{"id":72895,"date":"2013-09-29T22:19:17","date_gmt":"2013-09-30T01:19:17","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=72895"},"modified":"2013-09-30T07:23:07","modified_gmt":"2013-09-30T10:23:07","slug":"a-maconaria-do-presente-e-do-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/09\/29\/a-maconaria-do-presente-e-do-futuro\/","title":{"rendered":"A MA\u00c7ONARIA DO PRESENTE E DO FUTURO"},"content":{"rendered":"<p><strong>Anestor Porf\u00edrio da Silva*<\/strong><\/p>\n<p>A ma\u00e7onaria brasileira conta, atualmente, com uma abundante e valiosa literatura, que \u00e9 respons\u00e1vel pelo armazenamento de grande parte de sua longa hist\u00f3ria. Durante anos e anos, essa dita literatura vem, sistematicamente, registrando com extraordin\u00e1ria credibilidade, os mais variados e importantes fatos relacionados \u00e0 sua secular trajet\u00f3ria neste pa\u00eds, o que a torna um rico acervo da Ordem Ma\u00e7\u00f4nica. Sobre seu passado, seus principais vultos, sua evolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos tempos, seus grandes feitos etc., h\u00e1 um manancial de informa\u00e7\u00f5es que pode eliminar qualquer d\u00favida, o que n\u00e3o ocorre quando algu\u00e9m busca saber, por exemplo, qual \u00e9 a ma\u00e7onaria de hoje e qual ser\u00e1 a ma\u00e7onaria do futuro.<\/p>\n<p>Nessa incerteza, muitas pessoas indagam saber se ainda existem causas que possam levar a ma\u00e7onaria \u00e0 luta, e se essas causas realmente existem, quais s\u00e3o elas, mas as fontes esclarecedoras s\u00e3o escassas. N\u00e3o passam de raras obras escritas e mais alguns artigos que, de vez em quando, s\u00e3o divulgados atrav\u00e9s de peri\u00f3dicos ma\u00e7\u00f4nicos (revistas e jornais), ou pela Internet, em forma de cr\u00f4nicas, manifestos, pronunciamentos e coment\u00e1rios de autoria de alguns poucos obreiros, em cujos trabalhos buscam colocar em evid\u00eancia preocupa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 quest\u00e3o em foco.<\/p>\n<p>Provavelmente, situa\u00e7\u00f5es de expectativa que s\u00e3o criadas diante de fatos como: as informa\u00e7\u00f5es por demais t\u00edmidas sobre os reais objetivos da ma\u00e7onaria, as constantes e injustificadas altera\u00e7\u00f5es da legisla\u00e7\u00e3o e dos rituais, a falta de conscientiza\u00e7\u00e3o dos ma\u00e7ons e das lojas em momentos em que as pr\u00f3prias circunst\u00e2ncias assim o exigem, a n\u00e3o realiza\u00e7\u00e3o de encontros estaduais dos ma\u00e7ons para o debate de quest\u00f5es sociais em que a a\u00e7\u00e3o da ma\u00e7onaria se faz necess\u00e1ria, \u00a0t\u00eam dado espa\u00e7o a muitos crerem que ela esteja caminhando para o fim. Para uns, a ma\u00e7onaria est\u00e1 em decl\u00ednio porque, embora tendo um passado de importantes lutas e de muitas vit\u00f3rias, enfrenta um \u00a0presente sem afirma\u00e7\u00f5es, \u00e0 espera de um futuro incerto. Para outros, ela est\u00e1 fadada \u00e0 sucumb\u00eancia por n\u00e3o ter mais bandeiras de luta, por representar alto custo financeiro aos seus membros e tamb\u00e9m porque em nada evoluiu ao longo de toda a sua hist\u00f3ria. Enfim, tanto para uns quanto para outros, o que faz a ma\u00e7onaria atualmente n\u00e3o passa de sess\u00f5es mon\u00f3tonas, improdutivas e sem atrativos, com os seus dirigentes mais interessados em promover banquetes em ambientes suntuosos, onde o que mais se v\u00ea \u00e9 a farta distribui\u00e7\u00e3o de diplomas e medalhas condecorativas, em vez de trabalharem no sentido de colocar a Ordem nos trilhos da sobreviv\u00eancia e conduzi-la por rumos capazes de resgatarem a sua verdadeira identidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o vem trazendo inquieta\u00e7\u00e3o cada vez maior a muitos ma\u00e7ons das bases de sustenta\u00e7\u00e3o da Ordem, que s\u00e3o as Lojas, por acreditarem que a mesma n\u00e3o seja assim t\u00e3o sem import\u00e2ncia j\u00e1 que representa um sinal de alerta, por enquanto, n\u00e3o percebido pelos seus altos dignit\u00e1rios, revelador de que a ma\u00e7onaria, a cada ano se mostra mais enfraquecida e o enfrentamento dessa fase agonizante decorre da falta de objetivos, o que n\u00e3o ocorria no passado.<\/p>\n<p>Dizem que seus lamentos n\u00e3o ecoam sozinhos. E prosseguem afirmando que, ao lado deles, outra raz\u00e3o h\u00e1 que os refor\u00e7a ainda mais, vinda das estat\u00edsticas da pr\u00f3pria ordem ma\u00e7\u00f4nica, que apontam um grau de evas\u00e3o anual cada vez maior, fato que se n\u00e3o for revertido em curto prazo, afirma-se, poder\u00e1 ocasionar a fal\u00eancia da institui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sabe-se, extra oficialmente, que os \u00edndices de evas\u00e3o de iniciados nas \u00faltimas d\u00e9cadas, a n\u00edvel nacional, v\u00eam mesmo se elevando de modo preocupante e essa realidade \u00e9 fato inconteste que pode estar ocorrendo n\u00e3o s\u00f3 pela simples falta de bandeiras de luta, ou pelo alto custo que se paga em troca da perman\u00eancia no seio da ma\u00e7onaria, como tamb\u00e9m em raz\u00e3o de uma s\u00e9rie de outros fatores, dentre eles destacando-se o desinteresse e a desmotiva\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do mais, no que diz respeito aos processos de admiss\u00e3o na Ordem, h\u00e1 um rigoroso crit\u00e9rio de sele\u00e7\u00e3o onde os valores \u00e9ticos e morais s\u00e3o o que mais pesa e o que mais representa na escolha e aprova\u00e7\u00e3o de seus candidatos. \u00a0O fator qualidade \u00e9 outra determinante sempre seguida, que perdura h\u00e1 s\u00e9culos e que, em tempo algum, facilitou ou permitiu o incha\u00e7o dos templos ma\u00e7\u00f4nicos.<\/p>\n<p>Por outro lado, muitos entendem, e esta \u00e9 a grande maioria, que o dinamismo \u00e9 fator imprescind\u00edvel \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da ma\u00e7onaria. Entendem que, assim como ocorrem admiss\u00f5es, tamb\u00e9m devem ocorrer afastamentos. Por conseguinte, entendem que a ma\u00e7onaria foi, \u00e9 e sempre ser\u00e1 renova\u00e7\u00e3o. S\u00f3 n\u00e3o sabem, mas desejariam saber, se o que a ma\u00e7onaria faz no presente \u00e9 o ideal, o l\u00f3gico e para onde a sorte a levar\u00e1 no futuro.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma quest\u00e3o complexa, subjetiva, nem sempre f\u00e1cil de ser explicada, mas n\u00e3o t\u00e3o dif\u00edcil de ser entendida. Aos riscos, todos n\u00f3s estamos expostos em qualquer lugar e em qualquer momento, inclusive a ma\u00e7onaria. Mas a extin\u00e7\u00e3o n\u00e3o representa amea\u00e7a capaz de atingi-la. Ela \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o alicer\u00e7ada em bases s\u00f3lidas, com predicados de entidade essencialmente progressista e evolucionista, achando-se, portanto, fortemente preparada para sobreviver ante o desafio implac\u00e1vel de qualquer mudan\u00e7a. \u00c9 essa capacidade que faz da Ordem Ma\u00e7\u00f4nica um empreendimento renovado a cada dia. Tanto que, para afirmar-se em que consiste a sua finalidade nos dias atuais, necess\u00e1rio se torna, uma volta ao come\u00e7o da sua hist\u00f3ria e, a partir de ent\u00e3o, procurar desvendar seus mist\u00e9rios e descobrir que entre tantas afirmativas existem muitas diverg\u00eancias e pol\u00eamicas contradi\u00e7\u00f5es. \u00a0\u00c9 preciso conhecer bem a sua origem, as causas que motivaram o seu surgimento, sua evolu\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos tempos, para qu\u00ea ela existe, qual o espa\u00e7o que ainda lhe pertence e s\u00f3 depois poder-se afirmar o que ela significa, na atualidade, para o mundo profano e tamb\u00e9m para n\u00f3s, ma\u00e7ons.<\/p>\n<p>Quanto ao seu futuro, cabe \u00e0s circunst\u00e2ncias indicarem o rumo a ser seguido por ela, isto porque, invariavelmente, das pr\u00f3prias circunst\u00e2ncias \u00e9 que decorrer\u00e3o as a\u00e7\u00f5es ma\u00e7\u00f4nicas.<\/p>\n<p>No transcorrer do tempo, o progresso foi, indubitavelmente, o respons\u00e1vel pela evolu\u00e7\u00e3o e pelas transforma\u00e7\u00f5es que o Brasil e o mundo sofreram. Consequentemente, tudo quanto se referia \u00e0 conduta humana e ao seu relacionamento, acabou por compor o n\u00facleo das mudan\u00e7as que, com o passar dos anos, foram se tornando necess\u00e1rias e imprescind\u00edveis. Evolu\u00edram leis e costumes, ci\u00eancia e tecnologia, meios de comunica\u00e7\u00e3o, ind\u00fastria e com\u00e9rcio, \u00a0\u00a0\u00a0\u00a0sistemas pol\u00edticos, sistemas administrativos, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas em geral etc., nem mesmo a ma\u00e7onaria, com o seu conservadorismo, foi capaz de resistir sem se modificar.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s a supera\u00e7\u00e3o desse inevit\u00e1vel processo evolutivo a que teve de submeter n\u00e3o h\u00e1 quem discorde de que, hoje, a ma\u00e7onaria brasileira se apresente mais t\u00edmida, mais retra\u00edda em rela\u00e7\u00e3o \u00e0quela aguerrida e combativa institui\u00e7\u00e3o de outrora. Esta \u00e9 uma quest\u00e3o que pode ser esclarecida pelo fato de j\u00e1 nos encontrarmos no s\u00e9culo XXI, onde os desafios que a Ordem Ma\u00e7\u00f4nica tem pela frente n\u00e3o s\u00e3o iguais \u00e0queles com os quais ela se defrontava no passado. Os de agora s\u00e3o outros, diferentes, mais numerosos e mais complexos como, por exemplo, a falta de infraestrutura dos servi\u00e7os p\u00fablicos colocados \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, a desigualdade social, a viol\u00eancia urbana, o narcotr\u00e1fico, o tr\u00e1fico de armas etc. Tais desafios, por suas dimens\u00f5es e impetuosidade, t\u00eam sido causa do surgimento das mais variadas esp\u00e9cies de crime, mal que se alastra no seio da sociedade brasileira, com requinte de viol\u00eancia cada vez maior, desafiando a lei, a justi\u00e7a e os demais poderes constitu\u00eddos.<\/p>\n<p>Consciente das muta\u00e7\u00f5es politicossociais que o mundo passou a sofrer, a ma\u00e7onaria brasileira, por uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia, tamb\u00e9m teve que evoluir sendo levada a alterar suas formas de luta o que foi imprescind\u00edvel \u00e0 sua continuidade dentro do j\u00e1 referido processo evolutivo.\u00a0 Desta feita, num balan\u00e7o sucinto e comparativo entre o que construiu a ma\u00e7onaria no passado e o que faz ela atualmente, pode-se chegar pelo menos a uma conclus\u00e3o segura: a Arte Real, n\u00e3o s\u00f3 no Brasil, mas no mundo inteiro, mudou de t\u00e1tica e de estrat\u00e9gia de a\u00e7\u00e3o, por\u00e9m, suas id\u00e9ias e convic\u00e7\u00f5es permanecem como antes. Aqui, em nosso pa\u00eds, n\u00e3o se v\u00ea mais em suas fileiras tantos vultos como aqueles que dela fizeram parte no passado, mas continua sendo uma ordem atuante e laboriosa, respeitada e presente em quase todos os momentos da vida nacional. Contudo, em que pese a ma\u00e7onaria brasileira aparentar-se para alguns ma\u00e7ons uma entidade quase morta, para os otimistas que a admitem mais viva do que nunca, \u00e9 preciso que, em s\u00e3 consci\u00eancia, fa\u00e7am uma an\u00e1lise sobre o desempenho da Ordem para perceberem que nem tudo o que \u00e9 dever ma\u00e7\u00f4nico vem acontecendo como era de se esperar, de maneira t\u00e3o justa quanto perfeita, pois se assim fosse os sinais de alerta n\u00e3o disparariam como t\u00eam disparado. Disparam porque sensores detectam falhas nos mecanismos respons\u00e1veis pelo funcionamento da Ordem. Mecanismos que se comp\u00f5em de homens ma\u00e7ons. Homens que, pelo honroso lugar em que foram colocados, deveriam estar atuando como verdadeiros benfeitores da humanidade e n\u00e3o como causa da falha de funcionamento de uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o importante como \u00e9 a ma\u00e7onaria. Em seu seio muitos agem movidos pela vaidade e pela ostenta\u00e7\u00e3o de cargos. Muitos trabalham dedicadamente a bem da Ordem. Outros nada fazem, omitindo-se sem motivo justo, sacrificando os demais. Como \u00e9 sabido, a omiss\u00e3o, o comodismo e o des\u00e2nimo em que se coloca boa parcela dos ma\u00e7ons s\u00e3o, hoje, um mal de elevadas propor\u00e7\u00f5es no seio da ma\u00e7onaria, que a impede de progredir e de alcan\u00e7ar seus mais nobres objetivos.<\/p>\n<p>Apesar de tudo, \u00e0 vista dos incont\u00e1veis problemas sociais aqui reinantes, que nos envolvem a todo instante e que est\u00e3o a exigir das autoridades competentes, decis\u00f5es arrojadas, corajosas, capazes de solucionar crises, de remover dificuldades, de proporcionar o bem-estar social etc., \u00e9 de se acreditar que a ma\u00e7onaria ainda seja uma institui\u00e7\u00e3o influente sobre todas as camadas sociais, dotada de prest\u00edgio e respeito, o bastante para propiciar a si pr\u00f3pria a for\u00e7a necess\u00e1ria para ser ouvida e atendida. Por\u00e9m, n\u00e3o sabendo tirar proveito das condi\u00e7\u00f5es que lhe favorecem, a ordem ma\u00e7\u00f4nica tem demonstrado not\u00f3ria timidez nos momentos em que a sua interven\u00e7\u00e3o se torna medida necess\u00e1ria e indispens\u00e1vel. Vejamos alguns exemplos:<\/p>\n<p>No campo da sa\u00fade p\u00fablica, o sistema de atendimento \u00e9 algo indigno do ser humano. A imprensa n\u00e3o cessa de denunciar fatos lament\u00e1veis, que ocorrem quase todos os dias e que atingem s\u00f3 os mais pobres e necessitados, justamente quem n\u00e3o tem poder de a\u00e7\u00e3o para reagir e exigir o que lhe cabe por direito. \u00c8 um sistema desestruturado e falho. Muitas pessoas que a ele recorrem, por n\u00e3o terem alternativa, depois de muita humilha\u00e7\u00e3o e constrangimentos, acabam morrendo sem alcan\u00e7ar atendimento. Isto porque os recursos m\u00e9dicos s\u00e3o escassos, as condi\u00e7\u00f5es de trabalho muito prec\u00e1rias e a falta de medicamentos tornou-se uma situa\u00e7\u00e3o quase permanente. Cirurgias, mesmo as denominadas de emergentes, n\u00e3o s\u00e3o realizadas a tempo de salvar vidas. Para justificar o caos reinante na sa\u00fade p\u00fablica, que nunca foi tratada como causa priorit\u00e1ria, seus respons\u00e1veis alegam sempre a mesma coisa: falta de recursos or\u00e7ament\u00e1rios. H\u00e1 anos o povo v\u00ea a mesma cena se repetir. Mudam-se governantes, mudam-se autoridades p\u00fablicas e nada muda no referido sistema. N\u00e3o muda porque nessa hist\u00f3ria antiga h\u00e1 tamb\u00e9m um velho jogo de empurra que todos conhecem bem: A Uni\u00e3o afirma que faz a parte dela, os Estados culpam os Munic\u00edpios e estes culpam os Estados. Dessa forma, ignorando seus mal\u00e9ficos efeitos, a roleta segue girando sem nenhuma perspectiva de melhora, sem ningu\u00e9m fazer nada, sem ningu\u00e9m cobrar. O descaso e a falta de vontade pol\u00edtica d\u00e3o a entender que est\u00e3o se perpetuando, enquanto que, o direito \u00e0 sa\u00fade, como princ\u00edpio b\u00e1sico consagrado em nossa Constitui\u00e7\u00e3o Federal, continua sendo flagrantemente desrespeitado, apesar de sua clareza: \u201cA sa\u00fade \u00e9 direito de todos e dever do Estado.\u201d O acesso \u00e0s a\u00e7\u00f5es e servi\u00e7os a ela inerentes \u00e9 universal e igualit\u00e1rio. H\u00e1 anos n\u00f3s, ma\u00e7ons, assistimos a tudo isso e ficamos em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>No campo dos delitos, embora n\u00e3o t\u00e3o adequada para os dias atuais, temos uma legisla\u00e7\u00e3o penal e processual que define os crimes, estabelece as respectivas penas, tra\u00e7a regras processuais, determina as formas de julgamento e a aplica\u00e7\u00e3o da pena cab\u00edvel em cada caso. Por fim, temos ainda um outro instituto jur\u00eddico que \u00e9 a chamada Lei de Execu\u00e7\u00f5es Penais. Question\u00e1vel e discut\u00edvel porque quando da sua elabora\u00e7\u00e3o esqueceu-se de que, no campo do direito penal, quem erra contrai d\u00edvida com a sociedade. D\u00edvida que tem de ser paga de modo exemplar. No Brasil isso n\u00e3o ocorre por causa da lei acima referida, cuja institui\u00e7\u00e3o se deu tendo como finalidade primordial a redu\u00e7\u00e3o do tempo da pena aplicada ao condenado preso (desde que este cumpra certas exig\u00eancias nela contidas), de modo a garantir a sua volta \u00e0 liberdade o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Veja este exemplo: hoje, um condenado a doze anos de reclus\u00e3o, n\u00e3o ficar\u00e1 mais que dois anos na pris\u00e3o se for prim\u00e1rio e se o seu comportamento for avaliado como bom. Tanto benef\u00edcio assim torna a pena numa condena\u00e7\u00e3o ridicularizada e quase nula. Ela perde o seu car\u00e1ter punitivo e, consequentemente, perde tamb\u00e9m o poder coibitivo e intimidador que toda lei penal deve conter. N\u00e3o se sabe por que, ao serem estabelecidos tantos benef\u00edcios a favor do r\u00e9u preso, o legislador n\u00e3o tenha pensado em resguardar de igual modo os direitos da sociedade que \u00e9 quem paga impostos e d\u00e1 sustenta\u00e7\u00e3o a todo o aparato estatal. Ele, da mesma feita, n\u00e3o pensou em se colocar no lugar da v\u00edtima ou de seus familiares para poder avaliar melhor a intensidade da dor e dos danos irrepar\u00e1veis que lhes podem ser causados. Pensou-se apenas no quanto custa para o Estado um longo per\u00edodo de pris\u00e3o. Para resolver o problema das superlota\u00e7\u00f5es de modo pr\u00e1tico, imediato e barato, n\u00e3o se pensou na constru\u00e7\u00e3o de mais pres\u00eddios. Foi mais f\u00e1cil a op\u00e7\u00e3o pela diminui\u00e7\u00e3o do tempo da pena, at\u00e9 para os mais periculosos elementos, tendo-se como premissa as possibilidades de recupera\u00e7\u00e3o e de ressocializa\u00e7\u00e3o do condenado preso como se isso fosse algo poss\u00edvel de se atingir dentro de qualquer pres\u00eddio como os que temos aqui no Brasil. O resultado \u00e9 que, grande parte dos que s\u00e3o beneficiados por essa lei volta a delinq\u00fcir. Para a sociedade, para o cidad\u00e3o de bem, fica sempre a sensa\u00e7\u00e3o de impunidade, de medo e de inseguran\u00e7a. No Brasil h\u00e1 cerca de quinhentos mil condenados presos. Nos Estados Unidos h\u00e1 dois milh\u00f5es. Por que essa diferen\u00e7a t\u00e3o grande entre duas na\u00e7\u00f5es cujos \u00edndices populacionais s\u00e3o mais ou menos iguais? Ser\u00e1 que \u00e9 porque aqui ocorrem menos crimes? N\u00e3o! \u00c9 porque os sistemas penal e prisional de l\u00e1 s\u00e3o muito mais rigorosos. L\u00e1, quem erra age sabendo que n\u00e3o escapar\u00e1 das garras da justi\u00e7a, tanto assim que, muitos ap\u00f3s a pr\u00e1tica da a\u00e7\u00e3o delituosa, preferem o suic\u00eddio. Aqui, in\u00fameros crimes s\u00e3o cometidos porque a lei e a justi\u00e7a n\u00e3o intimidam ningu\u00e9m. L\u00e1, \u00e9 cobrada do condenado a efetiva repara\u00e7\u00e3o do dano causado, na medida justa, para n\u00e3o deixar que a sociedade sinta a horr\u00edvel sensa\u00e7\u00e3o de impunidade. L\u00e1 h\u00e1 mais pres\u00eddios e menos benef\u00edcios. Aqui, as regras para acabar com a impunidade exigem mudan\u00e7as, principalmente, na lei de execu\u00e7\u00f5es penais. O consenso \u00e9 geral a esse respeito, mas ningu\u00e9m faz nada, nem mesmo n\u00f3s, ma\u00e7ons, para que as necess\u00e1rias mudan\u00e7as ocorram.<\/p>\n<p>No campo dos tributos, nossa sociedade conta com um sistema arcaico, portanto, superado, demasiadamente oneroso e injusto o que, sem d\u00favida, s\u00e3o fatores que estimulam a pr\u00e1tica da sonega\u00e7\u00e3o e da corrup\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m do mais, as regras em vigor imp\u00f5em ao povo brasileiro uma das mais pesadas cargas tribut\u00e1rias do mundo.<\/p>\n<p>Devido aos m\u00faltiplos interesses econ\u00f4micos, financeiros e pol\u00edticos ligados a essa quest\u00e3o, as disputas s\u00e3o acirradas em torno dela. No Congresso Nacional, sempre que se fala em reforma tribut\u00e1ria, o clima se agita abrindo espa\u00e7o para discuss\u00f5es que n\u00e3o se esgotam e, sem consenso, a mat\u00e9ria n\u00e3o segue adiante, nem vai a vota\u00e7\u00e3o alguma. Em meio a esse conturbado jogo de interesses que parece ser sem solu\u00e7\u00e3o, est\u00e1 a sociedade querendo mudan\u00e7as, mas a necess\u00e1ria reforma tribut\u00e1ria n\u00e3o sai. N\u00f3s, ma\u00e7ons, temos consci\u00eancia de que um novo sistema tribut\u00e1rio precisa ser aprovado, mas em vez de a\u00e7\u00e3o preferimos ficar em sil\u00eancio.<\/p>\n<p>Por fim, o sistema de educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, aqui implantado, que vai do ensino fundamental ao superior. Em todo o territ\u00f3rio nacional, exceto no Distrito Federal, o sistema p\u00fablico de ensino fundamental (do 1\u00ba ao 9\u00ba ano) est\u00e1 a cargo dos munic\u00edpios, com os Estados, atualmente compartilhando essa responsabilidade do 6\u00ba ao 9\u00ba ano. Esse sistema, tanto na rede privada como na p\u00fablica, \u00e9 regido pela Lei de Diretrizes e Bases (LDB), um instrumento legal que surgiu tendo como motiva\u00e7\u00e3o alguns aspectos como a reforma do ensino, a erradica\u00e7\u00e3o do analfabetismo, a inclus\u00e3o social etc., mas que n\u00e3o correspondeu plenamente aos anseios da sociedade brasileira porque, na tentativa de alcan\u00e7ar seus objetivos, implantou regras cujos efeitos, na pr\u00e1tica, n\u00e3o est\u00e3o dando certo. Tanto que no \u201cranking\u201d mundial de qualidade de ensino p\u00fablico divulgado anualmente pelo organismo competente da ONU, o Brasil vem figurando, h\u00e1 alguns anos, entre as tr\u00eas piores na\u00e7\u00f5es em mat\u00e9ria de educa\u00e7\u00e3o, numa rela\u00e7\u00e3o de mais de cem pa\u00edses. Al\u00e9m do mais, veio tamb\u00e9m o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente que causou s\u00e9rio agravo \u00e0s escolas p\u00fablicas ao tirar delas a compet\u00eancia que lhes cabia para impor puni\u00e7\u00f5es a alunos indisciplinados. Com isso, a escola e o professor n\u00e3o contam mais com a autoridade e o indispens\u00e1vel respeito de que deveriam desfrutar para fazerem com que suas orienta\u00e7\u00f5es sejam cumpridas.<\/p>\n<p>Com a falta de autoridade dos educadores, com a aus\u00eancia de poder coercitivo para impor a fazer cumprir pelo menos regras disciplinares b\u00e1sicas, aumentaram nas escolas os atos de insubordina\u00e7\u00e3o, de desobedi\u00eancia, de desrespeito, de provoca\u00e7\u00f5es, de amea\u00e7as e outras esp\u00e9cies de comportamento at\u00e9 mais graves que s\u00e3o frequentemente noticiadas pela imprensa como, por exemplo, a venda e o consumo de drogas dentro do pr\u00f3prio estabelecimento escolar, agress\u00f5es f\u00edsicas de aluno contra aluno, de aluno contra professor, de aluno contra funcion\u00e1rio e, vez por outra, at\u00e9 homic\u00eddios, coisa que no passado ningu\u00e9m imaginava que um dia pudesse acontecer no interior das escolas.<\/p>\n<p>Uma das principais metas da LDB \u00e9 a erradica\u00e7\u00e3o do analfabetismo. Para alcan\u00e7ar esse objetivo, o atual sistema de ensino chega ao absurdo de orientar as escolas p\u00fablicas a promoverem a qualquer custo o maior n\u00famero poss\u00edvel de aprova\u00e7\u00f5es at\u00e9 mesmo daqueles alunos que n\u00e3o lograrem aproveitamento suficiente no final do ano letivo. E essa conduta faz com que a referida lei passe a ser o instrumento causador de um dano incalcul\u00e1vel ao futuro da crian\u00e7a que \u00e9 aprovada sem ter alcan\u00e7ado a aptid\u00e3o necess\u00e1ria, pois tira dela a oportunidade de se desenvolver intelectualmente e de competir pelo alcance de um \u201cstatus\u201d social mais elevado. Quando conclui o ciclo intermedi\u00e1rio, o estudante oriundo de escola p\u00fablica vai para a faculdade onde ingressa pelo sistema de cotas e depois de alguns anos, sai para o mercado de trabalho sem ter adquirido a capacita\u00e7\u00e3o ideal. Desta feita, a Lei de Diretrizes e Bases que foi institu\u00edda tendo como objetivo promover tamb\u00e9m a inclus\u00e3o social, o faz de modo errado gerando efeito contr\u00e1rio. Em um futuro n\u00e3o muito distante ser\u00e1 ela a respons\u00e1vel pela baixa qualidade profissional de muita gente. Ent\u00e3o, os riscos decorrentes de tudo isso, quem ir\u00e1 pagar ser\u00e1 a pr\u00f3pria sociedade se nada for mudado.<\/p>\n<p>Esses males t\u00eam ra\u00edzes profundas e n\u00e3o ser\u00e1 f\u00e1cil elimin\u00e1-los. Os ma\u00e7ons sabem disso e compreendem que \u00e9 utopia acreditar que tais injusti\u00e7as sociais possam acabar um dia como algo que se desfaz com um simples toque de m\u00e1gica. Contudo, n\u00e3o nos \u00e9 dado o direito de permanecermos calados. A ma\u00e7onaria precisa ser acordada para sair do sil\u00eancio e agir em defesa da sociedade, principalmente da camada mais pobre da popula\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 esta a maior usu\u00e1ria dos sistemas p\u00fablicos de sa\u00fade e de ensino, e trabalhar no sentido de fazer com que pelo menos esses quatro temas aqui abordados, sejam revistos e corrigidos em seus aspectos negativos. Para que as mudan\u00e7as se tornem realidade \u00e9 preciso coragem para come\u00e7ar e a\u00e7\u00e3o para concluir.<\/p>\n<p>Nestes longos s\u00e9culos j\u00e1 passados desde que o Brasil foi descoberto o mundo inteiro se transformou. E esse not\u00e1vel acontecimento nos trouxe uma qualidade de vida muito melhor. Gra\u00e7as \u00e0s mudan\u00e7as, a sociedade de hoje \u00e9 outra e a ma\u00e7onaria tamb\u00e9m. A Ordem Ma\u00e7\u00f4nica est\u00e1 muito diferente do que foi no passado e isto se verificou em decorr\u00eancia de uma transi\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o bem esclarecida ou, n\u00e3o t\u00e3o compreendida, o que faz com que alguns ma\u00e7ons a vejam como uma institui\u00e7\u00e3o em decad\u00eancia. Na verdade, ela n\u00e3o decaiu. O que lhe ocorreu foi a imposi\u00e7\u00e3o natural de uma necessidade absoluta de mudan\u00e7a. A ma\u00e7onaria teve que se modificar para n\u00e3o morrer. Mudou suas estrat\u00e9gias de a\u00e7\u00e3o sem alterar seus princ\u00edpios basilares e a sua doutrina. Foi s\u00e1bia ao decidir pelas mudan\u00e7as em seu comportamento, o que n\u00e3o a inviabilizou de continuar, de modo honroso, na \u00e1rdua miss\u00e3o que escolheu, de lutar sempre pela liberdade, pela igualdade e pela fraternidade entre os homens espalhados por toda a superf\u00edcie da terra. Com sua nova roupagem ela seguiu atraindo adeptos de variadas cren\u00e7as religiosas. Deixou de colecionar inimigos, de ser perseguida, de ser obrigada a fechar suas portas e de ter que renascer das pr\u00f3prias cinzas como conta a sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>At\u00e9 bem pouco tempo, isto nos mostram os relatos escritos, a ma\u00e7onaria era vista e considerada por quem n\u00e3o fazia parte dela, nem pertencia \u00e0 fam\u00edlia ma\u00e7\u00f4nica, como uma institui\u00e7\u00e3o pactuada com o dem\u00f4nio, que usava seus Templos para a pr\u00e1tica do mal atrav\u00e9s da realiza\u00e7\u00e3o de sess\u00f5es de magia negra. Em raz\u00e3o dessa falsa imagem a Ordem Ma\u00e7\u00f4nica chegou a ser fortemente discriminada, principalmente, nos meios religiosos, mas hoje, o que se nota \u00e9 que ela passou a ser compreendida e aceita da forma como realmente \u00e9, uma institui\u00e7\u00e3o cuja finalidade n\u00e3o se encerra apenas na pr\u00e1tica desinteressada do bem, mas em outros diversos princ\u00edpios que nos permitem tirar dela v\u00e1rias defini\u00e7\u00f5es. Assim, por exemplo, todos os seus iniciados sabem que a ma\u00e7onaria \u00e9, sem d\u00favida, uma atuante escola de aperfei\u00e7oamento moral, intelectual e espiritual do homem ma\u00e7om, que lhe oferece a oportunidade de aprender a ser mais afetivo, mais humano, mais justo e a ser tamb\u00e9m capaz de domar seus pr\u00f3prios sentimentos e emo\u00e7\u00f5es. \u00c9 ainda ess\u00eancia da sua raz\u00e3o de ser o preparo dos seus membros mediante a transmiss\u00e3o de ensinamentos ligados \u00e0s suas ideias, aspira\u00e7\u00f5es e convic\u00e7\u00f5es, conforme recomendam seus seculares postulados e a sua doutrina universal.<\/p>\n<p>A ma\u00e7onaria brasileira vem se autoafirmando sobre dois pilares importantes: a fidelidade de seus iniciados e a experi\u00eancia adquirida ao longo de sua exist\u00eancia, enquanto que, o seu presente e o seu futuro est\u00e3o a depender da intelig\u00eancia e da capacidade daqueles que a dirigem no presente momento e dos que, futuramente, vierem a dirigi-la. A ma\u00e7onaria, por se encontrar dentro de cada ma\u00e7om, tudo aquilo que por qualquer deles for realizado, onde quer que o fato se verifique, n\u00e3o deixar\u00e1 de ser sua pr\u00f3pria obra, pois ela, na pr\u00e1tica, \u00e9 o seu obreiro. Foi esta a conclus\u00e3o a que chegou um an\u00f4nimo, mas atuante e s\u00e1bio Mestre Ma\u00e7om, j\u00e1 falecido, ao afirmar: \u201cS\u00f3 pude perceber que eu era realmente ma\u00e7om, anos depois de ter sido iniciado, quando a ma\u00e7onaria ocupou definitivamente seu espa\u00e7o em minha mente e em meu cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p align=\"center\">* Anestor Porf\u00edrio da Silva<\/p>\n<p align=\"center\">M.I. e membro ativo da ARLM Adelino Ferreira Machado<\/p>\n<p align=\"center\">Membro do Ilustre Conselho do GOB\/GO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anestor Porf\u00edrio da Silva* A ma\u00e7onaria brasileira conta, atualmente, com uma abundante e valiosa literatura, que \u00e9 respons\u00e1vel pelo armazenamento de grande parte de sua longa hist\u00f3ria. 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