{"id":64880,"date":"2013-05-08T23:13:56","date_gmt":"2013-05-09T02:13:56","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=64880"},"modified":"2013-05-08T23:13:56","modified_gmt":"2013-05-09T02:13:56","slug":"revolucao-atraves-da-educacao-1","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/05\/08\/revolucao-atraves-da-educacao-1\/","title":{"rendered":"Revolu\u00e7\u00e3o Atrav\u00e9s da Educa\u00e7\u00e3o &#8211; 1"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>por Juventino Ribeiro, contador, Ilh\u00e9us-BA<\/strong><\/em><\/p>\n<p>Hoje, ao desentralhar meus alfarr\u00e1bios, deparei-me com amarelados recortes de jornais, artigos que publiquei nos idos de 90, no Di\u00e1rio da Tarde, de Ilh\u00e9us, e em A Tarde, de Salvador. Abordava temas de contabilidade e cr\u00f4nicas sobre assuntos variados.<\/p>\n<p>Em um deles, de outubro de 1993, na semana do professor, discorri sobre os termos \u201cprofessor e educador\u201d. Dias antes visitara um amigo em Uru\u00e7uca e, enquanto aguard\u00e1vamos para almo\u00e7ar um frango de quintal com talharim, bebemos algumas cervejas ouvindo seu velho pai a nos contar causos de sua profiss\u00e3o de tropeiro, na \u00e9poca \u00e1urea do cacau.<\/p>\n<p>Na viagem de volta a Ilh\u00e9us, remoendo o termo tropeiro lembrara-me de umas cr\u00f4nicas de Rubem Alves que havia lido. Uma delas me marcou e me inspirara a escrever algo sobre o assunto. Sempre releio \u201cSobre Jequitib\u00e1s e Eucaliptos \u2013 Amar\u201d, na qual Rubem faz abordagem sobre profiss\u00f5es \u201cque foram sumindo devagarzinho, como o m\u00e9dico que ia at\u00e9 os doentes mesmo a cavalo, o caixeiro viajante, o botic\u00e1rio, os tropeiros que se sucumbiram com a chegada do autom\u00f3vel e do asfalto\u201d.<\/p>\n<p>Na sequ\u00eancia, Rubem argui: \u201cEducadores, onde estar\u00e3o? Em que covas ter\u00e3o se escondido? Professores h\u00e1 aos milhares. Mas professor \u00e9 profiss\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 algo que se define por dentro, por amor. Educador, ao contr\u00e1rio, n\u00e3o \u00e9 profiss\u00e3o; \u00e9 voca\u00e7\u00e3o. E toda voca\u00e7\u00e3o nasce de um grande amor, de uma grande esperan\u00e7a\u201d. Mais adiante questiona: \u201cE o educador? O que teria acontecido com ele? Existir\u00e1 ainda o nicho ecol\u00f3gico que torna poss\u00edvel a sua exist\u00eancia?\u201d<\/p>\n<p>Rubem relembra um trecho do livro de Jorge Amado, Gabriela, Cravo e Canela, \u201cquando a filha de um coronel diz \u00e0 sua m\u00e3e que pretendia casar-se com um professor. Ao que a m\u00e3e retruca, numa cl\u00e1ssica li\u00e7\u00e3o de realismo pol\u00edtico: E o que \u00e9 um professor na ordem das coisas? Que tem o ensino a ver com o poder? Como podem as palavras se comparar com as armas? Por acaso a linguagem j\u00e1 destruiu e j\u00e1 construiu mundos?\u201d.<\/p>\n<p>Sempre fui apaixonado pelo tema educa\u00e7\u00e3o. Em 1986, o saudoso Darcy Ribeiro abonou minha filia\u00e7\u00e3o ao PDT &#8211; Partido Democr\u00e1tico Trabalhista (meu ex-partido). Aceitei seu convite pelo que preceitua o artigo 1\u00ba. do estatuto: \u201cEduca\u00e7\u00e3o, causa de salva\u00e7\u00e3o nacional, prioridade das prioridades: alimentar, acolher e assistir a todas as crian\u00e7as do Pa\u00eds, desde o ventre materno; educ\u00e1-las e escolariz\u00e1-las em tempo integral, sem qualquer tipo de discrimina\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Este era o sonho de Darcy Ribeiro, de An\u00edsio Teixeira, Paulo Freire e de tantos outros que morreram sem ver realizado o sonho da revolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o. Acredito ser poss\u00edvel comprometer pais, alunos e educadores nesse processo, para que o Brasil n\u00e3o perca o bonde da hist\u00f3ria e se distancie ainda mais dos seus parceiros do BRICS e dos demais pa\u00edses que assim est\u00e3o revolucionando seu desenvolvimento.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: center;\" align=\"center\"><strong><center>Revolu\u00e7\u00e3o Pela Educa\u00e7\u00e3o \u2013 2<\/center><\/strong><\/h2>\n<p align=\"center\"><!--more--><\/p>\n<p>\u00a0A mem\u00f3ria das gentes e a diversidade de suas l\u00ednguas formam o patrim\u00f4nio cultural de uma comunidade e sua preserva\u00e7\u00e3o depende do poder p\u00fablico e de abnegadas pessoas que para isso at\u00e9 se desfazem de patrim\u00f4nios pessoais.<\/p>\n<p>Sem a tradi\u00e7\u00e3o desses legados culturais \u00e0s futuras gera\u00e7\u00f5es h\u00e1 o risco de se dilu\u00edrem no tempo e de se sucumbirem nos t\u00famulos daqueles que n\u00e3o tiveram a quem transferir tais informa\u00e7\u00f5es. Se n\u00e3o fosse a frivolidade da maioria dessa gera\u00e7\u00e3o das redes sociais, a internet at\u00e9 poderia bem cumprir esse papel.<\/p>\n<p>No passado 7 de fevereiro, estava a prosear com o ex-superintendente da Policia Federal, Dr. Rubem Patury, no exato momento em que recebeu um telefonema noticiando o falecimento de sua progenitora, Dona Nair Patury. Era detentora de vasto conhecimento sobre a hist\u00f3ria de Ilh\u00e9us. Descrevia com detalhes os acontecimentos. Conhecia todas as tradicionais fam\u00edlias e era, tamb\u00e9m, por elas conhecida. Sempre que a encontrava tinha que dedicar bastante tempo para ouvi-la, pois t\u00ednhamos afinidade. Foi grande perda.<\/p>\n<p>Conhe\u00e7o tamb\u00e9m um senhor de 88 bem vividos anos, irrequieto, comunicativo, participativo e, tamb\u00e9m, grande conhecedor da hist\u00f3ria de Ilh\u00e9us. Quando disse que estava preparando este escrito, insistiu para que n\u00e3o declinasse seu nome. Sempre que nos vemos, h\u00e1 sempre tempo para um dedinho de prosa com ele, quando me conta os causos da terra de Gabriela.<\/p>\n<p>Foi vereador na d\u00e9cada de 70, quando, segundo ele, esse cargo era prerrogativa de abnegadas pessoas que se dispusessem a exerc\u00ea-lo sem remunera\u00e7\u00e3o. Os edis daquela \u00e9poca sentiam-se honrados em frequentar o legislativo municipal apenas para defenderem os interesses dos mun\u00edcipes que os escolhiam pautados no car\u00e1ter, honradez e capacidade de lhes representar. Bons tempos que n\u00e3o voltam mais!<\/p>\n<p>Ilh\u00e9us sempre contou com bons col\u00e9gios de ensino fundamental e secund\u00e1rio, desde os bons tempos da fartura do cacau. O IME-Instituto Municipal de Ensino, foi celeiro de brilhantes alunos e onde lecionaram excelentes professores, inclusive Milton Santos, ganhador do maior pr\u00eamio de Geografia do mundo, equiparado a um Nobel. Em frente ao IME, est\u00e1 o CEAMEV, que lembra o eminente \u00c1lvaro de Melo Vieira, de muita import\u00e2ncia para os profissionais da contabilidade. Conta, ainda, com o Col\u00e9gio S\u00e3o Jorge, Instituto Piedade e o Col\u00e9gio Vit\u00f3ria, no bairro da Conquista, ranqueado como um dos melhores da Bahia.<\/p>\n<p>Na \u00e1urea \u00e9poca do cacau faltava a Ilh\u00e9us contar com um estabelecimento de ensino superior. Em 19 de maio de 1960 foi autorizado o funcionamento da Faculdade de Direito de Ilh\u00e9us, atrav\u00e9s do Decreto Federal n\u00ba. 48.240.<\/p>\n<p>Grande dificuldade surgiu: o munic\u00edpio n\u00e3o dispunha de local nem verba para instala\u00e7\u00e3o da faculdade. Contou-me aquele senhor que o ent\u00e3o prefeito, Henrique Welly Cardoso e Silva, o Henriquinho, recorreu ao Governador da Bahia em busca de recursos. O alcaide de Salvador expulsou o de Ilh\u00e9us do gabinete, talvez porque este sempre fora ferrenho defensor do projeto de cria\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Cruz*.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para o impasse foi adquirir o pr\u00e9dio onde hoje funciona a Funda\u00e7\u00e3o Cultural de Ilh\u00e9us, mediante pagamento em 11 parcelas de 10 mil cruzeiros, avalizadas por Soane Nazar\u00e9 de Andrade, secret\u00e1rio do Prefeito. Os pagamentos foram honrados pontualmente com recursos oriundos de oito pessoas que bancavam o jogo do bicho, uma das quais, o meu interlocutor. A contraven\u00e7\u00e3o era tolerada pelo ent\u00e3o Governador da Bahia, Juracy Magalh\u00e3es.<\/p>\n<p>Outro impasse era fazer a faculdade funcionar. O Prefeito enviou Soane Nazar\u00e9 a Curitiba, onde adquiriria conhecimento de todos os tramites para fazer<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 80 a faculdade transformou-se na Universidade Estadual de Santa Cruz, instalada numa \u00e1rea de cerca de 700 hectares, doada pelo agropecuarista Manoel Fontes Nabuco. Em reconhecimento pela benemer\u00eancia, a UESC lhe reverenciou, atribuindo seu nome a um de seus pavilh\u00f5es. Mais uma vez, a iniciativa privada colaborou e a UESC caminha a largos passos para a excel\u00eancia no ensino superior.<\/p>\n<p>S\u00e3o constata\u00e7\u00f5es de que pessoas verdadeiramente comprometidas e motivadas conseguem vencer dif\u00edceis batalhas rumo a um processo revolucion\u00e1rio atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>*A proposta de cria\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Cruz previa a separa\u00e7\u00e3o da Regi\u00e3o Sul da Bahia do atual Estado. Trata-se de uma proposta antiga que, em movimento ondular, sempre vem\u00a0\u00e0 baila, talvez porque algum atual ou ex-alcaide sulbaiano, sem cacife para alcan\u00e7ar o Pal\u00e1cio de Ondina, queira fundar um estado s\u00f3 para ele governar. Um acaraj\u00e9 para quem adivinhar onde seria o pal\u00e1cio desse alcaide.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Juventino Ribeiro, contador, Ilh\u00e9us-BA Hoje, ao desentralhar meus alfarr\u00e1bios, deparei-me com amarelados recortes de jornais, artigos que publiquei nos idos de 90, no Di\u00e1rio da Tarde, de Ilh\u00e9us, e em A Tarde, de Salvador. Abordava temas de contabilidade e cr\u00f4nicas sobre assuntos variados. 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