{"id":64839,"date":"2013-05-08T15:27:50","date_gmt":"2013-05-08T18:27:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=64839"},"modified":"2013-05-08T15:27:50","modified_gmt":"2013-05-08T18:27:50","slug":"revolucao-pela-educacao-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/05\/08\/revolucao-pela-educacao-2\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Pela Educa\u00e7\u00e3o \u2013 2"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Juventino Ribeiro, contador, Ilh\u00e9us-BA<\/strong><br \/>\n<\/em><\/p>\n<p>A mem\u00f3ria das gentes e a diversidade de suas l\u00ednguas formam o patrim\u00f4nio cultural de uma comunidade e sua preserva\u00e7\u00e3o depende do poder p\u00fablico e de abnegadas pessoas que para isso at\u00e9 se desfazem de patrim\u00f4nios pessoais.<\/p>\n<p>Sem a tradi\u00e7\u00e3o desses legados culturais \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es h\u00e1 o risco de se dilu\u00edrem no tempo e de se sucumbirem nos t\u00famulos daqueles que n\u00e3o tiveram a quem transferir tais informa\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o fosse a frivolidade da maioria dessa gera\u00e7\u00e3o das redes sociais, a internet at\u00e9 poderia bem cumprir esse papel.<\/p>\n<p>No passado 7 de fevereiro, estava a prosear com o ex-superintendente da Policia Federal, Dr. Rubem Patury, no exato momento em que recebeu um telefonema noticiando o falecimento de sua progenitora, Dona Nair Patury. Era detentora de vasto conhecimento sobre a hist\u00f3ria de Ilh\u00e9us. Descrevia com detalhes os acontecimentos. Conhecia todas as tradicionais fam\u00edlias e era, tamb\u00e9m, por elas conhecida. Sempre que a encontrava tinha que dedicar bastante tempo para ouvi-la, pois t\u00ednhamos afinidade. Foi grande perda.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o tamb\u00e9m um senhor de 88 bem vividos anos, irrequieto, comunicativo, participativo e, tamb\u00e9m, grande conhecedor da hist\u00f3ria de Ilh\u00e9us. Quando disse que estava preparando este escrito, insistiu para que n\u00e3o declinasse seu nome. Sempre que nos vemos, h\u00e1 sempre tempo para um dedinho de prosa com ele, quando me conta os causos da terra de Gabriela.<\/p>\n<p> <!--more--><\/p>\n<p>Foi vereador na d\u00e9cada de 70, quando, segundo ele, esse cargo era prerrogativa de abnegadas pessoas que se dispusessem a exerc\u00ea-lo sem remunera\u00e7\u00e3o. Os edis daquela \u00e9poca sentiam-se honrados em frequentar o legislativo municipal apenas para defenderem os interesses dos mun\u00edcipes que os escolhiam pautados no car\u00e1ter, honradez e capacidade de lhes representar. Bons tempos que n\u00e3o voltam mais!<\/p>\n<p>Ilh\u00e9us sempre contou com bons col\u00e9gios de ensino fundamental e secund\u00e1rio, desde os bons tempos da fartura do cacau. O IME-Instituto Municipal de Ensino, foi celeiro de brilhantes alunos e onde lecionaram excelentes professores, inclusive Milton Santos, ganhador do maior pr\u00eamio de Geografia do mundo, equiparado a um Nobel. Em frente ao IME, est\u00e1 o CEAMEV, que lembra o eminente \u00c1lvaro de Melo Vieira, de muita import\u00e2ncia para os profissionais da contabilidade. Conta, ainda, com o Col\u00e9gio S\u00e3o Jorge, Instituto Piedade e o Col\u00e9gio Vit\u00f3ria, no bairro da Conquista, ranqueado como um dos melhores da Bahia.<\/p>\n<p>Na \u00e1urea \u00e9poca do cacau faltava a Ilh\u00e9us contar com um estabelecimento de ensino superior. Em 19 de maio de 1960 foi autorizado o funcionamento da Faculdade de Direito de Ilh\u00e9us, atrav\u00e9s do Decreto Federal n\u00ba. 48.240.<\/p>\n<p>Grande dificuldade surgiu: o munic\u00edpio n\u00e3o dispunha de local nem verba para instala\u00e7\u00e3o da faculdade. Contou-me aquele senhor que o ent\u00e3o prefeito, Henrique Welly Cardoso e Silva, o Henriquinho, recorreu ao Governador da Bahia em busca de recursos. O alcaide de Salvador expulsou o de Ilh\u00e9us do gabinete, talvez porque este sempre fora ferrenho defensor do projeto de cria\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Cruz*.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o impasse foi adquirir o pr\u00e9dio onde hoje funciona a Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Ilh\u00e9us, mediante pagamento em 11 parcelas de 10 mil cruzeiros, avalizadas por Soane Nazar\u00e9 de Andrade, secret\u00e1rio do Prefeito. Os pagamentos foram honrados pontualmente com recursos oriundos de oito pessoas que bancavam o jogo do bicho, uma das quais, o meu interlocutor. A contraven\u00e7\u00e3o era tolerada pelo ent\u00e3o Governador da Bahia, Juracy Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Outro impasse era fazer a faculdade funcionar. O Prefeito enviou Soane Nazar\u00e9 a Curitiba, onde adquiriria conhecimento de todos os tramites para fazer<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80 a faculdade transformou-se na Universidade Estadual de Santa Cruz, instalada numa \u00e1rea de cerca de 700 hectares, doada pelo agropecuarista Manoel Fontes Nabuco. Em reconhecimento pela benemer\u00eancia, a UESC lhe reverenciou, atribuindo seu nome a um de seus pavilh\u00f5es. Mais uma vez, a iniciativa privada colaborou e a UESC caminha a largos passos para a excel\u00eancia no ensino superior.<\/p>\n<p>S\u00e3o constata\u00e7\u00f5es de que pessoas verdadeiramente comprometidas e motivadas conseguem vencer dif\u00edceis batalhas rumo a um processo revolucion\u00e1rio atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*A proposta de cria\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Cruz previa a separa\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Sul da Bahia do atual Estado. Trata-se de uma proposta antiga que, em movimento ondular, sempre vem \u00e0 baila, talvez porque algum atual ou ex-alcaide sulbaiano, sem cacife para alcan\u00e7ar o Pal\u00e1cio de Ondina, queira fundar um estado s\u00f3 para ele governar. Um acaraj\u00e9 para quem adivinhar onde seria o pal\u00e1cio desse alcaide.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Juventino Ribeiro, contador, Ilh\u00e9us-BA A mem\u00f3ria das gentes e a diversidade de suas l\u00ednguas formam o patrim\u00f4nio cultural de uma comunidade e sua preserva\u00e7\u00e3o depende do poder p\u00fablico e de abnegadas pessoas que para isso at\u00e9 se desfazem de patrim\u00f4nios pessoais. 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