{"id":5125,"date":"2010-12-23T15:31:39","date_gmt":"2010-12-23T18:31:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=5125"},"modified":"2010-12-23T15:31:39","modified_gmt":"2010-12-23T18:31:39","slug":"bahia-sera-primeiro-estado-do-brasil-a-reconhecer-um-oficio-cultural","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2010\/12\/23\/bahia-sera-primeiro-estado-do-brasil-a-reconhecer-um-oficio-cultural\/","title":{"rendered":"Bahia ser\u00e1 primeiro estado do Brasil a reconhecer um of\u00edcio cultural"},"content":{"rendered":"<p><em> <strong> Dossi\u00ea do IPAC para reconhecimento do Of\u00edcio dos Vaqueiros como Patrim\u00f4nio da Bahia j\u00e1 foi analisado e aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura e est\u00e1 na Casa Civil para an\u00e1lise e delibera\u00e7\u00f5es do Governador do Estado<br \/>\n<\/strong><\/em><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont4.jpg\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont4-300x201.jpg\" alt=\"\" title=\"mont\" width=\"300\" height=\"201\" class=\"alignleft size-medium wp-image-5126\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont4-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/mont4.jpg 700w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c0s v\u00e9speras do Natal, milhares de estudiosos, pol\u00edticos, educadores, empres\u00e1rios, produtores culturais, gestores p\u00fablicos, estudantes ou, somente, cidad\u00e3os origin\u00e1rios do semi-\u00e1rido baiano ou que sempre defenderam o reconhecimento e inser\u00e7\u00e3o do povo do sert\u00e3o e da sua cultura nas pol\u00edticas e mecanismos do poder p\u00fablico, ter\u00e3o o que comemorar. Eles ganham um presente j\u00e1 requerido h\u00e1 d\u00e9cadas por meio de pesquisas, estudos, relat\u00f3rios e cr\u00edticas de defensores da cultura sertaneja.<\/p>\n<p>A Bahia pode vir a ser o primeiro estado da Uni\u00e3o a reconhecer, oficialmente, um of\u00edcio cultural. Um of\u00edcio que traduz o modo de ser e viver transformado ao longo de 300 anos em caracter\u00edstica cultural das mais emblem\u00e1ticas do Sert\u00e3o baiano, o Of\u00edcio dos Vaqueiros. Entre final de novembro e in\u00edcio deste m\u00eas o Conselho Estadual de Cultura da Bahia (CEC, www.conselhodeculturaba.wordpress.com) analisou e aprovou dossi\u00ea sobre o Of\u00edcio dos Vaqueiros, elaborado pelo Instituto do Patrim\u00f4nio Art\u00edstico e Cultural da Bahia (IPAC).<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Hoje, o dossi\u00ea se encontra na Casa Civil para an\u00e1lise final e delibera\u00e7\u00f5es do Governador do Estado. Caso a proposta seja sancionada pelo governador por decreto no Di\u00e1rio Oficial do Estado, o Of\u00edcio dos Vaqueiros passa a constar no Livro do Registro Especial dos Saberes e Modo de Fazer como Patrim\u00f4nio Imaterial da Bahia. Al\u00e9m de trazer maior difus\u00e3o do bem cultural o registro possibilita que essa manifesta\u00e7\u00e3o passe a integrar a lista de prioridades nos financiamentos de programas e projetos culturais, sejam eles federais, estaduais e municipais.<\/p>\n<p>Autarquia da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), o IPAC \u00e9 respons\u00e1vel pelas pol\u00edticas p\u00fablicas do patrim\u00f4nio cultural e produz dossi\u00eas sobre bens culturais, materiais e imateriais, considerados relevantes para o estado, a partir das pesquisas de campo, bibliografias, entrevistas, artigos, jornais e documentos antigos, entre outros arquivos impressos e imag\u00e9ticos.<\/p>\n<p>Os dossi\u00eas justificam e comprovam a import\u00e2ncia da manifesta\u00e7\u00e3o cultural para que o governo estadual a registre como Patrim\u00f4nio da Bahia. \u00c9 o caso dos bens imateriais j\u00e1 registrados da Capoeira, Festa de Santa B\u00e1rbara, Carnaval de Maragojipe, Festa da Boa Morte em Cachoeira, Cortejo do 2 de Julho em Salvador e, agora, o Of\u00edcio dos Vaqueiros. O Instituto do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rico e Art\u00edstico Nacional (Iphan) do Minist\u00e9rio da Cultura j\u00e1 reconheceu of\u00edcios culturais \u2013 como o of\u00edcio das baianas de acaraj\u00e9 -, mas, segundo pesquisadores, n\u00e3o se tem conhecimento de nenhum estado que tenha feito o mesmo.<\/p>\n<p>DISCRIMINA\u00c7\u00c3O &#8211; A maior reclama\u00e7\u00e3o de defensores das culturas t\u00edpicas do Sert\u00e3o da Bahia \u00e9 sobre a \u201cdiscrimina\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica que as manifesta\u00e7\u00f5es culturais sertanejas\u201d sofrem desde sempre. Para esses cr\u00edticos, os bens culturais intang\u00edveis da capital e Rec\u00f4ncavo sempre foram mais protegidos, divulgados e priorizados pelos poderes p\u00fablicos estadual e federal. Alguns estudiosos destacam um pr\u00e9-conceito perverso que a capital baiana teria exercido em detrimento do interior do estado, do seu povo e da sua cultura ao longo do tempo. \u201cProva disso, \u00e9 que ao longo de 400 anos, e at\u00e9 hoje, algumas confedera\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es estaduais ainda exigem em seus regimentos que seus integrantes residam, obrigatoriamente, na capital, n\u00e3o podendo ser residentes de cidades do interior, entre dezenas de outros exemplos\u201d, ressalta o conselheiro de cultura do CEC, Washington Queiroz.<\/p>\n<p>P\u00f3s-graduado em antropologia e especializado em etnologia ind\u00edgena, Queiroz \u00e9 membro da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Antropologia e pesquisador renomado da cultura do Sert\u00e3o. Ele foi respons\u00e1vel por solicitar ao IPAC a abertura das pesquisas sobre o Of\u00edcio dos Vaqueiros e foi o relator do parecer aprovado com unanimidade por todos os conselheiros do CEC.<\/p>\n<p>Para a professora prim\u00e1ria Cremilda Santos, hoje residindo na cidade de Juazeiro, extremo noroeste da Bahia, o pr\u00e9-conceito com o Sert\u00e3o e interior \u00e9 t\u00e3o grande que \u00e9 reproduzido por toda a sociedade. \u201cOs principais ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o que cobrem a Bahia sempre priorizam as not\u00edcias da capital e n\u00e3o do interior. Os jornais impressos, por exemplo, s\u00f3 colocam uma p\u00e1gina para falar dos outros 416 munic\u00edpios, que n\u00e3o Salvador\u201d, reclama a educadora.<\/p>\n<p>MUDAN\u00c7AS &#8211; Contudo, esse pr\u00e9-conceito pode mudar em fun\u00e7\u00e3o da for\u00e7a financeira e econ\u00f4mica que os munic\u00edpios est\u00e3o ganhando na \u00faltima d\u00e9cada e por novas pol\u00edticas p\u00fablicas do estado. Segundo indicadores demogr\u00e1ficos e socioecon\u00f4micos do IBGE e \u00f3rg\u00e3os federais, a d\u00e9cada de 2000 apresentou crescimento nunca antes visto das cidades m\u00e9dias brasileiras.<\/p>\n<p>Ocorreu aumento da popula\u00e7\u00e3o, crescimento m\u00e9dio da economia, do PIB industrial, PIOB de servi\u00e7os, evolu\u00e7\u00e3o da renda per capita, crescimento do emprego formal e melhoria da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica (\u00cdndice de Educa\u00e7\u00e3o B\u00e1sica &#8211; 2007 a 2009). Em geral, s\u00e3o diagnosticadas por cidades m\u00e9dias aquelas cuja popula\u00e7\u00e3o varia entre 100 e 500 mil habitantes. Exemplo m\u00e1ximo na Bahia dessa nova reviravolta \u00e9 a regi\u00e3o oeste da Bahia e a cidade de Barreiras, beneficiados pela agricultura industrial.<\/p>\n<p>Nessa perspectiva, desde 2007, o Governo da Bahia implementa pol\u00edticas p\u00fablicas que beneficiam o interior, com a\u00e7\u00f5es das \u00e1reas de sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, abastecimento de \u00e1gua e infra-estrutura, como a futura constru\u00e7\u00e3o da ferrovia oeste-leste. J\u00e1 na \u00e1rea cultural a SecultBA criou 27 representa\u00e7\u00f5es regionais respons\u00e1veis por cobrir os 417 munic\u00edpios baianos atrav\u00e9s dos territ\u00f3rios de identidade nos quais est\u00e3o inseridos. Seguindo a estrat\u00e9gia, o IPAC realizou de 2007 a 2010 mais de 30 oficinas de educa\u00e7\u00e3o patrimonial, exposi\u00e7\u00f5es, debates, visitas, vistorias, orienta\u00e7\u00f5es, apoios t\u00e9cnicos e obras que beneficiaram cerca de 200 munic\u00edpios. Ainda s\u00e3o destaques do IPAC os encontros locais, estaduais, nacionais e internacionais promovidos nas cidades do interior baiano, como o 5\u00ba Semin\u00e1rio de Arte Rupestre em parceria com a Universidade Federal da Bahia e 3\u00aa Reuni\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Arte Rupestre. Ocorridos em Len\u00e7\u00f3is, ambos os eventos contaram com especialistas brasileiros, franceses e presen\u00e7a da mundialmente reconhecida arque\u00f3loga Ni\u00e8de Guidon.<\/p>\n<p>Para forma\u00e7\u00e3o dos dossi\u00eas, as pesquisas do IPAC podem durar de seis meses a dois anos, dependendo do tema pesquisado. Para ser reconhecido pelo Estado o bem cultural tem que ter representatividade para a Bahia. As prefeituras s\u00e3o respons\u00e1veis por patrim\u00f4nios de relev\u00e2ncia municipal, enquanto o governo federal fica com tutela dos bens nacionais. Mais informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o obtidas no site www.ipac.ba.gov.br ou, atrav\u00e9s da Ger\u00eancia de Pesquisa do IPAC via telefone (71) 3116-6741, durante hor\u00e1rio comercial, de segunda \u00e0 sexta-feira, exceto feriados.<\/p>\n<p>Opcional: HIST\u00d3RIA dos VAQUEIROS &#8211; Pesquisas de Queiroz apontam que na Bahia, j\u00e1 em 1550, a fam\u00edlia do colonizador portugu\u00eas Garcia D\u2019\u00c1vila expedia vaqueiros para colonizar e ocupar terras internas do Brasil. Segundo ele, o percurso dos vaqueiros no estado teve dois momentos, o primeiro no s\u00e9culo 16 partindo das terras da Casa da Torre, atua localidade de Praia do Forte, munic\u00edpio de Mata de S\u00e3o Jo\u00e3o. Da\u00ed, essas expedi\u00e7\u00f5es atingiam os rios Jacu\u00edpe, Itapicuru, at\u00e9 o Paragua\u00e7u e Rio de Contas, formando pontos de encontro nas feiras e estabelecendo os primeiros currais. Eles desbravaram a regi\u00e3o Nordeste do pa\u00eds tornando o interior, ent\u00e3o desconhecido, em locais habit\u00e1veis, com comunidades que se tornaram cidades. Por tr\u00eas s\u00e9culos esses movimentos no territ\u00f3rio sertanejo se complementam aos ciclos econ\u00f4micos da cana-de-a\u00e7\u00facar, minera\u00e7\u00e3o e ciclo do gado. Para Queiroz, o segundo momento se d\u00e1 na segunda metade do s\u00e9culo 18, quando s\u00e3o erguidas as primeiras casas de fazenda. Queiroz destaca que a marcha dos vaqueiros exigiu o desenvolvimento de t\u00e9cnicas e procedimentos que possibilitassem desbravamento de caatingas, matas, agrestes, chapadas, cerrados e planaltos \u00e0 procura de pastos para o gado crescente que j\u00e1 n\u00e3o podia mais ocupar apenas a orla atl\u00e2ntica da Bahia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dossi\u00ea do IPAC para reconhecimento do Of\u00edcio dos Vaqueiros como Patrim\u00f4nio da Bahia j\u00e1 foi analisado e aprovado pelo Conselho Estadual de Cultura e est\u00e1 na Casa Civil para an\u00e1lise e delibera\u00e7\u00f5es do Governador do Estado \u00c0s v\u00e9speras do Natal, milhares de estudiosos, pol\u00edticos, educadores, empres\u00e1rios, produtores culturais, gestores p\u00fablicos, estudantes ou, somente, cidad\u00e3os origin\u00e1rios [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[5],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5125"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5125"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5125\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":5128,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5125\/revisions\/5128"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5125"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5125"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5125"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}