{"id":59023,"date":"2013-02-16T20:53:24","date_gmt":"2013-02-16T23:53:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=59023"},"modified":"2013-02-16T20:53:24","modified_gmt":"2013-02-16T23:53:24","slug":"maria-regina-canhos-vicentin-em-abandono","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/02\/16\/maria-regina-canhos-vicentin-em-abandono\/","title":{"rendered":"Maria Regina Canhos Vicentin em: Abandono"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Maria-Regina-Canhos-Vicentin_cart%C3%A3o.jpg\" width=\"300\" height=\"117\" class=\"alignleft\" \/>Este ano de 2013 est\u00e1 sendo particularmente rico para mim em termos de experi\u00eancias vivenciais. Algumas tem\u00e1ticas que acompanho h\u00e1 tempos por conta do meu trabalho no judici\u00e1rio puderam ser analisadas com maior amplitude em raz\u00e3o de acontecimentos inc\u00f4modos, como um assalto do qual fui v\u00edtima m\u00eas passado e tamb\u00e9m a sensa\u00e7\u00e3o de abandono vinculado a um momento familiar. Nalguma ocasi\u00e3o prometo lhes contar sobre o assalto, porque neste instante prefiro me reportar \u00e0 sensa\u00e7\u00e3o de abandono que, inclusive, est\u00e1 presente agora.<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos vinte anos atendi in\u00fameras m\u00e3es que optaram entregar seus filhos em ado\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m atendi dezenas de crian\u00e7as que tiveram de aprender lidar com a sensa\u00e7\u00e3o de abandono oriunda dessa decis\u00e3o materna. Situa\u00e7\u00f5es, \u00e0s vezes, traum\u00e1ticas; outras mais brandas, mas sempre dolorosas e angustiantes em fun\u00e7\u00e3o do sentimento inicial de desamparo e desprote\u00e7\u00e3o. Pois bem, descobri que qualquer pessoa pode efetivamente se sentir abandonada mesmo que em tese n\u00e3o tenha sido.<\/p>\n<p>\u00c9 prov\u00e1vel que muitos j\u00e1 estejam afirmando: &#8211; Nossa; ela descobriu o \u00f3bvio! Isso porque essa situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o incomum, e muitos experimentam tal sentimento ainda que cercados de pessoas, inseridos numa fam\u00edlia, junto de seus pais e irm\u00e3os biol\u00f3gicos&#8230; Mas, confesso, nunca tinha me sentido assim pessoalmente; ent\u00e3o, desculpem-me por descobrir o \u00f3bvio somente agora, com quase cinquenta anos.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Pessoas provenientes de fam\u00edlias estruturadas t\u00eam realmente menos chances de experimentarem essa sensa\u00e7\u00e3o, por\u00e9m pode acontecer, principalmente quando tomam uma atitude em desacordo com o desejo familiar. As alian\u00e7as anteriormente constitu\u00eddas parecem enfraquecer e os membros da fam\u00edlia passam a repudiar aquele que ousou pensar e agir diferente, isolando-o. Tal isolamento, por si s\u00f3, funciona como sistema de press\u00e3o para que o indiv\u00edduo reveja suas op\u00e7\u00f5es, abra m\u00e3o de suas escolhas e volte a compartilhar o pensamento do grupo familiar.<\/p>\n<p>\u00c9 exatamente nesse momento que surge a sensa\u00e7\u00e3o de abandono. Quando todos viram \u00e0s costas para a pessoa, como forma de censura \u00e0s suas atitudes, simplesmente relegando-a a pr\u00f3pria sorte. Cumpre salientar que \u00e0 semelhan\u00e7a do abandono inicial, na maioria dos casos em que se entrega uma crian\u00e7a indesejada, tal atitude n\u00e3o \u00e9 amorosa e sim ego\u00edsta. O diferente incomoda, lan\u00e7a questionamentos internos, altera a din\u00e2mica de pensamentos e atitudes do n\u00facleo familiar. Assim, pensam que o melhor a fazer \u00e9 deix\u00e1-lo de lado. N\u00e3o olhar para ele minimiza a sensa\u00e7\u00e3o de desconforto causada pela sua insubordina\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso for\u00e7a interna e equil\u00edbrio emocional para enfrentar esse alijamento familiar, em que o rep\u00fadio das op\u00e7\u00f5es pessoais se confunde com o rep\u00fadio do pr\u00f3prio indiv\u00edduo. Certamente n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil vivenciar situa\u00e7\u00f5es assim. A aceita\u00e7\u00e3o incondicional da pessoa proposta pelo te\u00f3rico da psicologia Carl Rogers ainda \u00e9 ut\u00f3pica num mundo cheio de preconceitos. Muitas pessoas continuar\u00e3o sendo abandonadas, mesmo que criadas em fam\u00edlias aparentemente s\u00e3s e adequadas, devido puramente \u00e0 intoler\u00e2ncia. Ainda temos muito que aprender com a vida!<\/p>\n<p><strong>Maria Regina Canhos Vicentin (e.mail: contato@mariaregina.com.br) \u00e9 escritora.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Este ano de 2013 est\u00e1 sendo particularmente rico para mim em termos de experi\u00eancias vivenciais. 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