{"id":73869,"date":"2013-10-17T15:19:38","date_gmt":"2013-10-17T18:19:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=73869"},"modified":"2013-10-17T15:19:38","modified_gmt":"2013-10-17T18:19:38","slug":"consumo-de-pescado-no-brasil-aumenta-237-em-dois-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/10\/17\/consumo-de-pescado-no-brasil-aumenta-237-em-dois-anos\/","title":{"rendered":"Consumo de pescado no Brasil aumenta 23,7% em dois anos"},"content":{"rendered":"<p>\nOs brasileiros hoje consomem muito mais pescado do que antigamente, para surpresa at\u00e9 de especialistas das \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o e abastecimento.<br \/>\nSegundo dados do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura (MPA), a m\u00e9dia por habitante ano no Pa\u00eds alcan\u00e7ou 11,17 quilos em 2011, nada menos do que 14,5% a mais do que em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. J\u00e1 entre 2009 e 2010 o ritmo de crescimento da demanda foi de 7,9%. Em dois anos (2010 e 2011) o crescimento da demanda por peixes e frutos do mar aumentou em m\u00e9dia 23,7%.   Assim, pode-se acreditar, com alguma margem de seguran\u00e7a (as importa\u00e7\u00f5es continuaram aquecidas), que atualmente os brasileiros j\u00e1 devem consumir pescado na m\u00e9dia m\u00ednima recomendada pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), de 12 quilos por habitante\/ano.<br \/>\nEste fen\u00f4meno de aumento acentuado de consumo de pescado, que se repete em outras partes do mundo, pode ser explicado no Pa\u00eds por alguns fatores, segundo Eloy de Sousa Ara\u00fajo, Secret\u00e1rio de Infraestrutura e Fomento do Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura (MPA). \u201cNos \u00faltimos anos a condi\u00e7\u00e3o de vida dos brasileiros melhorou, a moeda nacional, o real, readquiriu o poder de compra e a popula\u00e7\u00e3o procura alimentos mais saud\u00e1veis para consumo, sendo o pescado uma excelente op\u00e7\u00e3o\u201d, avalia.<br \/>\nO crescimento no consumo foi confirmado com a divulga\u00e7\u00e3o do Boletim Estat\u00edstico do MPA sobre a produ\u00e7\u00e3o brasileira de pescado em 2011, o mais recente dispon\u00edvel. O boletim permitiu relacionar a produ\u00e7\u00e3o nacional com as importa\u00e7\u00f5es e exporta\u00e7\u00f5es de pescado neste ano de refer\u00eancia, bem como avaliar em perspectiva os anos anteriores e as tend\u00eancias de mercado.<\/p>\n<p><strong>Novo patamar<\/strong><\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 uma d\u00e9cada os supermercados n\u00e3o contavam com espa\u00e7o para a exposi\u00e7\u00e3o de peixes congelados e principalmente frescos, que era no imagin\u00e1rio popular caracter\u00edstica de local sujo; os supermercados desmistificaram isso e hoje encontramos o tambaqui, a pescada amarela, o pargo e a cioba apenas pra citar alguns\u201d, recorda o secret\u00e1rio Eloy Ara\u00fajo. Com o tempo, os jovens descobriram os sashimis da culin\u00e1ria oriental e os restaurantes de comida a quilo nas cidades passaram a oferecer pescado aos seus clientes. Tamb\u00e9m a ind\u00fastria inovou com produtos de preparo mais f\u00e1cil, de cortes prontos e as pizzas de sabor atum.<br \/>\nA demanda aquecida motivou a ind\u00fastria do pescado, sobretudo da aquicultura (cultivo de pescado), que \u00e9 a modalidade com mais espa\u00e7o para crescer a produ\u00e7\u00e3o. Ainda em 2011, a cria\u00e7\u00e3o de pescado em cativeiro no Brasil atingiu 628,7 mil toneladas, o que representou um crescimento de 31,1% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior. Entretanto, este grande empenho ainda foi insuficiente para atender a demanda. Naquele ano, a produ\u00e7\u00e3o brasileira de pescado alcan\u00e7ou 1,43 milh\u00e3o de toneladas, das quais uma pequena parte, 42.263 toneladas, foi destinada \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o. E o Pa\u00eds ainda precisou importar 37% do pescado consumido.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos peixes nacionais \u2013 o Pa\u00eds tem uma das maiores biodiversidades em pescado do planeta, como se pode observar em mercados populares e supermercados &#8211; , os brasileiros tradicionalmente apreciam peixes de \u00e1guas frias, como o bacalhau (Cod Fish do mar do Norte), da Noruega, e o salm\u00e3o, proveniente especialmente do Chile, mas tamb\u00e9m da Argentina e da China. Tamb\u00e9m peixes mais baratos da \u00c1sia come\u00e7aram a chegar \u00e0 mesa dos brasileiros. O fato \u00e9 que, em 2011, as importa\u00e7\u00f5es apresentaram um d\u00e9ficit da ordem de US$ 1 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Perspectivas<\/strong><\/p>\n<p>Nos \u00faltimos anos, o Brasil, com o Minist\u00e9rio da Pesca e Aquicultura, passou a se estruturar para se tornar um grande produtor de pescado, assim como j\u00e1 tem lideran\u00e7a em outros tipos de carne, como bovina, su\u00edna e de frango. O Pa\u00eds, afinal, \u00e9 o que possui mais \u00e1gua doce no mundo (13%) e um extenso litoral. No final de 2012, o Governo Federal lan\u00e7ou o Plano Safra da Pesca e Aquicultura, que oferta R$ 4,1 bilh\u00e3o em cr\u00e9dito para o setor. Tamb\u00e9m o MPA criou uma rede de laborat\u00f3rios oficiais para certificar a qualidade do pescado para exporta\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o e consumo interno. Este ano, um edital p\u00fablico do MPA incluiu 27% dos munic\u00edpios brasileiros em um programa para estimular a piscicultura em propriedades rurais. O Governo Federal tamb\u00e9m passou a imprimir maior velocidade no lan\u00e7amento de editais para a produ\u00e7\u00e3o de pescado em grandes reservat\u00f3rios \u2013 no Pa\u00eds existem quase 200 &#8211;  e no litoral. Apenas em junho e setembro deste ano a Secretaria de Planejamento e Ordenamento da Aquicultura do MPA destinou mais de 700 hectares de \u00e1reas sob dom\u00ednio da Uni\u00e3o para a produ\u00e7\u00e3o de aproximadamente 200 mil toneladas de pescado por ano, entre peixes, ostras e mexilh\u00f5es. As \u00e1reas est\u00e3o localizadas em reservat\u00f3rios de usinas hidrel\u00e9tricas e ambientes marinhos nos estados de S\u00e3o Paulo, Tocantins, Pernambuco, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bahia, Paran\u00e1 e Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>Outra medida estruturante fundamental est\u00e1 sendo a simplifica\u00e7\u00e3o do licenciamento ambiental de projetos em \u00e1guas da Uni\u00e3o, que recebeu recentemente o apoio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA). O Conselho conta com a participa\u00e7\u00e3o dos \u00f3rg\u00e3os federais, estaduais e municipais, setor empresarial e sociedade civil.<\/p>\n<p>O peixe \u00e9 a prote\u00edna animal mais consumida no mercado internacional, e a que encontra mais espa\u00e7o para crescer. Al\u00e9m de oferecer um mundo de sabores \u2013 cada esp\u00e9cie, afinal, tem o seu diferencial na culin\u00e1ria -, o pescado \u00e9 leve e saud\u00e1vel. Em m\u00e9dia, cada habitante do planeta consome 18,8 quilos de pescado por ano, de acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Alimenta\u00e7\u00e3o e Agricultura (FAO). Em 2011, a produ\u00e7\u00e3o mundial atingiu 154 milh\u00f5es de toneladas, das quais 131 milh\u00f5es foram destinadas a consumo humano. Como a pesca de captura n\u00e3o pode aumentar muito o chamado \u201cesfor\u00e7o de pesca\u201d, para n\u00e3o comprometer os estoques pesqueiros, a atividade aqu\u00edcola (cultivo de pescado) est\u00e1 encontrando um gigantesco espa\u00e7o para crescer e atender a demanda atual e futura. Neste contexto, o Brasil, por suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e matriz energ\u00e9tica, tem perfil para se tornar um importante produtor de pescado. A cadeia produtiva do setor envolve produ\u00e7\u00e3o de alevinos (filhotes de peixe), ra\u00e7\u00e3o, equipamentos, plantas de beneficiamento, conserva\u00e7\u00e3o, transporte e comercializa\u00e7\u00e3o. Tudo capaz de gerar milhares de empregos. No momento, as principais esp\u00e9cies cultivadas no Pa\u00eds s\u00e3o til\u00e1pia e tambaqui, mas outras podem conquistar um lugar de destaque, como o pirarucu da Amaz\u00f4nia, que encanta a brasileiros e estrangeiros.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os brasileiros hoje consomem muito mais pescado do que antigamente, para surpresa at\u00e9 de especialistas das \u00e1reas de alimenta\u00e7\u00e3o e abastecimento. 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