{"id":4904,"date":"2010-12-20T11:43:53","date_gmt":"2010-12-20T14:43:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=4904"},"modified":"2010-12-20T11:43:53","modified_gmt":"2010-12-20T14:43:53","slug":"sementes-da-sustentabilidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/12\/20\/sementes-da-sustentabilidade\/","title":{"rendered":"Sementes da sustentabilidade"},"content":{"rendered":"<p><em><br \/>\n<strong>  \tPrograma incentiva uso de aduba\u00e7\u00e3o verde na agricultura org\u00e2nica e integra governo, pesquisadores, t\u00e9cnicos extensionistas e agricultores familiares \t<\/strong> <\/em><\/p>\n<p><strong>Bras\u00edlia <\/strong>(20\/12\/2010) &#8211; Terra f\u00e9rtil e pronta para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de forma sustent\u00e1vel e sem prejudicar o solo \u00e9 o resultado obtido pelos agricultores que utilizam adubos verdes. A pr\u00e1tica \u00e9 antiga, conhecida por chineses, gregos e romanos h\u00e1 mais de dois mil anos, e se baseia no plantio de esp\u00e9cies que fixam o nitrog\u00eanio, preparando o terreno com nutrientes para outras culturas. <\/p>\n<p>Para disseminar o uso e manejo de adubos verdes, o Minist\u00e9rio da Agricultura, Pecu\u00e1ria e Abastecimento (Mapa) deu in\u00edcio, em 2007, ao Programa Bancos Comunit\u00e1rios de Sementes de Adubos Verdes, em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa) e o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia (MCT). A iniciativa j\u00e1 alcan\u00e7ou 16 estados e o Distrito Federal. Al\u00e9m da participa\u00e7\u00e3o de pesquisadores da Embrapa, conta com o apoio de 200 profissionais da assist\u00eancia t\u00e9cnica, extens\u00e3o rural e \u00f3rg\u00e3os de pesquisa que comp\u00f5em as Comiss\u00f5es Estaduais da Produ\u00e7\u00e3o Org\u00e2nica nas Unidades da Federa\u00e7\u00e3o (CPOrgs).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Na cidade de Serop\u00e9dica (RJ), a Embrapa Agrobiologia atua como unidade propagadora da ideia. Os pesquisadores capacitam os extensionistas que, por sua vez, repassam o conhecimento aos agricultores e acompanham o plantio, o uso de adubos verdes, a produ\u00e7\u00e3o de sementes e a forma\u00e7\u00e3o dos bancos comunit\u00e1rios. \u201cO programa favorece o di\u00e1logo entre governo, agricultores, extensionistas e cientistas\u201d, destaca o agr\u00f4nomo Jos\u00e9 Guilherme Guerra, pesquisador da Embrapa.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica do programa \u00e9 simples: os grupos de agricultores interessados entram em contato com a CPOrg, na Superintend\u00eancia Federal de Agricultura do estado, onde a ades\u00e3o \u00e9 avaliada e planejada. A partir da\u00ed, come\u00e7a o curso de capacita\u00e7\u00e3o com a distribui\u00e7\u00e3o de cartilhas sobre aduba\u00e7\u00e3o verde das sementes que ser\u00e3o utilizadas no primeiro plantio.<\/p>\n<p>Os agricultores ou entidades representantes assinam um termo com o compromisso de produzir, pelo menos, a mesma quantidade de sementes que receberam para a forma\u00e7\u00e3o dos bancos familiares ou comunit\u00e1rios. \u201cA a\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental para a agricultura familiar porque viabiliza a t\u00e9cnica, fornece a mat\u00e9ria-prima, que ainda \u00e9 de dif\u00edcil acesso no mercado, e proporciona aumento na produ\u00e7\u00e3o de forma sustent\u00e1vel\u201d, enfatiza Jos\u00e9 Guerra.<\/p>\n<p>Na fase inicial do programa, os agricultores receberam sementes de crotal\u00e1ria juncea, feij\u00e3o guandu e mucuna preta, tipos de leguminosas mais populares, com maior capacidade de adapta\u00e7\u00e3o a diferentes condi\u00e7\u00f5es de solo e clima. A demanda regional possibilitou a inclus\u00e3o de outras esp\u00e9cies. O programa inclui 12 esp\u00e9cies de adubos verdes e ampliar\u00e1 ainda mais essa diversidade a partir do plantio na safra 2010\/2011. O Rio de Janeiro, por exemplo, adotou mais sete esp\u00e9cies, incluindo o nabo forrageiro, o tremo\u00e7o branco e a ervilhaca, mais prop\u00edcias ao clima frio caracter\u00edstico da regi\u00e3o serrana. Atualmente, 174 produtores fluminenses, em 33 munic\u00edpios, receberam orienta\u00e7\u00f5es para o uso e manejo dos adubos verdes e a produ\u00e7\u00e3o de sementes necess\u00e1rias \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos bancos. <\/p>\n<p>O pesquisador da Embrapa Agrobiologia define a aduba\u00e7\u00e3o verde como uma t\u00e9cnica de car\u00e1ter multifuncional que melhora as condi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, f\u00edsicas e biol\u00f3gicas do solo. \u201c\u00c9 bem diferente de usar um adubo qu\u00edmico que apenas induz o ganho de produ\u00e7\u00e3o\u201d, analisa. <\/p>\n<p>Expans\u00e3o do Programa<\/p>\n<p>Em Minas Gerais, um dos destaques nacionais, o programa se consolida como uma pol\u00edtica p\u00fablica para a agricultura. Atualmente, 302 dos 853 munic\u00edpios t\u00eam atividades vinculadas ao programa e 781 agricultores est\u00e3o envolvidos diretamente por meio de grupos informais, associa\u00e7\u00f5es ou cooperativas.<\/p>\n<p>A 278 km de Belo Horizonte, no munic\u00edpio de Tr\u00eas Marias, a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria do Bonfim e Adjacentes (Asbon) \u00e9 um exemplo de sucesso no emprego dos adubos verdes e compartilhamento das sementes. Formado majoritariamente por mulheres, o grupo re\u00fane 33 produtores rurais que plantam milho, morango e hortali\u00e7as no sistema org\u00e2nico. S\u00e3o utilizadas as esp\u00e9cies que comp\u00f5em o banco comunit\u00e1rio para fertilizar a terra e distribuir sementes a outros interessados.<\/p>\n<p>A presidente da Asbon, Ana L\u00facia Fernandes Pereira, lembra que abandonou a metodologia de adubos qu\u00edmicos assim que conheceu os benef\u00edcios dos fertilizantes org\u00e2nicos. \u201cOs nossos pais e os mais antigos n\u00e3o avan\u00e7aram muito usando produtos qu\u00edmicos. As terras aqui j\u00e1 estavam improdutivas e a gente tinha consci\u00eancia de que era preciso trabalhar formas mais org\u00e2nicas. A aduba\u00e7\u00e3o verde promoveu muitas melhorias\u201d, diz.<\/p>\n<p>O t\u00e9cnico Magno Rocha, da Empresa de Assist\u00eancia T\u00e9cnica e Extens\u00e3o Rural (Emater) de Tr\u00eas Marias, orienta os produtores da Asbon desde 2007. Ele confirma que os adubos verdes s\u00e3o importantes para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos org\u00e2nicos e essenciais para a recupera\u00e7\u00e3o do solo. \u201cAl\u00e9m disso, a pr\u00e1tica permite a autossufici\u00eancia dos agricultores, que eliminam despesas com fertilizantes industrializados quando mant\u00eam o banco de sementes\u201d, observa.<\/p>\n<p>As esp\u00e9cies de leguminosas dispon\u00edveis (trepadeiras, rasteiras ou arbustivas) oferecem resultados diferentes na aduba\u00e7\u00e3o e, por isso, devem ser adequadas \u00e0 cultura principal para oferecer o melhor resultado. Na Embrapa Milho e Sorgo, perto da capital mineira, o pesquisador Walter Matr\u00e2ngulo v\u00ea a aplica\u00e7\u00e3o desses adubos como uma pr\u00e1tica estimulante n\u00e3o s\u00f3 para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. \u201cO produtor precisa ter a percep\u00e7\u00e3o da arquitetura das plantas, saber a \u00e9poca de florescimento, quantidade de luz e sombra e medir os benef\u00edcios de cada uma. Isso exige instinto investigativo, que aproxima mais o agricultor e a ro\u00e7a\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A unidade demonstrativa da Embrapa Milho e Sorgo tamb\u00e9m atrai a aten\u00e7\u00e3o dos produtores e \u00e9 um instrumento usado para convenc\u00ea-los a darem o primeiro passo rumo \u00e0 aduba\u00e7\u00e3o verde, de acordo com o t\u00e9cnico da Emater que coordena as atividades do programa na regi\u00e3o de Sete Lagoas e Belo Horizonte, Walfrido Machado Albernaz. \u201cProcuramos aqueles que j\u00e1 t\u00eam interesse em plantar, falamos sobre a import\u00e2ncia, damos exemplos da t\u00e9cnica e fazemos reuni\u00f5es para discutir os resultados\u201d, afirma o extensionista.<\/p>\n<p>Albernaz diz ainda que um dos maiores desafios \u00e9 mostrar que o trabalho mais intenso de manuten\u00e7\u00e3o exigido pelo emprego de adubos verdes \u00e9 recompensado pelos resultados. \u201cQuem planta hortali\u00e7a j\u00e1 tem que fazer a rota\u00e7\u00e3o de cultura, mas, no caso do milho, o cons\u00f3rcio com o adubo verde aumenta a necessidade de m\u00e3o-de-obra. Isso traz um pouco de resist\u00eancia dos produtores na hora de aderir a essa forma de aduba\u00e7\u00e3o\u201d, explica.  <\/p>\n<p>Al\u00e9m do Rio de Janeiro e Minas Gerais, o programa ganha import\u00e2ncia no Acre, S\u00e3o Paulo e Mato Grosso do Sul. Na Bahia, Distrito Federal, Mato Grosso, Par\u00e1, Para\u00edba, Pernambuco, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Paran\u00e1 e Tocantins os bancos ainda est\u00e3o sendo consolidados. Piau\u00ed e Esp\u00edrito Santo j\u00e1 solicitaram a implanta\u00e7\u00e3o <\/p>\n<p>Em tr\u00eas anos de programa, s\u00e3o mais de 3.400 agricultores beneficiados em todo o pa\u00eds. Foram distribu\u00eddas 48 toneladas de sementes e est\u00e3o formados ou em organiza\u00e7\u00e3o, mais de 300 bancos comunit\u00e1rios ou familiares de sementes de esp\u00e9cies utilizadas como adubos verdes. A expectativa do Minist\u00e9rio da Agricultura \u00e9 manter o programa at\u00e9 2015.  Os interessados em participar devem entrar em contato com a coordena\u00e7\u00e3o do programa de sua unidade da Federa\u00e7\u00e3o. (Leilane Alves)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Programa incentiva uso de aduba\u00e7\u00e3o verde na agricultura org\u00e2nica e integra governo, pesquisadores, t\u00e9cnicos extensionistas e agricultores familiares Bras\u00edlia (20\/12\/2010) &#8211; Terra f\u00e9rtil e pronta para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos de forma sustent\u00e1vel e sem prejudicar o solo \u00e9 o resultado obtido pelos agricultores que utilizam adubos verdes. 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