{"id":41848,"date":"2012-05-29T10:52:07","date_gmt":"2012-05-29T13:52:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=41848"},"modified":"2012-05-29T10:52:07","modified_gmt":"2012-05-29T13:52:07","slug":"historias-de-um-ilheense-inicio-de-minha-trajetoria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/05\/29\/historias-de-um-ilheense-inicio-de-minha-trajetoria\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIAS DE UM ILHEENSE \u2013 IN\u00cdCIO DE MINHA TRAJET\u00d3RIA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Tom\u00e9 Pacheco<\/strong><\/p>\n<p><div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" alt=\"Tom\u00e9 Pacheco\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Tom%C3%A9-Pacheco-300x225.jpg\" title=\"Tom\u00e9 Pacheco\" width=\"300\" height=\"225\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tom\u00e9 Pacheco<\/p><\/div>No cap\u00edtulo anterior das hist\u00f3rias que estou buscando contar, abordei minha <a href = \"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/05\/14\/tome-pacheco-em-historias-de-um-ilheense\/\" target = \"_news\"><b>\u201cChegada ao Carandiru\u201d<\/b><\/a>, este tem a ver como tudo come\u00e7ou.<\/p>\n<p>No ano de 1968 meu sonho era estudar no IME \u2013Instituto Municipal de Educa\u00e7\u00e3o, mas como a concorr\u00eancia na \u201cadmiss\u00e3o\u201d era muito grande, n\u00e3o consegui, indo ent\u00e3o para o  Col\u00e9gio Estadual de Ilh\u00e9us. Foi a\u00ed que conheci e me tornei colegas de \u00f3timas pessoas como Eduardo Paturi, Paulo Pitta, C\u00e9sar, Biliu, Jo\u00e3o Carlos, Nego Gilton, Emilia, Socorrinho, e muitas outras. Estudei tamb\u00e9m no Grupo Escolar General Os\u00f3rio, que foi meu maior orgulho, Col\u00e9gio este que, infelizmente, por desinteresse de nossos governantes, est\u00e1 em condi\u00e7\u00f5es, como todos n\u00f3s temos conhecimento, de abandono. Quando olho l\u00e1 do meu apartamento e vejo o estado de precariedade em que se encontra o pr\u00e9dio dessa institui\u00e7\u00e3o de ensino, o choro vem junto com uma imensa tristeza. Para evitar tudo isso me pro\u00edbo de olh\u00e1-lo. Foi a\u00ed que por vezes, estando na sala de aula e pertinho da janela, eu ficava de \u201cbituca\u201d na praia. Para os que n\u00e3o conheceram, o mar batia no canteiro da pista interior de autom\u00f3veis. Era meu cotidiano nessa escola: ficar de olho contando quantos garotos tinha para formar o \u201cbaba\u201d. Ent\u00e3o quando a professora Wanda ou Faride dava uma vacilada, eu pulava a janela e ia juntar-me \u00e0 turma. <\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>No Col\u00e9gio Estadual, a 1\u00aa S\u00e9rie Ginasial eu passei com folga; os 2 anos seguintes fui reprovado pois s\u00f3 queria saber de bola. Nessa \u00e9poca eu tinha 16 anos e a minha m\u00e3e Elza me chamou e perguntou \u201cMeu filho o que voc\u00ea quer da vida, estudar ou jogar bola?\u201d. Eu, como \u00f3bvio, respondi-lhe: \u201cjogar bola, mam\u00e3e!\u201d. Ent\u00e3o ela completou: \u201cVai jogar sua bola porque eu n\u00e3o vou ficar gastando dinheiro contigo\u201d. Isso porque se o estudante que estudasse em col\u00e9gio p\u00fablico e fosse reprovado por dois anos consecutivos, n\u00e3o mais poderia estudar nesse tipo de estabelecimento, s\u00f3 em particular. Foi o que eu queria. Fique ent\u00e3o sem estudar at\u00e9 os 20 anos de idade, s\u00f3 me preocupando em jogar bola de manh\u00e3, de tarde e \u00e0 noite. Por causa disso, meus dedos dos p\u00e9s quase n\u00e3o tinham cabe\u00e7as, principalmente devidos aos \u201cbabas\u201d nas ruas, em especial aos da Rua Suburbana, onde hoje est\u00e1 situado o Hospital Bartolomeu, e aos de onde est\u00e1 implantado o SAC. Foi envolto a esses \u201cbabas\u201d que me veio colocar na cabe\u00e7a o desejo de ir embora de Ilh\u00e9us, porque eu via que se ficasse aqui eu n\u00e3o teria futuro algum, e n\u00e3o queria ficar igual aos meus colegas. Era uma turma que bastava ver uma mulher de biqu\u00edni na praia, n\u00e3o dava outra: corria para \u00e1gua para se masturbar. Por v\u00e1rios momentos meditei, e pedi a Deus que n\u00e3o me deixasse ficar como meus colegas, minha \u201cgalera\u201d.<\/p>\n<p>Foi persistindo nesse objetivo que em 1969, ao dar mole a minha irm\u00e3 Ad\u00edlia com um sal\u00e1rio que havia recebido, eu passei a m\u00e3o e fui at\u00e9 a ag\u00eancia de passagem da S\u00e3o Geraldo, que ficava atr\u00e1s do cinema Santa Clara. Comprei uma passagem para S\u00e3o Paulo, peguei uma sacola de supermercado do Messias, coloquei umas duas cuecas afanadas do meu irm\u00e3o Jairo, umas 3 camisas e embarquei. Estava eu sentado no fundo do \u00f4nibus para que ningu\u00e9m me notasse, motor j\u00e1 ligado para dar partida, quando chegam minha m\u00e3e, irm\u00e3 e irm\u00e3o chorando e pedindo para que descesse do ve\u00edculo, argumentando que S\u00e3o Paulo era muito frio e que eu n\u00e3o portava nem um capote. E falaram juntos: \u201cN\u00e3o v\u00e1 agora. N\u00f3s vamos ajeitar e de outra vez voc\u00ea vai\u201d. Ent\u00e3o, rasguei a passagem, mas fui pra casa falando que um dia eu iria pra S\u00e3o Paulo. Da\u00ed ent\u00e3o meu pai Jaime Pacheco que trabalhava na SUCAM como inspetor, me arrumou um servi\u00e7o como \u201cborrifador de casa\u201d em Ubaira (que hoje n\u00e3o me lembro onde fica), para que eu juntasse dinheiro. O fato \u00e9 que passei nesta cidade um ano, mas nada juntei. <\/p>\n<p>Em 1970, de volta a Ilh\u00e9us, fui servir o \u201cTiro de Guerra\u201d para poder pegar o \u00faltimo documento que me faltava. Aproveitei essa oportunidade, e sem saber nem de qual fun\u00e7\u00e3o se tratava num navio, fiz tamb\u00e9m um curso de \u201cCarvoeiro\u201d na Marinha Mercante, pois o meu objetivo era ganhar o mundo. Ao terminar o \u201cTiro de Guerra\u201d e com a carteira desse curso de marinheiro em m\u00e3os, e que tenho at\u00e9 hoje, decidi que iria para Vit\u00f3ria do Esp\u00edrito Santo ou para Santos (SP).<\/p>\n<p>Foi nesse momento que meu primo S\u00edrio que hoje \u00e9 pastor em Oliven\u00e7a( que tamb\u00e9m trabalhou na Emarc, e foi mandado embora), ent\u00e3o me prop\u00f4s: \u201cTom\u00e9, vamos para S\u00e3o Paulo. Pelo menos l\u00e1 eu tenho 2 tios e lugar para n\u00f3s ficarmos\u201d. Eu falei pra mim mesmo: \u201cTopo qualquer coisa, desde que eu saia daqui\u201d. A inten\u00e7\u00e3o posta em pr\u00e1tica, n\u00f3s fomos morar os dois em S\u00e3o Paulo, num c\u00f4modo muito apertado que mal dava para um. Assim decidi ir pra Guarulhos aonde l\u00e1 chegando, fui morar com um casal de amigos, o Arnaldo e a Marlene (hoje professora de f\u00edsica da UESC), no bairro Paraventi. O Arnaldo conseguiu me encaixar na f\u00e1brica de rolamentos SKF que ficava na Via Dutra como operador de maquinas (ret\u00edficas, tornos etc.). A\u00ed ele me colocou em uma rep\u00fablica de um casal chamado dona Albertina e seu Pietro. Fiquei nesta f\u00e1brica trabalhando durante dois anos. Era uma saudade imensa, quase insuport\u00e1vel que sentia de Ilh\u00e9us, dos meus amigos de praia, da minha fam\u00edlia. Quando essa saudade saia do controle, n\u00e3o tinha jeito: comprava passagem no \u201cbuzu\u201d e de repente estava eu em Ilh\u00e9us. E fazia isso duas a tr\u00eas vezes no ano, porque naquela \u00e9poca n\u00e3o tinha problema de emprego.<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que numa dessas vindas estava eu sentado em uma mesa do bar Os Velhos Marinheiros tomando um refrigerante e comendo um caranguejo (nunca bebi e nunca fumei), com as ondas batendo na muralha, luar bonito, ent\u00e3o comecei a olhar o infinito do mar e a me questionar: \u201cCara, o que voc\u00ea est\u00e1 fazendo nessa de vai e volta?. Tome uma decis\u00e3o na vida: fica ou volta de uma vez!\u201d. Baixei a cabe\u00e7a na mesa, chorei de solu\u00e7ar, levantei e falei para mim mesmo: \u201cIrei e ficarei\u201d. Foi o que fiz. Fiquei 20 anos sem pisar em Ilh\u00e9us. Nesse per\u00edodo voltei a estudar. No col\u00e9gio Progresso de Guarulhos fiz o supletivo de 1\u00ba e 2\u00ba graus em 3 anos e meio. E logo estava prestando vestibular na Faculdade Integrada de Guarulhos, que ficava na Vila Galv\u00e3o, onde me formei em 1983.<\/p>\n<p>Aguarde nos pr\u00f3ximos cap\u00edtulos as hist\u00f3rias do Carandiru e da Federa\u00e7\u00e3o paulista de Futebol <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tom\u00e9 Pacheco No cap\u00edtulo anterior das hist\u00f3rias que estou buscando contar, abordei minha \u201cChegada ao Carandiru\u201d, este tem a ver como tudo come\u00e7ou. 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