{"id":60715,"date":"2013-03-13T20:04:07","date_gmt":"2013-03-13T23:04:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=60715"},"modified":"2013-03-13T20:04:07","modified_gmt":"2013-03-13T23:04:07","slug":"alfredo-amorim-da-silveira-em-10taques-70","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/03\/13\/alfredo-amorim-da-silveira-em-10taques-70\/","title":{"rendered":"Alfredo Amorim da Silveira em &#8220;10TAQUES&#8221;."},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/alfredo-amorim-nova.jpg\" width=\"300\" height=\"105\" \/><\/p>\n<p align=\"center\"><b><i>Mat\u00e9ria publicada no jornal \u201cCorreio de Ilh\u00e9us\u201d em 28 de junho de 1930 sobre Jorge Amado<\/i><\/b><\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0<b>PENOSA IGNOR\u00c2NCIA<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>\u00a0ILH\u00c9US AOS OLHOS MORTI\u00c7OS DE RID\u00cdCULO ESTETA<\/b><\/p>\n<p align=\"center\"><b>\u00a0ADVERT\u00caNCIAS NECESS\u00c1RIAS AO S\u00d3RDIDO PANFLETO \u201cETC\u201d<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<p>Um franchinote qualquer, metido \u00e0 esteta e a cr\u00edtico pedante, acaba de vomitar, atrav\u00e9s das apagadas colunas desse desgracioso e mal amanhado panfleto \u201cETC\u201d, que se edita na capital do estado, um bocado de sandices e asneiras, qual a qual mais retumbante e mais completa, sobre fatos e coisas atuais de Ilh\u00e9us, este mesmo rinc\u00e3o hospitaleiro e generoso que enriquece aventureiros, de todo jaez e derrama fortunas em m\u00e3os de crian\u00e7olas vadias e estr\u00f3inas, para lhe elas mal dizerem com \u00eanfase.<\/p>\n<p>Tal \u00e9, precisamente, o caso dos \u201cCasos e Cousas\u201d de certo rapazelho sem cultura nem senso, educa\u00e7\u00e3o ou crit\u00e9rio, que escreve no precipitado jornaleco, ou, melhor, no ilustrado peri\u00f3dico baiano.<\/p>\n<p>Prosa chilra, amarelona, estilo vitando, esp\u00e9cie de reboque de bonde ou ponta de cigarro de literatura, cheio de muita emb\u00f3fia e vazio de qualidades ou import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>De feito, a caturral aprecia\u00e7\u00e3o que de Ilh\u00e9us fez esse l\u00f3io, est\u00e1 a merecer severa reprimenda, pelas mentiras que encerra e pelo tom arrebicado e descort\u00eas que se lhe observa no bojo.<\/p>\n<p>N\u00e3o que pretendamos chamar \u00e0 bema este areopagita de baixo coturno, autor de baldrocas e patranhas sobre a vida pol\u00edtico social de nossa terra, cuja fama \u00e9 crescente, de dia para dia, na opini\u00e3o dos auto cotubernais da boa cr\u00edtica e do bom senso, que, aqui vivendo ou por aqui passando, sentem o gasalhoso contato dessas auras, descansam o olhar nesta predia\u00e7\u00e3o moderna e elegante, nesses formosos e bem cuidados jardins, nessas ruas e pra\u00e7as regularmente cal\u00e7adas e sempre cheias de muita higiene.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Esses, os sensatos, que conhecem pontos v\u00e1rios do Brasil e da capital bahiana tamb\u00e9m, costumam nivelar Ilh\u00e9us as boas cidades do pa\u00eds, ao contr\u00e1rio, pois, do que faz a catrozada de n\u00e9scios e energ\u00famenos, de vista curta ou esp\u00edrito estreito, como o criticoide ou criticalho de rombo g\u00eanero.<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 como definir a birra desse mocinho para com Ilh\u00e9us, seu ber\u00e7o talvez. Que o injusto e p\u00e9rfido anatem\u00e1rio lan\u00e7ado \u00e0 face da sociedade desta terra, pelo mau palinuro, \u00e9 bem a prova de sua mesma ignor\u00e2ncia e de sua derramada estupidez.<\/p>\n<p>Verdadeira balda de caturra, com o intuito s\u00f3 de apepinar a terra que alimenta os ingratos desse porte, o artigo em quest\u00e3o ressuma biles e pus e carece adargado decididamente.<\/p>\n<p>\u201cIlh\u00e9us \u00e9 somente uma cidade de \u201cnovos ricos\u201d. Tudo \u00e9 balburdia. Um luxo sem arte provando uma aristocracia de banhos semanais. Pr\u00e9dios bonitos, mas, inteiramente sem est\u00e9tica\u201d.<\/p>\n<p>Naturalmente esse escritor de tamancos pretenda aferir os h\u00e1bitos, costumes e modos da sociedade de Ilh\u00e9us pelo que v\u00ea em sua pr\u00f3pria casa.<\/p>\n<p>Gente fina, elegante, vivendo a vida social dos grandes meios, conhecendo muitas capitais adiantadas do Brasil, da Am\u00e9rica e da Europa, o que positivamente n\u00e3o conhece o Sr. Jorge Amado. \u2013 a aristocracia de Ilh\u00e9us, n\u00e3o pode ser de <i>banhos semanais<\/i> (?).<\/p>\n<p>Os pr\u00e9dios de Ilh\u00e9us, na sua maioria, s\u00e3o de moderna constru\u00e7\u00e3o, obedecendo a gosto e regras arquitet\u00f4nicas apreci\u00e1veis, todos aos moldes da boa est\u00e9tica, principalmente seguida no Rio e em S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>E, agora que o gazetilheiro imbecil est\u00e1 no Rio de Janeiro, e, se tiver olhos para ver, observe cuidadosamente aqueles delicados e mimosos <i>bangal\u00f4s <\/i>de Copacabana, Ipanema, L\u00ea Blon, Urca, e aqueles belos sobrados, aqueles pr\u00e9dios distintos dali e os compare, por processo mem\u00f3rico, aos bangal\u00f4s, sobrados, pr\u00e9dios de Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Diga que grande diferen\u00e7a encontra entre uns e outros.<\/p>\n<p>A bem da dignidade e em desafronta dos brios da nossa terra, \u00e9 preciso escardinchar, com veem\u00eancia e decis\u00e3o, a incongru\u00eancia franchin\u00f3tica do Sr. Jorge Amado, para que ele tome ju\u00edzo e educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Outro ponto muito interessante da algaravia desse arest\u00e9iro \u00e9 este:<\/p>\n<p>\u201cA imprensa \u00e9 o \u201cDi\u00e1rio da Tarde\u201d, dos outros jornais n\u00e3o vale a pena falar&#8221;.<\/p>\n<p>O \u201cDi\u00e1rio\u201d conta com o talento grande de Ot\u00e1vio Moura. E, em todo Ilh\u00e9us, ainda existem umas tr\u00eas pessoas de talento ou talvez duas&#8230;<\/p>\n<p>N\u00e3o h\u00e1 d\u00favida: Na hip\u00f3tese de s\u00f3 haver duas pessoas de talento, em Ilh\u00e9us, a primeira \u00e9 Jorge Amado e a segunda, Jorge Amado. E, na primeira hip\u00f3tese, a terceira \u00e9 o Sr. Ot\u00e1vio Moura.<\/p>\n<p>Alias nos aqui pens\u00e1vamos que o <i>talento grande <\/i>do \u201cDi\u00e1rio da Tarde\u201d fosse o Sr. Carlos Monteiro, ou o Dr. Eus\u00ednio Lavigne.<\/p>\n<p>Mas o critiqueiro nos mostrou o contr\u00e1rio, embora n\u00e3o deixemos de reconhecer nesse esfor\u00e7ado rapaz noticiarista do outro \u00f3rg\u00e3o, algum talento.<\/p>\n<p>Em verdade, para o Sr. Jorge Amado s\u00f3 existe, em Ilh\u00e9us, o \u201cDi\u00e1rio da Tarde\u201d.<\/p>\n<p>Pode ser que somente a condimenta\u00e7\u00e3o, a indument\u00e1ria do mesmo, lhe satisfa\u00e7a o <i>fino <\/i>paladar.<\/p>\n<p>Que se h\u00e1 de fazer? N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel agradar-se a todos. Essa quest\u00e3o de gosto \u00e9 coisa muito s\u00e9ria e controvertida.<\/p>\n<p>Fique, por\u00e9m, o Sr. Jorge com o seu \u201cDi\u00e1rio da Tarde\u201d, que nos aqui permaneceremos sem relegar a nossa profiss\u00e3o, ou fechar as portas, s\u00f3 porque n\u00e3o houv\u00e9ssemos encontrado algu\u00e9m que n\u00e3o nos reconhece valia ou import\u00e2ncia qualquer.<\/p>\n<p>Isso, todavia, \u00e9 sinal dos tempos.<\/p>\n<p>O rapazinho estudante come\u00e7ou, entretanto, muito mal a sua vida liter\u00e1ria: investindo acerbamente, mal-aventuradamente contra uma sociedade inteira, elegante, digna, realizadora, e, por outro lado, exercendo a t\u00e1tica do elogio mutuo.<\/p>\n<p>S\u00e3o, contudo, recursos dos nulos, dos insensatos, dos incapazes, n\u00e3o h\u00e1 que ver&#8230;<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><em><strong>Pesquisa feita por Alfredo Amorim da Silveira.<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mat\u00e9ria publicada no jornal \u201cCorreio de Ilh\u00e9us\u201d em 28 de junho de 1930 sobre Jorge Amado \u00a0PENOSA IGNOR\u00c2NCIA \u00a0ILH\u00c9US AOS OLHOS MORTI\u00c7OS DE RID\u00cdCULO ESTETA \u00a0ADVERT\u00caNCIAS NECESS\u00c1RIAS AO S\u00d3RDIDO PANFLETO \u201cETC\u201d \u00a0 Um franchinote qualquer, metido \u00e0 esteta e a cr\u00edtico pedante, acaba de vomitar, atrav\u00e9s das apagadas colunas desse desgracioso e mal amanhado panfleto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60715"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=60715"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":60718,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/60715\/revisions\/60718"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=60715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=60715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=60715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}