{"id":68932,"date":"2013-07-17T10:51:01","date_gmt":"2013-07-17T13:51:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=68932"},"modified":"2013-07-17T10:51:01","modified_gmt":"2013-07-17T13:51:01","slug":"servico-civil-obrigatorio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/07\/17\/servico-civil-obrigatorio\/","title":{"rendered":"Servi\u00e7o civil obrigat\u00f3rio"},"content":{"rendered":"<p><strong>* por Tom Coelho<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u201cQuem serve bem o seu pa\u00eds n\u00e3o precisa de antepassados.\u201d<\/strong> <em><strong>(Voltaire)<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/tom-coelho1.jpg\" width=\"300\" height=\"133\" class=\"alignleft\" \/>A pol\u00eamica do momento \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o para oito anos do curso de medicina, com dois anos dedicados ao SUS. Quer saber? Isso deveria ser aplicado a todos os cursos universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Vivemos em um pa\u00eds extremamente desigual, com elevada concentra\u00e7\u00e3o de renda e oportunidades restritas a poucos. Segundo relat\u00f3rio sobre educa\u00e7\u00e3o divulgado em setembro de 2012 pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), apenas 11% da popula\u00e7\u00e3o brasileira com idade entre 25 e 64 anos concluiu o ensino superior, o que nos coloca na 38\u00aa posi\u00e7\u00e3o entre 40 na\u00e7\u00f5es. <\/p>\n<p>Desconsiderando-se, por um instante, a qualidade do ensino, \u00e9 fato estat\u00edstico que um diploma garante maior remunera\u00e7\u00e3o, oportunidades de emprego e ascens\u00e3o social. Entre os brasileiros, apenas 6,4% dos trabalhadores ganham mais de cinco sal\u00e1rios m\u00ednimos, \u00edndice que sobe para 33,9% entre os universit\u00e1rios.<\/p>\n<p>Dentro deste contexto, deveria ser princ\u00edpio de todo e qualquer estudante prestar servi\u00e7os \u00e0 popula\u00e7\u00e3o menos favorecida. Mais do que um dever c\u00edvico ou social, um dever de consci\u00eancia.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Advogados deveriam atuar na Defensoria P\u00fablica. Administradores, contadores e publicit\u00e1rios deveriam prestar consultoria a pequenos empres\u00e1rios auxiliando-os na gest\u00e3o de seus neg\u00f3cios, reduzindo os elevados \u00edndices de mortalidade das empresas.<\/p>\n<p>Engenheiros e arquitetos deveriam visitar, analisar, avaliar e sugerir melhorias em infraestrutura de favelas, comunidades carentes e \u00e1reas p\u00fablicas em cidades pobres e abandonadas \u00e0 pr\u00f3pria sorte, dentre os 5565 munic\u00edpios existentes, muitos criados apenas para acomodar mais pol\u00edticos e cargos p\u00fablicos.<\/p>\n<p>Enfermeiros, fisioterapeutas, dentistas e outros profissionais da sa\u00fade deveriam seguir o mesmo destino aplicado aos m\u00e9dicos. Enfim, todas as carreiras deveriam passar por uma profunda reforma em suas estruturas curriculares, com revis\u00e3o da grade associada ao ciclo b\u00e1sico e amplia\u00e7\u00e3o do chamado ciclo profissionalizante. <\/p>\n<p>Isso n\u00e3o significaria necessariamente a amplia\u00e7\u00e3o em um ou dois anos de todos os cursos, nem tampouco a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os pelo per\u00edodo proposto pelo governo com rela\u00e7\u00e3o aos m\u00e9dicos. Cada carreira precisaria ser analisada individualmente. O fato \u00e9 que, sem generalizar, mas pontuando como maioria dos casos, os tais trabalhos de conclus\u00e3o de curso e est\u00e1gios previstos nas estruturas curriculares atuais s\u00e3o um engodo, pois ensinam pouco e desenvolvem menos ainda. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que estagi\u00e1rios carregam o r\u00f3tulo de servi\u00e7ais nas empresas, por vezes denominados office boys de luxo.<\/p>\n<p>Ao fazer isso, muitos seriam os benef\u00edcios. Aos assistidos, a redu\u00e7\u00e3o do abandono, a minimiza\u00e7\u00e3o do descaso. Aos estudantes, a oportunidade de exercitar a teoria, tornando-se profissionais mais preparados e qualificados.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, h\u00e1 alguns pr\u00e9-requisitos. Primeiro, a melhoria na qualidade do ensino, mediante valoriza\u00e7\u00e3o dos docentes (que dever\u00e3o, al\u00e9m de ensinar, monitorar os alunos no per\u00edodo de atendimento \u00e0 popula\u00e7\u00e3o) e acompanhamento rigoroso dos cursos universit\u00e1rios, coibindo a a\u00e7\u00e3o de \u201cuniesquinas\u201d que surgem com objetivo meramente pecuni\u00e1rio. E o melhor mecanismo para isso \u00e9 a realiza\u00e7\u00e3o em todos os cursos de um exame similar ao aplicado pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aos formandos em Direito. Esta seria uma garantia de que as pessoas carentes n\u00e3o seriam assistidas como cobaias por profissionais com baixo n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A segunda provid\u00eancia \u00e9 de responsabilidade p\u00fablica e concerne \u00e0 infraestrutura. Sem hospitais, postos de sa\u00fade, ambul\u00e2ncias, equipamentos, rem\u00e9dios, de nada adianta ter mais m\u00e9dicos. Analogamente, em todas as demais profiss\u00f5es, o exerc\u00edcio do of\u00edcio demanda condi\u00e7\u00f5es ideais de trabalho.<\/p>\n<p>Terceiro, deve-se discutir com a sociedade como operacionalizar esta iniciativa, o que envolve inclusive a remunera\u00e7\u00e3o dos profissionais, uma vez que durante uma parte do per\u00edodo laborativo estes dever\u00e3o ser remunerados. Isso afasta a tese de \u201cservi\u00e7o civil obrigat\u00f3rio\u201d.<\/p>\n<p>Aos cr\u00edticos de plant\u00e3o n\u00e3o faltar\u00e3o argumentos. Ir\u00e3o falar em cerceamento da liberdade, nas dificuldades de alocar estudantes em regi\u00f5es distantes, em uso de m\u00e3o de obra barata. A grande quest\u00e3o \u00e9 quem ter\u00e1 coragem de propor e debater esta grande revolu\u00e7\u00e3o em prol da eleva\u00e7\u00e3o da qualidade de ensino e da redu\u00e7\u00e3o das desigualdades sociais.<\/p>\n<p>* Tom Coelho \u00e9 educador, conferencista e escritor com artigos publicados em 17 pa\u00edses. \u00c9 autor de \u201cSomos Maus Amantes \u2013 Reflex\u00f5es sobre carreira, lideran\u00e7a e comportamento\u201d (Flor de Liz, 2011), \u201cSete Vidas \u2013 Li\u00e7\u00f5es para construir seu equil\u00edbrio pessoal e profissional\u201d (Saraiva, 2008) e coautor de outras cinco obras. Contatos atrav\u00e9s do e-mail tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>* por Tom Coelho \u201cQuem serve bem o seu pa\u00eds n\u00e3o precisa de antepassados.\u201d (Voltaire) A pol\u00eamica do momento \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o para oito anos do curso de medicina, com dois anos dedicados ao SUS. Quer saber? Isso deveria ser aplicado a todos os cursos universit\u00e1rios. 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