{"id":38625,"date":"2012-04-14T12:29:51","date_gmt":"2012-04-14T15:29:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=38625"},"modified":"2012-04-14T12:29:51","modified_gmt":"2012-04-14T15:29:51","slug":"de-novoa-ceplac-se-nao-puder-ajudar-por-favor-nao-atrapalhe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/04\/14\/de-novoa-ceplac-se-nao-puder-ajudar-por-favor-nao-atrapalhe\/","title":{"rendered":"De novo!\u2026a Ceplac \u2013 se n\u00e3o puder ajudar, por favor n\u00e3o atrapalhe"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" title=\"Walmir Ros\u00e1rio\" src=\"http:\/\/www.ciadanoticia.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Walmir-Ros%C3%A1rio2-225x300.jpg\" alt=\"Walmir Ros\u00e1rio\" width=\"225\" height=\"300\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Walmir Ros\u00e1rio<\/p><\/div>\n<p>Reiterada vezes, a Ceplac \u00e9 alvo de francos atiradores. A mais recente pol\u00eamica envolvendo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela pesquisa e extens\u00e3o do cacau \u2013 al\u00e9m de outros cultivos \u2013 foi criada atrav\u00e9s de um questionamento do secret\u00e1rio da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles. O assunto poderia ter passado despercebido n\u00e3o fosse o autor engenheiro agr\u00f4nomo e ocupante do cargo m\u00e1ximo da agricultura na Bahia.<\/p>\n<p>O tema divulgado pelo secret\u00e1rio era carregado de incerteza sobre o futuro da institui\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 bastante plaus\u00edvel, haja vista a import\u00e2ncia da Ceplac para a agricultura baiana e brasileira. Por\u00e9m, as premissas questionadas n\u00e3o foram bastantes e suficientes para tratar com a relev\u00e2ncia que merece, provocando um debate est\u00e9ril e desnecess\u00e1rio, n\u00e3o acrescentando coisa alguma em torno da quest\u00e3o mais premente: a Ceplac tem o que contribuir para o desenvolvimento econ\u00f4mico ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>A quest\u00e3o do patrim\u00f4nio material e imaterial da Ceplac ser transferido para a Embrapa, universidades (existentes ou a ser criadas) ou outros \u00f3rg\u00e3os an\u00e1logos n\u00e3o serve como ponto de partida para uma discurs\u00e3o. Ao contr\u00e1rio, inviabilizaria qualquer tentativa neste sentido, iniciando pelas quest\u00f5es intr\u00ednsecas do seu quadro de pessoal, a exemplo do modelo jur\u00eddico empregat\u00edcio.<\/p>\n<p>Como se isso por si s\u00f3 n\u00e3o bastasse, ainda existem outros entraves como os objetivos de cada uma dessas institui\u00e7\u00f5es \u2013 estrutura e miss\u00e3o \u2013 passando pelo know-how existente nas atividades desempenhadas, somente para ficar nessas quest\u00f5es menores. Existem diferen\u00e7as abissais entre os modelos de financiamento das pesquisas realizadas pela Ceplac \u2013 hoje um departamento do Minist\u00e9rio da Agricultura \u2013 e pela Embrapa.<\/p>\n<p>Claro que como o papel aceita qualquer tipo de projeto, os t\u00e9cnicos em burocracia administrativa poderiam criar modelos dos mais diversos, h\u00edbridos ou n\u00e3o para dar forma a um desses monstrengos governamentais qualquer. Por\u00e9m, n\u00e3o haver\u00e1 como suprir o conhecimento cient\u00edfico adquirido ao longo do tempo sobre as \u00e1reas econ\u00f4mica, geol\u00f3gica, agron\u00f4mica, social, dentre outras t\u00e3o essenciais para o desenvolvimento das regi\u00f5es cacaueiras da Bahia e do Brasil.<\/p>\n<p>Digo isso porque a Ceplac fomentou, durante todo esse tempo, o conhecimento integrado das lavouras existentes nas regi\u00f5es onde atua, sobretudo sobre a cacauicultura, cultura perene que exige d\u00e9cadas de observa\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o de uma teoria. Mas isso ainda \u00e9 pouco se formos observar a lavoura do cacau como um elemento de liga\u00e7\u00e3o cultural dos povos que desenvolvem essa atividade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A Na\u00e7\u00e3o Grapi\u00fana formada pelos mais de 100 munic\u00edpios da Bahia tem impregnado no homem o \u201cvisgo do cacau\u201d, o que se tornou mais que um s\u00edmbolo, transformando-se numa identidade em um territ\u00f3rio habitado por mais de tr\u00eas milh\u00f5es de pessoas. Nessa mesma regi\u00e3o, a Ceplac, historicamente, pode ser creditada como o \u00f3rg\u00e3o governamental vetor do desenvolvimento, participando, decisivamente, de todas as a\u00e7\u00f5es empreendidas junto ao diversos setores da comunidade.<\/p>\n<p>Mas se a Ceplac do passado participou do processo de amalgamento socioecon\u00f4mico regional, a de hoje, rejeitada pelos sucessivos governantes da \u00e1rea federal, poder\u00e1 ser repensada e reestruturada com a finalidade de continuar o processo iniciado desde a sua cria\u00e7\u00e3o. Se j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 considerada a mesma por alguns setores da sociedade, notadamente a pol\u00edtica e a rural, que se promova sua reestrutura\u00e7\u00e3o, para que preste um servi\u00e7o \u00e0 altura de suas tradi\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>E neste mister a Ceplac de hoje tem consci\u00eancia de que \u201cpode e deve\u201d (para utilizar uma express\u00e3o de marketing utilizada pelos seus t\u00e9cnicos anos atr\u00e1s) mudar e elaborar um amplo projeto para tal. Se fizermos um esfor\u00e7o, nossa mem\u00f3ria vai relembrar diversos modelos de Ceplac, cada uma deles em conson\u00e2ncia com a necessidade da lavoura em determinadas \u00e9pocas.<\/p>\n<p>A Ceplac da reestrutura\u00e7\u00e3o dos cr\u00e9ditos; da recupera\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o com o uso de novas t\u00e9cnicas provenientes da revolu\u00e7\u00e3o verde, com a extens\u00e3o rural; a do aumento da produtividade, com as pesquisas cient\u00edficas. Tudo sob os olhares atentos de Jos\u00e9 Haroldo, Paulo Alvim e outros tantos competentes t\u00e9cnicos, que conseguiam elaborar projetos e propostas em recursos e novas amplia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80, os pol\u00edticos mandantes no pa\u00eds promoveram o sucateamento da Ceplac sob o argumento imbecil de que seria um \u00f3rg\u00e3o \u201cfilhote da ditadura\u201d, com o quadro de pessoal inchado e sem efici\u00eancia. Doaram os pr\u00e9dios, as m\u00e1quinas desbravadoras de estradas vicinais, desmontaram a pesquisa e extens\u00e3o.<\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio dessa \u00e9poca, hoje se promove a reinser\u00e7\u00e3o da Ceplac nas propostas modernas, a exemplo de contribuir efetivamente para a conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade, elegendo como miss\u00e3o o desenvolvimento rural sustent\u00e1vel das regi\u00f5es produtoras de cacau. Buscando ser uma institui\u00e7\u00e3o de excel\u00eancia no desenvolvimento de modelos competitivos e sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o para a agricultura tropical perene nas regi\u00f5es cacaueiras. A cabruca, sistema de cultivo do cacau\u00a0que prima pela preserva\u00e7\u00e3o ambiental e que tem por premissa a conserva\u00e7\u00e3o produtiva, evidencia a import\u00e2ncia da lavoura cacaueira na preserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade, da Mata Atl\u00e2ntica e da Floresta Amaz\u00f4nica.<\/p>\n<p>Enquanto essa transforma\u00e7\u00e3o \u00e9 elogiada efusivamente pela comunidade cient\u00edfica nacional, que aguarda um plano de a\u00e7\u00e3o consistente para a produ\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel durante a realiza\u00e7\u00e3o da Rio+20, os \u201curubus\u201d voltam a sobrevoar a Ceplac em busca de \u201ccarni\u00e7as\u201d institucionais\u201d para saciar sua fome. Ainda bem que \u201cpraga de urubu magro n\u00e3o pega em cavalo gordo\u201d, como diz o ditado popular.<\/p>\n<p><strong><em>*Advogado, Jornalista, ex-ceplaqueano e editor do site: www.ciadanoticia.com.br<\/em><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Reiterada vezes, a Ceplac \u00e9 alvo de francos atiradores. A mais recente pol\u00eamica envolvendo o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela pesquisa e extens\u00e3o do cacau \u2013 al\u00e9m de outros cultivos \u2013 foi criada atrav\u00e9s de um questionamento do secret\u00e1rio da Agricultura da Bahia, Eduardo Salles. 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