{"id":47202,"date":"2012-08-08T10:52:37","date_gmt":"2012-08-08T13:52:37","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=47202"},"modified":"2012-08-08T10:52:37","modified_gmt":"2012-08-08T13:52:37","slug":"alcoolismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/08\/08\/alcoolismo\/","title":{"rendered":"Alcoolismo"},"content":{"rendered":"<p>Do ponto de vista m\u00e9dico, o alcoolismo \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, com aspectos comportamentais e socioecon\u00f4micos, caracterizada pelo consumo compulsivo de \u00e1lcool, na qual o usu\u00e1rio se torna progressivamente tolerante \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstin\u00eancia, quando a mesma \u00e9 retirada.<\/p>\n<p><strong>Fatores gen\u00e9ticos<\/strong><\/p>\n<p>Sem desprezar a import\u00e2ncia do ambiente no alcoolismo, h\u00e1 evid\u00eancias claras de que alguns fatores gen\u00e9ticos aumentam o risco de contrair a doen\u00e7a.<\/p>\n<p>O alcoolismo tende a ocorrer com mais frequ\u00eancia em certas fam\u00edlias, entre g\u00eameos id\u00eanticos (univitelinos), e mesmo em filhos biol\u00f3gicos de pais alco\u00f3licos adotados por fam\u00edlias de pessoas que n\u00e3o bebem.<\/p>\n<p>Estudos mostram que adolescentes abst\u00eamios, filhos de pais alco\u00f3licos, t\u00eam mais resist\u00eancia aos efeitos do \u00e1lcool do que jovens da mesma idade, cujos pais n\u00e3o abusam da droga.<\/p>\n<p>Muitos desses filhos de alco\u00f3licos se recusam a beber para n\u00e3o seguir o exemplo de casa. Quando acompanhados por v\u00e1rios anos, por\u00e9m, esses adolescentes apresentam maior probabilidade de abandonar a abstin\u00eancia e tornarem-se dependentes.<\/p>\n<p>Filhos biol\u00f3gicos de pais alco\u00f3licos criados por fam\u00edlias adotivas t\u00eam mais dificuldade de abandonar a bebida do que alco\u00f3licos que n\u00e3o t\u00eam hist\u00f3ria familiar de abuso da droga.<\/p>\n<p><strong>Intoxica\u00e7\u00e3o Aguda<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>O \u00e1lcool cruza, com liberdade, a barreira protetora que separa o sangue do tecido cerebral. Poucos minutos depois de um drinque, sua concentra\u00e7\u00e3o no c\u00e9rebro j\u00e1 est\u00e1 praticamente igual \u00e0 da circula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em pessoas que n\u00e3o costumam beber, n\u00edveis sang\u00fc\u00edneos de 50mg\/dl a 150 mg\/dl s\u00e3o suficientes para provocar sintomas. Esses, por sua vez, dependem diretamente da velocidade com a qual a droga \u00e9 consumida, e s\u00e3o mais comuns quando a concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool est\u00e1 aumentando no sangue do que quando est\u00e1 caindo.<\/p>\n<p>Os sintomas da intoxica\u00e7\u00e3o aguda s\u00e3o variados: euforia, perda das inibi\u00e7\u00f5es sociais, comportamento expansivo (muitas vezes inadequado ao ambiente) e emotividade exagerada. H\u00e1 quem desenvolva comportamento beligerante ou explosivamente agressivo.<\/p>\n<p>Algumas pessoas n\u00e3o apresentam euforia, ao contr\u00e1rio, tornam-se sonolentas e entorpecidas, mesmo que tenham bebido moderadamente. Segundo as estat\u00edsticas, essas quase nunca desenvolvem alcoolismo cr\u00f4nico.<\/p>\n<p>Com o aumento da concentra\u00e7\u00e3o da droga na corrente sangu\u00ednea, a fun\u00e7\u00e3o do cerebelo come\u00e7a a mostrar sinais de deteriora\u00e7\u00e3o, provocando desequil\u00edbrio, altera\u00e7\u00e3o da capacidade cognitiva, dificuldade crescente para a articula\u00e7\u00e3o da palavra, falta de coordena\u00e7\u00e3o motora, movimentos vagarosos ou irregulares dos olhos, vis\u00e3o dupla, rubor facial e taquicardia. O pensamento fica desconexo e a percep\u00e7\u00e3o da realidade se desorganiza.<\/p>\n<p>Quando a ingest\u00e3o de \u00e1lcool n\u00e3o \u00e9 interrompida surgem: letargia, diminui\u00e7\u00e3o da frequ\u00eancia das batidas do cora\u00e7\u00e3o, queda da press\u00e3o arterial, depress\u00e3o respirat\u00f3ria e v\u00f4mitos, que podem ser eventualmente aspirados e chegar aos pulm\u00f5es provocando pneumonia entre outros efeitos colaterais perigosos.<\/p>\n<p>Em n\u00e3o-alco\u00f3licos, quando a concentra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool no sangue chega \u00e0 faixa de 300mg\/dl a 400 mg\/dL ocorre estupor e coma. Acima de 500 mg\/dL, depress\u00e3o respirat\u00f3ria, hipotens\u00e3o e morte.<\/p>\n<p><strong>Metabolismo do \u00e1lcool<\/strong><\/p>\n<p>O metabolismo no f\u00edgado remove de 90% a 98% da droga circulante. O resto \u00e9 eliminado pelos rins, pulm\u00f5es e pele.<\/p>\n<p>Um adulto de 70kg consegue metabolizar de 5 a 10 gramas de \u00e1lcool por hora. Como um drinque cont\u00e9m, em m\u00e9dia, de 12 a 15 gramas, a droga acumula-se progressivamente no organismo, mesmo em quem bebe apenas um drinque por hora.<\/p>\n<p>O \u00e1lcool que cai na circula\u00e7\u00e3o sofre um processo qu\u00edmico chamado oxida\u00e7\u00e3o que o decomp\u00f5e em g\u00e1s carb\u00f4nico (CO2) e \u00e1gua. Como nesse processo ocorre libera\u00e7\u00e3o de energia, os m\u00e9dicos recomendam evitar bebidas alco\u00f3licas aos que desejam emagrecer, uma vez que cada grama de \u00e1lcool ingerido produz 7,1 kcal, valor expressivo<br \/>\ndiante das 8kcal por grama de gordura e das 4kcal por grama de a\u00e7\u00facar ou prote\u00edna.<\/p>\n<p>Usu\u00e1rios cr\u00f4nicos de \u00e1lcool costumam nele obter 50% das calorias necess\u00e1rias para o metabolismo. Por isso, frequentemente desenvolvem defici\u00eancias nutricionais de prote\u00edna e vitaminas do complexo B.<\/p>\n<p><strong>Toler\u00e2ncia e alcoolismo cr\u00f4nico<\/strong><\/p>\n<p>A resist\u00eancia aos efeitos colaterais do \u00e1lcool est\u00e1 diretamente associada ao desenvolvimento da toler\u00e2ncia e ao alcoolismo.<\/p>\n<p>Horas depois da ingest\u00e3o exagerada de \u00e1lcool, embora a concentra\u00e7\u00e3o da droga circulante ainda esteja muito alta, a bebedeira pode passar. Esse fen\u00f4meno \u00e9 conhecido como toler\u00e2ncia aguda.<\/p>\n<p>O tipo agudo \u00e9 diferente da toler\u00e2ncia cr\u00f4nica do bebedor contumaz, que lhe permite manter apar\u00eancia de sobriedade mesmo depois de ingerir quantidades elevadas da droga. Doses de \u00e1lcool entre 400mg\/dl e 500 mg\/dl, que muitas vezes levam o bebedor ocasional ao coma ou \u00e0 morte, podem ser suportadas com sintomas m\u00ednimos pelos usu\u00e1rios cr\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Diversos estudos demonstraram que as pessoas capazes de resistir ao efeito embriagante do \u00e1lcool, estatisticamente, apresentam maior tend\u00eancia a tornarem-se dependentes.<\/p>\n<p><strong>S\u00edndrome do blackout e da abstin\u00eancia<\/strong><\/p>\n<p>Pode ocorrer em bebedores espor\u00e1dicos ou cr\u00f4nicos e caracteriza-se por amn\u00e9sia que pode durar horas, sem perda de consci\u00eancia da realidade durante a crise. O blackout (ou apagamento) acontece porque o \u00e1lcool interfere nos circuitos cerebrais encarregados de arquivar acontecimentos recentes. O quadro, de certa forma, lembra o perfil de mem\u00f3ria das pessoas idosas, capazes de contar com detalhes hist\u00f3rias antigas, mas que n\u00e3o conseguem recordar o card\u00e1pio do almo\u00e7o.<\/p>\n<p>O \u00e1lcool \u00e9 uma droga depressora do Sistema Nervoso Central. Para contrabalan\u00e7ar esse efeito, o usu\u00e1rio cr\u00f4nico aumenta a atividade de certos circuitos de neur\u00f4nios que se op\u00f5em \u00e0 a\u00e7\u00e3o depressiva. Quando a droga \u00e9 suspensa abruptamente, depois de longo per\u00edodo de uso, esses circuitos estimulat\u00f3rios n\u00e3o encontram mais a a\u00e7\u00e3o depressora para equilibr\u00e1-los e surge, ent\u00e3o, a s\u00edndrome de hiperexcitabilidade caracter\u00edstica da abstin\u00eancia.<\/p>\n<p>Seus sintomas mais frequentes s\u00e3o: tremores, dist\u00farbios de percep\u00e7\u00e3o, convuls\u00f5es e delirium tremens.<\/p>\n<p><strong>Reconhecimento da depend\u00eancia e reabilita\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Uma das caracter\u00edsticas mais importantes do alcoolismo \u00e9 a nega\u00e7\u00e3o de sua exist\u00eancia por parte do usu\u00e1rio. Raros s\u00e3o aqueles que reconhecem o uso abusivo de bebidas, passo considerado essencial para livrarem-se da depend\u00eancia.<\/p>\n<p><strong>As recomenda\u00e7\u00f5es atuais para tratamento do alcoolismo, envolvem duas etapas:<\/strong><\/p>\n<p>a) Desintoxica\u00e7\u00e3o \u2013 Geralmente realizada por alguns dias sob supervis\u00e3o m\u00e9dica, permite combater os efeitos agudos da retirada do \u00e1lcool. Dados os alt\u00edssimos \u00edndices de reca\u00eddas, no entanto, o alcoolismo n\u00e3o \u00e9 doen\u00e7a a ser tratada exclusivamente no \u00e2mbito da medicina convencional.<\/p>\n<p>b) Reabilita\u00e7\u00e3o \u2013 Alco\u00f3licos an\u00f4nimos \u2013 Depois de controlados os sintomas agudos da crise de abstin\u00eancia, os pacientes devem ser encaminhados para programas de reabilita\u00e7\u00e3o, cujo objetivo \u00e9 ajud\u00e1-los a viver sem \u00e1lcool na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea.<\/p>\n<p>Para que o tratamento tenha sucesso \u00e9 fundamental a participa\u00e7\u00e3o dos familiares e amigos pr\u00f3ximos, como declararam, nas entrevistas gravadas para o Canal Universit\u00e1rio, o jornalista Ricardo Vespucci e o m\u00e9dico Emanuel Vespucci, autores dos livros \u201cO rev\u00f3lver que sempre dispara\u201d e \u201cO livro das respostas: Alcoolismo\u201d cuja leitura recomendamos a todos os interessados no tema. Dessas entrevistas participaram tamb\u00e9m um representante dos Alco\u00f3licos An\u00f4nimos e duas mulheres da Al-Anon, associa\u00e7\u00e3o dedicada a dar apoio e orienta\u00e7\u00e3o aos familiares dos dependentes do \u00e1lcool. Esses depoimentos foram fundamentais para entender a doen\u00e7a do alcoolismo e suas consequ\u00eancias.<\/p>\n<p><strong>Fonte Dr\u00ba Drauzio Varela<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/drauziovarella.com.br\/dependencia-quimica\/alcoolismo\/alcoolismo\/<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nEnviada por Risomar Lima<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Do ponto de vista m\u00e9dico, o alcoolismo \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica, com aspectos comportamentais e socioecon\u00f4micos, caracterizada pelo consumo compulsivo de \u00e1lcool, na qual o usu\u00e1rio se torna progressivamente tolerante \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o produzida pela droga e desenvolve sinais e sintomas de abstin\u00eancia, quando a mesma \u00e9 retirada. 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