{"id":67966,"date":"2013-06-27T12:00:15","date_gmt":"2013-06-27T15:00:15","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=67966"},"modified":"2013-06-27T12:00:15","modified_gmt":"2013-06-27T15:00:15","slug":"carybe-de-novo-em-ilheus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/06\/27\/carybe-de-novo-em-ilheus\/","title":{"rendered":"Caryb\u00e9, de novo, em Ilh\u00e9us"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Por Guilherme Albagli<\/strong><\/em><\/p>\n<p>No Pante\u00e3o da Cultura Baiana, junto a Vieira, Soares, Greg\u00f3rio, Castro Alves, Ruy e Amado est\u00e1  Caryb\u00e9, o &#8220;maior dos artistas-pl\u00e1sticos baianos, nascido na Argentina&#8221;.<\/p>\n<div id=\"attachment_67967\" style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caribe-560-div.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-67967\" loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caribe-560-div.jpg\" alt=\"Murais de Caryb\u00e9 nos Estados Unidos. Foto: Internet.\" width=\"560\" height=\"373\" class=\"size-full wp-image-67967\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caribe-560-div.jpg 560w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/caribe-560-div-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-67967\" class=\"wp-caption-text\">Murais de Caryb\u00e9 nos Estados Unidos. Foto: Internet.<\/p><\/div>\n<p>Hoje \u00e0 tarde, na Academia de Letras de Ilh\u00e9us,  \u00e0s 17h, Solange Colina, filha de Caryb\u00e9 e Nancy, dar\u00e1 uma palestra sobre a obra do seu pai, nascido Hector Barnab\u00f3, que passou ao Brasil ainda menino, onde aprendeu portugu\u00eas sem sotaque. Adotou a Bahia como p\u00e1tria, mantendo longa amizade com o Jorge e ilustrando alguns dos seus livros.<\/p>\n<p>Estive com este g\u00eanio baiano umas tr\u00eas ou quatro vezes, na vida. A primeira foi na rampa do Mercado Modelo, quando o encontrei e perguntei se recebera um envelope que lhe mandara pelo correio com um pequeno lote de xilogravuras que eu produzira recentemente.  <\/p>\n<p>-Sim, receb\u00ed. Vou sair agora para o fim de semana; passe l\u00e1 em casa na segunda que lhe retribuirei o seu presente.<\/p>\n<p>Na segunda, pela manh\u00e3, antes mesmo dele chegar da sua casa de  praia, l\u00e1  estava eu na sua casa do Matat\u00fa \u00e0 sua espera, muito bem atendido pela sua jovem empregada ilheense. Saltou do carro, tirou deste umas sacolas e duas telas pequenas, a \u00f3leo, que pintara no fim-de-semana,  subindo ao seu atelier, no fundo da casa. Desceu com uma pintura com tinta-da-China sobre papel que me doou, isso no ano de 1975. Por medo da umidade do litoral baiano, que destr\u00f3i facilmente pap\u00e9is, doei depois esta obra ao acervo  de um certo museu do exterior onde a sua obra est\u00e1 melhor preservada. Era uma sereia singela, resolvida com apenas cinco golpes certeiros do seu grosso pincel oriental.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Outra vez, o encontrei na Casa Branca, na Vasco da Gama, num dia de grande festa em que Pierre Verger estava tamb\u00e9m presente. Me aproximei do Caryb\u00e9, com a sua camisa estampada, meio desabotoada e deixando \u00e0 mostra o seu colar de turquesas e algumas pedras de coral que, segundo ele,  lhe fora doado pela finada M\u00e3e Senhora. N\u00e3o  quietei enquanto n\u00e3o consegui comprar um colar parecido para mim, que uso at\u00e9 hoje. Com os demais og\u00e3s daquela Casa-de-Santo, bebia aquela bebida branquinha que passarinho n\u00e3o bebe e, apesar da sua pele branca, n\u00e3o destoava em nada dos seus companheiros afro-descendentes.<\/p>\n<p>Outra vez, o encontrei numa tarde de aut\u00f3grafos na Civiliza\u00e7\u00e3o Brasileira do Iguatemi. Quando eu sa\u00eda da apinhada livraria, quem ali entrava era o Jorge e sua esposa, a quem cumprimentei com admira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando criaram o atualmente desativado Museu do Cacau, o encomendaram uma grande tela representando uma fazenda de cacau &#8211; hoje empacotada nos escombros daquele museu, hoje tutelado pela UESC-. Preocupado com um poss\u00edvel sumi\u00e7o desta valiosa obra, h\u00e1 uns dez anos,  mandei um documento \u00e0  Universidade Estadual de Santa Cruz recomendando a sua remo\u00e7\u00e3o ao Gabinete da Reitoria por quest\u00f5es de seguran\u00e7a. Infelizmente, na \u00e9poca, o meu poder de persuas\u00e3o n\u00e3o fora suficiente par convencer \u00e0 reitora ent\u00e3o em exerc\u00edcio &#8211; muito, muito, muito correta -, que achou, talvez, indevida, aquela minha sugest\u00e3o.<\/p>\n<p>Depois da palestra, hoje \u00e0 tarde, no audit\u00f3rio decorado com arranjos de flores tropicais montados e doados por Sarinha Almeida, ser\u00e1 aberta a expo Caryb\u00e9 100&#215;100, com um coquetel, no TMI. Quem for \u00e0 sua abertura, certamente, ter\u00e1 que ali retornar para ver, com mais calma e menos muvuca, uma parte da grande obra deste imortal.<\/p>\n<p>Sua obra prima \u00e9 o conjunto de talhas em cedro &#8220;Orix\u00e1s&#8221;, encomendado pelo extinto Banco econ\u00f4mico, hoje exposta no Museu Afro do Terreiro de Jesus. Vale uma ida a Salvador, s\u00f3 para apreciar esta obra.    <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Guilherme Albagli No Pante\u00e3o da Cultura Baiana, junto a Vieira, Soares, Greg\u00f3rio, Castro Alves, Ruy e Amado est\u00e1 Caryb\u00e9, o &#8220;maior dos artistas-pl\u00e1sticos baianos, nascido na Argentina&#8221;. 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