{"id":8040,"date":"2011-02-04T09:35:21","date_gmt":"2011-02-04T12:35:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=8040"},"modified":"2011-02-04T09:35:21","modified_gmt":"2011-02-04T12:35:21","slug":"alfredo-amorim-em-10taques-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2011\/02\/04\/alfredo-amorim-em-10taques-5\/","title":{"rendered":"Alfredo Amorim em: &#8220;10TAQUES&#8221;."},"content":{"rendered":"<p><b><center>Transcrito do jornal Di\u00e1rio da Tarde<br \/>\nDe 28 de setembro de 1939<\/p>\n<p>Magali<\/center><\/b><\/p>\n<p>\t<img align = \"left\" src = \"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/alfredo-amorim-nova.jpg\"\/>Em 1909, um acontecimento imprevisto despertou est\u00e1 cidade da sua pacatez habitual. Um grupo de oito bandoleiros, chefiados por um homem baixo e simp\u00e1tico, surgiu um dia sem se saber de onde viera. Intitulavam-se artistas de um grande circo. Eram todos estrangeiros: ingleses e americanos. Magali, o chefe, dizia-se brasileiro, filho dos pampas. Entre eles contavam-se dois engenheiros e um major reformado do ex\u00e9rcito ingl\u00eas. Esse homem j\u00e1 sexagen\u00e1rio, era de uma intrepidez assombrosa. A duzentos metros de dist\u00e2ncia , abateu com um tiro de revolver de cavalaria um soldado do destacamento, que, ouvindo as cont\u00ednuas descargas de fuzilaria, descia da Conquista para recolher-se ao quartel. Wilson, o engenheiro, entusiasmado pelo feito, deu-lhe os parab\u00e9ns. O major ,fleum\u00e1tico, concertava os arreios do animal a uns vinte metros distante do quartel. Foi quando o sargento, comandante do destacamento, alvejo-o e fez fogo.  A bala n\u00e3o alcan\u00e7ou o alvo. O major sacou do seu revolver infal\u00edvel, com um riso nos l\u00e1bios, e , ia castigar o importuno, quando o segundo tiro do sargento prostou-o j\u00e1 sem vida. O sargento era intr\u00e9pido; da esquina da prefeitura onde estava, alvejou um outro que fugia cavalgando um animal, que, alcan\u00e7ado pelo proj\u00e9til, tombou. Os demais fugiram, praia em fora, em linha reta, deitados sobre os animais, para evitar as balas que choviam sobre eles.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>\tEsse feito repercutiu em todo o pa\u00eds. Na manh\u00e3 do dia seguinte, aqui chegava o Esquadr\u00e3o da Cavalaria da Bahia para ir-lhes ao encal\u00e7o. Olavo Bilac escreveu uma cr\u00f4nica a respeito do caso estranho. Qual o ideal desses homens loucos, at\u00e9 hoje ningu\u00e9m sabe.<br \/>\n\tEu fui testemunha do caso singular. Assisti ao valor e hero\u00edsmo do povo de Ilh\u00e9us, que soube repelir o assalto imprevisto. At\u00e9 as crian\u00e7as e as mulheres se armaram, prontos para a defesa. Perambula ainda a\u00ed pelas ruas, um pobre homem \u2013 Turisco \u2013 que perdeu uma perna.<br \/>\n\tDois homens perderam a vida no ataque ins\u00f3lito. Quando todos foram presos e recolhidos \u00e0 cadeia local. Magali \u2013 o sonhador impenitente \u2013 era o querido das mulheres (admiradoras sempre dos homens incompreendidos). A cadeia regurgitava de senhoritas em visita ao homem que efetivamente, era, insinuante e gentil. Magali falava o portugu\u00eas corretamente, era inteligente e a sua palestra encantadora prendia o belo sexo. Conversamos muitas vezes. Nesse tempo eu fazia parte da reda\u00e7\u00e3o do jornal \u201cA Luta\u201d. Nunca pude compreender aquele homem. Era um louco, completamente dominado pela id\u00e9ia fixa da conquista de um poder absoluto sobre todos os homens.<br \/>\n\t-Meu amigo, dizia ele, a vida que a maioria dos homens passam, nessa monotonia, erma de emo\u00e7\u00f5es, n\u00e3o tem vislumbre de ideal. Voc\u00ea \u00e9 muito mo\u00e7o ainda para compreender esses sentimentos altru\u00edsticos. Devemos lutar por um princ\u00edpio. Devemos ter uma finalidade qualquer. A vida sem emo\u00e7\u00e3o, vida animal, que decorre numa pacatez sombria de incapazes, n\u00e3o \u00e9 a vida dos homens superiores. Deve haver um ideal em todo isso. O homem s\u00f3 deve viver isento de preconceitos banais, sem obedi\u00eancia, coisas sedicas, mas alimentando o ideal de perfectibilidade humana. Hei de vencer ainda, creia. Militam contra mim, ainda, as condi\u00e7\u00f5es do meio inadot\u00e1vel a id\u00e9ias t\u00e3o sublimes. Tive o poder de convencer esses homens que me acompanharam e que como eu, s\u00e3o amantes de imprevistos. N\u00e3o pense que h\u00e1 entre eles, indiv\u00edduos bo\u00e7ais. S\u00e3o todos ilustrados; alguns deles pertencentes a fam\u00edlias abastadas.<br \/>\n\tMagali era um louco. Era um Dom Quixote moderno. Possu\u00eda um poder t\u00e3o extraordin\u00e1rio de sugest\u00e3o, que, at\u00e9 as mulheres, ficavam cativas de sua fantasia delirante de incompreendido.<\/p>\n<p>A.\tSeixas Martins<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Transcrito do jornal Di\u00e1rio da Tarde De 28 de setembro de 1939 Magali Em 1909, um acontecimento imprevisto despertou est\u00e1 cidade da sua pacatez habitual. Um grupo de oito bandoleiros, chefiados por um homem baixo e simp\u00e1tico, surgiu um dia sem se saber de onde viera. Intitulavam-se artistas de um grande circo. 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