{"id":82389,"date":"2014-05-23T10:18:21","date_gmt":"2014-05-23T13:18:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=82389"},"modified":"2014-05-23T10:18:21","modified_gmt":"2014-05-23T13:18:21","slug":"heckel-januario-em-belmonte-123-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/05\/23\/heckel-januario-em-belmonte-123-anos\/","title":{"rendered":"Heckel Janu\u00e1rio em: BELMONTE, 123 ANOS"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Entre 1708 e 1712 nascia na boca do rio Jequitinhonha (\u2018Paticha\u2019 para os nativos Botocudos e \u2018Grande\u2019 para os colonizadores lusitanos) o Arraial de S\u00e3o Pedro do Rio Grande.<\/p>\n<p>Com o privil\u00e9gio de erguer-se numa imensa plan\u00edcie o povoado se desenvolvia e em 1765 \u00e9 elevado \u00e0 vila com a denomina\u00e7\u00e3o de Vila de Nossa Senhora do Carmo de Belo Monte. Outras lhe foram dada como Vila do Rio Grande de Belmonte, Vila de S\u00e3o Pedro de Belmonte e Vila do Jequitinhonha de Belmonte. Em 1771 passa \u00e0 dignidade de Freguesia, unidade eclesi\u00e1stica que \u00e0 \u00e9poca era de praxe exercer tamb\u00e9m a administra\u00e7\u00e3o civil, para, em <strong>23 de maio de 1891,<\/strong> dois anos ap\u00f3s o advento da Rep\u00fablica Brasileira, elevar-se a categoria de cidade como simples Belmonte. Nomea\u00e7\u00e3o esta motivadora de controv\u00e9rsias porque, embora colinas recortadas por vales a circundassem (e a circundem), o nome contrastava com a topografia incrivelmente plana do local, como acima ventilamos. A vers\u00e3o que o ouvidor da Capitania de Porto Seguro, Thom\u00e9 Couceiro de Abreu nomeara assim o peda\u00e7o da foz do Paticha para homenagear Cabral, (\u2018Belmonte\u2019 \u00e9 tida como a localidade portuguesa onde o historiado descobridor nascera) nos parece a mais plaus\u00edvel.<\/p>\n<p>De entrecruzadas ruas retil\u00edneas semelhantes a um tabuleiro de xadrez, possivelmente tal tra\u00e7ado tenha sido o combust\u00edvel encontrado pelo belmontense <strong>\u2013<\/strong>de v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es<strong>\u2013<\/strong> para impulsionar sempre a cidade pra frente.<\/p>\n<p>Para o banc\u00e1rio aposentado e historiador Tedesco (de Canavieiras), a enxadrezada e extraordin\u00e1ria vis\u00e3o se deve ao tra\u00e7amento planejado por um engenheiro chamado Inoc\u00eancio Veloso Pederneira em tempos idos. Em seu livro \u201cBelmonte e a sua Hist\u00f3ria\u201d, o escritor Afonso Monteiro \u00e0 p\u00e1gina 193 registra esta personagem como dono de uma antiga sesmaria <strong>\u2013<\/strong>\u00e0s margens do Jequitinhonha<strong>\u2013<\/strong> a 10 quil\u00f4metros da cidade. Ali\u00e1s, com a fama dos diamantes e outras gemas encobertas em seu leito e serras adjacentes, e com a reputa\u00e7\u00e3o de suas beiradas fertil\u00edssimas (nelas foram implantadas a lavoura do cacau, cujos frutos viriam a ser o principal produto da economia belmontense), a atrair gente de todos os quadrantes da Col\u00f4nia, este rio, se constituiu na maior fonte de riqueza na forma\u00e7\u00e3o da cidade.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>L\u00e1 se v\u00e3o 123 anos de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Motivados pelo momento mergulhamos nas \u00e1guas de recorda\u00e7\u00f5es. De prima deparamos <strong>\u2013<\/strong>como \u00a0palco a Pra\u00e7a da Matriz<strong>\u2013<\/strong>, com as belas festas religiosas: de S\u00e3o Vicente, de Nossa Senhora do Carmo, a padroeira, coadjuvadas por uma folcl\u00f3rica Marujada a desfilar ritmo, visual e lindos c\u00e2nticos. Em seguida foi a vez do Boi Duro da tradi\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica do Dia de Reis, e da Puxada do Mastro de S\u00e3o Sebasti\u00e3o que neste dia se tinha como uma esp\u00e9cie de avant-premi\u00e8re do Carnaval. O som mesmo arrefecido do pipocar de fogos dava o sinal que a prociss\u00e3o do Senhor Bom Jesus dos Navegantes incentivada pela Col\u00f4nia dos Pescadores estava passando. Logo um mais ruidoso, n\u00e3o nos restou \u00e0 menor d\u00favida: era um Junker JU-62, hidroavi\u00f5es que na rota Salvador\/Rio e vice-versa <strong>\u2013<\/strong>com intercala\u00e7\u00e3o em Belmonte<strong>\u2013<\/strong>, amerissava nas \u00e1guas do Jequitinhonha.<\/p>\n<p>Imergimos mais alguns metros e encontramos dois orgulhos <strong>\u2013<\/strong> preservados <strong>\u2013<\/strong> dos belmontenses: a Lira Popular e a Quinze de Setembro, sociedades filarm\u00f4nicas que continuam a gerar m\u00fasicos da melhor qualidade. Descendo mais um pouquinho -que beleza!-, topamos com uma intensa movimenta\u00e7\u00e3o do porto em que navios atracados no cais, aguardavam passageiros e o export\u00e1vel e cobi\u00e7ado \u2018ouro vegetal-, o cacau\u2019.<\/p>\n<p>A prud\u00eancia nos recomendando retornar \u00e0 superf\u00edcie, sobretudo para n\u00e3o deixar enfadonhos os de aguardo em terra, tivemos a sorte de, retornando, presenciar no aeroporto a aterrissagem de \u2018douglas\u2019 da Varig, Real, Cruzeiro do Sul e Sadia, aeronaves de companhias com linhas regulares na cidade. Como sortudos, j\u00e1 pertinho de respirarmos tranquilamente, vimos um Teco-Teco <strong>\u2013<\/strong>transporte \u2018cara cuspida e escarrada\u2019 de Belmonte<strong>\u2013<\/strong> dando um \u2018rasante\u2019 na altura do\u00a0 Mar Moreno. Como sugere a interliga\u00e7\u00e3o, pilotos eram profissionais que a cidade produzia prodigamente, inclusive alguns brevetados a voos internacionais. Ainda no percurso de volta, notamos que a \u2018Iararana\u2019 de Sos\u00edgenes e as inigual\u00e1veis obras de madeira de Zanine, eternos artistas belmontenses, estavam no script, mas de imediato entendemos que para essas preciosidades s\u00f3 um mergulho exclusivo. Bem como outras e outras \u2018coisas record\u00e1veis\u2019 que ficaram para a oportunidade de uma nova mergulhada. Ah, sim, a estrada Belmonte a Canavieiras chegamos a procur\u00e1-la, mas infelizmente&#8230; Conclu\u00edmos que o governador da Bahia a engavetara seguramente em alguma de suas muitas gavetas.<\/p>\n<p>Em terra firme n\u00e3o hesitamos em contabilizar as reminisc\u00eancias com as contas do presente. Resultado: constatamos que apesar do bom saudosismo a urbe n\u00e3o parou no tempo. De l\u00e1 pra c\u00e1, ou seja, dos intendentes aos prefeitos; das acirradas rixas pol\u00edticas (que inclu\u00eda as violentas lutas pela conquista da terra inclusive sendo Belmonte alcunhada de \u201cCidade dos Clavinoteiros\u201d) \u00e0s crises econ\u00f4micas atuais, a cidade mudou muito. E dir\u00edamos <strong>\u2013<\/strong>n\u00e3o obstante acharmosnecess\u00e1rio o resgate e\/ou a preserva\u00e7\u00e3o de alguns aspectos para sua firmeza de caracter\u00edstica<strong>\u2013<\/strong> que ela, aproveitando das \u2018infra-estruturas modernas\u2019 outrora imposs\u00edveis, mudou para melhor.<\/p>\n<p>Hoje, al\u00e9m da \u201cenxadrezada e extraordin\u00e1ria vis\u00e3o\u201d, Belmonte \u00e9 dotada de condi\u00e7\u00f5es para bem se morar<strong>.<\/strong><\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre 1708 e 1712 nascia na boca do rio Jequitinhonha (\u2018Paticha\u2019 para os nativos Botocudos e \u2018Grande\u2019 para os colonizadores lusitanos) o Arraial de S\u00e3o Pedro do Rio Grande. 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