{"id":71805,"date":"2013-09-13T11:51:26","date_gmt":"2013-09-13T14:51:26","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=71805"},"modified":"2013-09-13T11:51:26","modified_gmt":"2013-09-13T14:51:26","slug":"o-imperio-da-anarquia-decreta-o-fim-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/09\/13\/o-imperio-da-anarquia-decreta-o-fim-do-estado\/","title":{"rendered":"O imp\u00e9rio da anarquia decreta o fim do Estado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\" align=\"right\"><em><b>Walmir Ros\u00e1rio*<\/b><\/em><\/p>\n<div style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/WALMIR-ROS%C3%81RIO-FOTO-WALDYR-GOMES_.jpg\" width=\"200\" height=\"267\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Walmir Ros\u00e1rio. Foto by Waldir Gomes<\/p><\/div>\n<p>A guerra civil est\u00e1 perto de n\u00f3s que nem notamos. Ou fazemos quest\u00e3o de n\u00e3o notar. O sentimento de sofrimento e a apreens\u00e3o por que passa a popula\u00e7\u00e3o dos munic\u00edpios de Ilh\u00e9us, Una e Buerarema n\u00e3o tem chegado aos conterr\u00e2neos vizinhos, que assistem, de camarote, a maior a\u00e7\u00e3o de banditismo j\u00e1 praticada no Sul da Bahia. Essas invas\u00f5es e agress\u00f5es praticadas por pseudos \u00edndios aos produtores rurais fariam corar os coron\u00e9is do cacau e seus jagun\u00e7os, transformando-os em anjos de candura e bondade.<\/p>\n<p>A crescente desmoraliza\u00e7\u00e3o do Estado nos traz a necessidade iminente de uma reflex\u00e3o sobre t\u00e3o importante tema na vida da sociedade moderna. Gerido por pessoas, o Estado, como uma institui\u00e7\u00e3o, deve estar acima do interesse de grupos ou partidos pol\u00edticos, sob pena de ingressamos no po\u00e7o sem fundo da anarquia. Mas, infelizmente, esse cuidado n\u00e3o tem sido objeto de preocupa\u00e7\u00e3o do governo atual, ao contr\u00e1rio, \u00e9 instado a servir como ferramenta para a consecu\u00e7\u00e3o dos seus interesses.<\/p>\n<p>Por uma quest\u00e3o de economicidade e de \u201cn\u00e3o chover no molhado\u201d, como diz o ditado popular, n\u00e3o entraremos no m\u00e9rito de quest\u00f5es v\u00e1rias da apropria\u00e7\u00e3o de valores e materiais do patrim\u00f4nio do Estado, como sobejamente v\u00eam sendo divulgado na m\u00eddia. Isto porque j\u00e1 se encontram sob a tutela policial (investiga\u00e7\u00e3o), Minist\u00e9rio P\u00fablico (den\u00fancia) e do judici\u00e1rio (julgamento), como \u00e9 o caso do Mensal\u00e3o e de outros casos.<\/p>\n<p>Aqui trataremos, apenas da atrocidade que vem sendo cometida pelos que est\u00e3o \u00e0 frente das institui\u00e7\u00f5es basilares respons\u00e1veis pela sustenta\u00e7\u00e3o de qualquer pa\u00eds democr\u00e1tico: Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio. No caso em quest\u00e3o, os agentes do Executivo cometem erros hist\u00f3ricos, mascarando situa\u00e7\u00f5es, elaboram relat\u00f3rios mentirosos, transformando regi\u00f5es produtivas em reservas ind\u00edgenas, para quem n\u00e3o possui refer\u00eancia Tupinamb\u00e1. Um simples exame de DNA comprovaria. E o Legislativo n\u00e3o est\u00e1 nem a\u00ed, sob os olhares complacentes do Judici\u00e1rio. Uma farsa!<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Basta qualquer consulta a livros, historiadores e documento oficiais para tomar conhecimento da evolu\u00e7\u00e3o e desenvolvimento da regi\u00e3o do Maruim e adjac\u00eancias, formada pelos munic\u00edpios de Una, Ilh\u00e9us e Buerarema. A mais recente, iniciada no final da d\u00e9cada de 1970, nos mostra que foi o pr\u00f3prio Estado o autor e executor do maior programa de infraestrutura regional para o campo, acompanhado de assist\u00eancia t\u00e9cnica e pesquisa.<\/p>\n<p>O Estado, por meio da Comiss\u00e3o Executiva do Plano de Recupera\u00e7\u00e3o da Lavoura Cacaueira da Bahia (Ceplac), investiu uma soma consider\u00e1vel de recursos na regi\u00e3o do Maruim, que envolve os munic\u00edpios de Una, Buerarema e Ilh\u00e9us, com o programa de Diversifica\u00e7\u00e3o da Economia Cacaueira. \u00c0 \u00e9poca, com a mudan\u00e7a no mercado internacional do cacau, a sa\u00edda encontrada pelos t\u00e9cnicos foi a verticaliza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o cacaueira, atingindo todos os produtos economicamente vi\u00e1veis, a come\u00e7ar pela pequena propriedade.<\/p>\n<p>De acordo com o programa elaborado e executado pela Ceplac, contemplava, al\u00e9m da diversifica\u00e7\u00e3o pra dentro da porteira, a implanta\u00e7\u00e3o de uma s\u00e9rie de obras de infraestrutura e presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, com a finalidade de disseminar os efeitos multiplicadores. Com isso, os pequenos produtores do Maruim (em alguns casos centen\u00e1rios) passaram por um diagn\u00f3stico que apontou a realidade da produ\u00e7\u00e3o, o potencial de desenvolvimento, os reflexos positivos e negativo da diversifica\u00e7\u00e3o e os instrumentos necess\u00e1rios ao sucesso do programa.<\/p>\n<p>De imediato, com a cria\u00e7\u00e3o do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento (Deade), parte do or\u00e7amento da Ceplac foi investido em infraestrutura, com a abertura de estradas para o escoamento da produ\u00e7\u00e3o, constru\u00e7\u00e3o de escolas, postos m\u00e9dicos, melhorias na habita\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, esporte e lazer. \u00c0 aquela \u00e9poca, os extensionistas do Departamento de Extens\u00e3o (Depex), al\u00e9m da assist\u00eancia t\u00e9cnica \u00e0s ro\u00e7as, tamb\u00e9m levavam conhecimentos sobre o cooperativismo, associativismo, mercado, economia dom\u00e9stica e higiene e cozinha.<\/p>\n<p>Todo esse trabalho de campo era apoiado pelo programa radiof\u00f4nico \u201cDe Fazenda em Fazenda\u201d, cuja equipe era a encarregada de decodificar a linguagem t\u00e9cnica e levar ao pequeno produtor de forma simplificada, para facilitar o entendimento da difus\u00e3o de tecnologia. Assim o r\u00e1dio se transformou num dos principais suportes da implanta\u00e7\u00e3o do Programa de Diversifica\u00e7\u00e3o da Economia Cacaueira. Lembro-me, como um dos apresentadores do programa, que semanalmente cheg\u00e1vamos a receber cerca de 700 cartas, o que comprova sua efici\u00eancia e efic\u00e1cia.<\/p>\n<p>Junto com o Instituto de Cacau da Bahia (ICB) \u2013 que criou o Programa de Incentivo ao Pequeno Produtor (PIPP) \u2013 a Ceplac foi respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o dos pequenos produtores em 73 grupos, ligados a uma associa\u00e7\u00e3o. Este novo modelo de organiza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel pela mudan\u00e7a da metodologia de assist\u00eancia t\u00e9cnica rural, antes s\u00f3 praticada de forma individual, para a coletiva, facilitando a introdu\u00e7\u00e3o dos novos conhecimentos.<\/p>\n<p>Bastava uma simples olhada no \u201cretrovisor da hist\u00f3ria\u201d para que os governos Federal e do Estado se conscientizassem da import\u00e2ncia do modelo de diversifica\u00e7\u00e3o implantado pela Ceplac na regi\u00e3o do Maruim. N\u00e3o h\u00e1 como negar o sucesso nos \u00edndices da produ\u00e7\u00e3o e produtividade conseguido pelos pequenos agricultores com os cultivos trabalhados, todos ocupando \u00e1reas min\u00fasculas, variando em sua maioria de um a dez hectares.<\/p>\n<p>De acordo com as estat\u00edsticas dispon\u00edveis nos arquivos da Ceplac e do IBGE, o menor \u00edndice de evas\u00e3o rural provocado pela crise causada pela introdu\u00e7\u00e3o da vassoura-de-bruxa no Sul da Bahia, a partir do fim da d\u00e9cada de 1980 \u00e9 justamente da regi\u00e3o do Maruim. Enquanto as regi\u00f5es de monocultura cacaueira a debandada era geral, no Maruim os pequenos produtores contavam com a mandioca para farinha, o aipim, frutas, legumes e verduras para abastecer as feiras-livres regionais.<\/p>\n<p>Mesmo que esses exemplos acima n\u00e3o sirvam \u00e0 ideologia comunista adotadas anteriormente pelo PT e PCdoB, para tentarem expulsarem do local em que sempre trabalharam e vieram honestamente, apresento mais um: al\u00e9m de produzirem em pequenas \u00e1reas, os pequenos produtores deram um exemplo de como produzir bem, mais e com qualidade. Um dos <i>cases<\/i> de sucesso \u00e9 a \u201cFarinha de Buerarema\u201d, conhecida internacionalmente e consolidada a partir da qualidade e uniformidade da produ\u00e7\u00e3o, sem a ajuda de nenhum doutor em marketing (embora tenha apre\u00e7o por eles).<\/p>\n<p>Da\u00ed, se houver qualquer seriedade em alguma autoridade pol\u00edtica \u2013 o que \u00e9 coisa rara nos dias de hoje \u2013, bastaria recorrer \u00e0 Ceplac, que poderia fornecer a certid\u00e3o de nascimento das terras de um grupo de brasileiros que sempre acreditou no trabalho como modelo de cidadania. E porque n\u00e3o dizer que tamb\u00e9m acreditaram nos governantes quando enfrentaram condi\u00e7\u00f5es in\u00f3spitas e adversas com a finalidade de criar riquezas, seja de ordem material, moral ou \u00e9tica.<\/p>\n<p>Nem passava pela cabe\u00e7a deles perder tudo o que fizeram ao longo dos anos para bandidos travestidos de \u00edndios, com o benepl\u00e1cito governamental. Mas \u00e9 a vida!<\/p>\n<p align=\"right\"><b><i>*Jornalista, advogado e editor do www.ciadanoticia.com.br <\/i><\/b><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Walmir Ros\u00e1rio* A guerra civil est\u00e1 perto de n\u00f3s que nem notamos. Ou fazemos quest\u00e3o de n\u00e3o notar. 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