{"id":80708,"date":"2014-03-29T15:18:25","date_gmt":"2014-03-29T18:18:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=80708"},"modified":"2014-03-29T15:18:25","modified_gmt":"2014-03-29T18:18:25","slug":"mulheres-baianas-no-poder","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/03\/29\/mulheres-baianas-no-poder\/","title":{"rendered":"MULHERES (BAIANAS) NO PODER"},"content":{"rendered":"<p align=\"right\"><em><strong>Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho<\/strong><\/em><\/p>\n<div id=\"attachment_80709\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Durval-Filho-diretor-da-Biblioteca-Afr\u00e2nio-Peixoto-Foto-Walmir-Ros\u00e1rio-1.jpg\"><img aria-describedby=\"caption-attachment-80709\" loading=\"lazy\" class=\"size-full wp-image-80709\" alt=\"Durval Filho - diretor da Biblioteca Afr\u00e2nio Peixoto - Foto Walmir Ros\u00e1rio.\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Durval-Filho-diretor-da-Biblioteca-Afr\u00e2nio-Peixoto-Foto-Walmir-Ros\u00e1rio-1.jpg\" width=\"300\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Durval-Filho-diretor-da-Biblioteca-Afr\u00e2nio-Peixoto-Foto-Walmir-Ros\u00e1rio-1.jpg 300w, https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/Durval-Filho-diretor-da-Biblioteca-Afr\u00e2nio-Peixoto-Foto-Walmir-Ros\u00e1rio-1-276x300.jpg 276w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><p id=\"caption-attachment-80709\" class=\"wp-caption-text\">Durval Filho &#8211; diretor da Biblioteca Afr\u00e2nio Peixoto &#8211; Foto Walmir Ros\u00e1rio.<\/p><\/div>\n<p>No contexto das discrimina\u00e7\u00f5es existentes entre os seres humanos, \u00e9 poss\u00edvel que uma das mais antigas seja contra as mulheres. Desde priscas eras, por\u00e9m, a luta pelos direitos da mulher tem sido uma constante, seja atrav\u00e9s de correntes filos\u00f3ficas, seja por meio de segmentos religiosos, como o cristianismo primitivo, por exemplo.<\/p>\n<p>Os movimentos em defesa dos direitos iguais para homens e mulheres, que come\u00e7aram de forma t\u00edmida no final do s\u00e9culo XIX, a partir das d\u00e9cadas de 1960\/1970 ganharam for\u00e7as capazes de impactar as sociedades ocidentais. Essas for\u00e7as foram se tornando mais efetivas, tanto no campo da cultura como no campo do direito, principalmente com rela\u00e7\u00e3o aos direitos pol\u00edticos (votar e ser votado), direito \u00e0 autonomia, direitos trabalhistas etc.<\/p>\n<p>Na constituinte da Rep\u00fablica (1890-1891), um projeto favor\u00e1vel ao voto feminino foi derrotado pelos positivistas que consideravam a atividade pol\u00edtica desonrosa para a mulher. Contudo, a Hist\u00f3ria do Brasil est\u00e1 repleta de a\u00e7\u00f5es de mulheres que se destacaram pela resist\u00eancia a toda e qualquer forma de opress\u00e3o.<\/p>\n<p>Para efeito das nossas considera\u00e7\u00f5es, colocamos em evid\u00eancia mulheres baianas, a come\u00e7ar com Maria Felipa de Oliveira, escrava da ilha de Itaparica, no Rec\u00f4ncavo Baiano, mulher guerreira, em todas as acep\u00e7\u00f5es do termo, que liderou os baianos em lutas decisivas pela independ\u00eancia, em 1823.<\/p>\n<p>De igual maneira, a abadessa Joana Ang\u00e9lica de Jesus (1761-1822) e Maria Quit\u00e9ria de Jesus Medeiros (1792-1853): a primeira, de Salvador, tornou-se a protom\u00e1rtir da independ\u00eancia; a segunda, de Feira de Santana, foi a primeira mulher brasileira a integrar uma unidade militar no pa\u00eds. Embora muitas mulheres baianas tenham lutado pela independ\u00eancia do Brasil, essas tr\u00eas entraram para a hist\u00f3ria como s\u00edmbolos da luta que culminou no Dois de Julho.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Trinta anos depois, em 1852, foi criado o Jornal das Senhoras, divulgador das primeiras bandeiras em defesa dos interesses femininos. E nesse universo, merece realce o nome de Ana Justina Ferreira Nery (1814-1880), de Cachoeira, patronesse das enfermeiras do Brasil, fun\u00e7\u00e3o na qual atuou de forma marcante na Guerra do Paraguai (1864-1870).<\/p>\n<p>Em 1887, foi graduada a primeira m\u00e9dica do Brasil, a ga\u00facha de Rio Grande, Rita Lobato Velho Lopes (1866-1954), pela antiga Faculdade de Medicina da Bahia. E em 1891, a Ordem dos Advogados do Brasil, a contragosto, admitiu o registro de Myrtes Gomes de Campos (1875-1965), fluminense de Maca\u00e9, o que fez dela a primeira mulher brasileira a exercer a profiss\u00e3o de advogada.<\/p>\n<p>Mas somente em 1922, cem anos depois da luta de Maria Felipa, foi criada a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira para o Progresso Feminino, pela bi\u00f3loga paulista Bertha Lutz (1894-1976), o que inspirou Am\u00e9lia Augusta do Sacramento Rodrigues (1861-1926), de Santo Amaro da Purifica\u00e7\u00e3o, escritora, professora e poeta, a organizar as mulheres na Bahia.<\/p>\n<p>Nessa \u00e9poca, em Canavieiras, as jovens professoras Isbela Freire e Anad\u00edlia Costa j\u00e1 formavam fileira em defesa do voto feminino, antiga reivindica\u00e7\u00e3o que se tornou vitoriosa em 1932, quando o C\u00f3digo Eleitoral garantiu o direito de a mulher votar e ser votada. E em 1935, a advogada Maria Luiza Bittencourt, de Salvador, foi eleita primeira deputada baiana para a Assembleia Constituinte.<\/p>\n<p>Raimunda Maria Vargens Cidreira (1920-1985) foi a primeira mulher a ocupar um lugar na C\u00e2mara Municipal de Canavieiras (1951-1955), fato s\u00f3 repetido 35 anos depois, quando Denyse dos Santos Reis Carvalho foi eleita para a legislatura de 1989 a 1992. Outras vieram a seguir.<\/p>\n<p>Em Belmonte, Dejanira Rezende de Souza foi a \u00fanica prefeita eleita (1959-1963) naquele munic\u00edpio at\u00e9 o momento.<\/p>\n<p>Namir Oliveira Mangabeira e Silva, em Itabuna, foi tamb\u00e9m a \u00fanica mulher a ocupar (interinamente) a chefia do Executivo Municipal (05.09.1966-03.10.1966). Maria Rita de Almeida Fontes foi a primeira mulher a ocupar uma cadeira no Legislativo de Itabuna, embora de forma indireta, no governo de Ubaldino Brand\u00e3o (1948-1951), sendo sua atua\u00e7\u00e3o no per\u00edodo de 1950-1951, porque o titular da cadeira fora nomeado para administrar o ent\u00e3o distrito de Buerarema. Algumas outras vieram depois.<\/p>\n<p>Desde Maria Felipa, uma trajet\u00f3ria de lutas tem sido palmilhada por mulheres na pol\u00edtica e no cen\u00e1rio s\u00f3cio-cultural, tais como Maria da Concei\u00e7\u00e3o Soares Lopes (1905-1994), vereadora de Ilh\u00e9us no governo de Herval Soledade (1956-1959) e Luislinda Valois Santos, desembargadora do Tribunal de Justi\u00e7a da Bahia. Essas tr\u00eas t\u00eam muito em comum: baianas, negras, de origem humilde e guerreiras. Embora na hist\u00f3ria de cidades tradicionais como Canavieiras, Ilh\u00e9us e Itabuna n\u00e3o haja registro de mulheres assumindo o Executivo Municipal, por for\u00e7a do voto direto, a Bahia tem um hist\u00f3rico de lutas pela igualdade de direitos entre os g\u00eaneros.<\/p>\n<p>O Brasil tem p\u00e9ssima coloca\u00e7\u00e3o no cen\u00e1rio mundial em termos de representa\u00e7\u00e3o feminina no Parlamento, mas algum avan\u00e7o j\u00e1 se pode ver. O Congresso Nacional e o Tribunal Superior Eleitoral, numa a\u00e7\u00e3o conjunta de car\u00e1ter suprapartid\u00e1rio, procuram estimular maior participa\u00e7\u00e3o de mulheres nos processos eleitorais.<\/p>\n<p>\u00c9 um bom momento para se repensar o ran\u00e7o do patriarcalismo, do coronelismo, do mandonismo machista ainda presente no cen\u00e1rio pol\u00edtico nacional e regional. As mulheres continuam gostando de flores, mas elas tamb\u00e9m precisam de mais informa\u00e7\u00f5es e de mais poder.<\/p>\n<p>&#8212;<\/p>\n<p><i>Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho \u00e9 historiador e membro da Academia de Letras e Artes de Canavieiras. \u2013 dumaestro11@hotmail.com<\/i><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durval Pereira da Fran\u00e7a Filho No contexto das discrimina\u00e7\u00f5es existentes entre os seres humanos, \u00e9 poss\u00edvel que uma das mais antigas seja contra as mulheres. 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