{"id":43334,"date":"2012-06-17T10:11:54","date_gmt":"2012-06-17T13:11:54","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=43334"},"modified":"2012-06-17T10:11:54","modified_gmt":"2012-06-17T13:11:54","slug":"gravacoes-indicam-existencia-na-camara-de-um-balcao-de-negocios-com-emendas-ao-orcamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/06\/17\/gravacoes-indicam-existencia-na-camara-de-um-balcao-de-negocios-com-emendas-ao-orcamento\/","title":{"rendered":"Grava\u00e7\u00f5es indicam exist\u00eancia na C\u00e2mara de um balc\u00e3o de neg\u00f3cios com emendas ao Or\u00e7amento"},"content":{"rendered":"<p><center><a href=\"http:\/\/josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br\/files\/2012\/06\/CongressoBuracoSLim.jpg\"><img loading=\"lazy\" title=\"S\u00e9rgio Lima\/Folha\" src=\"http:\/\/josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br\/files\/2012\/06\/CongressoBuracoSLim.jpg\" alt=\"\" width=\"470\" height=\"260\" \/><\/a><\/center><\/p>\n<p>A semana come\u00e7a sob os ru\u00eddos de um novo velho esc\u00e2ndalo. O caso \u00e9 novo porque ainda n\u00e3o havia chegado \u00e0s manchetes. \u00c9 velho porque \u00e9 feito de uma mat\u00e9ria prima muito comum no notici\u00e1rio sobre corrup\u00e7\u00e3o: as famigeradas emendas parlamentares.<\/p>\n<p>Deve-se a revela\u00e7\u00e3o da encrenca ao rep\u00f3rter Paulo Celso Pereira. Ele obteve um par de <a href=\"http:\/\/extra.globo.com\/noticias\/brasil\/no-congresso-um-balcao-para-negociar-emendas-5229337.html\" target=\"_blank\">grava\u00e7\u00f5es<\/a>. Soam nos \u00e1udios as vozes de duas pessoas ligadas a um deputado chamado Jo\u00e3o Bacelar (PR-BA). Uma, Isabela Suarez, \u00e9 ex-mulher do parlamentar. A outra, L\u00edlian Bacelar, \u00e9 irm\u00e3 dele.<\/p>\n<p>L\u00edlian mede for\u00e7as com o irm\u00e3o deputado um lit\u00edgio judicial pela partilha da heran\u00e7a do pai. Gravou conversas mantidas com Isabela. Sem saber que estava sob escuta, a ex-mulher relata detalhes de um esquema operado por Jo\u00e3o Bacelar. O deputado compra emendas de colegas, ela contou.<\/p>\n<p>Isabela detalhou para L\u00edlian os neg\u00f3cios atribu\u00eddos a Bacelar. Num trecho da conversa, declarou: \u201cDesse cara do PT, com certeza ele compra emenda. O nome dele \u00e9 Geraldo alguma coisa. Federal da Bahia. Se procurar, na hora voc\u00ea vai achar: Geraldo. Com certeza, com certeza. Eles operavam com o filho dele.\u201d<\/p>\n<p>Na bancada do PT baiano h\u00e1 um \u00fanico deputado chamado Geraldo. O nome completo \u00e9 Geraldo Sim\u00f5es. A prosa de Isabela orna com o teor de uma <a href=\"http:\/\/extra.globo.com\/noticias\/brasil\/lista-traz-as-iniciais-de-outros-deputados-5229338.html\" target=\"_blank\">planilha<\/a> apalpada pelo rep\u00f3rter junto com um lote de e-mails trocados pelo deputado Jo\u00e3o Bacelar.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Nesse tabela, aparecem os nomes de sete munic\u00edpios baianos que receberam verbas da Codevasf (Cia. de Desenvolvimento dos Vales do S\u00e3o Francisco e Parna\u00edba). Dinheiro provido por meio de emendas empurradas para dentro do Or\u00e7amento da Uni\u00e3o.<\/p>\n<p>Cada munic\u00edpio aparece no documento associado a uma cifra e \u00e0s iniciais de cinco autores de emendas: GS, FS, JB, MM e FF. Dessas siglas, apenas FS n\u00e3o foi identificada. Quanto \u00e0s demais, um cruzamento feito com as emendas direcionadas \u00e0 Codefasf permitiu descobrir os rostos escondidos atr\u00e1s das letras.<\/p>\n<p>GS \u00e9 Geraldo Sim\u00f5es (PT-BA), JB \u00e9 o pr\u00f3prio Jo\u00e3o Bacelar (PR-BA), MM \u00e9 Marcos Medrado (PDT-BA) e FF \u00e9 o ex-deputado Fernando Fabinho. Os parlamentares <a href=\"http:\/\/extra.globo.com\/noticias\/brasil\/parlamentares-negam-irregularidades-5229354.html\" target=\"_blank\">negam<\/a> que tenham cometido irregularidades.<\/p>\n<p>Normalmente, deputados costumam direcionar verbas do Or\u00e7amento para cidades onde colecionam votos. Por mal dos pecados, a planilha baiana revela um fen\u00f4meno inusitado.<\/p>\n<p>O dinheiro foi mandado para redutos eleitorais de Jo\u00e3o Bacelar, n\u00e3o dos autores das emendas. Em cinco dos sete munic\u00edpios mencionados Bacelar foi o primeiro ou o segundo deputado mais votado na elei\u00e7\u00e3o de 2010.<\/p>\n<p>Por exemplo: Defronte da sigla GS, l\u00ea-se o nome da cidade de Casa Nova e o montante de R$ 3 milh\u00f5es. Ouvida, a Codevasf confirmou a exist\u00eancia da emenda, o nome do autor (Geraldo Sim\u00f5es), o valor e o munic\u00edpio. Em Casa Nova, Bacelar amealhou 7.599 votos. Sim\u00f5es, o signat\u00e1rio da emenda, apenas quatro.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Bacelar \u00e9 herdeiro de uma construtora, a Embratec. Suspeita-se que as verbas s\u00e3o direcionadas para prefeituras que, na sequ\u00eancia, contratam a empresa da fam\u00edlia Bacelar para a realiza\u00e7\u00e3o das obras. Numa das conversas gravadas pela irm\u00e3 L\u00edlian, a ex-mulher Isabela Suarez explica o porqu\u00ea do com\u00e9rcio de emendas:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9poca de campanha pol\u00edtica, neguinho est\u00e1 sem dinheiro. A\u00ed pega um deputado que esteja mais capitalizado. Como ele [Bacelar] tem construtora, a\u00ed vende as emendas para ele antecipadamente com o compromisso. A\u00ed, ele vai l\u00e1 e aporta dinheiro na campanha do cara. A\u00ed, quando ele entrar no mandato, vai l\u00e1 e paga as emendas. [&#8230;] Quem negocia emenda, todo mundo sabe. Ele deve negociar emenda com todos os deputados. Porque o cara precisa disso para poder financiar sua campanha.\u201d<\/p>\n<p>O caso de Bacelar n\u00e3o \u00e9 original. No ano passado, os minist\u00e9rios do Turismo, do Trabalho e dos Esportes revezaram-se nas manchetes em esc\u00e2ndalos envolvendo desvios de emendas parlamentares que destinaram verbas p\u00fablicas para ONGs.<\/p>\n<p>Nem toda emenda de parlamentar resulta em corrup\u00e7\u00e3o. Mas quase toda a corrup\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia carrega as emendas no DNA. Algo como 80% dos 513 deputados e dos 81 senadores resumem os seus mandatos a duas tarefas.<\/p>\n<p>A primeira \u00e9 atender aos interesses dos grupos pol\u00edticos e econ\u00f4micos que os elegeram. A segunda, preparar a caixa da pr\u00f3xima reelei\u00e7\u00e3o. Essas duas prioridades terminam por conduzir os deputados para o balc\u00e3o.<\/p>\n<p>Em troca de apoio congressual ao governo, exige-se a libera\u00e7\u00e3o das emendas e a acomoda\u00e7\u00e3o de apadrinhados em cargos com poder para virar a chave do cofre. O primeiro grande esc\u00e2ndalo, o caso dos \u201cAn\u00f5es do Or\u00e7amento\u201d, \u00e9 de 1993.<\/p>\n<p>O pa\u00eds vinha do impeachment de Fernando Collor. Itamar Franco mal assumira a Presid\u00eancia quando se descobriu que tamb\u00e9m o Legislativo caminhava sobre o p\u00e2ntano.<\/p>\n<p>Deputados cobravam propinas de empreteiras e prefeituras para injetar no Or\u00e7amento da Uni\u00e3o recursos destinados a obras p\u00fablicas. Criou-se uma CPI. Seis deputados tiveram os mandatos passados na l\u00e2mina. Outros quatro renunciaram. Alteraram-se as regras de elabora\u00e7\u00e3o do Or\u00e7amento.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinco anos, em 2007, no alvorecer do segundo reinado de Lula, a \u201cOpera\u00e7\u00e3o Navalha\u201d demonstrou que a mudan\u00e7a de normas n\u00e3o deteve os malfeitos. Sob supervis\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico, a Pol\u00edcia Federal gravou 585 di\u00e1logos telef\u00f4nicos. Conversas vadias, que desnudaram um esquema similar ao dos an\u00f5es.<\/p>\n<p>A transcri\u00e7\u00e3o das fitas recheia um processo de 52 mil folhas. Descrevem o modo como o empreiteiro Zuleido Veras e a sua Gautama beliscavam verbas p\u00fablicas. Numa ponta, compravam-se os pol\u00edticos com poder para destinar verbas \u00e0s obras. Noutra, subornavam-se servidores p\u00fablicos respons\u00e1veis pelas libera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A navalha correu em quatro minist\u00e9rios, seis governos de Estados nordestinos, e dezenas de prefeituras. A v\u00edtima mais vistosa foi Silas Rondeau. Acomodado por Lula na pasta de Minas e Energia a pedido de Jos\u00e9 Sarney (PMDB-AP), Rondeau foi acusado de receber propina de R$ 100 mil.<\/p>\n<p>Entre os an\u00f5es e a navalha, houve o caso das \u201cSanguessugas\u201d. Nasceu em 2001, sob Fernando Henrique Cardoso, e explodiu em 2006, no final do primeiro reinado de Lula. Envolvia a pasta da Sa\u00fade.<\/p>\n<p>Na origem do roubo, de novo, as emendas. Destinavam-se \u00e0 compra de ambul\u00e2ncias para prefeituras. A propina aos parlamentares era provida pela empresa Planan, que superfaturava os ve\u00edculos em at\u00e9 250%. Uma CPI apontou o envolvimento de 71 congressistas. Nenhum foi cassado. Mas poucos se reelegeram.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da origem parlamentar, os esc\u00e2ndalos t\u00eam muito em comum: produzem opera\u00e7\u00f5es espalhafatosas da PF, dezenas de pris\u00f5es e quantidade id\u00eantica de habeas corpus. Passado o estrondo, as cadeias se esvaziam e os escaninhos do Judici\u00e1rio ficam apinhados. N\u00e3o h\u00e1 vest\u00edgio de condena\u00e7\u00e3o definitiva. Grassa a impunidade. Da\u00ed a reitera\u00e7\u00e3o dos desvios.<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\n<strong>BLOG DO JOSIAS<\/strong><br \/>\nhttp:\/\/josiasdesouza.blogosfera.uol.com.br\/2012\/06\/17\/gravacoes-indicam-existencia-na-camara-de-um-balcao-de-negocios-com-emendas-ao-orcamento-2\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A semana come\u00e7a sob os ru\u00eddos de um novo velho esc\u00e2ndalo. 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