{"id":80382,"date":"2014-03-22T09:50:33","date_gmt":"2014-03-22T12:50:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=80382"},"modified":"2014-03-22T09:50:33","modified_gmt":"2014-03-22T12:50:33","slug":"historia-de-florinda-santos-a-mulher-de-roxo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/03\/22\/historia-de-florinda-santos-a-mulher-de-roxo\/","title":{"rendered":"HIST\u00d3RIA  DE FLORINDA SANTOS, A &#8220;MULHER DE ROXO&#8221;"},"content":{"rendered":"<div>\n<div id=\"attachment_80383\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-80383\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-80383\" alt=\"01\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE.jpg\" width=\"500\" height=\"306\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE.jpg 500w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-80383\" class=\"wp-caption-text\">A MULHER DE ROXO<\/p><\/div>\n<\/div>\n<div>Sempre de roxo, com roupas que lembravam o h\u00e1bito usado pelas freiras, ela costumava perambular e dormir pela Rua Chile e imedia\u00e7\u00f5es. Teria nascido em 1917 e morrido em 1997, aos 80 anos. Dizem que foi mo\u00e7a instru\u00edda, de boa fam\u00edlia e que teria enlouquecido por causa de uma grande desilus\u00e3o amorosa. O final da vida da Mulher de Roxo foi triste, assim como a sua imagem em vida, marcada pelo abandono de todas as coisas.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE_2.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-80384\" alt=\"A DAMA DE ROXO RUA CHILE_2\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE_2.jpg\" width=\"333\" height=\"440\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE_2.jpg 333w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/A-DAMA-DE-ROXO-RUA-CHILE_2-227x300.jpg 227w\" sizes=\"(max-width: 333px) 100vw, 333px\" \/><\/a>A hist\u00f3ria de Florinda Santos, a conhecida Mulher de Roxo, se transformou numa lenda urbana, uma figura mitol\u00f3gica conhecida por todos da localidade. N\u00e3o importava se o dia era de chuva ou de sol, ela nunca faltava. Era s\u00f3 as portas do com\u00e9rcio da Rua Chile abrirem e dona Florinda j\u00e1 se encaminhava para a entrada da Slopper. Vestido com roupa de veludo viol\u00e1ceo, iniciava o ritual di\u00e1rio. Andava de um lado para o outro, falava sozinha e sempre pedia dinheiro. Tudo com muita educa\u00e7\u00e3o. Afinal, dizia-se que a Mulher de Roxo, personagem dos tempos di\u00e1rios do centro da cidade, vinha de boa fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Andava descal\u00e7a com longas mantas, um tor\u00e7o e um enorme crucifixo. Tudo isso dava a ela um ar meio santo, meio louco, meio andarilho e meio mendigo. Algumas vezes a dama desfilou com uma roupa de noiva, com direito a buqu\u00ea, v\u00e9u e grinalda. Com todos esses componentes c\u00eanicos, contradit\u00f3rios e demasiadamente humanos, a mulher de roxo despertou sentimentos em toda a cidade, medo e respeito, pena e carinho.<\/p>\n<p>Qual sua origem? Poucos sabem direito. Uns defendem a tese de que havia perdido a fortuna e enlouquecido; outros apregoavam que teria visto a m\u00e3e matar o pai e depois suicidar-se; terceiros garantiam, ainda, que ela perdera a filha de considera\u00e7\u00e3o e a casa, na Ladeira da Montanha, numa batalha contra o jogo. Outros ainda contam que ela enlouqueceu porque teria sido abandonada no altar. Em outros depoimentos, aparece como uma bela mulher, a mais cortejada dentre as freq\u00fcentadoras do ch\u00e1 no final da tarde na Confeitaria Chile e como ex-professora em Paripe. Florinda, que nunca contou a ningu\u00e9m, sua verdadeira hist\u00f3ria, perambulava com suas vestes roxas, inspiradas nas roupas das suas santas de devo\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div><!--more--><br \/>\nVestida de freira, circulando livremente pela rua mais badalada de Salvador. A estranha indument\u00e1ria, que inclu\u00eda ainda um grande crucifixo, a transformou na Mulher de Roxo, a principal lenda urbana da capital. Foi assim que Florinda, a mendiga que jurava ser rica, passou a ser a personagem lend\u00e1ria, surgida, do nada, em frente \u00e0 loja Sloper, nos anos 60 do s\u00e9culo XX, em Salvador. Quando se enfeitava, com maquiagem forte no rosto e nos l\u00e1bios, ela usava o espelho retrovisor dos autom\u00f3veis estacionados. Como sanit\u00e1rio, servia-lhe qualquer territ\u00f3rio mais calmo. A Rua Chile era sua verdadeira casa, seu mundo, seu reinado. A intimidade com a rua era t\u00e3o grande que ela sempre andava descal\u00e7a. Na fachada da loja Sloper, localizava-se o seu trono de sarjeta. Na Rua Chile, chegava sempre muito cedo, circulava pelo centro e s\u00f3 recolhia o seu saco preto ao meio-dia, quando almo\u00e7ava. Ao final do dia, voltava, andando, ao albergue noturno da prefeitura, situado na Baixa dos Sapateiros.<\/p>\n<p>Muitas reportagens foram publicadas na \u00e9poca sobre a mulher de roxo ou dama de roxo. O jornalista Marecos Navarro gravou uma entrevista exclusiva com ela e \u00e9 um dos raros documentos em que \u00e9 poss\u00edvel ouvir a voz de Florinda. Em 1985 o cineasta baiano Robinson Roberto documentou um v\u00eddeo em Super 8 em que a mulher de roxo diz morar no albergue h\u00e1 tr\u00eas anos, e revela pertencer \u00e0 fam\u00edlia Rainha Princesa. Foi tamb\u00e9m personagem retratado na Galeota Gratid\u00e3o do Povo, painel de 160 metros quadrados pintado por Carlos Bastos, que decora o plen\u00e1rio da Assembl\u00e9ia Legislativa.<\/p>\n<p>Ela era t\u00e3o cinematogr\u00e1fica que at\u00e9 inspirou um personagem do cineasta Glauber Rocha no filme O Drag\u00e3o da Maldade Contra o Santo Guerreiro (1969). A mo\u00e7a de manta roxa do filme era baseada na lenda viva da Rua Chile. Ela tamb\u00e9m inspirou o document\u00e1rio A Mulher de Roxo, produzido pelo P\u00f3lo de Teledramaturgia da Bahia. O v\u00eddeo de 12 minutos, dirigido por Fernando Guerreiro e Jos\u00e9 Am\u00e9rico Moreira da Silva, mistura document\u00e1rio e fic\u00e7\u00e3o. Haydil Linhares \u00e9 uma das atrizes que vive Florinda Santos, a Mulher de Roxo.<\/p><\/div>\n<div><\/div>\n<div>A Mulher de Roxo tamb\u00e9m usava vestes pretas e, segundo o jornalista An\u00edsio Felix, at\u00e9 vestido de noiva, mas\u00a0no geral roupas de veludo grosso no inclemente calor da Bahia. Passava o dia nas imedia\u00e7\u00f5es da Casa Sloper, loja departamento da Rua Chile. No Carnaval, Florinda deixava o local e ia para\u00a0outra \u00e1rea da cidade menos movimentada.<\/div>\n<div><\/div>\n<p>Tornou-se um personagem folcl\u00f3rico, querido pelos baianos, uma lenda urbana. Veio falecer em 1997 depois de acolhida pela Irm\u00e3 Dulce. Florinda inspirou document\u00e1rios, pe\u00e7as de teatro e at\u00e9 um personagem\u00a0de Glauber Rocha no seu filme \u201cO Drag\u00e3o da Maldade Contra o Santo Guerreiro\u201d,\u00a0rodado em\u00a01969. E \u00e9 a Mulher de Roxo, uma das imagens do famoso painel do artista Carlos Bastos que retrata personalidades baianas, exposto na Assembl\u00e9ia Legislativa.<\/p>\n<div>\nA personagem lend\u00e1ria da Rua Chile hoje \u00e9 s\u00f3 lembran\u00e7a. Se em vida foi famosa ou an\u00f4nima, rainha ou pleb\u00e9ia, foi uma lenda urbana de Salvador. Enclausurada em si mesma, ningu\u00e9m conheceu sua verdadeira hist\u00f3ria, de riqueza ou pobreza, de princesa abandonada no altar ou professora. Talvez ela fosse tudo que sempre queria \u2013 uma personagem lend\u00e1ria que sobrevive no imagin\u00e1rio popular.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Longa vida para essa dama\/santa com sua aura de mist\u00e9rio.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0<img alt=\"Emoji\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/BCZscln7F9LSOUhTLkM8wdJ6MUVlVjQOpjd_AM6qtg_lee7wfLSJotAtA61IZFrb2mGmlKhP=s0-d-e1-ft#https:\/\/a.gfx.ms\/Emoji_1F337.png\" \/><img alt=\"Emoji\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/BCZscln7F9LSOUhTLkM8wdJ6MUVlVjQOpjd_AM6qtg_lee7wfLSJotAtA61IZFrb2mGmlKhP=s0-d-e1-ft#https:\/\/a.gfx.ms\/Emoji_1F337.png\" \/><img alt=\"Emoji\" src=\"https:\/\/ci5.googleusercontent.com\/proxy\/BCZscln7F9LSOUhTLkM8wdJ6MUVlVjQOpjd_AM6qtg_lee7wfLSJotAtA61IZFrb2mGmlKhP=s0-d-e1-ft#https:\/\/a.gfx.ms\/Emoji_1F337.png\" \/><\/div>\n<div>&#8212;<\/div>\n<div><strong>DESCONHE\u00c7O A AUTORIA DO TEXTO E FOTOS.<\/strong><\/div>\n<div>&#8212;<\/div>\n<div><strong>ENVIADA POR KDT.<\/strong><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre de roxo, com roupas que lembravam o h\u00e1bito usado pelas freiras, ela costumava perambular e dormir pela Rua Chile e imedia\u00e7\u00f5es. 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