{"id":58337,"date":"2013-02-05T10:53:03","date_gmt":"2013-02-05T13:53:03","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=58337"},"modified":"2013-02-05T10:53:03","modified_gmt":"2013-02-05T13:53:03","slug":"heckel-januario-em-um-papo-de-dois-caras-magnificos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/02\/05\/heckel-januario-em-um-papo-de-dois-caras-magnificos\/","title":{"rendered":"Heckel Janu\u00e1rio em: UM PAPO DE DOIS CARAS MAGN\u00cdFICOS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Ao artigo do historiador Cl\u00e1udio Zumaeta \u201c\u00c9 pela Cultura que a Educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a\u201d de janeiro(19\/20) no Di\u00e1rio de Ilh\u00e9us,\u00a0 n\u00e3o pude deixar de meter o bedelho e logo encaixar um sulbaiano, ou melhor, um cara l\u00e1 da terrinha natal, puxando como se diz, ainda mais a brasa para a sardinha.<\/p>\n<p>Fundado em trechos do livro \u201cCanto de Amor e \u00d3dio a Itabuna\u201d de Telmo Padilha, o texto \u00e9 um educativo e instigante di\u00e1logo a respeito da Educa\u00e7\u00e3o e da Cultura entre, como muito bem qualifica o articulista, dois gigantes da literatura: o pr\u00f3prio autor e Adonias Filho.<\/p>\n<p>N\u00e3o se divergem em nenhum momento. Reconhecem a grande import\u00e2ncia da Educa\u00e7\u00e3o, em especial da universit\u00e1ria, mas s\u00e3o un\u00e2nimes na conclus\u00e3o que a Cultura a suplante, ali\u00e1s, \u00e9 esta supremacia da Cultura sobre a Educa\u00e7\u00e3o a s\u00edntese da conversa.<\/p>\n<p>Embora o racioc\u00ednio com clareza e precis\u00e3o dos dois escritores concorde que a Educa\u00e7\u00e3o \u00e9 uma auxiliadora da Cultura, e deste modo estariam sempre interligadas, t\u00eam em conta tamb\u00e9m que \u00e0s vezes esta independe da outra, citando num dos exemplos como refor\u00e7o, que Shakespeare e Dostoievski n\u00e3o precisaram de universidade para escrever \u201cOtelo\u201d e \u201cCrime e Castigo\u201d, e sendo assim, que a Literatura, como uma criadora por excel\u00eancia<b>,<\/b> sobrep\u00f5e-se \u00e0 escolaridade, \u201ctranscendendo-a\u201d e \u201csuperando-a\u201d. Mas por outro lado s\u00e3o c\u00f4nscios que \u201c&#8230;radicais defensores da escolaridade oficial\u201d n\u00e3o admitem de forma alguma \u201c&#8230;O conhecimento geral, human\u00edstico, conquistado \u2018solitariamente\u2019&#8230;\u201d de quem n\u00e3o quis ou n\u00e3o p\u00f4de cursar uma universidade. Para esses imoderados a capacita\u00e7\u00e3o originada do autodidatismo e do dom n\u00e3o existe, a prova s\u00f3 pode ser \u00fanica: o diploma universit\u00e1rio. Incongru\u00eancia contraposta com a ilustra\u00e7\u00e3o que \u201cEm literatura e arte seriam autodidatas Luis de Cam\u00f5es, Dante, Dostoievski, Tolstoi, Gorki, Maiakovsky, Lorca, Picasso, Salvador Dali&#8230;\u201d, bem como o nosso Machado de Assis que \u201cnem precisou nem mesmo frequentar o curso prim\u00e1rio\u201d, e mais Van Gogh, e Pasteur na ci\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u00c9 nessa brecha, por nunca ter frequentado uma universidade, mas se destacado como paisagista, maquetista, arquiteto, escultor, moveleiro e designer que entra Jos\u00e9 Zanine Caldas(1919-2001), um baiano de Belmonte. Por trabalhar a madeira com maestria ficou conhecido como o \u201cMago da Madeira\u201d. Suas casas da Joatinga no Rio de Janeiro, e em outros estados, na China, em Portugal e outros pa\u00edses da Europa, na \u00c1frica, e na Am\u00e9rica Latina s\u00e3o famosas, seus m\u00f3veis idem, idem. Seus trabalhos foram expostos no Louvre parisiense e no MAM carioca entre outros tantos museus. Foi criador de um projeto de resid\u00eancias populares conhecido como Centro de Desenvolvimento das Aplica\u00e7\u00f5es das Madeiras do Brasil. Convidado por Darcy Ribeiro fez parte do corpo docente da Universidade de Bras\u00edlia. Depois de intensivamente combatido, a contragosto da burocracia brasileira recebeu das m\u00e3os de Lucio Costa o t\u00edtulo de arquiteto honoris causa dado pelo Instituto de Arquitetos do Brasil. Poucos sabem, mas as maquetes da usina sider\u00fargica de Volta Redonda e do est\u00e1dio do Maracan\u00e3 foram de sua autoria. Eis a\u00ed de uma ligeira pesquisa sem rigidez de datas, um resumido curr\u00edculo de um homem que n\u00e3o precisou de \u201ccanudo\u201d para justificar o saber.<\/p>\n<p>Sim, a raz\u00e3o da lembran\u00e7a <b>\u2013<\/b>e da puxadinha<b>\u2013<\/b> do belmontense vem ou combina com \u201cA Compet\u00eancia Esquecida\u201d, uma mat\u00e9ria(que j\u00e1 tive a oportunidade de mencionar em outros escritos) de Zanine publicada no \u00a0Jornal do Brasil em 25.10.1987, que o deputado Geraldo Sim\u00f5es (na \u00e9poca, colegas ceplaquenos) me ofertara nesta data. Nela o arquiteto critica veemente a proposta de se inserir na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, dita Cidad\u00e3, uma cl\u00e1usula que limitaria o exerc\u00edcio da arquitetura a arquitetos diplomados em detrimento do conhecimento.<\/p>\n<p>Findo aqui <b>\u2013<\/b>com o pontap\u00e9 inicial dado pelo historiador Zumaeta<b>\u2013<\/b> esta tentativa de interpretar um papo de dois caras magn\u00edficos sobre um tema fascinante. Procurei ir ao final dos noventa minutos, por\u00e9m o mercado livreiro daqui da Capitania dos Ilh\u00e9us me impediu. Restou a atenciosa dica de Adriano Lemos, da Editus\/UESC, que me p\u00f4s na fila para ver o jogo inteirinho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao artigo do historiador Cl\u00e1udio Zumaeta \u201c\u00c9 pela Cultura que a Educa\u00e7\u00e3o come\u00e7a\u201d de janeiro(19\/20) no Di\u00e1rio de Ilh\u00e9us,\u00a0 n\u00e3o pude deixar de meter o bedelho e logo encaixar um sulbaiano, ou melhor, um cara l\u00e1 da terrinha natal, puxando como se diz, ainda mais a brasa para a sardinha. 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