{"id":4892,"date":"2010-12-20T11:15:36","date_gmt":"2010-12-20T14:15:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=4892"},"modified":"2010-12-20T11:15:36","modified_gmt":"2010-12-20T14:15:36","slug":"conto-de-natal-paulo-coelho-brasi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/12\/20\/conto-de-natal-paulo-coelho-brasi\/","title":{"rendered":"Conto de Natal Paulo Coelho &#8211; Brasi"},"content":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2010<\/p>\n<p>Estimado leitor,<\/p>\n<p>Como maneira de agradecer o apoio recebido em 2010, e mantendo a tradi\u00e7\u00e3o dos anos anteriores, estou enviando um conto de Natal que escrevi para as colunas que tenho em diversos jornais do mundo.<\/p>\n<p>Que o universo conspire para que seus desejos se realizem em 2011.<\/p>\n<p><strong>O pinheiro de St. Martin<\/strong><\/p>\n<p>Na v\u00e9spera de Natal, o padre da igreja no pequeno vilarejo de St. Martin, nos Pirineus franceses, se preparava para celebrar a missa, quando come\u00e7ou a sentir um perfume delicioso. Era inverno, h\u00e1 muito as flores tinham desaparecido &#8211; mas ali estava aquele aroma agrad\u00e1vel, como se a primavera tivesse surgido fora de tempo.<\/p>\n<p>Intrigado, ele saiu da igreja para buscar a origem de tal maravilha, e foi dar com um rapaz sentado na frente da porta da escola. Ao seu lado, estava uma esp\u00e9cie de \u00c1rvore de Natal dourada.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>&#8211; Mas que beleza de \u00c1rvore! &#8211; disse o p\u00e1roco. &#8211; Ela parece ter tocado o c\u00e9u, j\u00e1 que irradia uma ess\u00eancia divina! E \u00e9 feita de ouro puro! Onde foi que a conseguiu?<\/p>\n<p>O jovem n\u00e3o demonstrou muita alegria com o coment\u00e1rio do padre.<\/p>\n<p>&#8211; Na verdade, isso que carrego comigo foi ficando cada vez mais pesado e \u00e0 medida que eu andava, suas folhas ficaram duras. Mas n\u00e3o pode ser ouro, e estou com medo da rea\u00e7\u00e3o de meus pais.<\/p>\n<p>O rapaz contou sua hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>&#8211; Tinha sa\u00eddo hoje de manh\u00e3 para ir at\u00e9 a cidade de Tarbes, com o dinheiro que minha m\u00e3e havia me dado para comprar uma bela \u00c1rvore de Natal. Acontece que, ao cruzar um povoado, vi uma senhora de idade, solit\u00e1ria, sem nenhuma fam\u00edlia com quem comemorar a grande festa da Cristandade. Dei-lhe algum dinheiro para a ceia, pois estava certo que poderia conseguir um desconto na minha compra.<\/p>\n<p>&#8220;Ao chegar em Tarbes, passei diante da grande pris\u00e3o, e havia uma s\u00e9rie de pessoas aguardando a hora da visita. Todas estavam tristes, j\u00e1 que passariam a noite longe de seus entes queridos. Escutei algumas delas comentando que sequer tinham conseguido comprar um peda\u00e7o de torta. Na mesma hora, movido pelo romantismo de gente da minha idade, decidi que iria dividir meu dinheiro com aquelas pessoas, que estavam precisando mais que eu. Guardaria apenas uma \u00ednfima quantia para o almo\u00e7o; o florista \u00e9 amigo de nossa fam\u00edlia, com certeza me daria a \u00c1rvore, e eu poderia trabalhar para ele na semana seguinte, pagando assim a minha d\u00edvida&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Entretanto, ao chegar ao mercado, soube que o florista que conhecia n\u00e3o tinha ido trabalhar. Tentei de todas as maneiras conseguir algu\u00e9m que me emprestasse dinheiro para comprar a \u00c1rvore em outro lugar, mas foi em v\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Convenci a mim mesmo que conseguiria pensar melhor o que fazer se estivesse com o est\u00f4mago cheio. Quando me aproximei de um bar, um menino que parecia estrangeiro, perguntou se eu podia lhe dar alguma moeda, j\u00e1 que n\u00e3o comia h\u00e1 dois dias. Como imaginei que certa vez o menino Jesus deva ter passado fome, entreguei-lhe o pouco dinheiro que me sobrava, e voltei para casa. No caminho de volta, quebrei um galho de um pinheiro; tentei ajeit\u00e1-lo, cort\u00e1-lo, mas ele foi ficando duro como se feito de metal, e est\u00e1 longe de ser a \u00c1rvore de Natal que minha m\u00e3e espera&#8221;.<\/p>\n<p>&#8211; Meu caro &#8211; disse o padre &#8211; o perfume desta \u00c1rvore n\u00e3o deixa d\u00edvidas de que ela foi tocada pelos C\u00e9us. Deixe-me contar o resto desta sua hist\u00f3ria:<\/p>\n<p>&#8220;Assim que voc\u00ea deixou a senhora, ela imediatamente pediu \u00e0 Virgem Maria, uma m\u00e3e como ela, que lhe devolvesse esta ben\u00e7\u00e3o inesperada. Os parentes dos presos se convenceram que tinham encontrado um anjo, e rezaram agradecendo aos anjos pelas tortas que foram compradas. O menino que voc\u00ea encontrou, agradeceu a Jesus por ter sua fome saciada&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A Virgem, os anjos, e Jesus escutaram a prece daqueles que tinham sido ajudados. Quando voc\u00ea quebrou o galho do pinheiro, a Virgem colocou nele o perfume da miseric\u00f3rdia. \u00c0 medida que voc\u00ea caminhava, os anjos iam tocando suas folhas, e as transformando em ouro. Finalmente, quando tudo ficou pronto, Jesus olhou o trabalho, aben\u00e7oou-o, e a partir de agora, quem tocar esta \u00c1rvore de Natal, ter\u00e1 seus pecados perdoados e seus desejos atendidos&#8221;.<\/p>\n<p>E assim foi. Conta a lenda que o pinheiro sagrado ainda se encontra em St. Martin; mas sua for\u00e7a \u00e9 t\u00e3o grande que, todos aqueles que ajudam seu pr\u00f3ximo na v\u00e9spera de Natal, n\u00e3o importa qu\u00e3o longe estejam do pequeno vilarejo dos Pirineus, s\u00e3o aben\u00e7oados por ele.<\/p>\n<p>(inspirado em uma hist\u00f3ria hass\u00e1dica)<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\nEnviado por Carlos Mascarenhs<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2010 Estimado leitor, Como maneira de agradecer o apoio recebido em 2010, e mantendo a tradi\u00e7\u00e3o dos anos anteriores, estou enviando um conto de Natal que escrevi para as colunas que tenho em diversos jornais do mundo. 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