{"id":49644,"date":"2012-09-11T22:14:34","date_gmt":"2012-09-12T01:14:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=49644"},"modified":"2012-09-11T22:14:34","modified_gmt":"2012-09-12T01:14:34","slug":"a-maneira-de-introducao-fraterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/09\/11\/a-maneira-de-introducao-fraterna\/","title":{"rendered":"\u00c0 maneira de introdu\u00e7\u00e3o fraterna"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>Dom Pedro Casald\u00e1liga<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Bispo Em\u00e9rito da Prelazia de S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Adital\u00a0 &#8211; 11.09.12 &#8211; Am\u00e9rica Latina e Caribe<\/p>\n<p>\u00a0Na Agenda de 2012 nos pergunt\u00e1vamos que Humanidade podemos e queremos ser, que vida podemos e queremos viver, que conviv\u00eancia almejamos. Esta Agenda de 2013 aterriza no campo de batalha da Economia, onde se decide a vontade e a possibilidade de viver e de conviver toda a Humanidade com verdadeira dignidade humana.<\/p>\n<p>Emmanuel Mounier nos recordou que tudo \u00e9 pol\u00edtica mesmo n\u00e3o sendo a pol\u00edtica tudo. Muito antes e depois ideologias e poderes t\u00eam reduzido tudo \u00e0 Economia. Churchill dizia que\u00abno fundo de toda quest\u00e3o h\u00e1 uma libra esterlina\u00bb.<\/p>\n<p>A Agenda aborda <em>a Outra Economia<\/em>. Que n\u00e3o \u00e9 um tema novo em absoluto, sen\u00e3o que conecta com a luta ut\u00f3pica de tanta Humanidade, em movimentos e revolu\u00e7\u00f5es, com diferentes nomes, por\u00e9m na procura da justi\u00e7a, contra a fome e a escravid\u00e3o, contra todos os regimes pol\u00edticos que t\u00eam negado o sol e o p\u00e3o \u00e0 imensa maioria da Humanidade una.<\/p>\n<p>Falamos <em>da Outra Economia<\/em>, outra de verdade, radicalmente alternativa, n\u00e3o simplesmente de\u00abreformas econ\u00f4micas. De reformismos baratos nos livre o Deus da Vida.<\/p>\n<p>A Outra Economia n\u00e3o pode ser somente econ\u00f4mica. H\u00e1 de ser integral, ecol\u00f3gica, intercultural, a servi\u00e7o do Bem Viver e do Bem Conviver, na constru\u00e7\u00e3o da plenitude humana, desmontando a estrutura econ\u00f4mica atual que est\u00e1 exclusivamente a servi\u00e7o do mercado total, ap\u00e1trida, homicida de pessoas, genocida de povos. Sonhamos com uma mudan\u00e7a sist\u00eamica que atenda \u00e0s necessidades e aspira\u00e7\u00f5es de toda a Fam\u00edlia Humana reunida na casa comum \u00abOik\u00f3s\u00bb. \u00abOik\u00f3s-nomia\u00bb \u00e9 \u00aba administra\u00e7\u00e3o da casa\u00bb que tem como lei a fraternidade\/sororidade.<\/p>\n<p>Esta <em>outra economia<\/em>s\u00f3 se pode dar a partir de uma consci\u00eancia humana e humanizadora que se negue \u00e0 desigualdade escandalosa em que est\u00e1 estruturada a sociedade atual. Uma economia para todas as pessoas e todos os povos, em comunh\u00e3o de lutas e esperan\u00e7as, como sonhava o campon\u00eas para seus nove filhos: \u00abmais ou menos para todos\u00bb. Em n\u00edvel de fam\u00edlia, de vizinhan\u00e7a, de cidade, de pa\u00eds, de continente, de mundo. Sempre a partir dos pobres e exclu\u00eddos, construindo da terra do povo, do seu suor, do seu grito e seu canto, do sangue derramado por multid\u00f5es de m\u00e1rtires testemunhas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por ocasi\u00e3o da grande crise atual escrevia a revista \u00abIglesia Viva\u00bb, em seu n\u00famero 248: \u00aba \u00fanica forma de sair da crise e evitar outras mais graves \u00e9 combater a desigualdade em todas as suas manifesta\u00e7\u00f5es\u00bb. Os informes do PNUD nos v\u00eam recordando que o 20% mais rico da popula\u00e7\u00e3o mundial absorve o 80% das riquezas mundiais, e o 11 20% mais pobre t\u00eam que se conformar com 1,6%. Segundo Noam Chomsky, 230 fam\u00edlias possuem 80% da riqueza mundial. Enquanto perdurarem estas cifras de desigualdade monstruosa n\u00e3o haver\u00e1 paz nem justi\u00e7a no mundo. <em>A economia outra <\/em>tem de ser a socializa\u00e7\u00e3o dos bens maiores que s\u00e3o patrim\u00f4nio de toda a Humanidade: a terra, a \u00e1gua, a moradia, a sa\u00fade, a educa\u00e7\u00e3o, o trabalho, a comunica\u00e7\u00e3o, a mobilidade&#8230;<\/p>\n<p>A economia de mercado, especulativa, financeira, rege o mundo e tudo est\u00e1 assim submetido \u00e0 macroditadura capitalista neoliberal. Em vez de uma pol\u00edtica social se imp\u00f4s o mercado total e sua economia especulativa financeira globalizada. A civiliza\u00e7\u00e3o que hoje nos domina \u00e9 a estrutura\u00e7\u00e3o capitalista do ego\u00edsmo, da prepot\u00eancia, da exclus\u00e3o, da fome, da morte antes de tempo e por causas in\u00edquas.<\/p>\n<p>O te\u00f3logo m\u00e1rtir Ellacur\u00eda propugnava \u00aba civiliza\u00e7\u00e3o da pobreza\u00bb. Eu a traduzia como \u00aba civiliza\u00e7\u00e3o da sobriedade compartilhada\u00bb. Se continuarmos fazendo do lucro a qualquer custo a pauta da economia, seguir\u00e3o crescendo a fome, a mis\u00e9ria, a viol\u00eancia, a depreda\u00e7\u00e3o. O crescimento capitalista neoliberal somente pode vencer-se com um \u00abdecrescimento\u00bbharm\u00f4nico e mundial. \u00abO Bem Viver e o Bem Conviver\u00bb exigem e possibilitam que a Humanidade cres\u00e7a verdadeiramente, humanizando-se em todos os n\u00edveis.<\/p>\n<p>\u00abHumanizar a Humanidade\u00bb \u00e9 a ordem. Ecologicamente, pluriculturalmente, iguais e diferentes na Casa Comum.<\/p>\n<p>\u00c0 luz da f\u00e9 religiosa sobretudo, essa <em>economia outra <\/em>ser\u00e1 uma verdadeira espiritualidade: de compaix\u00e3o solid\u00e1ria com todos os ca\u00eddos \u00e0 beira do caminho; de indigna\u00e7\u00e3o prof\u00e9tica frente a todos os \u00eddolos de mentira e de morte; de conviv\u00eancia amorosa com todos os seres. Sup\u00f5e uma aut\u00eantica convers\u00e3o ao Mist\u00e9rio da Vida, ao Deus desse Mist\u00e9rio, \u00e0 &#8220;Oik\u00f3s\u201dque coabitamos.<\/p>\n<p>Dir\u00e3o que \u00e9 utopia, e \u00e9 mesmo. Uma utopia leg\u00edtima se se vive dia a dia construindo- a na base do amor e da esperan\u00e7a. \u00c9 uma economia-utopia que \u00e9 preciso inventar a partir da pr\u00e1tica di\u00e1ria. Obrigar\u00e1 a rever a fundo a no\u00e7\u00e3o e a pr\u00e1tica da propriedade privada, tida como sacral e ilimitada. As Religi\u00f5es, a Igreja concretamente, t\u00eam servido para justificar a entroniza\u00e7\u00e3o de uma propriedade privada que \u00e9 privativa e privadora.<\/p>\n<p>Nos primeiros tempos da Igreja, em contrapartida, aqueles vener\u00e1veis bispos te\u00f3logos afirmavam categoricamente: \u00abo que te sobra n\u00e3o \u00e9 teu\u00bb. Acumulando em poucas m\u00e3os e excluindo as maiorias, a propriedade privada vem sendo uma guerra \u00e0 morte entre opressores e oprimidos, como diria o te\u00f3logo Comblin, entre os que t\u00eam e os que n\u00e3o t\u00eam, como diria Cervantes.<\/p>\n<p>Em linguagem b\u00edblico-teol\u00f3gica temos a palavra chave para falar <em>da Outra Economia<\/em>, verdadeiramente <em>outra<\/em>: o Reino, a economia do Reino. Obsess\u00e3o de Jesus de Nazar\u00e9, revolu\u00e7\u00e3o total das estruturas pessoais e sociais, utopia necess\u00e1ria, obrigat\u00f3ria, porque \u00e9 a proposta do pr\u00f3prio Deus da Vida, Pai-M\u00e3e da Fam\u00edlia Humana.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dom Pedro Casald\u00e1liga Bispo Em\u00e9rito da Prelazia de S\u00e3o F\u00e9lix do Araguaia Adital\u00a0 &#8211; 11.09.12 &#8211; Am\u00e9rica Latina e Caribe \u00a0Na Agenda de 2012 nos pergunt\u00e1vamos que Humanidade podemos e queremos ser, que vida podemos e queremos viver, que conviv\u00eancia almejamos. 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