{"id":54363,"date":"2012-11-26T12:12:22","date_gmt":"2012-11-26T15:12:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=54363"},"modified":"2012-11-26T12:12:22","modified_gmt":"2012-11-26T15:12:22","slug":"luiz-castro-em-decolores-94","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2012\/11\/26\/luiz-castro-em-decolores-94\/","title":{"rendered":"Luiz Castro em: DECOLORES"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/luiz-castro1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"118\" \/>O PRESENTE DO SENHOR PALHA <\/strong><\/p>\n<p>Era uma vez, h\u00e1 muitos e muitos anos atr\u00e1s, \u00e9 claro, porque as melhores hist\u00f3rias sempre se passam h\u00e1 muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele n\u00e3o tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, s\u00f3 tinha a roupa do corpo. Pois o Senhor Palha n\u00e3o tinha sorte. Era t\u00e3o pobre que mal tinha o que comer e era magro como um fiapo de palha. Por isso \u00e9 que as pessoas o chamavam de Senhor Palha.<\/p>\n<p>Todo dia o Senhor Palha ia ao templo pedir \u00e0 Deusa da Fortuna para melhorar sua sorte, e nada acontecia. At\u00e9 que um dia, ele ouviu uma voz sussurrar:<br \/>\n&#8211; A primeira coisa que voc\u00ea tocar quando sair do templo lhe trar\u00e1 grande fortuna.<\/p>\n<p>O Senhor Palha levou um susto. Esfregou os olhos, olhou em volta, mas viu que estava bem acordado e o templo estava vazio. Mesmo assim, saiu pensando: &#8220;Eu sonhei ou foi a Deusa da Fortuna que falou comigo?&#8221;<\/p>\n<p>Na d\u00favida, correu para fora do templo, ao encontro da sorte. Mas na pressa, o pobre Senhor Palha trope\u00e7ou nos degraus e foi rolando aos trancos at\u00e9 o final da escada, onde caiu na terra. Ao se por de p\u00e9, ajeitou as roupas e percebeu que tinha alguma coisa na m\u00e3o. Era um fiapo de palha.<\/p>\n<p>&#8220;Bom&#8221;, pensou ele, &#8220;um fiapo de palha n\u00e3o vale nada, mas, se a Deusa da Fortuna quis que eu pegasse, \u00e9 melhor guardar.&#8221; E l\u00e1 foi ele, segurando o fiapo de palha.<\/p>\n<p>Pouco depois apareceu uma lib\u00e9lula zumbindo em volta da cabe\u00e7a dele.Tentou espant\u00e1-la, mas n\u00e3o adiantou. A lib\u00e9lula zumbia loucamente ao redor da cabe\u00e7a dele.<\/p>\n<p>&#8220;Muito bem&#8221;, pensou ele. &#8220;Se n\u00e3o quer ir embora, fique comigo.&#8221;<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Apanhou a lib\u00e9lula e amarrou o fiapo de palha no rabinho dela. Ficou parecendo uma pequena pipa, e ele continuou descendo a rua com a lib\u00e9lula no fiapo. Logo encontrou uma florista com o filhinho, a caminho do mercado, onde iam vender flores. Vinham de muito longe. O menino estava cansado, suado, e a poeira lhe trazia l\u00e1grimas aos olhos. Mas quando o menino viu a lib\u00e9lula zumbindo amarrada no fiapo de palha, seu rostinho se animou.<br \/>\n&#8211; M\u00e3e, me d\u00e1 uma lib\u00e9lula? &#8211; pediu. &#8211; Por favor!<br \/>\n&#8220;Bom&#8221;, pensou o Senhor Palha, &#8220;a Deusa da Fortuna me disse que o fiapo de palha traria sorte. Mas esse garotinho est\u00e1 t\u00e3o cansado, t\u00e3o suado, que pode ficar mais feliz com um presentinho&#8221;. E deu a lib\u00e9lula no fiapo para o garoto.<br \/>\n&#8211; \u00c9 muita bondade sua &#8211; disse a florista. &#8211; N\u00e3o tenho nada para lhe dar em troca al\u00e9m de uma rosa. Aceita?<br \/>\nO Senhor Palha agradeceu e continuou seu caminho, levando a rosa.<\/p>\n<p>Andou mais um pouco e viu um jovem sentado num toco de \u00e1rvore, segurando a cabe\u00e7a entre as m\u00e3os. Parecia t\u00e3o infeliz que o Senhor Palha lhe perguntou o que havia acontecido.<br \/>\n&#8211; Vou pedir minha namorada em casamento hoje \u00e0 noite &#8211; queixou-se o rapaz. &#8211; Mas sou t\u00e3o pobre que n\u00e3o tenho nada para dar a ela.<br \/>\n&#8211; Bom, tamb\u00e9m sou pobre &#8211; disse o Senhor Palha. &#8211; N\u00e3o tenho nada de valor, mas se quiser dar a ela esta rosa, \u00e9 sua.<br \/>\nO rosto do rapaz se abriu num sorriso ao ver espl\u00eandida rosa.<br \/>\n&#8211; Fique com essas tr\u00eas laranjas, por favor &#8211; disse o jovem. &#8211; \u00c9 s\u00f3 o que posso dar em troca.<br \/>\nO Senhor Palha seguiu andando, carregando tr\u00eas suculentas laranjas.<\/p>\n<p>Logo encontrou um mascate, ofegante. &#8211; Estou puxando a carrocinha o dia inteiro e estou com tanta sede que acho que vou desmaiar. Preciso de um gole de \u00e1gua.<br \/>\n&#8211; Acho que n\u00e3o tem nem um po\u00e7o por aqui &#8211; disse o Senhor Palha. &#8211; Mas se quiser pode chupar estas tr\u00eas laranjas.<br \/>\nO mascate ficou t\u00e3o grato que pegou um rolo da mais fina seda que havia na carro\u00e7a e deu-o ao Senhor Palha, dizendo: &#8211; O senhor \u00e9 muito bondoso. Por favor, aceite esta seda em troca.<br \/>\nE o Senhor Palha mais uma vez seguiu pela rua, como rolo de seda debaixo do bra\u00e7o.<\/p>\n<p>N\u00e3o deu dez passos e viu passar uma princesa numa carruagem. Tinha um olhar preocupado, mas sua express\u00e3o logo se alegrou ao ver o Senhor Palha.<br \/>\n&#8211; Onde arrumou essa seda? &#8211; gritou ela. &#8211; \u00c9 justamente o que estou procurando. Hoje \u00e9 anivers\u00e1rio de meu pai e quero dar um quimono real para ele.<br \/>\n&#8211; Bom, j\u00e1 que \u00e9 anivers\u00e1rio dele, tenho prazer em lhe dar essa seda. &#8211; disse o Senhor Palha.<br \/>\nA princesa mal podia acreditar em tamanha sorte. &#8211; O senhor \u00e9 muito generoso &#8211; disse sorrindo. &#8211; Por favor, aceite<br \/>\nesta joia em troca.<br \/>\nA carruagem se afastou, deixando o Senhor Palha segurando a j\u00f3ia de inestim\u00e1vel valor refulgindo \u00e0 luz do sol.<\/p>\n<p>&#8220;Muito bem&#8221;, pesou ele, &#8220;comecei com um fiapo de palha que n\u00e3o valia nada e agora tenho uma j\u00f3ia. Acho que est\u00e1 bom.&#8221;<\/p>\n<p>Levou a joia ao mercado, vendeu-a e, com o dinheiro, comprou uma planta\u00e7\u00e3o de arroz. Trabalhou muito, arou, semeou, colheu, e a cada ano a planta\u00e7\u00e3o produzia mais arroz. Em pouco tempo, o Senhor Palha ficou rico.<br \/>\nMas a riqueza n\u00e3o o modificou. Sempre ofereceu arroz aos que tinham fome e ajudava a todos que o procuravam. Diziam que sua sorte tinha come\u00e7ado com um fiapo de palha, mas quem sabe foi com a sua generosidade. (autor desconhecido)<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00e3o de Luiz Castro<\/p>\n<p>Bacharel Administra\u00e7\u00e3o de Empresa<\/p>\n<p>Fespi, 1991<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O PRESENTE DO SENHOR PALHA Era uma vez, h\u00e1 muitos e muitos anos atr\u00e1s, \u00e9 claro, porque as melhores hist\u00f3rias sempre se passam h\u00e1 muitos e muitos anos, um homem chamado Senhor Palha. Ele n\u00e3o tinha casa, nem mulher, nem filhos. Para dizer a verdade, s\u00f3 tinha a roupa do corpo. 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