{"id":83615,"date":"2014-07-08T13:00:35","date_gmt":"2014-07-08T16:00:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=83615"},"modified":"2014-07-08T13:00:35","modified_gmt":"2014-07-08T16:00:35","slug":"umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-xiii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/07\/08\/umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-xiii\/","title":{"rendered":"UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE ( XIII)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Dizia-se em Bebel por ocasi\u00e3o da Grande Guerra que a su\u00ed\u00e7a Abiah Reuter se comunicava com submarinos alem\u00e3es na praia de Mogiqui\u00e7aba. Do t\u00e9rmino daquele conflito pra c\u00e1, l\u00e1 se v\u00e3o sessenta nove anos, mas, pelo visto, os germ\u00e2nicos n\u00e3o esqueceram essas bandas da Bahia, pois n\u00e3o hesitaram (tocamos neste assunto na parte IX) escolher <strong>\u2013<\/strong>desta feita com salutares objetivos de se prepararem para uma Copa de Mundo<strong>\u2013<\/strong>, a paradis\u00edaca Santo Andre em Santa Cruz Cabr\u00e1lia, pertinho daquele distrito belmontense. Recorda\u00e7\u00f5es que nos impulsionaram \u00e0 continuidade do Umas e Outras&#8230; e, na de garimpo, encontrar outras visitas, se n\u00e3o de forma coletivas como as oriundas do pa\u00eds da Europa central, mas de duas celebridades, ou melhor: uma que viria a ser, outra j\u00e1 de fama consagrada.<\/p>\n<p>Nizan Mansur de Carvalho Guanaes Gomes ou simplesmente Nizan Guanaes \u00e9 o nome da fera que na d\u00e9cada de 70 n\u00e3o perdia um per\u00edodo de f\u00e9rias de fim de ano em Bebel. A espont\u00e2nea e inteligente extrovers\u00e3o valeu-lhe se enturmar facilmente com a rapaziada nativa. Participativo, estava \u201cem todas\u201d, inclusive como autor intelectual <strong>\u2013<\/strong>como conta um de seus parceiros mais chegado, Cleber Menezes<strong>\u2013<\/strong>, de uma trama para, juntamente com Pereirinha, Preto Edson, Paulinho Stolze, Elder Mansur Elias(observe o parentesco) surrupiar a \u201cmoqueca de robalo\u201d que Balduino Borges (o Baduca) havia secretamente mandado preparar para uma lista de convidados. Como jogador, futebol n\u00e3o era sua praia, mas fora um entusiasta membro do Catuaba, agremia\u00e7\u00e3o formada pela estudantada local <strong>\u2013<\/strong>e os de Salvador e Rio<strong>\u2013 <\/strong>para jogos de ver\u00e3o. \u2018Bebemorar ganhando ou perdendo\u2019, era o lema do time cujo ponto de concentra\u00e7\u00e3o era o Bar da dona Waldir e Artur Paternostro, localizado quase em frente \u00e0 Igreja de S\u00e3o Sebasti\u00e3o na pra\u00e7a assim tamb\u00e9m nomeada. Certa feita com a turma j\u00e1 \u201cpra l\u00e1 de Bagd\u00e1\u201d, Nizan, de bermuda e sem camisa, n\u00e3o titubeia em adentrar o referido templo para tentar dialogar em latim com o p\u00e1roco que rezava uma missa, deixando em pavorosa o beat\u00e9rio presente. Sim, foi um dedicado passista e, em parceria com Z\u00e9 Carlos Stolze, como o pr\u00f3prio relata, letrista de um samba enredo <strong>\u2013<\/strong>lembrado at\u00e9 hoje por ex-membros<strong>\u2013<\/strong> para a Escola de Samba Mocidade Belmontense que outrora embelezava os carnavais da cidade. Foram \u2018poucas e boas\u2019 envolvendo o aludido, como salienta Cleber, mas imposs\u00edvel de inseri-las nas limita\u00e7\u00f5es de um breve texto.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Quem o conheceu nesse conv\u00edvio de entretenimento da tenra idade, de cara deve ter imaginado que ali, pela precoce desenvoltura, estava em curso a eclos\u00e3o de um g\u00eanio. E n\u00e3o deu outra, pois viria a ser um exemplo de genialidade no mundo da publicidade.<\/p>\n<p>A outra figura a pintar pelas plagas de Bebel <strong>\u2013<\/strong>no fim dos anos 80 se n\u00e3o estamos enganados<strong>\u2013<\/strong> j\u00e1 era famoso. Trata-se de Tur\u00edbio Santos, outro g\u00eanio, um dos maiores violonista do planeta. E sua estadia tem tudo a ver com os belmontenses Jos\u00e9 Oswaldo Viana (conhecido como Bide), principalmente, e Rudival Melo, funcion\u00e1rios do Museu Villa-Lobos no Rio de Janeiro, onde Tur\u00edbio era diretor. Tornaram-se amigos, e na expans\u00e3o da amizade os dois ao emergir das saudades, iam contando ao m\u00fasico da pequena cidade sulbaiana. Transferidos para o IPHAN de Porto Seguro, receberam Tur\u00edbio acompanhado de sua esposa: viera pisar onde tudo come\u00e7ou. S\u00f3 para conhecer, iria num bateu-voltou a Bebel. Qual\u00e9 nada! Passara quinze dias! Agradou-lhe a hospitalidade local entre outras coisas.<\/p>\n<p>Pelas m\u00e3os m\u00e1gicas do artista, num viol\u00e3o arrumado de \u00faltima hora, a m\u00fasica soou numa sublimidade tal que dava a impress\u00e3o de um verdadeiro concerto. Insepar\u00e1vel das cordas, Tur\u00edbio fez quest\u00e3o de dedilh\u00e1-las na casa do amigo Bide, transformando-a, ao interpretar choros diversos e, claro, obras de Heitor Villa Lobos, em uma verdadeira sala de apresenta\u00e7\u00e3o musical cl\u00e1ssica para um p\u00fablico privilegiado. Ao terminar, com a simplicidade dos esp\u00edritos geniais, exclamou estar muito s\u00f3brio e que, imitando os baianos, \u201cestava na hora de tomar uma\u201d.<\/p>\n<p>Lembramos bem, como viajara de carro, de seu desejo de vir a Capitania dos Ilh\u00e9us e in loco conhecer a sua hist\u00f3ria. Meio sem jeito, meio constrangido e lamentando, dissemos-lhe n\u00e3o haver liga\u00e7\u00e3o rodovi\u00e1ria entre a Costa do Cacau e Costa do Desenvolvimento; que infelizmente a desta Costa findava em Bebel&#8230;<\/p>\n<p>Publicamos, faz bom tempo, um escrito nos referindo a estas duas personagens. Como calhava com a s\u00e9rie em curso, lembramos dele. Eliminando gorduras e contando com recentes e valiosas conversas, tidas com os belmontenses Z\u00e9 Carlos Stolze, Cleber Menezes e Marcos Melo, testemunhais part\u00edcipes daqueles momentos, conclu\u00edmos este XIII cap\u00edtulo do \u2018Umas e Outras&#8230;\u2019<\/p>\n<p>Heckel Janu\u00e1rio<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS) Dizia-se em Bebel por ocasi\u00e3o da Grande Guerra que a su\u00ed\u00e7a Abiah Reuter se comunicava com submarinos alem\u00e3es na praia de Mogiqui\u00e7aba. 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