{"id":42545,"date":"2012-06-06T13:08:34","date_gmt":"2012-06-06T16:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=42545"},"modified":"2012-06-06T13:08:34","modified_gmt":"2012-06-06T16:08:34","slug":"o-porto-sul-e-a-importancia-da-participacao-popular-parte-iii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/06\/06\/o-porto-sul-e-a-importancia-da-participacao-popular-parte-iii\/","title":{"rendered":"O PORTO SUL E A IMPORT\u00c2NCIA DA PARTICIPA\u00c7\u00c3O POPULAR &#8211; PARTE III"},"content":{"rendered":"<p>Nas in\u00fameras audi\u00eancias, debates, apresenta\u00e7\u00f5es, etc, essenciais ao conhecimento do Projeto do Complexo Intermodal Porto Sul, percebia-se que, apesar do apoio da grande maioria da sociedade civil regional e de suas entidades representativas, um pequeno, mas ativo, setor se colocou em um posi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia. Autodenominados ambientalistas, locais, de outros estados e at\u00e9 de outros pa\u00edses, procuravam estabelecer in\u00fameras cr\u00edticas ao Projeto, algumas corretas, fundamentais ao aprimoramento do mesmo, outras insustent\u00e1veis.\u00a0Das corretas j\u00e1 tratamos anteriormente, por isso abordaremos apenas as outras.<\/p>\n<div><\/div>\n<div>Um exemplo \u00e9 de que o Porto serviria apenas \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de min\u00e9rio-de-ferro. N\u00e3o explicam a raz\u00e3o da FIOL se extender at\u00e9 Figueir\u00f3polis, sendo que o dito min\u00e9rio viria de Caetit\u00e9, na metade do caminho. Outra cr\u00edtica \u00e9 de que afetaria o turismo, suprimindo o fato de que v\u00e1rias regi\u00f5es tur\u00edsticas no pa\u00eds e no mundo convivem tranquilamente com a atividade portu\u00e1ria, a exemplo do litoral de Pernambuco e do Rio de Janeiro. In\u00fameros s\u00e3o os discursos recorrentes desmentidos pelos estudos e a apresenta\u00e7\u00e3o do Projeto, como o transporte de ur\u00e2nio, n\u00e3o previsto no mesmo. O incr\u00edvel \u00e9 que, mesmo ap\u00f3s de tantas audi\u00eancias com esses argumentos frequentemente refutados, a resist\u00eancia do pequeno setor permanece.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Fica claro dessa forma o aspecto ideol\u00f3gico da resist\u00eancia ao Projeto. Por um lado, setores com grandes interesses econ\u00f4micos no litoral norte de Ilh\u00e9us, somados a um ambientalismo santuarista sincero, digno de respeito, e um ceticismo pol\u00edtico justific\u00e1vel diante de nossa experi\u00eancia hist\u00f3rica.\u00a0Quanto aos interesses econ\u00f4micos nada a acrescentar, j\u00e1 que em qualquer an\u00e1lise pragm\u00e1tica sobre a quest\u00e3o o econ\u00f4mico prepondera, seja no vi\u00e9s da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, do turismo, da industrializa\u00e7\u00e3o ou da agricultura, pequena ou grande, mesmo quando se coloca o vi\u00e9s positivo da sustentabilidade. Quanto aos outros valem algumas palavras.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><!--more--><\/div>\n<div>A vis\u00e3o santuarista ou preservacionista proclama a defesa do meio ambiente como um fim em si mesmo, algumas vezes ressaltando a satura\u00e7\u00e3o da natureza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 explora\u00e7\u00e3o humana, outras real\u00e7ando os benef\u00edcios do conv\u00edvio humano com a natureza preservada, em todos os aspectos, de biol\u00f3gicos a est\u00e9ticos. Os humanos fazem parte da natureza e destru\u00ed-la \u00e9 destruir a si mesmo. Por\u00e9m, como todos os animais, os homens vivem da natureza, retirando dela seu sustento. O impacto dos humanos \u00e9 maior por todos os motivos que nos fizeram esp\u00e9cie dominante no planeta Terra, construir sociedades eivadas de complexidades e contradi\u00e7\u00f5es, com uma elite que atinge atualmente um n\u00edvel de bem-estar e\/ou conforto imposs\u00edvel de ser imaginado pelos nossos ancestrais nas savanas africanas, enquanto uma parcela gigantesca n\u00e3o tem acesso aos direitos e bens mais b\u00e1sicos \u00e0 sua sobreviv\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Essa quest\u00e3o das desigualdades na utiliza\u00e7\u00e3o dos bens da natureza \u00e9 pouco abordada por esse setor. Por isso \u00e9 normal n\u00e3o questionarem o fato de que quem mais usufrui dessa explora\u00e7\u00e3o s\u00e3o as elites dos pa\u00edses capitalistas centrais e seus s\u00f3cios da periferia do Sistema. Tamb\u00e9m n\u00e3o questionam o fato de que, para se desenvolver, os pa\u00edses mais pobres precisam explorar seus recursos naturais. Nos negar esse direito \u00e9 colocar apenas nas nossas costas a busca por uma sustentabilidade planet\u00e1ria. Portanto, seria necess\u00e1rio, para os santuaristas serem mais completos em suas an\u00e1lises e pr\u00e1ticas, questionar os padr\u00f5es de consumo tanto dos \u00a0humanos dos pa\u00edses centrais, como daqueles que nos perif\u00e9ricos conseguem acessar os bens \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o no mercado, pois s\u00f3 existe explora\u00e7\u00e3o da natureza, supress\u00e3o de florestas, explora\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios, produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, industrial, etc, e seu essencial escoamento atrav\u00e9s de estradas, ferrovias e portos, por que h\u00e1 quem consuma alimentos, roupas, celulares, computadores, carros, avi\u00f5es, etc. Claro que para isso deveria ser questionado todo o Sistema de Produ\u00e7\u00e3o e distribui\u00e7\u00e3o de bens&#8230;<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Por\u00e9m, os nossos ambientalistas, santuaristas ou preservacionistas, preferem divergir apenas do Porto no litoral norte de Ilh\u00e9us. &#8211; Por que n\u00e3o escoar o min\u00e9rio-de-ferro e essa produ\u00e7\u00e3o toda pelo Malhado?, perguntam. Seria melhor uma ferrovia passando por dentro da cidade do que por um local pouco habitado, afinal \u00e9 melhor destruir casas e pr\u00e9dios do que \u00e1rvores. &#8211; E por que n\u00e3o Aratu? N\u00e3o h\u00e1 problema algum em concentrar um pouco mais o desenvolvimento da Bahia na Regi\u00e3o Metropolitana de Salvador.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Percebe-se claramente, por parte desses setores, ressalte-se mais uma vez, minorit\u00e1rios da sociedade civil regional a rejei\u00e7\u00e3o a um maior crescimento econ\u00f4mico da regi\u00e3o. N\u00e3o consideram ser poss\u00edvel desenvolver nossa regi\u00e3o sustentavelmente atrav\u00e9s do setor de servi\u00e7os portu\u00e1rios, do crescimento da industrializa\u00e7\u00e3o, do incremento no com\u00e9rcio e servi\u00e7os diversos, inclusive o turismo, al\u00e9m, obviamente, da agricultura. Dizem que tal crescimento n\u00e3o ocorrer\u00e1, e, se ocorrer, ser\u00e1 predat\u00f3rio e em benef\u00edcio de poucos, demonstrando, ent\u00e3o, um ceticismo pol\u00edtico plenamente justific\u00e1vel por nossa hist\u00f3ria, mas que precisa ser superado, o que abordaremos na IV e \u00faltima parte.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<p>Rodrigo Cardoso<\/p>\n<p>Presidente do Sindicato dos Banc\u00e1rios de Ilh\u00e9us &#8211; CTB<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nas in\u00fameras audi\u00eancias, debates, apresenta\u00e7\u00f5es, etc, essenciais ao conhecimento do Projeto do Complexo Intermodal Porto Sul, percebia-se que, apesar do apoio da grande maioria da sociedade civil regional e de suas entidades representativas, um pequeno, mas ativo, setor se colocou em um posi\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia. 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