{"id":63278,"date":"2013-04-18T09:00:01","date_gmt":"2013-04-18T12:00:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=63278"},"modified":"2013-04-18T09:00:01","modified_gmt":"2013-04-18T12:00:01","slug":"heckel-januario-umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/04\/18\/heckel-januario-umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-i\/","title":{"rendered":"Heckel Janu\u00e1rio \/  UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE ( I )"},"content":{"rendered":"<p align=\"center\"><strong>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" width=\"300\" height=\"129\" \/>S\u00e3o pertinentes as liga\u00e7\u00f5es nada convencionais envolvendo Bebel a come\u00e7ar pelo top\u00f4nimo, uma corruptela de Belo Monte, pois o local onde fora erguida sequer um montinho boiando como prova se tem ci\u00eancia. Eleva\u00e7\u00f5es que a circundam por a\u00e7\u00e3o da conquista territorial e o fato do nome da cidade natal do descobridor portugu\u00eas estar inserido, ou melhor, claramente inserido <b>\u2013<\/b>para\u00a0 homenage\u00e1-lo<b>\u2013<\/b> desde o s\u00e9culo 18 na Vila de Nossa Senhora do Carmo do Belo Monte, s\u00e3o outros quinhentos.<\/p>\n<p>E o mais incomum mesmo considerando a catequese jesu\u00edtica, foram os donos do peda\u00e7o, os Botocudos, respeitados pela ferocidade a ponto de n\u00e3o hesitarem em abater o pr\u00f3prio parceiro para tra\u00e7\u00e1-lo, terem convivido de m\u00e3os dadas desde in\u00edcio com os inimigos: os aportados colonizadores lusitanos. Diz-se at\u00e9 que a pacificidade entre eles era t\u00e3o exemplar que juntos adentravam o caudaloso Patiche, ou Rio Grande (designa\u00e7\u00f5es primitivas do rio Jequitinhonha dadas pelos nativos e primeiros colonos) na garimpagem de disputados diamantes e outras pedras preciosas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Essa caudalosidade despertou o interesse de J\u00falio Louzada, um arquiteto paulista que na d\u00e9cada de 80 passava uma temporada em propriedades agr\u00edcolas da fam\u00edlia em Belmonte e, um dos fundadores do <i>Nau &#8211; Instituto de Pesquisa para Assuntos do Descobrimento do Brasil<\/i>, projeto como outros que visava \u00e0s comemora\u00e7\u00f5es dos 500 anos do Descobrimento do Brasil em 2000, comemora\u00e7\u00f5es estas propagadas euforicamente pelo governo federal j\u00e1 no meado dos anos 90. Em um trecho da reportagem de 28 e 30 de junho de 1998 de p\u00e1gina inteira no jornal O Estado de S\u00e3o Paulo (mat\u00e9ria que me foi ofertada pelo citado pesquisador dias ap\u00f3s a publica\u00e7\u00e3o), J\u00falio \u201cInvestigando a costa, deu-se conta de que o Rio Jequitinhonha, com seus 2 quil\u00f4metros de boca, seria a \u00fanica for\u00e7a capaz de atirar em alto-mar sinais evidentes da presen\u00e7a pr\u00f3xima de terra\u201d, e decidia, diante das controv\u00e9rsias do Descobrimento,\u00a0 colocar a hip\u00f3tese n\u00e3o-oficial da \u2018chegada portuguesa\u2019\u00a0 a\u00ed pelas beiras de Bebel para ser estudada e discutida pelo Instituto.<\/p>\n<p>Projeto para ser tocado com bufunfa inteiramente da iniciativa privada, arrojado, o Instituto Nau al\u00e9m de universidades como a Unicamp, USP e Universidade Federal da Bahia entre outras englobava profissionais gabaritados e de renome internacional a exemplo do experiente navegador Amir Klink, um dos s\u00f3cio-fundadores do Instituto, bem como Paulo Miceli, historiador, professor da Unicamp e \u201cum dos raros especialistas brasileiros em navega\u00e7\u00f5es dos s\u00e9culos 15 e 16\u201d. Outro, o engenheiro naval noruegu\u00eas Jars Hans Paust, coordenaria em Valen\u00e7a aqui na Bahia, escolhida por motivos \u00f3bvios da m\u00e3o de obra especializada, a reconstru\u00e7\u00e3o das 13 caravelas da esquadra cabralina.<\/p>\n<p>Mas como j\u00e1 insinuam os verbos pret\u00e9ritos e condicionais acima, o projeto n\u00e3o chegara a termo. Not\u00edcias afirmaram que alega\u00e7\u00f5es governamentais incab\u00edveis e rasteiras o inviabilizaram. Inclua-se a da aus\u00eancia de \u201cdinheiro p\u00fablico\u201d na jogada que, impossibilitando a capacidade de atua\u00e7\u00e3o do institucionalizado \u201cdesvio\u201d, teria motivado o desinteresse de \u201cpatri\u00f3ticas\u201d autoridades governamentais envolvidas na organiza\u00e7\u00e3o do evento. No final das contas o que se viu dos \u2018500 anos\u2019 foi predominar os fiascos, incluindo o da constru\u00e7\u00e3o sob a \u00e9gide do governo, da <i>Nau Capit\u00e2nia<\/i> que mal, mal se manteve flutuando e, o pior, com fortes suspeitas de ter havido malversa\u00e7\u00e3o de recursos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Pronto. Termino aqui a tentativa de dizer resumidamente de um projeto envolvendo Bebel que, como entendi o seu foco n\u00e3o seria o dos festejos do Descobrimento em si, mas o de aproveitar tal situa\u00e7\u00e3o e, indo adiante, procurar desvendar a obscuridade dos primeiros 50 anos da hist\u00f3ria do Brasil e, o importante: deixar um legado para reflex\u00f5es.<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS) S\u00e3o pertinentes as liga\u00e7\u00f5es nada convencionais envolvendo Bebel a come\u00e7ar pelo top\u00f4nimo, uma corruptela de Belo Monte, pois o local onde fora erguida sequer um montinho boiando como prova se tem ci\u00eancia. 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