{"id":6150,"date":"2011-01-09T12:49:20","date_gmt":"2011-01-09T15:49:20","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=6150"},"modified":"2011-01-09T12:49:20","modified_gmt":"2011-01-09T15:49:20","slug":"os-documentos-da-ditadura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/01\/09\/os-documentos-da-ditadura\/","title":{"rendered":"Os documentos da ditadura"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_6151\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Samuel-Celestino.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-6151\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Samuel-Celestino.jpg\" alt=\"\" title=\"Samuel Celestino\" width=\"300\" height=\"300\" class=\"size-full wp-image-6151\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Samuel-Celestino.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Samuel-Celestino-150x150.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-6151\" class=\"wp-caption-text\">SAMUEL CELESTINO<\/p><\/div>Lula poderia fazer, mas preferiu n\u00e3o se aventurar numa quest\u00e3o delicada, embora essencial \u00e0 compreens\u00e3o da hist\u00f3ria republicana contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p>A presidente Dilma Rousseff talvez o fa\u00e7a e deu sinais positivos no discurso da sua posse na C\u00e2mara dos Deputados, ratificado pela nova ministra dos Direitos Humanos, Maria do Ros\u00e1rio: cumprir as metas do Plano Nacional dos Direitos Humanos, o PNDH 3 que lan\u00e7ar\u00e1 luzes sobre os obscuros acontecimentos registrados durante a ditadura militar.<\/p>\n<p>\u00c9 uma quest\u00e3o melindrosa, mas nem tanto. Se o Brasil se transformou numa democracia moderna e d\u00e1 sinais de que poder\u00e1 ser uma economia respeit\u00e1vel nos pr\u00f3ximos seis anos, por que temer abrir o ba\u00fa do regime militar que se iniciou h\u00e1 54 anos? Luis In\u00e1cio ensaiou, sob press\u00e3o, projetar luzes sobre a era das trevas, mas n\u00e3o foi \u00e0 frente, justo quando contava com o apoio do povo brasileiro traduzido nos seus \u00edndices extraordin\u00e1rios de popularidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Ao recuar, gerou uma pol\u00eamica que envolveu setores da igreja, dos intelectuais e uma rea\u00e7\u00e3o quase inaud\u00edvel das For\u00e7as Armadas. No seu discurso de posse, Dilma Rousseff, em determinado trecho (dos mais aplaudidos pelos parlamentares), disse que gostaria que, naquele ato, estivessem presentes \u201cos companheiros que ficaram no caminho\u201d,eufemismo que usou para lembrar dos mortos e \u201cdesaparecidos\u201d na ditadura. Uma bela homenagem.<\/p>\n<p>Convidada por ela, estava na sua posse um punhado de mulheres que tamb\u00e9m sofreram as agruras da pris\u00e3o e das torturas nos por\u00f5es da ditadura militar. Quando Lula tomou posse para o primeiro mandato, \u00e9poca em que o PT era um partido com caracter\u00edstica de esquerda (hoje, igualou-se \u00e0s demais legendas que esqueceram para que servem, a n\u00e3o ser eleger pol\u00edticos, sem \u00e9tica e sem princ\u00edpios), esperava-se que ele abrisse \u00e0 Hist\u00f3ria os documentos da ditadura que ainda existem.<\/p>\n<p>Fechou os olhos, como se isso fosse um ato normal, quando os brasileiros necessitam saber o que aconteceu entre 1964 e 1985, mais precisamente durante a vig\u00eancia do Ato Institucional N\u00ba 5, editado no final dos idosde1968, quando a ditadura tirou a m\u00e1scara e imp\u00f4s os anos de chumbo, emasculando a cidadania, a censura, suspendeu o instituto do habeas corpus, dando margem a uma rea\u00e7\u00e3o de setores de oposi\u00e7\u00e3o, cujos integrantes \u2013 alguns deles \u2013 foram ca\u00e7ados e presos pelo aparelho do Estado ileg\u00edtimo.<\/p>\n<p>Parte dos documentos foi perdida com o passar dos anos, milhares dos quais destru\u00eddos. Parte da hist\u00f3ria dos acontecimentos registrados na \u00e9poca desapareceu; outros foram documentos incinerados, como no estranho epis\u00f3dio da Base A\u00e9rea aqui em Salvador,um enigma porque nada foi apurado ou chegaram ao conhecimento p\u00fablico.<\/p>\n<p>Outra parte, em quantidade razo\u00e1vel, que estaria guardada (!) no Aeroporto do Gale\u00e3o, no Rio de Janeiro, tamb\u00e9m se perdeu num inc\u00eandio, segundo relato das \u201cautoridades\u201d.<\/p>\n<p>Na sua posse, a ministra Maria do Ros\u00e1rio, petista, pediu em discurso que o Congresso analise outra proposta pol\u00eamica, encaminhada pelo governo Lula. Quer que os congressistas aprovem a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o da Verdade, que ofereceria a vers\u00e3o oficial sobre os mortos e desaparecidos.<br \/>\nDisse ela: \u201cO Estado brasileiro tem que resgatar sua dignidade em rela\u00e7\u00e3o aos mortos e desaparecidos na ditadura\u201d.<\/p>\n<p>E continuou: \u201cComo disse a presidente Dilma, n\u00e3o se trata de revanchismo\u201d e as completou, mais adiante ao dizer que as For\u00e7as Armadas s\u00e3o \u201cparte da consolida\u00e7\u00e3o da democracia\u201d e que \u201ccertamente entre as For\u00e7as Armadas existe tamb\u00e9m o desejo de que tenhamos juntos esse processo constitu\u00eddo\u201d.<\/p>\n<p>Bom saber que durante o governo de Dilma afinal possamos vir a conhecer, n\u00e3o somente os documentos da ditadura, mas, como disse a ministra, o Pa\u00eds precisa seguir no processo de reconhecimento das viola\u00e7\u00f5es de Estado contra os direitos humanos no per\u00edodo do regime militar.<\/p>\n<p>Disse: \u201cPassados quase 50 anos do in\u00edcio do per\u00edodo de exce\u00e7\u00e3o no Brasil, \u00e9 mais do que chegada a hora de agirmos com objetividade. Devemos enfrentar essas quest\u00f5es para uma consciente virada de p\u00e1gina\u201d. Observa-se, a\u00ed, que a ministra dos Direitos Humanos estabelece como ponto de partida o ano de 1968, que marcou a edi\u00e7\u00e3o do AI-5. Estamos diante de um fato auspicioso.<\/p>\n<p>No Chile e na vizinha Argentina, os per\u00edodos ditatoriais foram revolvidos e autores ou mandantes de crimes contra a humanidade punidos, como aconteceu h\u00e1 15 dias em rela\u00e7\u00e3o a Rafael Videla, um dos ditadores argentinos.<\/p>\n<p>Nesses dois pa\u00edses, acentuem-se, as ditaduras foram de longe mais sanguin\u00e1rias do que a brasileira. A ministra promete mais. Quer que o Congresso aprove a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) do Trabalho Escravo.<\/p>\n<p>Esta emenda estabelece a expropria\u00e7\u00e3o e a destina\u00e7\u00e3o para reforma agr\u00e1ria de todas as terras onde haja trabalho escravo, presente em diversas regi\u00f5es, principalmente no Norte-Nordeste e at\u00e9 aqui na Bahia h\u00e1 registros dessa pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Enfim, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura, n\u00e3o se quer revanchismo ou qualquer coisa semelhante, mas sim que a Hist\u00f3ria possa, afinal, relatar a verdade a partir dos documentos ainda existentes. A na\u00e7\u00e3o precisa saber os fatos ocorridos, sem o qu\u00ea a nossa democracia n\u00e3o estar\u00e1 completa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lula poderia fazer, mas preferiu n\u00e3o se aventurar numa quest\u00e3o delicada, embora essencial \u00e0 compreens\u00e3o da hist\u00f3ria republicana contempor\u00e2nea. 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