasil) surpreendente ao assegurar, apesar do secular contato com os europeus, que \u201ccerca de 80% dos patax\u00f3s t\u00eam DNA tipicamente ind\u00edgena\u201d e ainda, \u201cque seus parentes mais pr\u00f3ximos s\u00e3o as tribos do Brasil Central, como os cra\u00f4s e os caiap\u00f3s\u201d. Pra quem n\u00e3o acredita na exist\u00eancia de \u00edndio com tamanha pureza&#8230;<br \/>\nFica a\u00ed ent\u00e3o com o caro leitor do s\u00e9culo XXI, refletir e chegar a uma conclus\u00e3o <\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nHeckel Janu\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A quest\u00e3o da pigmenta\u00e7\u00e3o da pele tem dado e continua dando o que falar. 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