{"id":42796,"date":"2012-06-09T16:00:52","date_gmt":"2012-06-09T19:00:52","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=42796"},"modified":"2012-06-09T22:11:59","modified_gmt":"2012-06-10T01:11:59","slug":"o-mar-da-bahia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/06\/09\/o-mar-da-bahia\/","title":{"rendered":"O MAR DA BAHIA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/cart%C3%A3o-jorge-vieira.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"306\" \/>\u00a0 Acabo de assistir uma reportagem da TV Globo sobre o Arquip\u00e9lago de Abrolhos e sua vida mar\u00edtima.<\/p>\n<p>As baleias, em grande n\u00famero a\u00ed chegam para seu acasalamento e procria\u00e7\u00e3o. A reportagem apresenta um tema muito importante, ambiental e econ\u00f4mico e que o Brasil ainda n\u00e3o se deu conta da sua grandeza e das possibilidades futuras.<\/p>\n<p>Qualquer telespectador fica impressionado com o que v\u00ea, com as informa\u00e7\u00f5es apresentadas. Uma riqueza de peixes, crust\u00e1ceos, algas e vegeta\u00e7\u00e3o neste mar maravilhoso do sul da Bahia. E, se tem algo de idealismo e vis\u00e3o do futuro, decepciona-se pela falta de interesse e de a\u00e7\u00e3o cientifica dos \u00f3rg\u00e3os governamentais.<\/p>\n<p>Precisamos imitar os chineses na agressividade de tentar resolver seus problemas, como a escassez de energia, de uma forma din\u00e2mica e de grande impacto no beneficio da popula\u00e7\u00e3o. Enquanto isso, n\u00f3s ficamos nos \u201cbabas\u201d na praia, na constru\u00e7\u00e3o de campos de futebol e ouvindo \u00a0discursos de pol\u00edticos despreparados para o presente e o futuro do Brasil.<\/p>\n<p>Novamente volto aos meus escritos antigos. Encontro um texto, n\u00e3o muito antigo, feito em 2009 e entregue \u00e0 UESC como uma sugest\u00e3o colaboradora. Antevi e ainda vejo uma atividade t\u00e9cnica e cientifica sobre\u00a0 o mar e suas potencialidades e riqueza.<\/p>\n<p>Passados esses anos, tento novamente motivar esta importante institui\u00e7\u00e3o de ensino e pesquisa cientifica. Iniciar urgentemente a constru\u00e7\u00e3o de uma estrutura de pesquisa sobre os recursos mar\u00edtimos e tamb\u00e9m dos rios, visando novos conhecimentos e projetos para uso do mar em beneficio da sociedade brasileira.<\/p>\n<p>A\u00ed est\u00e1 minha ideia na esperan\u00e7a de que interessados discutam o tema e a repercuss\u00e3o sensibilize a atual administra\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria e o governo da Bahia, nesse importante estudo cientifico.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>6. CENTRO DE BIOLOGIA MARINHA E DE RIOS<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <!--more--><\/strong><\/p>\n<p>Ainda jovem com os amigos e companheiros, diariamente ia \u00e0 praia.\u00a0 O mar, esta imensid\u00e3o de \u00e1gua com sua praia branca e limpa, era nossa distra\u00e7\u00e3o, nossa academia de gin\u00e1stica, nosso banho saud\u00e1vel e cen\u00e1rio das \u201cmeninas\u201d de mai\u00f4s bonitos e excitantes.<\/p>\n<p>Agora, quando a idade registra um ac\u00famulo de experi\u00eancias e sabedoria, os nossos olhos t\u00eam outro panorama nesta grandiosidade do mar, irradiado pelo sol quente e vizinho permanente do c\u00e9u.<\/p>\n<p>Que pensam hoje os adultos e idosos sobre o mar com suas ondas constantes e ruidosas?<\/p>\n<p>Talvez, o mesmo que os pensamentos e sentimentos dominantes na juventude. Todavia, predominando a tranq\u00fcilidade dos gestos e movimentos e um sentimento apaixonado e saudoso das lembran\u00e7as do passado.<\/p>\n<p>Outros, ainda na maturidade das a\u00e7\u00f5es reconhecem novos atributos ao mar e suas atividades imprevis\u00edveis e constantes. A vida lhes ensinou que este mundo mar\u00edtimo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 lazer e exerc\u00edcios. Aos poucos foram descobrindo a imensid\u00e3o deste mar, repleto ainda de algo desconhecido e misterioso; nele h\u00e1 vida, h\u00e1 uma sociedade diversa, cheia de habilidades, de competi\u00e7\u00f5es harmoniosas, de riquezas e lendas. Nele escondem-se segredos e momentos de horror.<\/p>\n<p>Assim, passamos a ver o mar com outros olhos; grande meio de transporte, capta\u00e7\u00e3o de energia, reserva petrol\u00edfera, fonte de produ\u00e7\u00e3o de alimentos, reserva para \u00e1gua pot\u00e1vel, preserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies e manuten\u00e7\u00e3o do meio ambiente.<\/p>\n<p>Felizmente no mundo atual, alguns cientistas j\u00e1 iniciaram estudos sobre a utiliza\u00e7\u00e3o da energia produzida pelas ondas, a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo no mar j\u00e1 \u00e9 uma constante; empresas estudam e transformam a \u00e1gua salgada em condi\u00e7\u00f5es de uso, outras procuram preservar esp\u00e9cies em risco do desaparecimento e promovem a\u00e7\u00f5es, evitando a destrui\u00e7\u00e3o futura do meio ambiente mar\u00edtimo.<\/p>\n<p>No Brasil, muitas esp\u00e9cies j\u00e1 s\u00e3o consideradas \u201csobrepescadas\u201d; entre elas a Lagosta, variedades de Sardinhas, Camar\u00e3o e muitos peixes, inclusive os de \u00e1gua doce (tambaqui amaz\u00f4nico). Evolu\u00edmos na tecnologia de captura de peixes, com equipamentos de sonares e localiza\u00e7\u00e3o por sat\u00e9lite dos cardumes, mas em muitos casos com a\u00e7\u00f5es destruidoras do meio ambiente e o desperd\u00edcio, descartando cerca de oito milh\u00f5es de toneladas\/ano de pescado em condi\u00e7\u00f5es de consumo.\u00a0 Para cada tonelada de camar\u00e3o pescada, outras quatro de peixes s\u00e3o jogadas no mar (<em>diz Miguel Petrere Junior da Universidade Estadual Paulista).<\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>Os estudos oceanogr\u00e1ficos iniciaram em S\u00e3o Paulo (1946) no Instituto Paulista de Oceanografia., hoje Instituto Oceanogr\u00e1fico da Universidade de S\u00e3o Paulo. Possivelmente este Instituto seja o maior centro de estudos, pesquisas e forma\u00e7\u00e3o de profissionais do Brasil. Com recursos financeiros, navio, embarca\u00e7\u00f5es, e equipamentos e laborat\u00f3rios\u00a0 especializados oferece novos conhecimentos sobre a vida no litoral deste oceano atl\u00e2ntico que banha a costa brasileira.<\/p>\n<p>Outras institui\u00e7\u00f5es brasileiras j\u00e1 iniciaram estudos e trabalhos cient\u00edficos nesta \u00e1rea. A Universidade do Rio de Janeiro, a Universidade Federal da Bahia e a UEDC oferecendo curso de Oceanografia. Todo este esfor\u00e7o ainda \u00e9 insignificante em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 grandiosidade do oceano e o desconhecimento que se tem dos mist\u00e9rios que se esconde no mar.<\/p>\n<p>O litoral brasileiro se estende por mais de 7.500 km\u00a0 abrangendo 27 Estados ; o Estado da Bahia tem a maior costa, com 932 Km. (12,6 %). O \u201cProjeto Tamar\u201d, criado em 1980, representa o maior esfor\u00e7o t\u00e9cnico nesta \u00e1rea., preservando as esp\u00e9cies de Tartarugas Marinhas em v\u00e1rios locais da costa brasileira;\u00a0 de 1992 a 2007 foram lan\u00e7adas ao mar 30 milh\u00f5es de filhotes de tartarugas.<\/p>\n<p><em>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/em>E o que fazemos nesta bela regi\u00e3o brasileira? O munic\u00edpio de Ilh\u00e9us tem 92 km de encontro com o mar. Algumas tentativas regionais foram desenvolvidas; a maioria sem grandes resultados ou mesmo \u201cabandonada\u201d.<\/p>\n<p>O Diagn\u00f3stico Socioecon\u00f4mico da Regi\u00e3o feito pela Ceplac concluiu seus estudos com alguns documentos: \u201cRecursos H\u00eddricos\u201d, \u201cAspectos da Atividade Pesqueira\u201d e um Semin\u00e1rio sobre a Pesca na Regi\u00e3o em 1976\/77; posteriormente, sensibilizada pelo potencial existente para a produ\u00e7\u00e3o de peixes e camar\u00e3o, construiu em sua sede tanques para cria\u00e7\u00e3o e adquiriu uma \u00e1rea de 38 hectares, na bacia de Camam\u00fa para estudos dos manguezais e projeto a ser desenvolvido com empres\u00e1rios na produ\u00e7\u00e3o de camar\u00f5es. \u00c9 a Esta\u00e7\u00e3o de Carcinicultura Onaldo Xavier de Oliveira, produtor rural e entusiasta desta id\u00e9ia; possui instala\u00e7\u00f5es, laborat\u00f3rios, viveiros e ber\u00e7\u00e1rios. A meta final foi estimada no aproveitamento de 30 mil hectares em viveiros produzindo 30 mil toneladas\/ano de camar\u00f5es e oferecendo sete mil empregos diretos. \u00a0Em 1981 visitamos o Programa de Aquacultura em Sete, cidade do sul da Fran\u00e7a; ficaram em nossas mentes as palavras do t\u00e9cnico respons\u00e1vel; \u201c<em>os oceanos v\u00e3o ficar polu\u00eddos e precisamos nos preparar para o futuro\u201d. <\/em><\/p>\n<p>Hoje, todos estes programas, sem resultados concretos nas pesquisas ou na produ\u00e7\u00e3o, est\u00e3o praticamente abandonados.<\/p>\n<p>A Prefeitura de Ilh\u00e9us, sens\u00edvel \u00e0 import\u00e2ncia do mar e do meio ambiente atendeu proposta do idealista Soane Nazar\u00e9 de Andrade, ex- reitor da UESC criando a Maramata \u2013 \u00f3rg\u00e3o com objetivo de divulgar a import\u00e2ncia dos recursos mar\u00edtimos e florestais, contribuindo para a preserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies em risco de desaparecimento. Recentemente estabeleceu o \u201cParque Mar\u00edtimo da Pedra de Ilh\u00e9us\u201d, impedindo a pesca em \u00e1rea delimitada para permitir o crescimento populacional dos peixes.<\/p>\n<p>A UESC por sua vez iniciou curso e prepara\u00e7\u00e3o de professores em oceanografia. T\u00e9cnicos especializados foram contratados, mas continuam ansiosos na espera de melhores condi\u00e7\u00f5es e possibilidades de desenvolver projetos mais ambiciosos.<\/p>\n<p>Todas estas excelentes sugest\u00f5es e iniciativas n\u00e3o tiveram \u00eaxito e\u00a0 resultado satisfat\u00f3rio, especialmente quando se considera a import\u00e2ncia do problema e os recursos existentes no mar desta regi\u00e3o. Talvez, a falta de sensibilidade dos \u00f3rg\u00e3os governamentais, seus dirigentes e a sociedade como um todo, sobre a potencialidade dos recursos mar\u00edtimos e o que podem representar para a popula\u00e7\u00e3o brasileira e a humanidade; quando\u00a0 \u00a0\u00a01 bilh\u00e3o de pessoas no mundo passam fome.<\/p>\n<p>Falta vis\u00e3o futura e coragem para enfrentar este desafio.<\/p>\n<p>Que devemos fazer? \u00a0Que poderia fazer a UESC?<\/p>\n<p>Primeiramente compreender a import\u00e2ncia e os benef\u00edcios a serem alcan\u00e7ados dos recursos h\u00eddricos \u2013 mar e rios \u2013 e decidir por realizar atividades t\u00e9cnicas de pesquisa e a\u00e7\u00f5es concretas na produ\u00e7\u00e3o de bens.<\/p>\n<p>Elaborar um Projeto que contemple al\u00e9m da forma\u00e7\u00e3o de profissionais, a realiza\u00e7\u00e3o de estudos e pesquisas e promova a\u00e7\u00f5es associativistas e empresariais para produzir bens \u00fateis e necess\u00e1rios para a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Criar um <strong>CENTRO DE BIOLOGIA MARINHA E DE RIOS<\/strong> com objetivos cient\u00edficos e educativos, envolvendo outras organiza\u00e7\u00f5es, governos e empresas nacionais e internacionais.<\/p>\n<p>Realizar Conv\u00eanios com a Prefeitura Municipal de Ilh\u00e9us, no sentido de absorver a \u00e1rea da Maramata, para instalar o futuro Centro, com suas instala\u00e7\u00f5es, laborat\u00f3rios, museu do mar e facilidades para desenvolver estudos no Parque Mar\u00edtimo da Pedra de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Realizar Conv\u00eanio com a Ceplac no sentido de orientar e administrar a Esta\u00e7\u00e3o de Carcinicultura localizada em Camam\u00fa, nos estudos e programa de produ\u00e7\u00e3o empresarial de camar\u00f5es.<\/p>\n<p>Convenio com a Marinha do Brasil para estudos de oceanografia.<\/p>\n<p>Dar ao Centro um car\u00e1ter mais abrangente relacionando com institui\u00e7\u00f5es nacionais e internacionais em estudos e pesquisas a serem desenvolvidas no mar, nos rios e nos manguezais.<\/p>\n<p>Estas s\u00e3o algumas id\u00e9ias para um Projeto visando conhecer e usufruir dos recursos h\u00eddricos existentes nesta regi\u00e3o.\u00a0 Quem sabe, teremos no futuro, um grande p\u00f3lo de estudos do mar, dos peixes, dos crust\u00e1ceos, das algas e outras esp\u00e9cies al\u00e9m da oportunidade de turismo com Museu do mar e Aqu\u00e1rio semelhante ao Ocean\u00e1rio de Lisboa, Portugal.<\/p>\n<p>Bras\u00edlia, 25 de junho de 2009.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0 Acabo de assistir uma reportagem da TV Globo sobre o Arquip\u00e9lago de Abrolhos e sua vida mar\u00edtima. 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