{"id":52213,"date":"2012-10-19T20:38:23","date_gmt":"2012-10-19T23:38:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=52213"},"modified":"2012-10-19T20:38:23","modified_gmt":"2012-10-19T23:38:23","slug":"marli-goncalves-em-o-lado-que-o-vento-sopra","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/10\/19\/marli-goncalves-em-o-lado-que-o-vento-sopra\/","title":{"rendered":"Marli Gon\u00e7alves em: O lado que o vento sopra"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><span><span style=\"color: #ff0000;\">Levo \u00e0 boca, dou uma molhadinha no dedo indicador, boto para cima e giro, imitando quem faz isso para ver de qual lado o vento vem, para onde vai. Sempre achei legal esse gesto, que bem que podia tamb\u00e9m ajudar a gente a decidir a vida. Mostrar a vis\u00e3o do futuro. Mas se eu n\u00e3o sei nem bem para o que serve saber a dire\u00e7\u00e3o do vento&#8230;<\/span> <\/span><\/strong><\/p>\n<p align=\"justify\">\n<img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/lh6.ggpht.com\/_PQy7A06gDto\/TMszWPVuHuI\/AAAAAAAAt3M\/va7UPbq3dc8\/marli%20gon%C3%A7alves%20nova.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>O lado que o vento leva. O lado que leva o vento. O lado que o vento bate. A mudan\u00e7a do vento. Do lado. E de dire\u00e7\u00e3o. \u00c9 tudo t\u00e3o r\u00e1pido que, se bobear, vem o vento e leva o dedo. Sempre fiquei admirada de ver a cara concreta que as pessoas fazem para demonstrar a sabedoria e viv\u00eancia, e como conseguem tentar prever coisas imprevis\u00edveis, tanto quanto o vento, e com um invej\u00e1vel ar de seguran\u00e7a. O engra\u00e7ado da coisa \u00e9 que os \u00fanicos que vi mesmo acertarem em cheio previs\u00f5es foram os cai\u00e7aras, que at\u00e9 para a sua pr\u00f3pria sobreviv\u00eancia n\u00e3o podem se dar ao luxo de errar: se dizem que a mar\u00e9 vai subir, que \u00e9 Noroeste, que o tempo vai virar, se vai ou n\u00e3o dar peixe, escute.<\/p>\n<p>Fora isso, furo n\u2019\u00e1gua. T\u00f4 vendo isso nas elei\u00e7\u00f5es, no pa\u00eds. Quem achou que levaria ficou chupando o dedo, e sem depois coloc\u00e1-lo para cima. Ao contr\u00e1rio. N\u00e3o h\u00e1 nada nem local que seja seguro, casa de palha, madeira ou tijolos; Lobo mau espreita. Na pol\u00edtica, na economia, no comportamento, na religi\u00e3o. Sinto frio na nuca.<\/p>\n<p>Olhe para cima, e as nuvens v\u00e3o criando desenhos diversos; quando voc\u00ea v\u00ea uma forma, j\u00e1 \u00e9 outra, e \u00e0s vezes nem a nuvem est\u00e1 mais l\u00e1. Levada pelo vento, unida a outras. Tudo r\u00e1pido, r\u00e1pido, cada vez mais r\u00e1pido. N\u00e3o h\u00e1 programa\u00e7\u00e3o que resista, planos que possam ser completados, momentos de calmaria, confian\u00e7a de que pescaremos algo para trazer para as nossas fam\u00edlias, alimentar nossas fomes de tudo.<\/p>\n<p>Para onde vamos? Qual for\u00e7a estourar\u00e1 as bolhas que se formam? Para que lado as h\u00e9lices do moinho girar\u00e3o? Tocar\u00e3o nossas velas, impulsionando nossos movimentos, eletrificando cercas, iluminando o mundo? Ou o vento contra, que cria a resist\u00eancia, \u00e9 o caminho que deveremos tomar, libert\u00e1rios e teimosos? Veja como a biruta \u00e9 bonita quando ereta, &#8220;flamulante&#8221;, forma que inventei agora, misturando fl\u00e2mula com movimento. E como tudo parece t\u00e3o calmo quando ela est\u00e1 im\u00f3vel, como se o tempo estivesse parado. Mas a\u00ed tudo se congela, como final de cap\u00edtulo de novela.<\/p>\n<p align=\"justify\"><!--more--><\/p>\n<p align=\"justify\">O vento: poder\u00edamos ficar horas e horas matutando sobre esse fen\u00f4meno capaz de varrer e capaz de sujar. Capaz de gerar energia, movimento, eletricidade, estragar qualquer cabelo, trazer e levar. Fazer barulho bom ou fantasmag\u00f3rico. Capaz de ser fraco e bom, ventilando novas ideias, refrescando, e capaz de ser forte, bem forte, unindo-se a outros ventos de encontr\u00e3o, criando um monstro capaz de virar tudo de cabe\u00e7a para baixo, criando ondas que n\u00e3o h\u00e1 surfistas que domem, ou redemoinhos infernais. Real e intang\u00edvel, assim como a vida e suas previs\u00f5es. Quantas vezes, tal qual Dom Quixote, avistamos um moinho e investimos contra ele, em sua dire\u00e7\u00e3o, e na verdade ele n\u00e3o est\u00e1 mais l\u00e1, vamos indo porque continuamos vendo, e ele nunca existiu, e parecia que estava mais \u00e0 frente!<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 b\u00fassola. Ou aquele outro instrumento t\u00e3o lindo e fascinante de que sempre gostei &#8211; o bar\u00f4metro (que mede a press\u00e3o atmosf\u00e9rica, que cria o vento). N\u00e3o h\u00e1 vento solar, o que acontece no espa\u00e7o sideral. N\u00e3o h\u00e1 nada que possa deter esse fantasma transparente, para que possamos analisar com calma para que lado devemos nos dirigir. \u00c9 preciso faro, como aquele que a gente usa para saber de onde vem aquele cheiro delicioso de comida, para ir por ali; ou o que a gente usa para fugir do lugar de onde o vento traz os fedores. Ou aquele que traz chamados.<\/p>\n<p>O mero ventinho, brisa, que traz tamb\u00e9m os perfumes e os feron\u00f4mios, os perfumes humanos, pode fazer nascer paix\u00f5es e tes\u00f5es incontrol\u00e1veis se captados.<\/p>\n<p>N\u00e3o adianta mesmo molhar o dedo para saber de onde vem o vento. Ele sempre bater\u00e1 na gente. E temos que dar a cara. Como os cachorros fazem e se divertem quando andam de carro. Como as crian\u00e7as aprendem a brincar com ele nas janelas, gargalhando.<\/p>\n<p>Crian\u00e7as e cachorros nunca pensam em previs\u00f5es. Porque quando crescemos a gente sempre precisa saber? Bons ventos nos levem!E, como decretou Bob Marley, <em> &#8220;os ventos que \u00e0s vezes tiram algo que amamos s\u00e3o os mesmos ventos que nos trazem algo que aprendemos a amar&#8221;<\/em>&#8230;<\/p>\n<p>Ventos v\u00e3o. Ventos voltam. Voos vindos ou idos com o vento podem trazer ou levar. Barlavento ou sotavento. Basta a gente mesmo escolher em que dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><center><span style=\"font-size: xx-small;\"><em><strong> S\u00e3o Paulo, vento encanado, 2012<\/strong><\/em><\/span><\/center><strong><span style=\"text-decoration: underline;\">Marli Gon\u00e7alves<\/span> \u00e9 jornalista<\/strong> &#8211; <strong><em> Aprendeu que c\u00e9u amarelo brilhante ao entardecer geralmente \u00e9 sinal de vento no dia seguinte. E que Lua cheia com halo ao seu redor, bem perto, prenuncia vento forte. Halo longe, chuva perto; halo perto, chuva longe.<\/em><\/strong><br \/>\n************************************************************<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline;\"><strong>E-mails:<\/strong><\/span><br \/>\n<a href=\"mailto:marli@brickmann.com.br\" target=\"_blank\"><strong>marli@brickmann.com.br<\/strong><\/a><br \/>\n<a href=\"mailto:marligo@uol.com.br\" target=\"_blank\"><strong>marligo@uol.com.br<\/strong><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levo \u00e0 boca, dou uma molhadinha no dedo indicador, boto para cima e giro, imitando quem faz isso para ver de qual lado o vento vem, para onde vai. Sempre achei legal esse gesto, que bem que podia tamb\u00e9m ajudar a gente a decidir a vida. Mostrar a vis\u00e3o do futuro. 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