{"id":53695,"date":"2012-11-15T14:07:38","date_gmt":"2012-11-15T17:07:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=53695"},"modified":"2012-11-15T14:07:38","modified_gmt":"2012-11-15T17:07:38","slug":"a-princesa-destronada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/11\/15\/a-princesa-destronada\/","title":{"rendered":"A PRINCESA DESTRONADA"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/NILSON-PESSOA_MODIFICADA.jpg\" class=\"alignleft\" width=\"300\" height=\"209\" \/>Ilh\u00e9us, outrora rica e pr\u00f3spera, tinha no cacau &#8211; o fruto de ouro &#8211; seu alicerce, seu sustent\u00e1culo. \u00c9poca da fartura, dos coron\u00e9is, da riqueza, do luxo e do esbanjamento. Dinheiro corria solto e aquecia o com\u00e9rcio. Extravag\u00e2ncias eram corriqueiras, a maioria, custasse quanto custasse, paga em dinheiro vivo, guardado nos colch\u00f5es. Pode-se at\u00e9 dizer que a classe m\u00e9dia daquela \u00e9poca  estava mais para rica do que para m\u00e9dia. A Princesa do Sul chegou ao ponto de querer separar do estado da Bahia, pois se achava autossustent\u00e1vel n\u00e3o s\u00f3 como munic\u00edpio, mas tamb\u00e9m como um novo estado, o de Santa Cruz. N\u00e3o bastasse a riqueza material, o que dizer das riquezas naturais? A cidade efervescia em meio \u00e0s planta\u00e7\u00f5es de cacau, \u00e0 terra f\u00e9rtil e \u00e0 exuber\u00e2ncia da ent\u00e3o abundante Mata Atl\u00e2ntica, num clima maravilhoso sem muito calor ou muito frio; como se tudo isso n\u00e3o fosse suficiente, ainda o azul do mar e as bel\u00edssimas praias de areias finas e brancas. Aut\u00eantico Eldorado, buc\u00f3lico para\u00edso. <\/p>\n<p>Recordar pode ser bom, mas depende das circunst\u00e2ncias. Reviver um passado que n\u00e3o se estendeu ao presente n\u00e3o enche barriga, principalmente quando esse presente \u00e9 antag\u00f4nico.<\/p>\n<p>Hoje, o dinheiro pouco circula, o com\u00e9rcio \u00e9 morno, as belezas naturais est\u00e3o maltratadas e a cada dia encobertas pela sujeira, lixo e entulho. As lavouras de cacau reduzidas, corro\u00eddas pelas pragas. Da Mata Atl\u00e2ntica pouco resta. A classe m\u00e9dia, mais para pobre. Falta atividade econ\u00f4mica, faltam empregos e a Terra da Gabriela foi abandonada, largada \u00e0 pr\u00f3pria sorte pelos que deveriam administr\u00e1-la. N\u00e3o precisa ir longe, o pr\u00f3prio R2CPRESS serve como term\u00f4metro. Foram diversas mat\u00e9rias relacionadas a uma Ilh\u00e9us decadente e deteriorada em apenas dois dias. Falou-se da situa\u00e7\u00e3o do Hospital S\u00e3o Jos\u00e9, do protesto do comerciante que se acorrentou na sede da prefeitura, dos professores que n\u00e3o recebem sal\u00e1rios, das ruas esburacadas. Nos \u00faltimos anos, milhares desistiram e foram tentar a vida em outras cidades. A maioria insiste e acredita num futuro melhor sem sair daqui. Nesses eu me incluo, n\u00e3o por simples e vago otimismo, mas por estar num lugar onde enxergo um manancial de perspectivas e oportunidades de crescimento, desenvolvimento e melhoria da qualidade de vida.  \u00c9 uma luta \u00e1rdua e os advers\u00e1rios s\u00e3o poderosos e presentes em todas as inst\u00e2ncias: maus pol\u00edticos, maus gestores e a malfadada burocacia.  <\/p>\n<p><em><strong>Nilson Pessoa<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ilh\u00e9us, outrora rica e pr\u00f3spera, tinha no cacau &#8211; o fruto de ouro &#8211; seu alicerce, seu sustent\u00e1culo. \u00c9poca da fartura, dos coron\u00e9is, da riqueza, do luxo e do esbanjamento. Dinheiro corria solto e aquecia o com\u00e9rcio. 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