{"id":43110,"date":"2012-06-13T15:52:42","date_gmt":"2012-06-13T18:52:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=43110"},"modified":"2012-06-13T15:52:42","modified_gmt":"2012-06-13T18:52:42","slug":"historias-de-um-ilheense-minha-adolescencia-no-carneiro-da-rocha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/06\/13\/historias-de-um-ilheense-minha-adolescencia-no-carneiro-da-rocha\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIAS DE UM ILHEENSE \u2013 MINHA ADOLESC\u00caNCIA NO CARNEIRO DA ROCHA"},"content":{"rendered":"<p><strong>Por Tom\u00e9 Pacheco<\/strong><\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" title=\"Tom\u00e9 Pacheco\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Tom%C3%A9-Pacheco-300x225.jpg\" alt=\"Tom\u00e9 Pacheco\" width=\"300\" height=\"225\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Tom\u00e9 Pacheco<\/p><\/div>\n<p>Considero riqu\u00edssima em detalhes. Prestei admiss\u00e3o para o Col\u00e9gio Estadual, passei com louvor no 1\u00aa ano, mas levei \u201cbomba\u201d nos dois seguintes, como havia contado no cap\u00edtulo anterior. Naquela \u00e9poca, em 1967, repito, o aluno n\u00e3o podia em col\u00e9gio p\u00fablico levar duas \u201cbombas\u201d em seguida, pois ficava proibido de estudar. Quando isso acontecia o aluno tinha que ir procurar um particular. Com 16 anos minha m\u00e3e me perguntou se eu queria estudar ou jogar bola; eu prontamente disse-lhe que queria jogar bola \u00e9 claro, ent\u00e3o ela falou: v\u00e1 jogar porque n\u00e3o vou gastar estudo com voc\u00ea. A\u00ed eu fiquei at\u00e9 os 20 anos curtindo: de dia praia e de noite, bola, na rua onde \u00e9 hoje o Hospital Bartolomeu. Lembro que formamos um time com o nome ADAMIS: eu o Bita, Rubinho e Bleic para jogarmos de chuteira, e come\u00e7amos a treinar na Rua Suburbana, onde hoje \u00e9 o SAC.<\/p>\n<p>Um dia daqueles pela manh\u00e3 est\u00e1vamos treinando quando aparece de rev\u00f3lver em punho e nos atingindo com os maiores palavr\u00f5es um senhor chamado Cear\u00e1. Estava quase para nos agredir, quando ao se aproximar mais um pouco, reconhece o Rosa, que era o nosso t\u00e9cnico e foi logo \u201cAt\u00e9 voc\u00ea compadre Rosa, no meio desses vagabundos\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>A \u201cPonte do Boi\u201d, onde os navios pegavam os bois, cacau etc., era outro local onde brinc\u00e1vamos. \u201cPega-Pega\u201d era uma das brincadeiras preferidas. Consistia em se esconder entre os navios e as alvarengas. Era grande o n\u00famero dos participantes dessa brincadeira: Eu, Bita, Rubinho, B\u00e9a, Jorge Bode, Paulo Careta, Paulo Zira, Dag\u00f4, Guilherme, Catende, Juari(Sapat\u00e3o), Tico, Z\u00e9 Quiabo e outros.<\/p>\n<p>Volto a falar como j\u00e1 exposto anteriormente, que aos 16 anos j\u00e1 tinha a certeza que queria ir embora. Com esse pensamento, bastou minha irm\u00e3 Ad\u00edlia receber o pagamento de sal\u00e1rio, dar mole e eu passar a m\u00e3o. Com esse dinheiro comprei uma passagem para S\u00e3o Paulo, na companhia S\u00e3o Geraldo que ficava atr\u00e1s do Santa Clara. J\u00e1 estava dentro do \u00f4nibus, com uma sacolinha do supermercado Messias quando adentrou minha m\u00e3e, irm\u00e3 e irm\u00e3o chorando e pedindo para que eu n\u00e3o fosse, porque S\u00e3o Paulo era muito frio e eu n\u00e3o tinha nem um capote. A\u00ed ent\u00e3o eu falei: \u201cTudo bem. Mas um dia eu vou\u201d<\/p>\n<p>Em 1970 fui servir ao \u201cTiro de Guerra\u201d, para tirar o \u00faltimo documento que faltava. Aprontei tanto que certa vez o <em>Sargento Torres<\/em> falou para o cabo: \u201cCuidado com Tom\u00e9. Olho nele, porque eu n\u00e3o quero s\u00f3 exoner\u00e1-lo, e sim expulsa-lo do Ex\u00e9rcito\u201d. Foi mesmo que nada. Certa feita a minha turma foi guardar a Petrobras, um dos pontos sens\u00edveis da cidade, pois estava correndo um papo que Marighella, famoso guerrilheiro da \u00e9poca, estava querendo tomar de assalto o Tiro de Guerra. Por volta das 2 horas da manh\u00e3 eu estava com sono e frio, a\u00ed me deu na cuca de subir em um dos tanques de gasolina e dormir l\u00e1 por cima. Os meus colegas ficaram me procurando at\u00e9 as 5 da manh\u00e3 quando nosso monitor Silvio teve a ideia de subir nos tanques. Foi a\u00ed que num deles me encontrou roncando. Mandaram-me descer e me levaram preso onde fiquei 5 dias detido. Era meu primo S\u00edrio que levava comida pra mim. O Sargento Torres falava: \u201cMagalh\u00e3es, n\u00e3o ande com o Tom\u00e9. Ele \u00e9 maloqueiro e voc\u00ea \u00e9 um cara trabalhador. Voc\u00ea vai se arrepender\u201d. N\u00e3o sabia ele que Magalh\u00e3es trabalhava na \u201cPadaria Luso\u201d, e era quem dava a dica onde tinha p\u00e3o e leite \u00e0s 5 da manh\u00e3. Assim quando \u00edamos para o (Tiro de Guerra), surrupi\u00e1vamos, os p\u00e3es e o leite leite que eram postos nesses locais.<\/p>\n<p>Estou terminando este cap\u00edtulo, mas para elucidar o conjunto, farei tamb\u00e9m um repeteco dum trecho postado no anterior. Ao terminar o Tiro de Guerra eu tinha feito um curso na Marinha de \u201cCarvoeiro\u201d me preparando para ir embora. Foi nesta \u00e9poca, em 1971, que papai por trabalhar na Sucam, me arrumou um emprego de \u201cBorrifador de Casa\u201d na cidade de Ubaira, para que eu juntasse dinheiro e pudesse ir embora, mas n\u00e3o conseguir juntar nem um centavo. No meu retorno, j\u00e1 com o documento do curso de \u201cCarvoeiro\u201d, estava mesmo decidido a ir para Santos (SP) ou Vit\u00f3ria do Esp\u00edrito Santo, ou embarcar em qualquer navio e zarpar mundo afora. Foi quando o meu primo S\u00edrio ficou desempregado e me sugeriu: \u201cVamos pra S\u00e3o Paulo que l\u00e1 eu tenho 2 tios. Pelo menos tem lugar para voc\u00ea ficar. Falei: \u201cTopo qualquer coisa a fim de n\u00e3o ficar aqui\u201d<\/p>\n<p>Aguardem os pr\u00f3ximos cap\u00edtulos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Tom\u00e9 Pacheco Considero riqu\u00edssima em detalhes. 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