{"id":38125,"date":"2012-04-07T11:39:44","date_gmt":"2012-04-07T14:39:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=38125"},"modified":"2012-04-07T11:39:44","modified_gmt":"2012-04-07T14:39:44","slug":"o-desatar-do-no","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/04\/07\/o-desatar-do-no\/","title":{"rendered":"O DESATAR DO \u201cN\u00d3."},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_38126\" style=\"width: 207px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jorge-vieira.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-38126\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jorge-vieira.jpg\" alt=\"\" title=\"jorge vieira\" width=\"197\" height=\"251\" class=\"size-full wp-image-38126\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-38126\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Raymundo Vieira<\/p><\/div>Ontem assisti no Festival de Cinema &#8211; Bahia 2 &#8211; no Cine Teatro de Ilh\u00e9us \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o do Document\u00e1rio \u201cO N\u00d3 &#8211; Ato Humano Deliberado\u201d do cineasta.<br \/>\nBel\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o. Parab\u00e9ns pela arte, pela forma de expor o tema, pela filmagem e em especial, pela coragem de dar \u00e0 sociedade do cacau o conhecimento real desse tr\u00e1gico e desastroso epis\u00f3dio, provocado pelo ser humano regional.<br \/>\nAt\u00e9 ent\u00e3o, parecia que a regi\u00e3o estava esquecida, ou melhor, tinha aceitado o desastre pacificamente e perdoado o ou os grandes respons\u00e1veis. Passado o tempo, as conversas, as revoltas dos produtores amenizaram-se e os \u00f3rg\u00e3os governamentais pareciam ter apagado o epis\u00f3dio arquivando o processo existente.<br \/>\nSurge esse document\u00e1rio.  Ele retrata com detalhes o ocorrido, os sofrimentos dos produtores e dos trabalhadores do cacau. O reflexo no comercio regional, e na vida social e econ\u00f4mica da popula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nParab\u00e9ns aos idealizadores desse document\u00e1rio cinematogr\u00e1fico. Est\u00e3o gravados os fatos, os depoimentos at\u00e9 a confiss\u00e3o de um dos executores do crime.  Material comprobat\u00f3rio de todo o epis\u00f3dio, permitindo \u201cainda\u201d uma atitude governamental e da justi\u00e7a, reparando as perdas financeiras dos produtores pelo desastre ocorrido e das orienta\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas precipitadas sem uma comprova\u00e7\u00e3o cientifica significante e a necess\u00e1ria puni\u00e7\u00e3o aos criminosos.<br \/>\nUm deles se identificou confessando sua a\u00e7\u00e3o maldosa. Existiram outros? Quem liderou ou foi o mandante do crime?  Quem encoberta todo esta trag\u00e9dia regional ocultando provas e arquivando o processo policial?<br \/>\nTudo isto representa um triste acontecimento nesta bela e rica regi\u00e3o do sul da Bahia.  Certamente vai ficar somente na hist\u00f3ria e futuros \u201cJorge Amado\u201d v\u00e3o escrever sobre este tema. <\/p>\n<p>O que para mim faltou no document\u00e1rio. <\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ficou nas imagens, em alguns depoimentos e outros expostos posteriormente a impress\u00e3o de que a maior culpa estava na Ceplac.  Alguns entrevistados condenaram mais a institui\u00e7\u00e3o que os introdutores da Vassoura de Bruxa na regi\u00e3o.  Na verdade foram in\u00fameras tentativas t\u00e9cnicas no desejo de reter o avan\u00e7o da enfermidade ou mesmo combat\u00ea-la eficientemente. Provavelmente a ansiedade deste desejo e a car\u00eancia de pesquisas existentes levaram a agilizar solu\u00e7\u00f5es sem o devido tempo de comprova\u00e7\u00e3o cientifica. Mas, precisava-se fazer algo; tentar a todo custo salvar as planta\u00e7\u00f5es de cacau e sua economia deste desastre provocado pelo ser humano.<br \/>\nO \u00e1ureo tempo da institui\u00e7\u00e3o foi esquecido.  Nos anos 50 e inicio de 60 existiu uma grande crise na lavoura cacaueira levando muitos cacauicultores a fal\u00eancia. Queda da produ\u00e7\u00e3o, baixa produtividade causada pela Podrid\u00e3o Parda, falta de organiza\u00e7\u00e3o da classe produtora, pre\u00e7os baixos, comercializa\u00e7\u00e3o inadequada, amplia\u00e7\u00e3o dos d\u00e9bitos financeiros e falta de atendimento governamental.<br \/>\nEm 1957 por sugest\u00e3o dos produtores de cacau surgiu a CEPLAC hoje t\u00e3o condenada.  Foi ela que tirou a maioria dos produtores da fal\u00eancia e da perda de suas propriedades agr\u00edcolas atrav\u00e9s de financiamentos apropriados. Depois foi ela quem deu inicio a um Programa T\u00e9cnico especialmente dedicado ao Cacau.<br \/>\nA Bahia e o Brasil n\u00e3o possu\u00edam mais que cinco ou seis t\u00e9cnicos de reconhecida experi\u00eancia e conhecimento no cultivo do cacau.  Na comercializa\u00e7\u00e3o do produto nem se fala. Estava com os exportadores. Foi preciso contratar t\u00e9cnicos rec\u00e9m-formados e ensinar-lhes sobre este cultivo em todos seus aspectos e injetar uma dosagem de idealismo com o desejo de retirar a regi\u00e3o desta triste situa\u00e7\u00e3o.<br \/>\nE hoje poucos sabem que a Ceplac nos seus primeiros vinte e cinco anos de exist\u00eancia, al\u00e9m de v\u00e1rios benef\u00edcios prestados \u00e0 regi\u00e3o, conseguiu aumentar a produ\u00e7\u00e3o brasileira de 120.000 toneladas para 420.000 ton. <\/p>\n<p>de cacau; resultado do trabalho t\u00e9cnico cient\u00edfico, da assist\u00eancia t\u00e9cnica e da participa\u00e7\u00e3o e dedica\u00e7\u00e3o dos produtores. Per\u00edodo \u00e1ureo para os produtores. Representou tamb\u00e9m um modelo institucional para a cria\u00e7\u00e3o da EMBRAPA.<br \/>\nA hist\u00f3ria est\u00e1 a\u00ed registrando n\u00e3o s\u00f3 os erros e falhas, mas tamb\u00e9m os sucessos e a influencia ben\u00e9fica exercida em prol do desenvolvimento socioecon\u00f4mico da regi\u00e3o.<br \/>\nTodo este \u00eaxito gerado pela Ceplac e produtores de cacau poderia ter continuado se n\u00e3o fossem alguns fatos ocorridos no \u00e2mbito governamental: a extin\u00e7\u00e3o da Cota de Contribui\u00e7\u00e3o Cambial &#8211; exig\u00eancia de uma nova pol\u00edtica monet\u00e1ria &#8211; restringindo recursos da Ceplac e tirando sua independ\u00eancia administrativa financeira.<br \/>\nOutro aspecto foi \u00e0 introdu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica partid\u00e1ria na sua administra\u00e7\u00e3o, variando de partidos, do governo Sarney at\u00e9 hoje atrav\u00e9s dos pol\u00edticos regionais e seus interesses eleitoreiros.  O terceiro grande problema, toda a sociedade tem conhecimento &#8211; a introdu\u00e7\u00e3o maldosa da Vassoura de Bruxa.<br \/>\nA regi\u00e3o est\u00e1 sem uma forte organiza\u00e7\u00e3o dos produtores, sem representa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica competente e descomprometida, sem rea\u00e7\u00e3o da sociedade regional na defesa desta economia, sem o Governo atender as reivindica\u00e7\u00f5es dos produtores e deixando a CEPLAC \u00e0 \u201cm\u00edngua\u201d &#8211; escassez de recursos, sem atualiza\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica dos seus profissionais e especialmente sem reposi\u00e7\u00e3o do seu quadro de t\u00e9cnicos a mais de 15 anos promovendo um descontentamento generalizado e ainda vivendo influenciada pela pol\u00edtica partid\u00e1ria de interesse eleitoral.<br \/>\nEspero e almejo que esse Document\u00e1rio Cinematogr\u00e1fico permita a revitaliza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es dos produtores de cacau e a reabertura do processo criminal, estranhamente arquivado. <\/p>\n<p><b>Jorge Raymundo Vieira. Eng. Agr\u00f4nomo, MS aposentado da CEPLAC.<\/b> <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem assisti no Festival de Cinema &#8211; Bahia 2 &#8211; no Cine Teatro de Ilh\u00e9us \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o do Document\u00e1rio \u201cO N\u00d3 &#8211; Ato Humano Deliberado\u201d do cineasta. Bel\u00edssima apresenta\u00e7\u00e3o. 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