{"id":66993,"date":"2013-06-10T23:40:00","date_gmt":"2013-06-11T02:40:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=66993"},"modified":"2013-06-10T23:40:00","modified_gmt":"2013-06-11T02:40:00","slug":"barrakitika-templo-do-absurdo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/06\/10\/barrakitika-templo-do-absurdo\/","title":{"rendered":"BARRAKITIKA, TEMPLO DO ABSURDO"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: left;\" align=\"center\"><em><strong>\u00a0por Juventino Ribeiro<\/strong><\/em><\/h2>\n<p>Havia um barzinho na rua em que eu morava, no Rio de Janeiro, do qual eu era contador. Os s\u00f3cios desentenderam-se e o transferiram para mim como pagamento de uma d\u00edvida. Passaram-se cinco longos meses para eu trespassar o estabelecimento e recuperar meu dinheiro.<\/p>\n<p>Trabalhava para uma seguradora durante o dia, mas \u00e0 noite me desfazia do palet\u00f3 e da gravata, arrega\u00e7ava as mangas e assumia o controle. Foi nesse per\u00edodo que passei a conhecer os clientes do outro lado do balc\u00e3o.<\/p>\n<p>Um deles, Valtinho da Ladeira, tinha cerca de 50 anos e suas atividades eram nos meandros da contraven\u00e7\u00e3o, no jogo do bicho. Era simp\u00e1tico e admirado por todos. Pertencia \u00e0 ala de compositores da Escola de Samba Unidos da Tijuca.<\/p>\n<p>Compenetrado, met\u00f3dico e com seu insepar\u00e1vel cachimbo \u00e0 Sherlock Holmes, chegava diariamente por volta de 19 horas. Bebia duas doses de cacha\u00e7a Pitu, pagava, acendia o cachimbo e ia para casa jantar e compor.<\/p>\n<p>Certa vez apresentou a composi\u00e7\u00e3o, <i>Botequim, Templo do Absurdo \u2013 Bar Brasil, <\/i>para concorrer como samba enredo de sua escola<i>.<\/i> Descrevia as ocorr\u00eancias no ambiente dos botecos, os personagens, suas filosofias, suas goza\u00e7\u00f5es. Todos s\u00e3o t\u00e9cnicos e escalam a sele\u00e7\u00e3o. E o refr\u00e3o pedia: <i>seu gar\u00e7om pendura a conta que o AIDS vem a\u00ed. <\/i><\/p>\n<p>Interpelei: Valtinho, n\u00e3o seria melhor dizer a AIDS vem a\u00ed? <i>N\u00e3o, nesse contexto, AIDS significa Alto \u00cdndice de Defasagem Salarial.<\/i> Coisa do mundo do samba.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>N\u00e3o foi finalista, mas no ano seguinte consorciou-se com meia d\u00fazia de compositores e levou o primeiro lugar. <i>Poxa, Valtinho, a parte do pr\u00eamio que lhe coube n\u00e3o d\u00e1 nem para uma garrafa de Pitu. <\/i>Era a goza\u00e7\u00e3o que rolava no bar.<\/p>\n<p>Alguns botecos s\u00e3o a cara do dono. Outros, a cara do cliente. No Rio de Janeiro, o bar <i>Garota de Ipanema <\/i>sempre foi a cara de Vinicius de Moraes e Tom Jobim; O <i>B&#8230; de Fora<\/i>, no Baixo G\u00e1vea, a cara de Leila Diniz. Era t\u00e3o pequeno que o fregu\u00eas subia um degrau para ser atendido e ficava com o <i>trazeiro<\/i> do lado de fora. Foi por isso que Leila, fantasticamente debochada, o batizou de Bunda de Fora. Era um <i>point <\/i>de estudantes, jornalistas, artistas e intelectuais.<\/p>\n<p>O <i>Petisco da Vila, <\/i>em Vila Isabel, era onde por muitas vezes vi Martinho da Vila bebendo sozinho, compenetrado, rabiscando letras de can\u00e7\u00f5es, cantarolando e batucando numa caixa de f\u00f3sforos. Ningu\u00e9m o perturbava. O Petisco era sua cara.<\/p>\n<p>Barrakitika, localizado no Centro Hist\u00f3rico e Cultural de Ilh\u00e9us, \u00e9 <i>onde todo mundo se encontra. <\/i>Este \u00e9 o apelo de seu marketing. Sua hist\u00f3ria tem in\u00edcio na d\u00e9cada de 80. Era apenas uma barraquinha na praia da Avenida Soares Lopes, sem sofistica\u00e7\u00e3o, onde o casal Brunek Susmaga e Marisa Lindote, recebia os amigos com muita simpatia.<\/p>\n<p>Era o <i>point <\/i>onde os jovens se encontravam na efervesc\u00eancia dos inesquec\u00edveis ver\u00f5es de Ilh\u00e9us. Era muito rudimentar e sem infraestrutura para suportar os picos de atendimento. Por isso, os frequentadores, carinhosamente, apelidaram-na de <i>Barraca Raqu\u00edtica<\/i>.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, o mais querido Bruno de Ilh\u00e9us resolveu que j\u00e1 era tempo de procurar um espa\u00e7o onde melhor poderia atender a seus queridos amigos. A barraca raqu\u00edtica ganhou novo endere\u00e7o e virou Barrakitika, uma alus\u00e3o ao antigo nome. Barrakitika \u00e9 sua cara.<\/p>\n<p>Ali, a <i>azara\u00e7\u00e3o<\/i> rola solta. O p\u00fablico \u00e9 variado, descontra\u00eddo e belo, como o card\u00e1pio da casa. \u00c9 onde se bebem boas cervejas, bons vinhos e drinks. Acredita-se que seja onde se encontra a maior variedade de boas marcas de cacha\u00e7as.<\/p>\n<p>\u00c9 onde se come uma picanha na chapa, que faz muito bem aos olhos, ao olfato e ao paladar. \u00c9 servida com fritas, com aipim ou com legumes. Suculenta feijoada, moqueca, camar\u00e3o, boas massas e petiscos variados completam o belo card\u00e1pio.<\/p>\n<p>Para satisfazer aos apreciadores da comida japonesa, Bruno fez parceria com F\u00e1bio Cosaihira, competente sushiman, para implementar o Sushi Bar da Barrakitika. \u00c9 um agrad\u00e1vel ambiente onde se podem apreciar as criativas especialidades ao som de boa m\u00fasica ou assistir a partidas de futebol ou a lutas de MMA e outras atra\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Barrakitika funciona de segunda feira a s\u00e1bado, de 11:00h at\u00e9 de madrugada, quando sair o \u00faltimo fregu\u00eas. Algumas noites costumam ser animadas com m\u00fasica ao vivo. O Sushi Bar funciona somente a partir de 19:00h. Obtenha mais informa\u00e7\u00f5es pelo telefone 73-32318300. Bom apetite e feliz entretenimento!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><i>*Juventino Ribeiro \u00e9 contador em Ilh\u00e9us-BA<\/i><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u00a0por Juventino Ribeiro Havia um barzinho na rua em que eu morava, no Rio de Janeiro, do qual eu era contador. Os s\u00f3cios desentenderam-se e o transferiram para mim como pagamento de uma d\u00edvida. Passaram-se cinco longos meses para eu trespassar o estabelecimento e recuperar meu dinheiro. 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