{"id":4163,"date":"2010-12-10T09:04:30","date_gmt":"2010-12-10T12:04:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=4163"},"modified":"2010-12-10T09:04:30","modified_gmt":"2010-12-10T12:04:30","slug":"umbusada-no-natal-com-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/12\/10\/umbusada-no-natal-com-amor\/","title":{"rendered":"Umbusada no Natal, com amor."},"content":{"rendered":"<p>De: Mehmed <mehmed .ibnfaisal@gmail.com><br \/>\nAssunto:<strong> Umbusada no Natal, com amor.<\/strong><\/p>\n<p>Corpo da mensagem:<\/p>\n<p>Umbuzada no Natal!<\/p>\n<p>Hoje cedo acordei vendo a Edmunda se vestindo, se arrumando toda pra ir ao com\u00e9rcio. Curioso, arrisquei:<br \/>\n_ Onde voc\u00ea pensa que vai, meu xod\u00f3? Assim toda gostosa!<br \/>\nEla:<br \/>\n_ Homi! Eu vou comprar umbu pra decora\u00e7\u00e3o de natal e entrada do Ano Novo! Nada de economia; vou trazer uns tr\u00eas litros!<br \/>\nUmbu? Fiquei meditativo, curioso para entender o porqu\u00ea da rela\u00e7\u00e3o entre essa fruta da caatinga, o umbu, e as festas natalinas e de Ano novo.  Ser\u00e1 que a minha criloira pirou de vez? (Edmunda deu um blond no resto dos cabelos) T\u00e1 que nem uma finlandesa.  Da pen\u00faltima vez ela deu de fazer um tal de \u201crelaxamento\u201d. Passou um tsunami no coc\u00f3, que levou quase tudo; uma p\u00e9la geral, os cabelos da Edmunda pediram demiss\u00e3o&#8230; Foram-se quase todos os fios duma \u00e9gua, sem aviso pr\u00e9vio.<\/p>\n<p>Umbu no Natal e Ano Novo? Seria Frango com papo recheado com farofa de umbu? E os caro\u00e7os? Se eu engolir um vai entupir a sa\u00edda. Detesto umbu.<\/p>\n<p>Edmunda nasceu l\u00e1 em Andiroba, no meio da caatinga, onde se come umbu ate em vel\u00f3rio. Algu\u00e9m me disse que a Edmunda foi criada com umbu, rapadura e farinha de guerra! Talvez por isso que ela tem aqueles dois umbuz\u00f5es atr\u00e1s. Adoro os umbuz\u00f5es dela. N\u00e3o passo sem eles; s\u00e3o t\u00e3o aconchegantes!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Caca! Pra que tanto umbu? Tr\u00eas litros! Natal? Ano Novo? Umbu? Inquieta\u00e7\u00f5es, d\u00favidas; tantos questionamentos me varrerem os pensamentos! Umbu?  Ser\u00e1 que ela est\u00e1 pegando frete com o vendedor de umbu? Acho que n\u00e3o; ela n\u00e3o dorme enquanto eu n\u00e3o chego l\u00e1! \u00c9 paix\u00e3o mesmo.<\/p>\n<p>Umbus&#8230; Que merda \u00e9 essa? Contudo, num reflexo pavloviano, balancei meus umbus \u00edntegros e, virei pro canto pra mais uma soneca enquanto aguardo Edmunda voltar das compras. N\u00e3o sou o Macuna\u00edma, mas ningu\u00e9m \u00e9 de ferro. \u00d3cio&#8230;<\/p>\n<p>Acordei a\u00ed pelas dezesseis horas. Logo que abri os olhos topo com aqueles dois umbuz\u00f5es encarando-me de frente. Edmunda agachada, meio recurvada pra frente, naquela posi\u00e7\u00e3o de tiro, arrumava um enorme galho de \u00e1rvore que ela havia enfiado num pote velho cheio de areia. Ela dependurava umas bolinhas de colorido met\u00e1lico espelhado, em rosa, azul, verde. Tudo muito brilhoso no galho meio murcho, mas ainda verde e cheio de algod\u00f5es simulacros de neve.<\/p>\n<p>Fiquei ali parado admirando em sil\u00eancio, a silhueta de formas curvil\u00edneas e rotundas que me faz passar noites insones em fainas de ser\u00f5es volunt\u00e1rios e prazerosos. Ah!<\/p>\n<p>Levantei-me de mansinho e fui achegando por tr\u00e1s. Dei-lhe um beijo no cangote, cheirei aquele perfume lascivo enquanto a enla\u00e7ava j\u00e1 meio interessado, pela cintura. Besta, perguntei:<br \/>\n_ Chegou minha nega! Tava roxinho de saudade!<\/p>\n<p>S\u00f3 a\u00ed ela foi me mostrar que os inef\u00e1veis umbus j\u00e1 estavam ali mesmo, encapados com papel metalizado colorido, decorando a nossa \u201c\u00c1rvore de Natal\u201d como os caros bulbos de vidro nas \u00e1rvores de gente bem. Tamb\u00e9m tinha an\u00e9is e tampinhas de refrigerantes, representando estrelas e luas. Como pingente, l\u00e1 na pontinha da nossa \u00e1rvore, ela havia colocado um enorme piment\u00e3o vermelho. Admirado; fiquei mais enternecido ainda, quando ela apertando-me contra o cora\u00e7\u00e3o escondido atr\u00e1s daqueles dois mamilos macios; disse-me em tom carente e dengoso:<\/p>\n<p>_ Neguinho! Este ano a coisa t\u00e1 preta aqui em casa. Eu economizei pra comprar uma camisa do Cor\u00edntias pra ti dar no Natal, mas n\u00e3o consegui. Mas n\u00e3o vai passar em branco n\u00e3o. Teu presente vai ser singelo, mas cheio de amor: Vou amarrar uma fita vermelha no meu pesco\u00e7o para dependurar o Cart\u00e3o de Natal com dedicat\u00f3ria e, vou deitar em cima dessa manta ao p\u00e9 da nossa \u00c1rvore de Natal pra me dar do jeito que vim ao mundo pra voc\u00ea. Tomara que te agrade!<\/p>\n<p>Ainda meio at\u00f4nito, senti que algo grande e alegre mexeu em mim.  Sem saber o que dizer ante a imin\u00eancia de t\u00e3o delicioso presente; balbuciei:<\/p>\n<p>_ Claro que vou gostar meu pastel de sonhos! Lembra que foi o mesmo presente que recebi ano passado? Continua \u00f3timo, s\u00f3 mudou a fitinha pra vermelha; ano passado foi azul. E os umbus? Sobrou algum?<br \/>\nEla:<br \/>\n_ Sobrou dois, dos grandes! Quer comer agora meu bem?<br \/>\nAh! Essa fome que n\u00e3o me abandona. Aqui em casa \u00e9 Natal o ano todo.<br \/>\nCom licen\u00e7a. Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o servidos n\u00e3o! Claro que n\u00e3o.<\/p>\n<p>_ Quero sim xod\u00f3!<\/p>\n<p>Falei de in\u00edcio que detestava umbu. Pois \u00e9&#8230; S\u00f3 aqueles verdinhos.<br \/>\nMehmed . 09\/12\/2010 23:07:00<\/mehmed><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De: Mehmed Assunto: Umbusada no Natal, com amor. Corpo da mensagem: Umbuzada no Natal! Hoje cedo acordei vendo a Edmunda se vestindo, se arrumando toda pra ir ao com\u00e9rcio. 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