{"id":57994,"date":"2013-01-30T19:34:19","date_gmt":"2013-01-30T22:34:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=57994"},"modified":"2013-01-30T19:34:19","modified_gmt":"2013-01-30T22:34:19","slug":"juarez-vicente-deixa-um-legado-e-saudades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/01\/30\/juarez-vicente-deixa-um-legado-e-saudades\/","title":{"rendered":"Juarez Vicente deixa um legado e saudades"},"content":{"rendered":"<p><em><b>por Walmir Ros\u00e1rio<\/b><\/em><\/p>\n<div style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/WALMIR-ROS%C3%81RIO-FOTO-WALDYR-GOMES_.jpg\" width=\"200\" height=\"267\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Walmir Rosario \/ Foto by Waldir Gomes<\/p><\/div>\n<p>A \u00fanica certeza que temos na vida \u00e9 a da morte. \u00c0s vezes ela chega sem esperar e conclui sua empreitada, outras, nem tanto, encosta no indiv\u00edduo e fica ali apesar de todas as resist\u00eancias, minando a sa\u00fade at\u00e9 concluir o seu intento. Com <b>Juarez Vicente<\/b> de Carvalho foi assim, n\u00e3o adiantou espernear, a morte venceu a vida.<\/p>\n<p>Triste, n\u00f3s, que gostamos de Juju (apesar dele ter morrido), estamos de luto, embora sua morte n\u00e3o v\u00e1 apaga-lo de nossas mem\u00f3rias. Cumpriu o clico da vida. Nasceu, cresceu, viveu e foi embora. Particularmente, considero a vida (o viver) uma das caracter\u00edsticas mais importante de Juarez Vicente, dada a sua vontade de exerc\u00ea-la em sua plenitude.<\/p>\n<p>Professor de Qu\u00edmica, Juarez deixou um legado de conhecimento repassado aos alunos, hoje homens feitos e que sentem orgulho quando falam do seu professor. Mas a sala de aula n\u00e3o foi o seu principal sacerd\u00f3cio, reservado ao jornalismo, um rep\u00f3rter dedicado, um editor que \u201cn\u00e3o brigava com a not\u00edcia\u201d.<\/p>\n<p>E foi assim que foi conhecido nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o por que passou, notadamente nos r\u00e1dios e jornais, onde tratava a not\u00edcia com seriedade, mas sem desprezar as especula\u00e7\u00f5es. O \u201cBokadefogo\u201d, como era conhecido pelo t\u00edtulo da coluna que sempre levou para os ve\u00edculos em que trabalhava, cuspia marimbondos. Era implac\u00e1vel.<\/p>\n<p>Com a mesma seriedade com que tratava a comunica\u00e7\u00e3o social nos ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o, exercia os cargos de assessoria de imprensa de autoridades dos poderes Executivo e Legislativo com responsabilidade. Transitava bem dos dois lados do balc\u00e3o, com se diz comumente no jarg\u00e3o do jornalismo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>E Juarez n\u00e3o se limitava somente ao exerc\u00edcio da labuta das reda\u00e7\u00f5es e assessorias. Era um sindicalista que participava de todas as lutas dos profissionais de comunica\u00e7\u00e3o, compartilhando com os companheiros de congressos, mesas redondas e workshops com a mesma desenvoltura de uma mesa de negocia\u00e7\u00e3o salarial.<\/p>\n<p>Sua luta est\u00e1 registrada na dire\u00e7\u00e3o do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), particularmente na Delegacia Sindical do Sul da Bahia, da qual participou como candidato da elei\u00e7\u00e3o mais concorrida, no final da d\u00e9cada de 1980. Perdeu a elei\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o a dignidade e o \u00edmpeto para a luta.<\/p>\n<p>O Juarez Vicente das reda\u00e7\u00f5es, que por vezes n\u00e3o fazia concess\u00f5es para escamotear a verdade, era o mesmo Juarez Vicente poeta, com livros publicados e participa\u00e7\u00e3o ativa na vida cultural grapi\u00fana. Fundador do Clube do poeta, exerceu tamb\u00e9m sua presid\u00eancia, cuja contribui\u00e7\u00e3o \u00e9 por demais conhecida.<\/p>\n<p>Multifacetado, ou multim\u00eddia, tanto faz, ainda conhecemos o Juarez Vicente cantor, com passagens por diversos grupos musicais e bandas de Itabuna. Com um vasto repert\u00f3rio de sambas, boleros, jovem guarda, bossa nova e jazz, animava as madrugadas nos quatro cantos de nossa cidade.<\/p>\n<p>A boemia era uma das facetas de Juarez Vicente, onde colecionava amigos tantos para um grande bate-papo nas mesas de bar da cidade. Aconchegado num desses ambientes debatia com maestria desde a atividade de um varredor de ruas at\u00e9 as cient\u00edficas viagens \u00e0 lua, com argumentos irrefut\u00e1veis.<\/p>\n<p>L\u00e1 pras tantas, para evitar as distens\u00f5es por conta da ingest\u00e3o de cacha\u00e7a e cerveja dos participantes da mesa, sabia como ningu\u00e9m encerrar o bate-papo que descambava para o pren\u00fancio de uma confus\u00e3o:<\/p>\n<p>\u2013 Deixa pra l\u00e1, isso \u00e9 uma quest\u00e3o de hermen\u00eautica, est\u00e1 entre a dial\u00e9tica e a metaf\u00edsica \u2013 argumentava com altivez.<\/p>\n<p>E n\u00e3o se fala mais nisso!<\/p>\n<p>Adeus, Juju!<\/p>\n<p>Jornalista, advogado e editor do <a href=\"http:\/\/www.ciadanoticia.com.br\">www.ciadanoticia.com.br<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Walmir Ros\u00e1rio A \u00fanica certeza que temos na vida \u00e9 a da morte. \u00c0s vezes ela chega sem esperar e conclui sua empreitada, outras, nem tanto, encosta no indiv\u00edduo e fica ali apesar de todas as resist\u00eancias, minando a sa\u00fade at\u00e9 concluir o seu intento. 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