{"id":65820,"date":"2013-05-22T22:00:17","date_gmt":"2013-05-23T01:00:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=65820"},"modified":"2013-05-22T22:00:17","modified_gmt":"2013-05-23T01:00:17","slug":"sobre-a-inflacao-dos-alimentos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/05\/22\/sobre-a-inflacao-dos-alimentos\/","title":{"rendered":"SOBRE A INFLA\u00c7\u00c3O DOS ALIMENTOS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em><strong>por Juventino Ribeiro<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A respeito de notici\u00e1rios veiculados at\u00e9 no exterior, como o caso do artigo publicado no Jornal de Angola, sobre a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos no Brasil, recorro novamente a Napole\u00e3o Bonaparte, sobre qu\u00e3o incomensur\u00e1vel \u00e9 o poder da imprensa: <i>tenho mais medo de um jornal, por menor que seja, do que de um ex\u00e9rcito de dez mil soldados, <\/i>teria afirmado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Sou contador e sei que coment\u00e1rio sobre tal assunto \u00e9 prerrogativa de economista. O emaranhado das f\u00f3rmulas explicativas da infla\u00e7\u00e3o e a dificuldade de entender o <i>econom\u00eas, <\/i>n\u00e3o me permite polemizar nessa seara, mas talvez estejamos diante de factoides de m\u00eddias sensacionalistas, como o que estamos vivenciando no atual momento sobre a extin\u00e7\u00e3o do Programa Bolsa Fam\u00edlia. Como se trata de um programa <i>menina dos olhos <\/i>do Governo, foi um duro golpe visando a atingir suas pretens\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 N\u00e3o morro de amores pelos governantes atuais, mormente ap\u00f3s os vergonhosos esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o deflagrados nos \u00faltimos tempos. H\u00e1 quem diga que a oposi\u00e7\u00e3o est\u00e1 a se alvoro\u00e7ar rumo \u00e0 disputa pelo poder e que os governantes, a caminho de doze anos no poder, querem, a qualquer custo, chegar a dezesseis e, qui\u00e7\u00e1, mais tempo. Assim, doravante teremos que nos acostumar com a beliger\u00e2ncia midi\u00e1tica que se avizinha e nos munirmos do devido discernimento para ler nas entrelinhas o verdadeiro e o falso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O tomate foi bola da vez, capa de revistas e motivo de chacota at\u00e9 no exterior. J\u00e1 me esqueci, embora seja recente. Ontem e hoje j\u00e1 se noticiaram quedas acentuadas dos pre\u00e7os dos alimentos, tendo ocorrido defla\u00e7\u00e3o de 6,5% nos pre\u00e7os a grosso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 H\u00e1 cerca de cinco anos os pre\u00e7os do feij\u00e3o e da farinha de mandioca, indispens\u00e1veis nas mesas da maioria dos brasileiros, tiveram grande alta de pre\u00e7os, passando de 2 reais para atuais 7 a 8 reais o quilo. Outros alimentos subiram, nem tanto. \u00c0 \u00e9poca, a m\u00eddia fez grande alvoro\u00e7o e o povo brasileiro, passivo como sempre, sente o impacto, mas vai se acostumando e, aos poucos, cai no esquecimento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ensinamentos b\u00e1sicos de economia fazem alus\u00e3o \u00e0 lei da oferta e da procura. <i>Maior procura, maiores pre\u00e7os<\/i>. Diversos fatores t\u00eam contribu\u00eddo para a alta de pre\u00e7os dos componentes b\u00e1sicos da alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil. Tendo a crer que a alta de pre\u00e7os tenha tido origem no aumento do consumo. Al\u00e9m do constante crescimento populacional, o poder de compra do brasileiro alcan\u00e7ou patamares que lhe permitam melhor alimenta\u00e7\u00e3o e a consumir produtos que antes n\u00e3o faziam parte de sua dieta. Quando meios de produ\u00e7\u00e3o n\u00e3o acompanham o real aumento de consumo, os pre\u00e7os sobem. Isso \u00e9 b\u00e1sico em economia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 O Brasil, de dimens\u00f5es continentais e de grandes varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas, convive com ocorr\u00eancias at\u00edpicas: enquanto o habitante do nordeste sofre com a maior seca dos \u00faltimos sessenta anos, a ver seus rebanhos e planta\u00e7\u00f5es perecer, h\u00e1 enchentes e geadas em outras regi\u00f5es. H\u00e1 sempre, em algum lugar, condi\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o. <i>Aqui, em se plantando, tudo d\u00e1, <\/i>teria anotado Pero Vaz de Caminha, escriv\u00e3o da frota de Pedro \u00c1lvares Cabral, ao descobrir o Brasil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Essas varia\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas permitem culturas diversificadas ao longo de todo ano. \u00c9 outono no Brasil, \u00e9poca de muitas frutas e de grandes colheitas de gr\u00e3os. A colheita do feij\u00e3o que a seca n\u00e3o permitiu vingar na Bahia foi prof\u00edcua em outras regi\u00f5es, proporcionando certo equil\u00edbrio na oferta. Mesmo nesse sofrido nordeste encontramos na Bahia e no Cear\u00e1 regi\u00f5es de climas prop\u00edcios \u00e0 produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, a exemplo da sofisticada floricultura com alta produtividade durante todo o ano, que permite a esses estados exportar flores at\u00e9 para o exterior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 \u00c9 certo que <i>comodities, <\/i>como soja e milho, principalmente, t\u00eam canalizado recursos para sua sofisticada produ\u00e7\u00e3o em larga escala, muitas vezes com benesses de financiamentos e subs\u00eddios governamentais, ofuscando aten\u00e7\u00e3o aos pequenos produtores. Sabemos que a agricultura familiar \u00e9 respons\u00e1vel por levar \u00e0s nossas mesas a maior parte dos alimentos pelos quais os produtores de <i>comodities <\/i>n\u00e3o se interessam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A aglutina\u00e7\u00e3o de pequenos agricultores em associa\u00e7\u00f5es e cooperativas tem ocorrido em ritmo lento, mas \u00e9 uma realidade, tende a crescer e a se tornar fator preponderante na oferta de produtos org\u00e2nicos a pre\u00e7os acess\u00edveis a um p\u00fablico cada dia est\u00e1 mais consciente sobre os benef\u00edcios do consumo respons\u00e1vel.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Juventino Ribeiro \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 A respeito de notici\u00e1rios veiculados at\u00e9 no exterior, como o caso do artigo publicado no Jornal de Angola, sobre a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos no Brasil, recorro novamente a Napole\u00e3o Bonaparte, sobre qu\u00e3o incomensur\u00e1vel \u00e9 o poder da imprensa: tenho mais medo de um jornal, por menor que seja, do que de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[10],"tags":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65820"}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65820"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65820\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":65825,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65820\/revisions\/65825"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65820"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65820"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65820"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}