{"id":61720,"date":"2013-03-27T07:59:19","date_gmt":"2013-03-27T10:59:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=61720"},"modified":"2013-03-27T07:59:19","modified_gmt":"2013-03-27T10:59:19","slug":"jorge-amado-e-ou-odiado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/03\/27\/jorge-amado-e-ou-odiado\/","title":{"rendered":"JORGE \u2013 AMADO E OU ODIADO"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><b>CARTAS\u00a0 AOS VENTOS<\/b><\/p>\n<p><b>\u00a0<\/b><\/p>\n<div id=\"attachment_61721\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jorge-amado_rezende.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-61721\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-61721\" alt=\"Jorge Amado_Ilh\u00e9us.\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jorge-amado_rezende.jpg\" width=\"550\" height=\"338\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jorge-amado_rezende.jpg 550w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/jorge-amado_rezende-300x184.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 550px) 100vw, 550px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-61721\" class=\"wp-caption-text\">Jorge Amado_Ilh\u00e9us.<\/p><\/div>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/rezende-novo-email.jpg\" width=\"300\" height=\"102\" \/>\u00a0Ilh\u00e9us, n\u00e3o poderia melhor ser presenteada, da forma como fez Jorge Amado, na sua carta intitulada &#8211; <i><span style=\"text-decoration: underline;\">A Terra da Minha Vida.<\/span><\/i><\/p>\n<p>Cabe ao poder p\u00fablico, divulgar o mais breve poss\u00edvel e de forma marcante, esta rel\u00edquia que ser\u00e1 eterna. Como sugest\u00e3o, dir\u00edamos que um pedestal, feito por algum artista local e localizado justamente na Pra\u00e7a do Ves\u00favio, onde ele mesmo afirma que l\u00e1 foi onde tudo come\u00e7ou. Seria a forma mais justa de homenagem a este ilheense de cora\u00e7\u00e3o. Dir\u00edamos tamb\u00e9m, que j\u00e1 se passaram tanto tempo, e nada ainda foi feito para eternizar esta CARTA DE JORGE AMADO.\u00a0 Ilh\u00e9us, que pensa ser uma cidade tur\u00edstica, n\u00e3o pode deixar escapar esta oportunidade, sen\u00e3o no futuro, seremos cobrados deste lapso de mem\u00f3ria. Hoje, somos uma cidade praticamente de veraneio e para sermos tur\u00edstica, temos que pensar numa coisa profissional, envolvendo principalmente a comunidade. Pois algu\u00e9m j\u00e1 disse: \u201cUma cidade para explorar o turismo, primeiro ela tem que ser boa para seu povo e nunca primeiro para o turista\u201d.<\/p>\n<p>Em outubro de 2001, portanto h\u00e1 12 anos, j\u00e1 insistimos sobre o assunto, dessa vez com o Sr. Guido Paternostro, arrendat\u00e1rio do Bar Ves\u00favio, cujo texto descrevemos assim na \u00e9poca: Foi como um al\u00edvio ter lido a not\u00edcia no Jornal Agora<b>, <\/b>sobre a Vossa decis\u00e3o de assumir um contrato de arrendamento do Bar Ves\u00favio. Como ilheense, n\u00e3o entend\u00edamos, que um local t\u00e3o tradicional da nossa cidade, vivesse dias de longos descasos, n\u00e3o era mais poss\u00edvel acreditar, que este empreendimento n\u00e3o abrisse aos domingos e seu funcionamento fosse restrito por algumas horas do dia ou da noite.<\/p>\n<p>Aproveitando a ideia de V. Senhoria, de torn\u00e1-lo \u201cBar Tem\u00e1tico\u201d, onde os personagens e as comidas baianas citadas no romance Gabriela Cravo e Canela, ser\u00e3o caracter\u00edsticas do lugar; gostaria de sugeri-lo, que seja colocado em algum lugar deste empreendimento, com maior prefer\u00eancia, pelo lado de fora do bar; a <i><span style=\"text-decoration: underline;\">carta de Jorge Amado<\/span><\/i><span style=\"text-decoration: underline;\">, <i>intitulada \u201cA Terra da Minha<\/i> <i>Vida\u201d<\/i><\/span><b><i>,<\/i><\/b> para que seja exposto aos ilheenses e aos turistas de um modo geral, o que de mais belo, j\u00e1 se escreveu sobre Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>No meu entender, esta carta, com apoio de algum artista local, poder\u00e1 tomar um padr\u00e3o diferente, confeccionada em tamanho bem destacado, que servisse como um <b>marco de<\/b> <b>refer\u00eancia<\/b> para fotos e atra\u00e7\u00e3o tur\u00edstica, que tenho certeza, ser\u00e1 mais um <b>cart\u00e3o postal<\/b> da cidade.<\/p>\n<p>Bom, se passaram tanto tempo e vejo que a express\u00e3o t\u00e3o forte de Jorge Amado na carta \u201cA Terra da Minha Vida\u201d, ainda n\u00e3o ecoou nos ouvidos daqueles que deveriam atentar mais para os filhos que tanto amam esta terra, at\u00e9 mesmo sem ter nascido aqui, como \u00e9 o caso do nosso AMADO JORGE.<\/p>\n<p>Rezende<\/p>\n<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.<\/p>\n<p><em><strong>Jorge Amado ao receber o t\u00edtulo de Cidad\u00e3o Ilheense, se declara de vez, na sua CARTA\/DISCURSO, ser por convic\u00e7\u00e3o filho de Ilh\u00e9us.<\/strong><\/em><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Se o nosso JORGE, j\u00e1 era rejeitado por uma boa parte dos nossos amigos itabunenses, a partir da\u00ed foi \u00e0 gota d\u2019\u00e1gua, para aumentar a sua rejei\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O que levaria um cidad\u00e3o nascido em Ferradas\/Itabuna, em 1912, apenas dois anos depois que TABOCAS hoje ITABUNA, ter adquirido sua independ\u00eancia pol\u00edtica de Ilh\u00e9us?<\/p>\n<p>Seria o fato de ter vindo para Ilh\u00e9us com apenas quatro anos, e n\u00e3o se lembrar do per\u00edodo anterior vivido na vizinha cidade, ou seria apenas AMOR mesmo, por esta terra, onde no seu DISCURSO\/CARTA, ele d\u00e1 o t\u00edtulo de: A TERRA DA MINHA VIDA?<\/p>\n<p>\u00c9 complicado, porque na maioria dos casos a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 o inverso, onde o cidad\u00e3o gosta da terra onde viveu, mas se declara com AMOR terra onde nascestes.<\/p>\n<p>Seria ent\u00e3o isto a revolta de boa parte dos itabunenses, que j\u00e1 destru\u00edram primeiramente um busto em sua homenagem no Distrito\/Bairro de Ferradas, e h\u00e1 pouco tempo num ato de vandalismo, tamb\u00e9m destru\u00edram uma obra de arte (tamanho original de Jorge Amado), executada por um artista itabunense, e colocada na mesma Pra\u00e7a?<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a C\u00e2mara Municipal de Itabuna, j\u00e1 tentou homenagear Jorge Amado, dando nome o da Avenida Cinquenten\u00e1rio para Jorge Amado e n\u00e3o conseguiu, pois houve muito protesto de populares.<\/p>\n<p>Perguntamos tudo isso, porque \u00e9 dif\u00edcil entender tal situa\u00e7\u00e3o, apesar de que, a cada um \u00e9 lhe dado o direito do livre arb\u00edtrio. Mas, se algu\u00e9m sabe de detalhes maiores a respeito, ficaria grato pela informa\u00e7\u00e3o, tudo apenas como um aprendizado em psicologia humana, e n\u00e3o queremos neste momento criar uma pol\u00eamica sobre o caso, pois O NOSSO AMADO JORGE \u00e9 muito al\u00e9m de tudo isso.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Rezende Mendon\u00e7a<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0PARA QUEM AINDA N\u00c3O LEU A CARTA DE JORGE AMADO<\/p>\n<p align=\"center\">\u00a0<b>A Terra da Minha Vida <\/b><\/p>\n<p>\u201cPoucas vezes me senti t\u00e3o honrado em minha vida como me sinto agora. Aconteceram-me fatos diversos que levaram a mim e aos meus livros mundo afora. Eles significaram, antes de tudo, Ilh\u00e9us. N\u00e3o s\u00f3 porque aqui comecei a viv\u00ea-los, porque aqui imaginei a escrev\u00ea-los, mas porque a presen\u00e7a de Ilh\u00e9us irradiou a luz especial que ilumina essas minhas pobres p\u00e1ginas.<\/p>\n<p>\u00c9 de Ilh\u00e9us que nasce o que de mais puro e sens\u00edvel, o que de mais belo possa ter o que escrevi. Ilh\u00e9us como tema me inspirou, me marcou de forma profunda o que escrevi de alma e corpo, as coisas que quis dizer em todo o meu trabalho liter\u00e1rio da decorr\u00eancia de toda a minha vida, onde tantas coisas aconteceram e acontecem com aspectos t\u00e3o diferentes e diversos \u00e0 realidade mais distante e, por conseq\u00fc\u00eancia, a realidade fundamental em Ilh\u00e9us.<\/p>\n<p>Vim pr\u00e1\u2019qui aos quatro anos. Aqui transcorreu a minha adolesc\u00eancia, vivi minha inf\u00e2ncia, corri nas ruas solto, livre, capaz de amar a liberdade sobre todas as coisas, pois a primeira li\u00e7\u00e3o que recebi desta terra foi a li\u00e7\u00e3o de liberdade. Ilh\u00e9us n\u00e3o \u00e9 apenas uma bela cidade do sul da Bahia, com a tradi\u00e7\u00e3o de luta, de viol\u00eancia, de vida espantosamente vivida. Ilh\u00e9us \u00e9 bem diferente, \u00e9 bem mais que isso. \u00c9 a transforma\u00e7\u00e3o de tudo isso em cria\u00e7\u00e3o. E a transforma\u00e7\u00e3o de tudo isso em viva e transl\u00facida realidade.<\/p>\n<p>Ilh\u00e9us para mim significa o come\u00e7o e significa a constru\u00e7\u00e3o posterior. Quando eu, por acaso, ponho os olhos naquilo que escrevi eu vejo que Ilh\u00e9us est\u00e1 crian\u00e7a e aqui me fiz homem, aqui me fiz escritor e quando eu quero saudar a verdade de mim pr\u00f3prio, aquilo que \u00e9 ess\u00eancia de meu ser, de minha vida, eu penso nessa cidade, por mais distante que eu possa estar geograficamente das suas praias, das suas ruas, da sua gente.<\/p>\n<p>Essa cidade me acompanha. A cada dia eu me revejo nela, a cada dia eu me redescubro nela, a cada dia eu me sinto mais pr\u00f3ximo e fundamental de tudo quanto eu fiz. Eu n\u00e3o sei se fiz grandes coisas. Algumas eu busquei fazer na minha trajet\u00f3ria de escritor, algumas verdades busquei dizer , algumas realidades coloquei no papel. Tomei delas da vida para transform\u00e1-las em literatura. Tudo isso se deu porque vivi nessa cidade. A minha Ilh\u00e9us transparece a paix\u00e3o pelas coisas e pelos homens, o amor infinito pela vida.<\/p>\n<p>Que dizer mais dessa cidade? Dizer que a amo de uma forma imensa, infinita. Meu amor por Ilh\u00e9us n\u00e3o tem limites, pois \u00e9 o amor que vem da meninice, da adolesc\u00eancia, dos tempos felizes e alegres, dos dias em que eu quis aceitar a verdade da minha vida.<br \/>\nQuero ainda dizer que em nenhum momento desses acontecimentos que me tornaram conhecido, deixei de me lembrar \/que foi aqui onde tudo come\u00e7ou. Foi aqui em ,Ilh\u00e9us, na pra\u00e7a do Ves\u00favio, n\u00e3o foi noutro lugar.\u201d<\/p>\n<p><b><i><span style=\"text-decoration: underline;\">Pronunciamento de Jorge Amado ao receber o t\u00edtulo de cidad\u00e3o ilheense em 1997. <\/span><\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>CARTAS\u00a0 AOS VENTOS \u00a0 \u00a0Ilh\u00e9us, n\u00e3o poderia melhor ser presenteada, da forma como fez Jorge Amado, na sua carta intitulada &#8211; A Terra da Minha Vida. 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