{"id":51329,"date":"2012-10-05T11:42:40","date_gmt":"2012-10-05T14:42:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=51329"},"modified":"2012-10-05T11:42:40","modified_gmt":"2012-10-05T14:42:40","slug":"cuidados-paliativos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/10\/05\/cuidados-paliativos\/","title":{"rendered":"Cuidados Paliativos"},"content":{"rendered":"<div id=\"content-ancp\">\n<div id=\"box-2-3\">\n<h1>O que s\u00e3o Cuidados Paliativos?<\/h1>\n<p><em>O al\u00edvio do sofrimento, a compaix\u00e3o pelo doente e seus familiares, o controle impec\u00e1vel dos sintomas e da dor, a busca pela autonomia e pela manuten\u00e7\u00e3o de uma vida ativa enquanto ela durar: esses s\u00e3o alguns dos princ\u00edpios dos Cuidados Paliativos que, finalmente, come\u00e7am a ser reconhecidos em todas as esferas da sociedade brasileira.<\/em><\/p>\n<p>Os Cuidados Paliativos foram de\ufb01nidos pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade em 2002 como uma abordagem ou tratamento que melhora a qualidade de vida de pacientes e familiares diante de doen\u00e7as que ameacem a continuidade da vida. Para tanto, \u00e9 necess\u00e1rio avaliar e controlar de forma impec\u00e1vel n\u00e3o somente a dor, mas, todos os sintomas de natureza f\u00edsica, social, emocional e espiritual.<br \/>\nO tratamento em Cuidados Paliativos deve reunir as habilidades de uma equipe multiprofissional para ajudar o paciente a adaptar-se \u00e0s mudan\u00e7as de vida impostas pela doen\u00e7a, e promover a re\ufb02ex\u00e3o necess\u00e1ria para o enfrentamento desta condi\u00e7\u00e3o de amea\u00e7a \u00e0 vida para pacientes e familiares.<br \/>\nPara este trabalho ser realizado \u00e9 necess\u00e1rio uma equipe m\u00ednima, composta por: um m\u00e9dico, uma en\u001ffermeira, uma psic\u00f3loga, uma assistente social e pelo menos um pro\ufb01ssional da \u00e1rea da reabilita\u00e7\u00e3o (a ser de\ufb01nido conforme a necessidade do paciente). Todos devidamente treinados na \ufb01loso\ufb01a e pr\u00e1tica da palia\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A Organiza\u00e7\u00e3o Mundial de Sa\u00fade desenhou um modelo de interven\u00e7\u00e3o em Cuidados Paliativos onde as a\u00e7\u00f5es paliativas t\u00eam in\u00edcio j\u00e1 no momento do diagn\u00f3stico e o cuidado paliativo se desenvolve de forma conjunta com as terap\u00eauticas capazes de modi\ufb01car o curso da doen\u00e7a. A palia\u00e7\u00e3o ganha express\u00e3o e import\u00e2ncia para o doente \u00e0 medida que o tratamento modificador da doen\u00e7a (em busca da cura) perde sua efetividade. Na fase \ufb01nal da vida, os Cuidados Paliativos s\u00e3o imperiosos e perduram no per\u00edodo do luto, de forma individualizada.<\/p>\n<p>As a\u00e7\u00f5es incluem medidas terap\u00eauticas para o controle dos sintomas f\u00edsicos, interven\u00e7\u00f5es psicoterap\u00eauticas e apoio espiritual ao paciente do diagn\u00f3stico ao \u00f3bito. Para os familiares, as a\u00e7\u00f5es se dividem entre apoio social e espiritual e interven\u00e7\u00f5es psicoterap\u00eauticas do diagn\u00f3stico ao per\u00edodo do luto. Um programa adequado inclui ainda medidas de sustenta\u00e7\u00e3o espiritual e de psicoterapia para os profissionais da equipe, al\u00e9m de educa\u00e7\u00e3o continuada.<br \/>\nA condi\u00e7\u00e3o ideal para o desenvolvimento de um atendimento satisfat\u00f3rio deve compreender uma rede de a\u00e7\u00f5es composta por consultas ambulatoriais, assist\u00eancia domiciliar e interna\u00e7\u00e3o em unidade de m\u00e9dia complexidade, destinada ao controle de ocorr\u00eancias cl\u00ednicas e aos cuidados de \ufb01nal de vida.<br \/>\nInforma\u00e7\u00f5es sobre a defini\u00e7\u00e3o de Cuidados Paliativos pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade est\u00e3o no link: <a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/5228js\">http:\/\/tinyurl.com\/5228js<br \/>\n<\/a><\/p>\n<p><strong>Hist\u00f3ria dos Cuidados Paliativos<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Alguns historiadores apontam que a filosofia paliativista come\u00e7ou na antiguidade, com as primeiras defini\u00e7\u00f5es sobre o cuidar. Na Idade M\u00e9dia, durante as Cruzadas, era comum achar hospices (hospedarias, em portugu\u00eas) em monast\u00e9rios, que abrigavam n\u00e3o somente os doentes e moribundos, mas tamb\u00e9m os famintos, mulheres em trabalho de parto, pobres, \u00f3rf\u00e3os e leprosos. Esta forma de hospitalidade tinha como caracter\u00edstica o acolhimento, a prote\u00e7\u00e3o, o al\u00edvio do sofrimento, mais do que a busca pela cura.<br \/>\nNo s\u00e9culo XVII, um jovem padre franc\u00eas chamado S\u00e3o Vicente de Paula fundou a Ordem das Irm\u00e3s da Caridade em Paris e abriu v\u00e1rias casas para \u00f3rf\u00e3os, pobres, doentes e moribundos. Em 1900, cindo das Irm\u00e3s da Caridade, irlandesas, fundaram o St. Josephs\u00b4s Convent, em Londres, e come\u00e7aram a visitar os doentes em suas casas. Em 1902, elas abriram o St. Joseph\u00b4s Hospice com 30 camas para moribundos pobres.<\/p>\n<p><strong>Cicely Saunders e os Cuidados Paliativos modernos<\/strong><\/p>\n<p><img class=\"alignright\" src=\"http:\/\/www.paliativo.org.br\/imgconteudo\/978a99e7985d97e09d40.jpg\" alt=\"\" border=\"0\" \/>Cicely Saunders nasceu em 22 de junho de 1918, na Inglaterra, e dedicou sua vida ao al\u00edvio do sofrimento humano. Ela graduou-se como enfermeira, depois como assistente social e como m\u00e9dica.\u00a0 Escreveu muitos artigos e livros que at\u00e9 hoje servem de inspira\u00e7\u00e3o e guia para paliativistas no mundo todo.<br \/>\nEm 1967, ela fundou o St. Christopher\u00b4s Hospice, o primeiro servi\u00e7o a oferecer cuidado integral ao paciente, desde o controle de sintomas, al\u00edvio da dor e do sofrimento psicol\u00f3gico.\u00a0 At\u00e9 hoje, o St. Christopher\u00b4s \u00e9 reconhecido como um dos principais servi\u00e7os no mundo em Cuidados Paliativos e Medicina Paliativa.<br \/>\nCicely Saunders conseguiu entender o problema do atendimento que era oferecido em hospitais para pacientes terminais. At\u00e9 hoje, fam\u00edlias e pacientes ouvem de m\u00e9dicos e profissionais de sa\u00fade a frase \u201cn\u00e3o h\u00e1 mais nada a fazer\u201d.\u00a0 A m\u00e9dica inglesa sempre refutava: \u201cainda h\u00e1 muito a fazer\u201d.\u00a0 Ela faleceu em 2005, em paz, sendo cuidada no St. Christopher\u00b4s.<\/p>\n<p><strong><br \/>\nCuidados Paliativos no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>O movimento paliativista tem crescido enormemente, neste in\u00edcio de s\u00e9culo, no mundo todo. Na Inglaterra, em 2005, havia 1.700 hospices, com 220 unidades de interna\u00e7\u00e3o para adultos, 33 unidades pedi\u00e1tricas e 358 servi\u00e7os de atendimento domiciliar. Estes servi\u00e7os todos ajudaram cerca de 250 mil pacientes entre 2003 e 2004. Na Inglaterra, pacientes t\u00eam acesso gratuito a Cuidados Paliativos, cujos servi\u00e7os s\u00e3o custeados pelo governo ou por doa\u00e7\u00f5es. A medicina paliativa \u00e9 reconhecida como especialidade m\u00e9dica.<br \/>\nNos Estados Unidos, o movimento cresceu de um grupo de volunt\u00e1rios que se dedicava a pacientes que morriam isolados para uma parte importante do sistema de sa\u00fade. Em 2005, mais de 1,2 milh\u00e3o de pessoas e suas fam\u00edlias receberam tratamento paliativo. Nesse pa\u00eds, a medicina paliativa \u00e9 uma especialidade m\u00e9dica reconhecida tamb\u00e9m.<br \/>\nNo Brasil, iniciativas isoladas e discuss\u00f5es a respeito dos Cuidados Paliativos s\u00e3o encontradas desde os anos 70. Contudo, foi nos anos 90 que come\u00e7aram a aparecer os primeiros servi\u00e7os organizados, ainda de forma experimental. Vale ressaltar o pioneirismo do Prof. Marco T\u00falio de Assis Figueiredo, que abriu os primeiros cursos e atendimentos com filosofia paliativista na Escola Paulista de Medicina \u2013 UNIFESP\/EPM. Outro servi\u00e7o importante e pioneiro no Brasil \u00e9 o do Instituto Nacional do C\u00e2ncer \u2013 INCA, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que inaugurou em 1998 o hospital Unidade IV, exclusivamente dedicado aos Cuidados Paliativos. Contudo, atendimentos a pacientes fora da possibilidade de cura acontecem desde 1986. Em dezembro de 2002, o Hospital do Servidor P\u00fablico Estadual de S\u00e3o Paulo \u2013 HSPE\/SP inaugurou sua enfermaria de Cuidados Paliativos, comandada pela Dra. Maria Goretti Sales Maciel. O programa, no entanto, existe desde 2000. Em S\u00e3o Paulo, outro servi\u00e7o pioneiro \u00e9 do Hospital do Servidor P\u00fablico Municipal, comandado pela Dra. Dalva Yukie Matsumoto, que foi inaugurado em junho de 2004, com in\u00edcio do projeto em 2001.<br \/>\nA primeira tentativa de congrega\u00e7\u00e3o dos paliativistas aconteceu com a funda\u00e7\u00e3o da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cuidados Paliativos \u2013 ABCP pela psic\u00f3loga Ana Ge\u00f3rgia de Melo, em 1997.<br \/>\nContudo, com a funda\u00e7\u00e3o da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, em 2005, os Cuidados Paliativos no Brasil deram um salto institucional enorme. Com a ANCP, avan\u00e7ou a regulariza\u00e7\u00e3o profissional do paliativista brasileiro, estabeleceu-se crit\u00e9rios de qualidade para os servi\u00e7os de Cuidados Paliativos, realizou-se defini\u00e7\u00f5es precisas do que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 Cuidados Paliativos e levou-se a discuss\u00e3o para o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, Conselho Federal de Medicina &#8211; CFM e Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira \u2013 AMB. Participando ativamente da C\u00e2mera T\u00e9cnica sobre Terminalidade da Vida e Cuidados Paliativos do CFM, a ANCP ajudou a elaborar duas resolu\u00e7\u00f5es importantes que regulam a atividade m\u00e9dica relacionada a esta pr\u00e1tica.<br \/>\nEm 2009, pela primeira vez na hist\u00f3ria da medicina no Brasil, o Conselho Federal de Medicina incluiu, em seu novo C\u00f3digo de \u00e9tica M\u00e9dica, os Cuidados Paliativos como princ\u00edpio fundamental. A ANCP luta pela regulariza\u00e7\u00e3o da Medicina Paliativa como \u00e1rea de atua\u00e7\u00e3o m\u00e9dica junto \u00e0 Associa\u00e7\u00e3o M\u00e9dica Brasileira e a universaliza\u00e7\u00e3o dos servi\u00e7os de Cuidados Paliativos no Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>Cen\u00e1rio atual no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>No Brasil, as atividades relacionadas a Cuidados Paliativos ainda precisam ser regularizadas na forma de lei. Ainda imperam no Brasil um enorme desconhecimento e muito preconceito relacionado aos Cuidados Paliativos, principalmente entre os m\u00e9dicos, profissionais de sa\u00fade, gestores hospitalares e poder judici\u00e1rio. Ainda se confunde atendimento paliativo com eutan\u00e1sia e h\u00e1 um enorme preconceito com rela\u00e7\u00e3o ao uso de opi\u00f3ides, como a morfina, para o al\u00edvio da dor.<br \/>\nAinda s\u00e3o poucos os servi\u00e7os de Cuidados Paliativos no Brasil. Menor ainda \u00e9 o n\u00famero daqueles que oferecem aten\u00e7\u00e3o baseada em crit\u00e9rios cient\u00edficos e de qualidade.\u00a0 A grande maioria dos servi\u00e7os ainda requer a implanta\u00e7\u00e3o de modelos padronizados de atendimento que garantam a efic\u00e1cia e a qualidade.<br \/>\nH\u00e1 uma lacuna na forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos e profissionais de sa\u00fade em Cuidados Paliativos, essencial para o atendimento adequado, devido \u00e0 aus\u00eancia de resid\u00eancia m\u00e9dica e a pouca oferta de cursos de especializa\u00e7\u00e3o e de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o de qualidade. Ainda hoje, no Brasil, a gradua\u00e7\u00e3o em medicina n\u00e3o ensina ao m\u00e9dico como lidar com o paciente em fase terminal, como reconhecer os sintomas e como administrar esta situa\u00e7\u00e3o de maneira humanizada e ativa.<br \/>\nA ANCP prev\u00ea que, nos pr\u00f3ximos anos, essa situa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 mudar rapidamente. Com a regulariza\u00e7\u00e3o profissional, promulga\u00e7\u00e3o de leis, quebra de resist\u00eancias e maior exposi\u00e7\u00e3o na m\u00eddia (como na atual novela da TV Globo, Viver a Vida), haver\u00e1 uma demanda por servi\u00e7os de Cuidados Paliativos e por profissionais especializados. A ANCP e seus parceiros lutam para que isso de fato se torne realidade. A regulariza\u00e7\u00e3o legal e das profiss\u00f5es, por exemplo, permitir\u00e1 que os planos de sa\u00fade incluam Cuidados Paliativos em suas coberturas. Est\u00e1 provado que Cuidados Paliativos diminuem os custos dos servi\u00e7os de sa\u00fade e trazem enormes benef\u00edcios aos pacientes e seus familiares.<br \/>\nA conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira sobre os Cuidados Paliativos \u00e9 essencial para que o sistema de sa\u00fade brasileiro mude sua abordagem aos pacientes portadores de doen\u00e7as que amea\u00e7am a continuidade de suas vidas. Cuidados Paliativos s\u00e3o uma necessidade de sa\u00fade p\u00fablica. S\u00e3o uma necessidade humanit\u00e1ria.<\/p>\n<p><strong>ACADEMIA NACIONAL DE CUIDADOS PALIATIVOS<\/strong><\/p>\n<p>http:\/\/www.paliativo.org.br\/ancp.php?p=oqueecuidados<\/p>\n<p>Enviada por PC TAXI.<\/p>\n<p><em>ANCP \/ Novembro de 2009 \/ Pertimitida a reprodu\u00e7\u00e3o desde que citada a fonte.<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que s\u00e3o Cuidados Paliativos? 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