{"id":74672,"date":"2013-11-03T19:44:40","date_gmt":"2013-11-03T22:44:40","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=74672"},"modified":"2013-11-03T19:44:40","modified_gmt":"2013-11-03T22:44:40","slug":"discurso-do-engo-fernando-alcoforado-ao-receber-o-titulo-de-socio-benemerito-da-aepet-ba-na-escola-politecnica-da-ufba-em-31102013","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2013\/11\/03\/discurso-do-engo-fernando-alcoforado-ao-receber-o-titulo-de-socio-benemerito-da-aepet-ba-na-escola-politecnica-da-ufba-em-31102013\/","title":{"rendered":"DISCURSO DO ENGo. FERNANDO ALCOFORADO AO RECEBER O T\u00cdTULO DE S\u00d3CIO BENEM\u00c9RITO DA AEPET-BA NA ESCOLA POLIT\u00c9CNICA DA UFBA EM 31\/10\/2013"},"content":{"rendered":"<p><div id=\"attachment_74674\" style=\"width: 562px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-placa-engenheiros-petrobras.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-74674\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-74674\" alt=\"Placa_Fernando Alcoforado.\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-placa-engenheiros-petrobras.jpg\" width=\"552\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-placa-engenheiros-petrobras.jpg 552w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-placa-engenheiros-petrobras-300x239.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 552px) 100vw, 552px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-74674\" class=\"wp-caption-text\">Placa_Fernando Alcoforado.<\/p><\/div><br \/>\n<div id=\"attachment_74673\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-grande_300.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-74673\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-74673\" alt=\"FERNANDO ALCOFORADO.\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-grande_300.jpg\" width=\"300\" height=\"400\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-grande_300.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/fernando-alcoforado-grande_300-225x300.jpg 225w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-74673\" class=\"wp-caption-text\"><strong>FERNANDO ALCOFORADO.<\/strong><\/p><\/div><br \/>\nHonra-me bastante estar neste momento recebendo o t\u00edtulo de s\u00f3cio benem\u00e9rito da AEPET-BA pelo fato de esta homenagem partir de uma institui\u00e7\u00e3o que desde sua funda\u00e7\u00e3o h\u00e1 52 anos vem se destacando na defesa da Petrobr\u00e1s, maior patrim\u00f4nio econ\u00f4mico da na\u00e7\u00e3o brasileira, do monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e do pr\u00f3prio Brasil. Honra-me tamb\u00e9m de receber este t\u00edtulo da AEPET pelo fato de ser uma institui\u00e7\u00e3o de engenheiros, principais art\u00edfices do desenvolvimento da ind\u00fastria de petr\u00f3leo e g\u00e1s do Brasil e da transforma\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s em uma das maiores empresas petrol\u00edferas do mundo. Mesmo reconhecendo a import\u00e2ncia de todos os trabalhadores da Petrobr\u00e1s n\u00e3o se pode deixar de destacar o papel desempenhado pelos seus profissionais de engenharia (engenheiros e ge\u00f3logos) no avan\u00e7o da pesquisa, da explora\u00e7\u00e3o, da produ\u00e7\u00e3o, do refino e da distribui\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil. A Petrobr\u00e1s atingiu a dimens\u00e3o atual gra\u00e7as, n\u00e3o apenas ao empenho dos trabalhadores da Petrobr\u00e1s em geral, mas, sobretudo, pela compet\u00eancia e dedica\u00e7\u00e3o de seus profissionais de engenharia.<\/p>\n<p>Desde sua funda\u00e7\u00e3o h\u00e1 52 anos, a AEPET se engajou em in\u00fameras batalhas em defesa da Petrobr\u00e1s, do monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e do Brasil. A primeira grande batalha assumida pela AEPET diz respeito \u00e0 luta contra os contratos de risco impostos pelo governo Geisel em 1974 que foram a primeira tentativa voltada para a quebra do monop\u00f3lio estatal de petr\u00f3leo no Brasil. O monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo que era exercido pela Petrobr\u00e1s sofreu o primeiro golpe na d\u00e9cada de 1970 ap\u00f3s as duas crises dos pre\u00e7os altos do petr\u00f3leo no mercado mundial aliadas \u00e0 terr\u00edvel sangria de divisas pelo Brasil com o grande volume do petr\u00f3leo importado. Em fun\u00e7\u00e3o dessas crises, o governo Ernesto Geisel abriu o territ\u00f3rio brasileiro para a explora\u00e7\u00e3o privada e estrangeira do petr\u00f3leo autorizando e orientando a Petrobras a estabelecer contratos de risco com empresas de todo o mundo.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Durante dez anos, foram institu\u00eddos mais de 240 contratos de risco em terra e no mar sendo oferecida \u00e0s multinacionais e \u00e0s empresas nacionais mais de 80% das bacias sedimentares brasileiras, \u00e0 exce\u00e7\u00e3o da Bacia de Campos. O resultado dos contratos de risco foi p\u00edfio porque quem efetivamente avan\u00e7ou no incremento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil foi a Petrobr\u00e1s que passou ao primeiro lugar do mundo em tecnologia para produzir \u00f3leo em \u00e1guas profundas da \u00e9poca projetando e iniciando a escalada de descobertas e produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo da Bacia de Campos e, mais tarde, na camada pr\u00e9-sal. A segunda grande batalha assumida pela AEPET diz respeito \u00e0 luta pela inser\u00e7\u00e3o no texto da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 do monop\u00f3lio estatal de petr\u00f3leo. A AEPET foi uma grande batalhadora pela inser\u00e7\u00e3o do artigo 177 na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 atrav\u00e9s do qual seria assegurado o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e n\u00e3o seriam mais permitidos contratos de risco.<\/p>\n<p>A terceira grande batalha assumida pela AEPET diz respeito \u00e0 luta contra a tentativa de privatiza\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s durante o governo FHC no auge da introdu\u00e7\u00e3o do modelo neoliberal no Brasil e, mais tarde, contra a Lei 9478\/97 que representou nova tentativa de quebra do monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo com a ado\u00e7\u00e3o de um processo de forma\u00e7\u00e3o de parcerias da Petrobr\u00e1s com empresas interessadas em participar do processo de abertura do setor petr\u00f3leo. Esta batalha continua ainda no momento atual porque os governos Lula e Dilma Roussef deram continuidade \u00e0 pol\u00edtica neoliberal e antinacional do governo FHC de quebra do monop\u00f3lio estatal de petr\u00f3leo. A redu\u00e7\u00e3o significativa da \u00e1rea de atividade explorat\u00f3ria da Petrobras seria compensada com a entrada de novas empresas privadas, nacionais e estrangeiras, mediante processos licitat\u00f3rios que a Agencia Nacional de Petr\u00f3leo (ANP), \u00f3rg\u00e3o regulador criado pela nova lei, promoveria a partir de 1998.<\/p>\n<p>Com o leil\u00e3o de 21 de outubro pr\u00f3ximo passado do campo de Libra da camada pr\u00e9-sal, que \u00e9 a \u00e1rea com maior potencial petrol\u00edfero de produ\u00e7\u00e3o no mundo, consumou-se mais um crime contra a Petrobr\u00e1s e de lesa p\u00e1tria contra o Brasil. No artigo\u00a0<i>Leiloar o maior campo j\u00e1 descoberto do mundo \u00e9 inaceit\u00e1vel<\/i>, publicado no Le Monde Diplomatique de 09\/10\/2013, Fernando Siqueira, vice presidente da AEPET- Associa\u00e7\u00e3o dos Engenheiros da Petrobr\u00e1s, afirmou que \u201cenquanto no resto do mundo os pa\u00edses exportadores de petr\u00f3leo ficam com 80% do \u00f3leo-lucro &#8211; uma m\u00e9dia de 72% do \u00f3leo produzido -, o governo brasileiro fixou para o leil\u00e3o de Libra o pagamento m\u00ednimo de 41,65% \u00e0 Uni\u00e3o. Em um campo sem riscos, de \u00f3leo de excelente qualidade, n\u00e3o seria razo\u00e1vel menos de 80%\u201d. Neste artigo, Fernando Siqueira afirma que \u201ccom as b\u00ean\u00e7\u00e3os do governo e do Poder Legislativo, um crime contra a soberania nacional est\u00e1 em andamento e j\u00e1 tem data marcada. O campo de Libra, situado na prov\u00edncia brasileira do pr\u00e9-sal, na Bacia de Santos, que \u00e9 a maior descoberta de petr\u00f3leo convencional do s\u00e9culo XXI, ir\u00e1 a leil\u00e3o no dia 21 de outubro, na primeira rodada de licita\u00e7\u00f5es da camada do pr\u00e9-sal\u201d.<\/p>\n<p>O argumento apresentado pelos defensores dos contratos de risco durante o governo Geisel e da quebra do monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo durante os governos FHC, Lula e Dilma Roussef \u00e9 o de que a Petrobr\u00e1s nem o governo brasileiro disporiam de recursos suficientes para investir no aumento da produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo no Brasil. Trata-se, entretanto, de grande fal\u00e1cia esta afirmativa. No momento atual, a Petrobr\u00e1s n\u00e3o disp\u00f5e dos recursos para investimento na produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo porque o governo federal, no seu esfor\u00e7o de combater a infla\u00e7\u00e3o que est\u00e1 de volta no Brasil, impede que a Petrobr\u00e1s gere recursos para investimentos criando empecilhos \u00e0 ado\u00e7\u00e3o de uma pol\u00edtica racional de pre\u00e7os de derivados de petr\u00f3leo no Pa\u00eds. Por outro lado, o governo federal n\u00e3o disp\u00f5e de recursos para investimento para fazer frente \u00e0s necessidades mais elementares do povo brasileiro, nem muito menos para financiar a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo do pr\u00e9-sal porque quase metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o \u00e9 destinado ao pagamento do servi\u00e7o da d\u00edvida p\u00fablica interna (juros + amortiza\u00e7\u00e3o) cujo principal benefici\u00e1rio \u00e9 o sistema financeiro nacional e internacional.<\/p>\n<p>Toda esta situa\u00e7\u00e3o coloca na ordem do dia a necessidade de as for\u00e7as vivas da na\u00e7\u00e3o, inclusive a AEPET, de empreender a luta contra a pol\u00edtica em curso de enfraquecimento da Petrobr\u00e1s e contra a pol\u00edtica econ\u00f4mica neoliberal e antinacional do governo federal. A batalha contra o desmantelamento da Petrobr\u00e1s imp\u00f5e a necessidade de luta pela revoga\u00e7\u00e3o da Lei 9478\/97 que atenta contra a Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 que prev\u00ea o monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo no Brasil. Esta necessidade \u00e9 absolutamente imperiosa, sobretudo ap\u00f3s a descoberta pela Petrobr\u00e1s das imensas reservas de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal brasileira. Esta luta deve ser complementada com a compra pelo governo brasileiro de parte das a\u00e7\u00f5es da empresa em m\u00e3os de estrangeiros (52%) negociadas nas bolsas de valores do exterior e do Brasil a fim de que a Petrobr\u00e1s seja de propriedade exclusiva do governo brasileiro e de seus cidad\u00e3os.<\/p>\n<p>A principal batalha a ser empreendida pela AEPET e pelas for\u00e7as vivas da na\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 mudan\u00e7a da pol\u00edtica econ\u00f4mica atual do governo federal de subordina\u00e7\u00e3o ao sistema financeiro nacional e internacional. \u00c9 inadmiss\u00edvel que o governo brasileiro destine 43,98% do Or\u00e7amento da Rep\u00fablica de 2013 para o pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica interna quando existe a necessidade imperiosa de recursos p\u00fablicos da ordem de 2 trilh\u00f5es de reais para investir na precar\u00edssima infraestrutura econ\u00f4mica (energia, transporte e comunica\u00e7\u00f5es) e social (educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, saneamento b\u00e1sico e habita\u00e7\u00e3o). O lament\u00e1vel \u00e9 que o governo federal destine 43,98 % do or\u00e7amento para o pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es da d\u00edvida p\u00fablica (R$ 985 bilh\u00f5es) superando amplamente os recursos destinados \u00e0 educa\u00e7\u00e3o (3,34%), sa\u00fade (4,17%), defesa nacional (1,72%) e seguran\u00e7a p\u00fablica (0,19%), entre outros itens. Os estados e munic\u00edpios, quase todos falidos, recebem de transfer\u00eancia da Uni\u00e3o (governo federal) apenas 10,21%.<\/p>\n<p>Em outras palavras, a parte do le\u00e3o no or\u00e7amento da Rep\u00fablica \u00e9 destinada ao pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica interna. Esta \u00e9 raz\u00e3o pela qual o governo brasileiro em todos os seus n\u00edveis (federal, estadual e municipal) n\u00e3o disp\u00f5e de recursos para suprir suas necessidades mais elementares. O fato de que quase metade do or\u00e7amento da Uni\u00e3o ser destinado ao pagamento de juros e amortiza\u00e7\u00f5es das d\u00edvidas interna e externa com tend\u00eancia de crescer nos pr\u00f3ximos anos resultar\u00e1 na incapacidade cada vez maior do governo brasileiro em todos os seus n\u00edveis (federal, estadual e municipal) de investir na solu\u00e7\u00e3o dos problemas de infraestrutura econ\u00f4mica e social e de promover o desenvolvimento do Pa\u00eds. Esta situa\u00e7\u00e3o far\u00e1 com que o governo brasileiro seja obrigado a atrair capitais externos aumentando ainda mais sua depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao exterior. Em outras palavras, al\u00e9m de ter como consequ\u00eancia a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira com a ado\u00e7\u00e3o desta medida, afetar\u00e1 profundamente o desenvolvimento do Brasil que n\u00e3o contar\u00e1 com os recursos necess\u00e1rios a seu crescimento econ\u00f4mico e \u00e0 supera\u00e7\u00e3o de suas profundas desigualdades sociais e regionais.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o houver uma revers\u00e3o deste quadro, ser\u00e1 acentuado o desequil\u00edbrio entre a demanda e a disponibilidade de recursos para atender as necessidades do Pa\u00eds em infraestrutura econ\u00f4mica e social em detrimento da popula\u00e7\u00e3o e do setor produtivo nacional, inclusive os investimentos da Petrobr\u00e1s. Para o governo brasileiro dispor de recursos para investimento em infraestrutura econ\u00f4mica tem de adotar necessariamente a pol\u00edtica de alongar o prazo de pagamento dos juros e da amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica renegociando com seus credores, isto \u00e9, com os bancos nacionais e estrangeiros (credores de 55% da d\u00edvida p\u00fablica), fundos de investimento (credores de 21% da d\u00edvida p\u00fablica), fundos de pens\u00e3o (credores de 16% da d\u00edvida p\u00fablica) e empresas n\u00e3o financeiras (credores de 8% da d\u00edvida p\u00fablica).<\/p>\n<p>Al\u00e9m de dispor de recursos para investimento na precar\u00edssima infraestrutura econ\u00f4mica e social do Brasil, a pol\u00edtica de alongar o prazo de pagamento dos juros e da amortiza\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica renegociando com seus credores teria tamb\u00e9m por objetivo reverter a tend\u00eancia de explos\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica interna do Brasil que alcan\u00e7ou R$ 62 bilh\u00f5es durante o governo FHC, R$ 687 bilh\u00f5es durante o governo Lula e deve alcan\u00e7ar R$ 2,24 trilh\u00f5es em 2013 no governo Dilma Roussef. Mantida esta tend\u00eancia, ser\u00e3o cada vez menores os recursos dispon\u00edveis pelo governo (federal, estaduais e municipais) para investir na infraestrutura econ\u00f4mica e social. Os principais fatores respons\u00e1veis pela eleva\u00e7\u00e3o da d\u00edvida p\u00fablica interna do Brasil t\u00eam sido as altas taxas de juros Selic adotadas pelo Banco Central do governo federal, a quinta maior em toda a economia mundial, e o d\u00e9ficit p\u00fablico resultante do excessivo gasto de custeio do setor p\u00fablico no Brasil. \u00c9 imperiosa a redu\u00e7\u00e3o da taxa Selic e do d\u00e9ficit p\u00fablico para que o governo brasileiro passe a dispor de recursos para investimento.<\/p>\n<p>Outra grande batalha a ser empreendida pela AEPET e pelas for\u00e7as vivas da na\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 luta contra o sucateamento da Engenharia brasileira porque sem a exist\u00eancia de engenheiros em quantidade e bem qualificados, o setor produtivo nacional ser\u00e1 grandemente afetado, inclusive o setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s. A Engenharia brasileira est\u00e1 sendo sucateada devido a tr\u00eas fatores: o primeiro deles diz respeito \u00e0 precariedade do sistema de ensino no Brasil que impacta fortemente e negativamente na forma\u00e7\u00e3o do engenheiro pela Universidade brasileira; o segundo concerne \u00e0 insufici\u00eancia de engenheiros para atender a demanda nacional; e, o terceiro resulta da execu\u00e7\u00e3o de obras de baixa qualidade contratadas pelo governo por conta de projetos mal elaborados e falta de planejamento.<\/p>\n<p>Um fato impressionante \u00e9 que a cada 150 mil estudantes que ingressam no curso de engenharia em nosso pa\u00eds, apenas 48 mil se formam, ou seja, somente 32% do total. Esta situa\u00e7\u00e3o resulta da p\u00e9ssima qualidade do ensino m\u00e9dio, sobretudo em matem\u00e1tica e ci\u00eancias porquanto os alunos n\u00e3o t\u00eam capacidade de acompanhar os cursos. Uma das causas da insufici\u00eancia de engenheiros no Brasil resulta, entre outros fatores, da desist\u00eancia ou evas\u00e3o dos alunos durante o curso que \u00e9 muito grande chegando a 60%. A evas\u00e3o acontece no primeiro e no segundo ano principalmente devido, sobretudo \u00e0 forma\u00e7\u00e3o deficiente em matem\u00e1tica e f\u00edsica do estudante no ensino m\u00e9dio que, em muitos casos, tem dificuldade para acompanhar o curso. \u00c9 preciso atentar para o fato de que esta situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 est\u00e1 levando \u00e0 invas\u00e3o de profissionais e empresas de engenharia do exterior no mercado brasileiro contribuindo ainda mais para a desnacionaliza\u00e7\u00e3o da economia brasileira.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do n\u00famero de engenheiros no Brasil ser insuficiente devido \u00e0 evas\u00e3o dos alunos, outra causa da car\u00eancia de engenheiros reside no fato de muitos deles n\u00e3o trabalharem na profiss\u00e3o. Segundo o Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (IPEA), em 2008, para cada dois graduados em engenharia trabalhando com carteira assinada em ocupa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas de sua forma\u00e7\u00e3o, h\u00e1 outros cinco em uma das seguintes situa\u00e7\u00f5es: exercendo outras ocupa\u00e7\u00f5es, desempregados, exercendo atividades como profissionais n\u00e3o assalariados, trabalhando em outros pa\u00edses ou simplesmente fora do mercado de trabalho. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), existem 750 mil engenheiros no pa\u00eds. De acordo com estudo do Conselho Nacional da Ind\u00fastria (CNI), para dar conta da demanda por engenheiros, seria necess\u00e1rio formar 60 mil engenheiros por ano no Brasil. Mas o que acontece no Brasil \u00e9 que apenas 48 mil obt\u00eam este diploma a cada ano. Enquanto isto o n\u00famero de diplomados anualmente na China (400 mil\/ano), \u00cdndia (250 mil\/ano), R\u00fassia (100 mil\/ano) e Cor\u00e9ia do Sul (80 mil\/ano) supera amplamente o do Brasil (48 mil\/ano).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Al\u00e9m da car\u00eancia de engenheiros, o Brasil forma mais de 77% de engenheiros em apenas quatro especialidades: t\u00e9cnico industrial (339.822, ou 33,87% do total), engenheiro civil (201.290, 20,06%), engenheiro eletricista (122.066, 12,16%) e engenheiro mec\u00e2nico e metalurgia (109.788, 10,94%). Com a concentra\u00e7\u00e3o em poucas especialidades, o mercado fica ainda mais carente em outros nichos. O IPEA diagnosticou que o Brasil precisa, especialmente, de engenheiros de minas, de petr\u00f3leo e g\u00e1s, navais e de computa\u00e7\u00e3o. O IPEA estima que em 2015, caso o crescimento do PIB fique em 5% ao ano, ser\u00e3o necess\u00e1rios 1,155 milh\u00f5es de engenheiros. E, com crescimento de 7% ao ano, ser\u00e3o necess\u00e1rios 1,462 milh\u00e3o de engenheiros. A proje\u00e7\u00e3o para 2022 aponta a necessidade de 1,565 milh\u00f5es de engenheiros em ocupa\u00e7\u00f5es t\u00edpicas. De acordo com o IPEA, o setor de petr\u00f3leo e g\u00e1s (incluindo-se extra\u00e7\u00e3o e refino) continuar\u00e1 expandindo sua demanda por esses profissionais a taxas entre 13% e 19% ao ano.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o atual do Brasil \u00e9 lament\u00e1vel porque est\u00e1 levando ao sucateamento da engenharia brasileira e sua consequente incapacidade de colaborar com a execu\u00e7\u00e3o das obras necess\u00e1rias ao desenvolvimento do Pa\u00eds, sobretudo no campo da infraestrutura. \u00c9 fundamental observar que a engenharia consultiva \u00e9 a base para o crescimento do pa\u00eds porque sem projetos bem feitos o Brasil n\u00e3o tem como crescer. Recentemente, ouvimos na televis\u00e3o entrevista com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior que, questionada sobre o fato de se executar obras sem projetos bem elaborados, afirmou que o importante era tocar as obras mesmo sem ou com projetos mal feitos. Cabe observar que bons projetos e servi\u00e7os de engenharia consultiva dependem fundamentalmente de equipes bem estruturadas, formadas por profissionais experientes no desenvolvimento de trabalhos nas mais diversas \u00e1reas abrangidas pelos setores de transportes, energia, telecomunica\u00e7\u00f5es, edifica\u00e7\u00f5es, saneamento, entre v\u00e1rias outras.<\/p>\n<p>A fragilidade enfrentada pela engenharia brasileira \u00e9 um gargalo que as empresas de engenharia consultiva no Brasil n\u00e3o t\u00eam como superar nas condi\u00e7\u00f5es atuais. Esta situa\u00e7\u00e3o contribui para a falta de projetos b\u00e1sicos e executivos competentemente elaborados, fato este que atua como um obst\u00e1culo para a infraestrutura do pa\u00eds. Para se desenvolver, o Brasil n\u00e3o pode abandonar a sua Engenharia \u00e0 sua pr\u00f3pria sorte e, com o melhor uso desta, deve alavancar seu progresso econ\u00f4mico e social e evitar a eterna depend\u00eancia tecnol\u00f3gica em rela\u00e7\u00e3o ao exterior. O Brasil j\u00e1 demonstrou ser capaz de se desenvolver em diferentes setores da Engenharia. Em alguns setores, inclusive, o Brasil \u00e9 refer\u00eancia mundial, como \u00e9 o caso dos programas ligados ao Pro\u00e1lcool, \u00e0 explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo em \u00e1guas profundas, constru\u00e7\u00f5es de grandes hidroel\u00e9tricas, como Itaipu, a maior em opera\u00e7\u00e3o at\u00e9 bem pouco tempo, projetada, constru\u00edda e montada por empresas brasileiras.<\/p>\n<p>Finalmente, outra grande batalha a ser assumida pela AEPET e pelas for\u00e7as vivas da na\u00e7\u00e3o diz respeito \u00e0 luta pelo desenvolvimento sustent\u00e1vel no Brasil e no mundo. A perspectiva de catastr\u00f3fica mudan\u00e7a clim\u00e1tica planet\u00e1ria evidencia a necessidade de que o paradigma que tem norteado o desenvolvimento da sociedade humana desde a 1\u00aa. Revolu\u00e7\u00e3o Industrial seja profundamente modificado. Para adotar o desenvolvimento sustent\u00e1vel no Brasil, torna-se um imperativo reduzir as emiss\u00f5es globais de carbono com a promo\u00e7\u00e3o de mudan\u00e7as na atual matriz energ\u00e9tica brasileira baseada hoje em cerca de 55% de fontes n\u00e3o renov\u00e1veis de energia, por outro estruturado com base nos recursos energ\u00e9ticos renov\u00e1veis (hidroeletricidade, biomassa e energia solar e e\u00f3lica) para evitar ou minimizar o aquecimento global e, consequentemente, a ocorr\u00eancia de mudan\u00e7as catastr\u00f3ficas no clima da Terra. Nessas circunst\u00e2ncias, o petr\u00f3leo deveria ser utilizado fundamentalmente como mat\u00e9ria-prima industrial. Esta situa\u00e7\u00e3o coloca na ordem do dia a necessidade de a Petrobr\u00e1s se transformar em uma empresa energ\u00e9tica voltada n\u00e3o apenas \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e g\u00e1s natural, mas tamb\u00e9m de energia renov\u00e1vel (solar, e\u00f3lica e biomassa) contribuindo, desta forma, para a redu\u00e7\u00e3o das emiss\u00f5es globais de carbono e, consequentemente, do efeito estufa.<\/p>\n<p>Minhas \u00faltimas palavras s\u00e3o dirigidas para os Diretores e Conselheiros da AEPET para agradecer-lhes pela honra que me concederam de integrar os quadros desta not\u00e1vel institui\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o de s\u00f3cio benem\u00e9rito e agradecer a todos os que aqui se encontram que pacientemente ouviram nosso pronunciamento.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Honra-me bastante estar neste momento recebendo o t\u00edtulo de s\u00f3cio benem\u00e9rito da AEPET-BA pelo fato de esta homenagem partir de uma institui\u00e7\u00e3o que desde sua funda\u00e7\u00e3o h\u00e1 52 anos vem se destacando na defesa da Petrobr\u00e1s, maior patrim\u00f4nio econ\u00f4mico da na\u00e7\u00e3o brasileira, do monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo e do pr\u00f3prio Brasil. 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