{"id":84218,"date":"2014-07-26T12:34:34","date_gmt":"2014-07-26T15:34:34","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=84218"},"modified":"2014-07-26T12:34:34","modified_gmt":"2014-07-26T15:34:34","slug":"jorge-vieira-ceplac-em-30-artigos-xxx","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/07\/26\/jorge-vieira-ceplac-em-30-artigos-xxx\/","title":{"rendered":"JORGE VIEIRA \/ CEPLAC EM 30 ARTIGOS (XXX)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><strong>REALIZA\u00c7\u00d5ES E HISTORIA DA CEPLAC\u00a0 1964 \u2013 2014<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>\u00a0<\/strong><em><strong>2014 \u2013 50 anos vivendo a CEPLAC 1964 -2014<\/strong><\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/JORGE-VIEIRA.jpg\" width=\"200\" height=\"306\" class=\"alignright\" \/>Ingressei nesta institui\u00e7\u00e3o em outubro de 1963 para organizar o programa de assist\u00eancia t\u00e9cnica aos produtores de Cacau do sul da Bahia. Somente desliguei-me legalmente pela aposentadoria; nos anos seguintes acompanhei atentamente seus planos, realiza\u00e7\u00f5es e problemas.<\/p>\n<p>Antes de qualquer recorda\u00e7\u00e3o ou do registro de feitos, j\u00e1 esquecidos por muitos dos produtores dessa terra do Cacau, questiono comigo mesmo: \u201c<em>Existe interesse<\/em> <em>ou curiosidade da gera\u00e7\u00e3o atual em saber dos acontecimentos passados?\u201d<\/em> Ou,<em> \u20190 desejo de analisar decis\u00f5es hist\u00f3ricas havidas neste meio s\u00e9culo na sociedade cacaueira? \u201d<\/em><\/p>\n<p>Quais os personagens e l\u00edderes que lutaram em defesa da economia regional e os \u201ccausadores\u201d das dificuldades e males que at\u00e9 hoje prejudicam a Ceplac e toda a economia e sociedade grapiuna? Quais as grandes realiza\u00e7\u00f5es ben\u00e9ficas e as maldades propositadas por interessados politicamente?<\/p>\n<p>Tenho minhas d\u00favidas na exist\u00eancia desses interesses, apesar de muitos jovens serem filhos de produtores de cacau, de funcion\u00e1rios da CEPLAC, ou novos profissionais. O mundo atual, cheio de tecnologia ou de ilus\u00f5es televisivas leva-os a gozar a vida, sem passado e a\u00e7\u00f5es capazes de superar esta crise permanente, causada muito propositadamente por interesses de partidos pol\u00edticos.<\/p>\n<p>Escrevi sobre essa organiza\u00e7\u00e3o, incluindo ideias, avalia\u00e7\u00f5es, cr\u00edticas e sugest\u00f5es para o futuro da economia cacaueira. \u201c<em>Ceplac \u2013 Uma Perspectiva 1972\u201d; \u201cCeplac- 25 anos \u2013 O fim ou uma nova institui\u00e7\u00e3o 1982\u201d; \u201cCeplac \u2013 Uma nova alternativa 1985\u201d; \u201cCeplac \u2013 30 anos \u2013 morte, coma ou renascimento 1987\u201d;\u201d Retrospectiva Ceplac 1987 \u2013 decepcionante\u201d; \u201cCeplac \u2013 a explos\u00e3o do fim 1988\u201d; \u201cUma op\u00e7\u00e3o para a Ceplac 1990\u201d; \u201cCeplac \u2013 Hoje, 40 anos passados 1997\u201d; \u201cCeplac \u2013 nos seus 50 anos \u2013 2006\u201d &#8211; (est\u00e3o nos livros: Ideias e Idealismo no Mundo do Cacau &#8211; 2000 e Regi\u00e3o Cacaueira da Bahia- Ideias ainda presentes &#8211; 2006). <\/em><\/p>\n<p><em>\u00a0<\/em>Mesmo assim, me atrevo a relembrar alguns fatos de import\u00e2ncia vital, gerados por produtores e l\u00edderes, para o soerguimento da lavoura ocorridos nas crises dos anos 1950\/60. \u00a0Alguns desses idealistas j\u00e1 est\u00e3o no \u201cReino do C\u00e9u\u201d. Novos artigos, registraram o desmantelamento institucional, fruto de v\u00e1rias ocorr\u00eancias administrativas e de a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas propositadas.<\/p>\n<p>As experi\u00eancias passadas por v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es governamentais mostraram um fracasso de funcionamento eficaz na solu\u00e7\u00e3o dos diferentes problemas, t\u00e9cnicos, econ\u00f4micos e sociais, existentes na regi\u00e3o. As a\u00e7\u00f5es do Instituto de Cacau da Bahia &#8211; 1931, a Junta Executiva de Combate \u00e0s Pragas e Doen\u00e7as do Cacau &#8211; 1953 e o ETA-Projeto 35 (servi\u00e7o de extens\u00e3o cacaueira) e o Projeto 25 &#8211; Escola de Capatazes em Uru\u00e7uca, n\u00e3o conseguiram alterar as condi\u00e7\u00f5es da economia regional.<\/p>\n<p>Os produtores de cacau na luta constante aliaram-se ao governo federal, e conseguiram criar uma nova Organiza\u00e7\u00e3o &#8211; s\u00e9ria, competente, capaz de realizar fortes a\u00e7\u00f5es na solu\u00e7\u00e3o dos diferentes problemas. \u00a0Nascia assim, o <strong>Plano de Recupera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mico Rural da Lavoura Cacaueira &#8211; 1957,<\/strong> ainda hoje existente e com o nome de CEPLAC, \u00f3rg\u00e3o setorizado do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Em primeiro lugar, era preciso solucionar as finan\u00e7as; foram realizadas algumas \u201cComposi\u00e7\u00f5es de D\u00edvidas dos Produtores de Cacau\u201d; plano financeiro para tirar os cacauicultores da situa\u00e7\u00e3o cr\u00edtica e angustiante causada por diferentes motivos: sistema de comercializa\u00e7\u00e3o e pre\u00e7os do produto, baixa produtividade das planta\u00e7\u00f5es, defici\u00eancia na administra\u00e7\u00e3o das propriedades, exist\u00eancia de pragas e enfermidades e falta de assist\u00eancia t\u00e9cnica especializada.<\/p>\n<p>Depois era preciso atacar os problemas biol\u00f3gicos e administrativos organizando um qualificado <strong>Centro de Pesquisas <\/strong>e ao seu lado, um amplo e efetivo <strong>Departamento de Extens\u00e3o Rural, <\/strong>capazes de levar permanentemente aos produtores, nas suas fazendas, o conhecimento das novas t\u00e9cnicas e m\u00e9todos no cultivo do cacaueiro.<\/p>\n<p>Foi neste momento que retornei \u00e0 regi\u00e3o, ap\u00f3s dez anos de atividade profissional em Minas Gerais, a convite do Dr. Paulo Alvim, ent\u00e3o diretor t\u00e9cnico cient\u00edfico da institui\u00e7\u00e3o rec\u00e9m-criada. O Brasil era carente de profissionais especializados no cultivo e na comercializa\u00e7\u00e3o do cacau, produto de exporta\u00e7\u00e3o, importante para o pa\u00eds e em especial, para o Estado da Bahia. As tentativas governamentais de assist\u00eancia tinham fracassado e restaram pouqu\u00edssimos profissionais com expressivo conhecimento neste cultivo, apesar da crise que assolava a regi\u00e3o. Apenas cinco ou seis t\u00e9cnicoseram reconhecidos como especialistas em \u00e1reas espec\u00edficas do cultivo do cacaueiro.<\/p>\n<p>Assim foi criado o Centro de Pesquisas do Cacau \u2013 CEPEC 1963 e logo o Departamento de Cr\u00e9dito e Extens\u00e3o Rural \u2013 DECEX- out\/1963, (posteriormente dividido em dois departamentos).<\/p>\n<p>Era necess\u00e1rio formar um grupo de profissionais jovens, idealistas, competentes e cheios de vontade de trabalhar. Por tr\u00eas meses, este grupo foi submetido a um rigoroso treinamento, com aulas te\u00f3ricas e pr\u00e1ticas evisitas ao campo, para o conhecimento das planta\u00e7\u00f5es, dos produtores e seus trabalhadores. Aos t\u00e9cnicos origin\u00e1rios de outras regi\u00f5es foi necess\u00e1rio trein\u00e1-los em comoabordar, convencer e conduzir as reuni\u00f5escom agricultores, respeitando seus h\u00e1bitos, idade e alguns aspectos culturais.<\/p>\n<p>Foram designados para atuar, em 20 novos Escrit\u00f3rios Locais nos principais munic\u00edpios produtores de cacau. Inicialmente, eles precisavam conhecer este mundo cacaueiro, suas terras, as planta\u00e7\u00f5es, suas pragas e doen\u00e7as, os trabalhadores, as estradas, a sociedade municipal, autoridades e l\u00edderes e as condi\u00e7\u00f5es de vida existente. Toda esta analise refletiria nas suas a\u00e7\u00f5es futuras, modificadoras do ambiente regional.<\/p>\n<p>A CEPLAC modificou sua estrutura, criando o <strong>Centro de Pesquisas do Cacau<\/strong> \u2013 com objetivo de a\u00e7\u00f5es concretas em defesa do meio ambiente, das planta\u00e7\u00f5es de cacau e da forma\u00e7\u00e3o de novos cientistas. Assim, resolveu problemas existentes na agricultura do cacau, lan\u00e7ou ideias e projetos para o futuro oferecendo uma base t\u00e9cnica e cientifica para a\u00e7\u00f5es no processo de desenvolvimento da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Falar sobre este meio s\u00e9culo da CEPLAC e suas atividades, feitos e problemas exigiria a escrita de um bom livro registrando toda a hist\u00f3ria de uma das melhores institui\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas do Brasil.\u00a0 Temos, no entanto, muitos artigos, relat\u00f3rios da institui\u00e7\u00e3o, informa\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas, depoimentos e alguns livros publicados. Os especialistas em desenvolvimento e estudiosos, certamente poder\u00e3o atestar a grandeza desta organiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nesta an\u00e1lise vamos considerar dois per\u00edodos distintos, ocorridos nestes 50 anos \u2013 <strong><em>o Per\u00edodo<\/em> <em>\u00c1ureo<\/em> (1957\/1985) com<\/strong> a montagem da organiza\u00e7\u00e3o, o trabalho e as realiza\u00e7\u00f5es que trouxeram benef\u00edcios econ\u00f4micos e sociais para os produtores e a sociedade. Incluso est\u00e1 o trabalho de saneamento das dividas dos produtores de cacau. O <strong>Segundo <em>Per\u00edodo \u201cDecl\u00ednio\u201d <\/em>(1985\/2014)<\/strong> representado nas influ\u00eancias pol\u00edticas mal\u00e9ficas, a enfermidade Vassoura de Bruxa e o desmantelamento organizacional.\u00a0 \u00a0Para cada t\u00f3pico considerado mereceria um amplo coment\u00e1rio sobre as reais raz\u00f5es para sua ocorr\u00eancia; tentaremos apenas registrar a sua exist\u00eancia e seus efeitos.<\/p>\n<p><strong>Vamos ao per\u00edodo \u201c\u00e1ureo\u201d<\/strong> \u2013<strong> 1964\/1985<\/strong><\/p>\n<p>&#8211; <strong>Aumento da produ\u00e7\u00e3o e produtividade do cacau<\/strong> \u2013 Foi o primeiro objetivo da Ceplac, utilizando as t\u00e9cnicas cientificas j\u00e1 existentes, mas, pouco difundidas e o est\u00edmulo e orienta\u00e7\u00e3o para novos plantios e renova\u00e7\u00e3o de cacauais decadentes. O Brasil produzia no ano 1963\/64, 120.000 toneladas de cacau; ap\u00f3s 20 a 23 anos de pesquisas e assist\u00eancia t\u00e9cnica, a produtividade foi aumentada de 20 @\/ha para 50\/60 @ e a produ\u00e7\u00e3o brasileira anual alcan\u00e7ou o expressivo volume de 420.000 toneladas de cacau. Este primeiro sucesso foi obtido atrav\u00e9s de um intenso programa de assist\u00eancia t\u00e9cnica estruturado no plano denominado <strong>\u201cProcacau\u201d<\/strong>, onde metas para 10 anos (1976\/1985) e facilidades para a execu\u00e7\u00e3o foram estabelecidas e com a intensa participa\u00e7\u00e3o dos produtores obteve-se um excelente resultado de grande valor econ\u00f4mico. Foram plantados novos 232.804 ha. e 40.615 ha. de renova\u00e7\u00e3o de cacauais decadentes at\u00e9 1984. A atividade produtiva estimulou o desenvolvimento dos trabalhos t\u00e9cnico-cient\u00edficos na Amaz\u00f4nia (Rond\u00f4nia, Amazonas e Par\u00e1 mais precisamente).\u00a0 A ideia de um novo programa \u2013 o <strong>Procacau II<\/strong> abrangendo outros aspectos da produ\u00e7\u00e3o foi apresentado, mas a nova Administra\u00e7\u00e3o n\u00e3o executou.<\/p>\n<p>Vale ressaltar que para obter este resultado foram executados in\u00fameros levantamentos (determina\u00e7\u00e3o do n\u00famero e identifica\u00e7\u00e3o das arvores de sombra e cacaueiros) orientando novas pesquisas e atividades educativas e informativas para os produtores, seus trabalhadores e a sociedade regional. Visitas \u00e0s fazendas de cacau, Cursos e treinamentos (Cursos Volantes), criada a Semana do Fazendeiro 1965 na EMARC &#8211; Uru\u00e7uca, a Campanha de Combate \u00e0s Pragas do Cacau &#8211; 1964 e experi\u00eancias de combate a\u00e9reo (uso de helic\u00f3pteros) \u00e0s pragas e depois o Combate a Podrid\u00e3o Parda; palestras em diferentes organiza\u00e7\u00f5es, utiliza\u00e7\u00e3o de aux\u00edlios audiovisuais e apoio da imprensa e das emissoras de radio regionais. O cr\u00e9dito orientado representou um estimulador e facilitador na aplica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias t\u00e9cnicas recomendadas.<\/p>\n<p><strong>CNPC \u2013 Conselho Nacional de Produtores de Cacau<\/strong> \u2013 foi uma sugest\u00e3o do Dr. Paulo Alvim \u2013 criar uma organiza\u00e7\u00e3o que reunisse Associa\u00e7\u00f5es e Sindicatos Rurais para discutir, defender seus interesses e direitos, apoiando as realiza\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas da Ceplac. Foi de uma import\u00e2ncia vital para o desenvolvimento da institui\u00e7\u00e3o, exercendo grande atua\u00e7\u00e3o nos questionamentos dos problemas e nos entendimentos com autoridades dos governos estadual e federal.<\/p>\n<p>Surgiram grandes lideres que a hist\u00f3ria certamente registrar\u00e1 com seus feitos e comprometimentos com o desenvolvimento regional e defesa da Ceplac. Infelizmente com o decl\u00ednio institucional e as influencias politicas partid\u00e1ria, o CNPC desarticulou-se, perdeu o seu prestigio e praticamente n\u00e3o mais existe atuando. Voltamos \u00e0 \u00e9poca passada, da organiza\u00e7\u00e3o tradicional de Federa\u00e7\u00e3o Estadual e Sindicatos Rurais que desconhecem a regi\u00e3o do cacau e sem express\u00e3o pol\u00edtica para atuar.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Diversifica\u00e7\u00e3o Agropecu\u00e1ria <\/strong>&#8211; apesar da grande import\u00e2ncia da economia do cacau foram iniciadas a\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas e de pesquisas com outros cultivos e com a pecu\u00e1ria. Em menor escala, mas sinalizando a import\u00e2ncia da diversifica\u00e7\u00e3o na utiliza\u00e7\u00e3o de determinados tipos de solos, na associa\u00e7\u00e3o com plantios de cacau e explorando mais as experi\u00eancias havidas com essescultivos na regi\u00e3o (seringueira, dend\u00ea, pimenta, cravo, coco) e outros, introduzidos da regi\u00e3o da Amaz\u00f4nia (pupunha, macadamia, a\u00e7a\u00ed) que representavam um promissor investimento. A tradi\u00e7\u00e3o com o cacau, a falta de experi\u00eancias cientificas e de manuseio com esses novos e exigentes cultivos t\u00eam dificultado muito sua expans\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Conhecimento da realidade regional do sul da Bahia<\/strong> \u2013 dois grandesprojetos t\u00e9cnicos foram desenvolvidos como estudos e informa\u00e7\u00f5es, mais precisas, nas diferentes caracter\u00edsticas da regi\u00e3o \u2013 um, objetivou o <strong>levantamento dos solos e sua fertilidade<\/strong> em \u00e1rea de 90 munic\u00edpios. Umaequipe t\u00e9cnica especializada gerou documentos, mapas edados b\u00e1sicos, necess\u00e1rios \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o de projetos para o desenvolvimento regional. Outro estudo importante foi contratado com empresa especializada para o <strong>Levantamento A\u00e9reo Fotogram\u00e9trico da<\/strong> <strong>regi\u00e3o<\/strong><strong>;<\/strong> as fotos e dados obtidos permitiram novos estudos <em>in loco<\/em>, como tamb\u00e9m, a oportunidade de Prefeituras Municipais e \u00f3rg\u00e3os do governo Estadual utilizarem para planejamento de ruas e estradas municipais. Infelizmente os governantes da \u00e9poca n\u00e3o souberam aproveitar esta contribui\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica. Na verdade, a vis\u00e3o futura da Ceplac estava alguns anos \u00e0 frente dos pol\u00edticos administradores.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Diagnostico S\u00f3cio Econ\u00f4mico Regional \u2013 <\/strong>era preciso ter conhecimento mais realista das condi\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas da regi\u00e3o.\u00a0 Foi iniciada uma pesquisa ampla no sentido de levantar dados regionais, problemas e o potencial existente, sobre v\u00e1rios aspectos \u2013 educa\u00e7\u00e3o, transporte, sa\u00fade, saneamento, ind\u00fastria, popula\u00e7\u00e3o, lideran\u00e7as, recursos h\u00eddricos, turismo, economia cacaueira e outros importantes setores para o desenvolvimento.<\/p>\n<p>O excelente estudo e levantamento foram conclu\u00eddos com \u00eaxito abrangendo 15 publica\u00e7\u00f5es especificas e encontram-se localizados na biblioteca do CEPEC. Alguns estudiosos fizeram uso desses dados regionais para analises mais especificas e teses de cursos em Universidades; o diagn\u00f3stico representou uma real contribui\u00e7\u00e3o da Ceplac \u00e0 regi\u00e3o e ao Estado. Em agosto de 2006 sugeri uma atualiza\u00e7\u00e3o do Diagn\u00f3stico, tendo a UESC como coordenadora. A sensibilidade e vis\u00e3o com o futuro ainda \u00e9 pequena, deixando que as rea\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas da sociedade surjam, sem qualquer previs\u00e3o e est\u00edmulo.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Classifica\u00e7\u00e3o do Cacau am\u00eandoa para exporta\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 os estudos e pesquisas realizados nas propriedades sobre a qualidade do cacau em am\u00eandoas levou a Ceplac a ampliar a assist\u00eancia t\u00e9cnica neste aspecto e por determina\u00e7\u00e3o do Governo (Resolu\u00e7\u00e3o n\u00ba130 de 1981) a assumir a responsabilidade de Classifica\u00e7\u00e3o de todo cacau e derivados para efeito de exporta\u00e7\u00e3o, garantindo assim o conceito da qualidade do cacau brasileiro.<\/p>\n<p>Alguns problemas surgiram com as firmas exportadoras que desejavam privatizar esta atividade de controle da exporta\u00e7\u00e3o. O resultado deste trabalho da Ceplac apresentou-se na analisa do cacau do Estoque Regulador (Acordo Internacional do Cacau) mostrando que o cacau origin\u00e1rio do Brasil (29.000 em 100.000 toneladas), era o que tinha o menor \u00edndice de defeitos. (0 a 5%). A responsabilidade da classifica\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje, ainda \u00e9 da Ceplac.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Defesa do Meio Ambiente e Reservas Florestais<\/strong> \u2013 a vis\u00e3o futura da Ceplac levou-a a defender e aprovar projetos importantes. Alguns deles: Cria\u00e7\u00e3o de Esta\u00e7\u00f5es Experimentais &#8211; especificas em \u00e1reas com maci\u00e7os de Pau Brasil e de Jacarand\u00e1, \u00e1rvores de grande import\u00e2ncia e em risco de desaparecimento. Tamb\u00e9m, foram criadas &#8211; a Reserva Biol\u00f3gica de PauBrasil em Porto Seguro, de Seringueira e Dend\u00ea em Una e recuperou-se algumas esta\u00e7\u00f5es em verdadeiro estado de abandono.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Campanha de Controle a Vassoura de Bruxa<\/strong> \u2013 <strong>Cavab<\/strong> &#8211; <strong>\u00a0<\/strong>para evitar aintrodu\u00e7\u00e3o de mudas de plantas originarias da Amaz\u00f4nia (em especial de cacau) no sentido de impedir a penetra\u00e7\u00e3o na Bahia, da enfermidade Vassoura de Bruxa, j\u00e1 existente em Rond\u00f4nia. \u00a0Uma linha divis\u00f3ria determinava uma fronteira impeditiva da entrada de mudas de plantas provenientes da Amaz\u00f4nia. Pessoal treinado e localizado em aeroportos e esta\u00e7\u00f5es rodovi\u00e1rias exercia este trabalho fiscalizador e de controle (foram apreendidas v\u00e1rias centenas de mudas de plantas). Infelizmente a nova orienta\u00e7\u00e3o, dada \u00e0 Ceplac foi eliminar o programa sob o argumento de economia financeira, ficando a regi\u00e3o sem qualquer prote\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Paralelamente a Ceplac mantinha o Centro de Introdu\u00e7\u00e3o de Plantas em Ondina, Salvador-Bahia para permitir o procedimento de \u201cquarentena\u201d das plantas coletadas e selecionadas na Amaz\u00f4nia ou importadas de pa\u00edses produtores de cacau. Ainda existem quatro Bancos de Germoplasma que permitem o estudo das plantas sobre diferentes aspectos biol\u00f3gicos, sem o risco de introdu\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as e pragas em regi\u00f5es produtoras.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Produ\u00e7\u00e3o de Camar\u00e3o<\/strong> &#8211; projeto de estudo e produ\u00e7\u00e3o em cativeiro, de Camar\u00e3o, no munic\u00edpio de Camamu com laborat\u00f3rios, instala\u00e7\u00f5es especiais e resid\u00eancia de t\u00e9cnicos. Objetivo de estimular esta cria\u00e7\u00e3o, como uma outra fonte de renda para agricultores. As novas administra\u00e7\u00f5es da Ceplac n\u00e3o deram o devido valor ao projeto e a esta\u00e7\u00e3o foi cedida a outro \u00f3rg\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Forma\u00e7\u00e3o de uma elite de Profissionais<\/strong> \u2013 o Brasil possu\u00eda poucos t\u00e9cnicos especializados no cultivo e na economia do Cacau; era exigido para o desenvolvimento do programa da Ceplac, a prepara\u00e7\u00e3o e especializa\u00e7\u00e3o de profissionais nas diferentes \u00e1reas do conhecimento agro econ\u00f4mico. Ap\u00f3s um per\u00edodo de trabalho na regi\u00e3o, muitos t\u00e9cnicos foram enviados a Universidades nacionais, dos USA e da Europa para obter a prepara\u00e7\u00e3o em cursos de mestrado e doutorado, com pesquisas de teses realizadas na regi\u00e3o. Paralelamente a estes cursos, muitos t\u00e9cnicos participaram de Conferencias, Semin\u00e1rios e Visitas T\u00e9cnicos em pa\u00edses produtores de cacau na \u00c1frica, Am\u00e9rica e \u00c1sia.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Luta pela Institucionaliza\u00e7\u00e3o \u2013<\/strong> desde 1968 na Comiss\u00e3o de Coordena\u00e7\u00e3o da Pol\u00edtica do Cacau que a Ceplac procura uma forma de tornar-se uma institui\u00e7\u00e3o permanente dentro da estrutura p\u00fablica governamental. Obje\u00e7\u00f5es a este desejo foram apresentadas alegando que a organiza\u00e7\u00e3o estava funcionando muito bem e n\u00e3o deveria buscar modelo legal, r\u00edgido e burocr\u00e1tico. Durante todo este per\u00edodo cinquenten\u00e1rio varias propostas e ideias foram apresentadas sem qualquer resultado concreto; tamb\u00e9m existiu uma tentativa de extin\u00e7\u00e3o. A \u00faltima a\u00e7\u00e3o em 1985 foi dar ao Conselho Deliberativo da Ceplac uma constitui\u00e7\u00e3o com maioria de representantes dos Produtores de Cacau, na esperan\u00e7a de evitar o que aconteceu logo em seguida. A proposta foi rejeitada e o Conselho terminou sendo extinto, eliminando a participa\u00e7\u00e3o permanente dos produtores e de outros \u00f3rg\u00e3os interessados na economia do cacau. \u00a0Alguns livros registraram todas estas tentativas para institucionalizar a Ceplac. Ainda hoje existe a falta de uma defini\u00e7\u00e3o mais legal e que caracterize seus objetivos atuais; j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um \u201cPlano\u201d com o desejo de ajudar no desenvolvimento regional, mas uma organiza\u00e7\u00e3o de pesquisas e assist\u00eancia t\u00e9cnica ao cacau e \u00e0 agricultura familiar, como uma unidade setorial do Minist\u00e9rio da Agricultura e Pecu\u00e1ria. \u00a0Sem o devido prestigio, sem recursos suficientes, sem contratar pessoal t\u00e9cnico para substituir os pesquisadores aposentados; tornou-se \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, cheio de burocracia, sem liberdade e sujeito a influ\u00eancia pol\u00edtica partid\u00e1ria. Os produtores de cacau que a criaram e a mantiveram por algum tempo e tamb\u00e9m, a fizeram importante e \u00fatil, agora est\u00e3o ausentes, sem qualquer participa\u00e7\u00e3o em sua defesa ou preocupa\u00e7\u00e3o com o seu futuro.\u00a0 Futuro que ainda \u00e9 uma inc\u00f3gnita, n\u00e3o existindo procedimentos para defini-lo.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Convenio com o Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (Itamaraty<\/strong>) \u2013 a comercializa\u00e7\u00e3o para a exporta\u00e7\u00e3o do cacau estava com empresas exportadoras e algumas ind\u00fastrias. Os produtores de cacau vendiam seu produto, de acordo com suas necessidades financeiras ou suas expectativas de pre\u00e7os para o cacau. Desconheciam as particularidades do negocio exportador e suas vantagens financeiras.<\/p>\n<p>Visando um futuro para a classe produtora no sentido de tamb\u00e9m auferir destas vantagens do comercio internacional atrav\u00e9s de Cooperativas de Comercializa\u00e7\u00e3o, idealizou-se um programa para preparar profissionais nesta \u00e1rea. Eles iriam atuar nas diferentes institui\u00e7\u00f5es operadoras do comercio internacional; nas Cooperativas, Empresas Privadas, \u00d3rg\u00e3os do Governo, Ind\u00fastrias de derivados do cacau e tamb\u00e9m na \u00e1rea de pesquisas da Ceplac.<\/p>\n<p>Uma proposta de convenio foi apresentada ao Itamaraty que inicialmente recusou a designa\u00e7\u00e3o de Adido Agr\u00edcola. Ap\u00f3s algum tempo de convencimento, foi aceita a ideia da perman\u00eancia de Profissionais da Ceplac, com alguma experi\u00eancia, para acompanhar as negocia\u00e7\u00f5es do Acordo Internacional do Cacau, da Alian\u00e7a dos Pa\u00edses Produtores de Cacau, das Bolsas de Neg\u00f3cios Internacionais e intercambio tecnol\u00f3gico de cacau. \u00a0O programa previa treinar e preparar t\u00e9cnicos que, ao retornar iriam trabalhar na \u00e1rea de comercializa\u00e7\u00e3o.\u00a0 Em 1982\/83 o programa foi envido\u00a0 um Economista para Londres (sede da OICACAU e centro comercial) e um Eng. Agr\u00f4nomo para Abidjan \u2013 Costa do Marfim (maior produtor de cacau),com objetivo de acompanhar os planos de expans\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dos pa\u00edses africanos. A experi\u00eancia adquirida deveria permitir a amplia\u00e7\u00e3o do programa para outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>Infelizmente a influencia politica partid\u00e1ria introduzida no desenvolvimento da Ceplac fez o Ministro da Agricultura determinar o encerramento do Convenio e o retorno dos profissionais. Voltamos ao per\u00edodo passado, produtores dependentes da influ\u00eancia das firmasexportadoras e dos procedimentos de venda do cacau, sem qualquer participa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Participa\u00e7\u00e3o no Acordo Internacional do Cacau \u2013<\/strong> a Ceplac teve uma presen\u00e7a importante e de grande atua\u00e7\u00e3o, participando das Delega\u00e7\u00f5es Brasileiras nas Negocia\u00e7\u00e3o do Acordo Internacional do Cacau, em Genebra, Su\u00ed\u00e7a e nas reuni\u00f5es ordin\u00e1ria da Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Cacau, em Londres<\/p>\n<p>Esteve sempre presente nas reuni\u00f5es da Alian\u00e7a dos Pa\u00edses Produtores de Cacau, em v\u00e1rios pa\u00edses produtores de cacau e representando o Minist\u00e9rio da Agricultura. \u00a0Exerceu na maioria das vezes uma lideran\u00e7a nas discuss\u00f5es sobre os problemas que afetam os produtores e o comercio de cacau. Na \u00e1rea cientifica, o Cepec representando a institui\u00e7\u00e3o nas Conferencias Internacionais de Pesquisas em Cacau, apresentava in\u00fameros trabalhos cient\u00edficos, evidenciando a sua lideran\u00e7a nos estudos e pesquisas realizados no mundo. Al\u00e9m deste intercambio, da aprendizagem e de sua influ\u00eancia, a Ceplac teve um papel muito importante e ben\u00e9fico para o Brasil e para a economia cacaueira.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Apoio a cria\u00e7\u00e3o da Copercacau e da Ita\u00edsa<\/strong> &#8211;\u00a0 com a cria\u00e7\u00e3o de um Departamento de Cooperativismo a Ceplac ampliou o anseio de alguns produtores em organizar um Cooperativa para o comercio internacional da produ\u00e7\u00e3o de seus associados. Paralelamente um plano para obten\u00e7\u00e3o de uma Industria de Derivados do Cacau. Ap\u00f3s dificuldades na defesa destas ideias, os projetos foram concretizados, iniciando uma nova fase no processo de comercializa\u00e7\u00e3o de cacau no sul da Bahia. Por raz\u00f5es que desconhe\u00e7o as duas empresas reduziram suas atividades, ficando no atual momento, desativadas. Oportunidade perdida e que mereceriam maiores explica\u00e7\u00f5es sobre seus insucessos.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Atividades do funcionalismo do Banco do Brasil<\/strong> \u2013 O Plano de Recupera\u00e7\u00e3o da Lavoura Cacaueira concretizou-se dentro da Cacex \u2013 Comiss\u00e3o de Comercio Exterior. Das m\u00e3os do Diretor Tosta Filho foram conduzidas as primeiras decis\u00f5es para a Composi\u00e7\u00e3o de D\u00edvidas dos Produtores de cacau. Uma equipe do Banco do Brasil, liderada por Carlos Brand\u00e3o e depois, por Jos\u00e9 Haroldo Vieira foi respons\u00e1vel pelas atividades administrativas, neste per\u00edodo \u00e1ureo, permitindo o desempenho dos trabalhos t\u00e9cnicos com tranquilidade e efici\u00eancia. As a\u00e7\u00f5es desta equipe foram muito importantes e representaram uma garantia para o sucesso da Ceplac e seu conceito de institui\u00e7\u00e3o s\u00e9ria, honesta e sens\u00edvel aos problemas das regi\u00f5es cacaueiras do Brasil.<\/p>\n<p><strong>&#8211; O Espirito Ceplaqueano \u2013<\/strong> desde o in\u00edcio das atividades da Ceplac brotava espontaneamente no funcionalismo um sentimento de satisfa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 de vaidade em exercer suas atividades profissionais nesta organiza\u00e7\u00e3o. Do motorista ao profissional mais graduado era constante sua manifesta\u00e7\u00e3o em defesa da Ceplac; at\u00e9 um comprometimento mais categ\u00f3rico de defesa, unindo-se aos produtores e contribuindo financeiramente para manifesta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas contra atitudes de pol\u00edtico regional e de exportadores. Ainda hoje, este espirito ceplaqueano existe no trabalho dos poucos profissionais que ainda atuam na Ceplac e nos ex funcion\u00e1rios, vivendo de recorda\u00e7\u00f5es do passado e reagindo contra a situa\u00e7\u00e3o atual da Ceplac.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Cria\u00e7\u00e3o das EMARCS<\/strong> \u2013 fruto de um idealismo e desejo de progresso para a regi\u00e3o sul baiana. \u00a0Uru\u00e7uca, antiga Agua Preta, foi o primeiro centro de pesquisa agr\u00edcola, na regi\u00e3o cacaueira, criado pelo Minist\u00e9rio da Agriculturaem agosto de 1916.\u00a0 Em 1932, ele foi transferido para o governo do Estado da Bahia, no Instituto de Cacau rec\u00e9m criado em 1931 como a Esta\u00e7\u00e3o Experimental de Cacau.<\/p>\n<p>Em 1965, ap\u00f3s 50 anos de um per\u00edodo carente de recursos financeiros, baixo desenvolvimento t\u00e9cnico cientifico e falta de apoio governamental, a Ceplac consegue absorver os poucos experimentos existentes, em especial de cacau \u201ccatongo\u201d oferecendo uma nova oportunidade de expans\u00e3o das pesquisas. Ao lado da esta\u00e7\u00e3o existia uma <strong>Escola de Forma\u00e7\u00e3o de<\/strong><strong>Capatazes<\/strong>, criada para atender as fazendas de cacau. Esta Escola tamb\u00e9m sofria de uma situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria com a falta de apoio e recursos.<\/p>\n<p>A Ceplac idealizou a absor\u00e7\u00e3o da Escola, transformando-a na <strong>Escola M\u00e9dia<\/strong> <strong>de Agricultura da Regi\u00e3o Cacaueira<\/strong> \u2013 <strong>ENARC em 1965<\/strong>. Iniciava uma nova era nas a\u00e7\u00f5es educativas e formadoras de T\u00e9cnicos para o desenvolvimento regional.<\/p>\n<p>A EMARC come\u00e7ou a funcionar ministrando cursos de T\u00e9cnico em Agropecu\u00e1ria, em Alimentos e em Agrimensura. Realizou durante muitos anos a Semana do Fazendeiro (1965 a 2006) com a participa\u00e7\u00e3o de 38.633 \u00a0agricultores. O sucesso e a sua influ\u00eancia atrav\u00e9s do trabalho de seus profissionais ampliaram o programa, criando novas Emarcs em 1980 nos munic\u00edpios de Valen\u00e7a, Itapetinga e Teixeira de Freitas na Bahia e mais tarde, a expans\u00e3o atendeu o munic\u00edpio de Ariquemes em Rond\u00f4nia na Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Posteriormente, devido a situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil da Ceplac, as Emarcs sofreram muito com a falta de recursos, prestigio e, ap\u00f3s uma negocia\u00e7\u00e3o, foram transferidas para o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o, em 2008, como Institutos Federais de Educa\u00e7\u00e3o, Ci\u00eancia e Tecnologia Baianos. Registre-se que as Emarcs prestaram um grande servi\u00e7o \u00e0 regi\u00e3o formando in\u00fameros jovens (1967 at\u00e9 2.008) conclu\u00edram os cursos 8.132 alunos, inclusive de outros pa\u00edses); o treinamento da M\u00e3o de Obra Rural, mais intensamente em Cacau alcan\u00e7ou no per\u00edodo de 1971 a 2008 a quantidade de 104.122 trabalhadores. Todo este trabalho representou um excelente exemplo e contribui\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento da agricultura regional.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Programa T\u00e9cnico na Amaz\u00f4nia <\/strong>&#8211; \u00a0algumas raz\u00f5es levaram a Ceplac a instalar um programa na Amaz\u00f4nia. A necessidade de estudos nas planta\u00e7\u00f5es ai existentes e o interesse em ampliar sua base gen\u00e9tica para desenvolver melhores plantas, mais produtivas e resistentes a doen\u00e7as. Raz\u00f5es ecol\u00f3gicas e socioecon\u00f4micas tamb\u00e9m foram consideradas na decis\u00e3o de ampliar a produ\u00e7\u00e3o brasileira nesta regi\u00e3o.\u00a0 Iniciou-se algumas atividades t\u00e9cnicas em 1970 em colabora\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio da Agricultura e o estado de Rond\u00f4nia; em 1974 foi estabelecido o Programa Especial da Amaz\u00f4nia j\u00e1 com \u00e1reas experimentais e instala\u00e7\u00f5es no estado do Amazonas, Par\u00e1 e Rond\u00f4nia. Estudos e pesquisas foram iniciados sobre o sistema de produ\u00e7\u00e3o do cacau, sobre a doen\u00e7a Vassoura de Bruxa e as condi\u00e7\u00f5es dos solos e sua fertilidade. Foram criadas as Esta\u00e7\u00f5es Experimentais em Manaus, em Altamira e o Projeto de Cacau Tom\u00e9 A\u00e7u. Com a cria\u00e7\u00e3o do Procacau nacional, o programa previa a expans\u00e3o de \u00e1reas na Amaz\u00f4nia, tendo em vista o potencial de solos f\u00e9rteis, as op\u00e7\u00f5es de produ\u00e7\u00e3o nos per\u00edodos de baixa produ\u00e7\u00e3o da Bahia e considerando que o cacau amaz\u00f4nico tem um maior teor de gordura e ponto de fus\u00e3o, o que oferece a produ\u00e7\u00e3o de melhor chocolate. Em 1976 j\u00e1 estava criado o Departamento Especial da Amazonia respons\u00e1vel pela coordena\u00e7\u00e3o dos trabalhos nesta regi\u00e3o. Hoje, existe um grande conhecimento dos diferentes aspectos da produ\u00e7\u00e3o e da qualidade do cacau, assim como sua resist\u00eancia a enfermidades. A regi\u00e3o possui a maior cole\u00e7\u00e3o de germoplasma de cacau permitindo in\u00fameras possibilidades de estudos gen\u00e9ticos, na Esta\u00e7\u00e3o de Recursos Gen\u00e9ticos Jos\u00e9 Haroldo Vieira; as planta\u00e7\u00f5es de cacau em alguns lugares est\u00e3o localizadas em programas de coloniza\u00e7\u00e3o ou reforma agr\u00e1ria. <strong>Em 2013<\/strong> a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 a seguinte: <strong>143.711 hectares<\/strong> e a <strong>produ\u00e7\u00e3o de 113.570 toneladas<\/strong> de cacau distribu\u00eddos nos estados de Rond\u00f4nia, Par\u00e1, Amazonas e Mato Grosso. (Dados de Mendes, Fernando \u2013 Ceplac).<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Apoio t\u00e9cnico e financeiro \u00e0 infraestrutura regional<\/strong> &#8211;\u00a0 a regi\u00e3o era carente de a\u00e7\u00f5es que modificassem a situa\u00e7\u00e3o da sua estrutura funcional. Estradas, saneamento, sa\u00fade, transporte, telecomunica\u00e7\u00e3o, porto e sistema de exporta\u00e7\u00e3o do cacau, educa\u00e7\u00e3o, organiza\u00e7\u00e3o da classe produtora e outros problemas existentes eram deficientes. A Ceplac sens\u00edvel a isto e objetivando o desenvolvimento regional procurou estudar, analisar e contribuir t\u00e9cnica e financeiramente para melhoria deste ambiente.<\/p>\n<p>Foram realizados in\u00fameros Conv\u00eanios e Acordos para a constru\u00e7\u00e3o e melhoria de obras e projetos; foram muitas as a\u00e7\u00f5es da Ceplac: destacam-se dois grandes projetos \u2013 o apoio \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o dos produtores rurais e a Universidade de Santa Cruz (hoje Universidade Estadual de Santa Cruz).\u00a0 A maioria destes benef\u00edcios que a Ceplac fez ou apoiou est\u00e3o ai, sendo utilizados pela sociedade regional com impacto constante no seu desenvolvimento.\u00a0 Somente o apoio \u00e0 Universidade, permite entender o valor da contribui\u00e7\u00e3o ceplaqueana, financeira e de pessoal qualificado e experiente em todo o processo de montagem e crescimento dessa institui\u00e7\u00e3o educacional. Compreendemos que dela sair\u00e3o os futuros transformadores das mudan\u00e7as s\u00f3cio econ\u00f4micas da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>&#8211; As Pesquisas do Cepec<\/strong> \u2013 O Centro de Pesquisas do Cacau foi montado ap\u00f3s uma reuni\u00e3o de pesquisadores nacionais e internacionais sob a lideran\u00e7a do Paulo Alvimvisando definir uma estrutura diferente dos padr\u00f5es existentes no Brasil, com objetivos bem definidos em todas \u00e1reas e entrosamento permanente com o servi\u00e7o de extens\u00e3o dos produtores. Localizado em \u00e1rea isolada das atividades administrativas permitindo aos pesquisadores umatranquilidade em seus laborat\u00f3rios, viveiros de mudas e equipamentos especializados seus estudos. A\u00ed cristalizou-se o idealismo e a dedica\u00e7\u00e3o ao trabalho sobre a produ\u00e7\u00e3o e a econ\u00f4mica cacaueira. Muitos desses pesquisadores j\u00e1 faleceram ou est\u00e3o aposentados, vivendo de saudades e tristeza pelo momento atual existente na Ceplac.<\/p>\n<p>Mas, o idealismo n\u00e3o se entrega e o grupo atual continua no mesmo esfor\u00e7o para encontrar solu\u00e7\u00f5es dos problemas do cacau e da regi\u00e3o. Todavia, a tecnologia existente no mundo cient\u00edfico exige que o governo atenda \u00e0s necessidades para um melhor desempenho das pesquisas e sua continuidade. Urge a participa\u00e7\u00e3o de novos cientistas e libera\u00e7\u00e3o de maior volume de recursos financeiros. Caso contr\u00e1rio tudo o que foi realizado ficar\u00e1 somente na hist\u00f3ria da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>Apelando para conv\u00eanios com organiza\u00e7\u00f5es internacionais mantem alguns estudos e pesquisas na Bahia e na Amazonia. Existe o cons\u00f3rcio internacional com CIRAD- Fran\u00e7a, sobre a defini\u00e7\u00e3o do DNA do cacaueiro da variedade Criolo. A prioridade \u00e9 buscar variedades resistentes a doen\u00e7a Vassoura de Bruxa e outros caracteres como produ\u00e7\u00e3o e produtividade do cacaueiro. O Consorcio Internacional de Sequenciamento do Genoma do Cacau congrega vinte institui\u00e7\u00f5es cientificas de seis pa\u00edses que elaboram importantes pesquisas cientificas.<\/p>\n<p>Outros estudos ainda est\u00e3o sendo desenvolvidos: &#8211; Produ\u00e7\u00e3o de Biofungicidas TRICOVAB para controle da V.de Bruxa, Controle Integrado da V.de Bruxa com estudos interligados de gen\u00e9tica, de enfermidades e biologia, &#8211; Sele\u00e7\u00e3o, Valida\u00e7\u00e3o e Indica\u00e7\u00e3o de Clones de Cacau, produtivos e tolerantes \u00e0 Vassoura de Bruxa.<\/p>\n<p>A inclus\u00e3o da Ceplac\/Cepec na Rede Nordeste de Biotecnologia \u2013 Projeto Renobruxa, integrado a projetos do CNPq\/FINEP, tem objetivo de revitalizar a cacauicultura baiana atrav\u00e9s do controle da Vassoura de Bruxa. Com recursos financeiros permitindo a participa\u00e7\u00e3o de 42 pesquisadores e quase 80 t\u00e9cnicos auxiliares e bolsistas; est\u00e3o nesta participa\u00e7\u00e3o a UESC, Unicamp, a EMBRAPA (Cenargen) e CENA\/USP. O projeto j\u00e1 produziu v\u00e1rios resultados importantes para o combate \u00e0 Vassoura de Bruxa e para os produtores baianos j\u00e1 forma distribu\u00eddos 367 clones em 100 fazendas e mais de 400 clones selecionados como resistentes a enfermidade e mais 20 clones com elevada qualidade de chocolate.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea florestal est\u00e1 sendo pesquisado v\u00e1rios modelos de consorcio de cacau com diferentes ess\u00eancias florestais naturais, ex\u00f3ticas e frut\u00edferas. Outros trabalhos experimentais existem apesar das dificuldades existentes. Interessados em maiores detalhes podem consultar o livro \u201cCi\u00eancia, Tecnologia e Manejo do Cacau\u201d &#8211; 2012 \u2013 2\u00aaedi\u00e7\u00e3o.Ceplac.<\/p>\n<p>A esperan\u00e7a de novas pesquisas e continua\u00e7\u00e3o do que existe, ainda mantem a institui\u00e7\u00e3o viva e atuante.<\/p>\n<p>&#8211;\u00a0 <strong>PERIODO DE DECLINIO &#8211;\u00a0 1985 \/2014<\/strong> =<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Entrada da Pol\u00edtica Partid\u00e1ria<\/strong> &#8211;\u00a0 com o estabelecimento da chamada Nova Rep\u00fablica, isto \u00e9 um novo Governo Federal, a institui\u00e7\u00e3o Ceplac foi entregue a orienta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, atrav\u00e9s do Deputado Federal da regi\u00e3o, que imediatamente provocou nomea\u00e7\u00f5es pol\u00edticas para os diferentes cargos administrativos e programa\u00e7\u00f5es de conota\u00e7\u00e3o mais ideol\u00f3gica que t\u00e9cnica. Assim a institui\u00e7\u00e3o passou a ser dirigida por pessoal sem experi\u00eancia administrativa e conhecimento dos problemas t\u00e9cnicos e econ\u00f4micos da regi\u00e3o do cacau. Os enlaces pol\u00edticos com o setor de exporta\u00e7\u00e3o de cacau levaram \u00e0 insatisfa\u00e7\u00e3o do funcionalismo e produtores, chegando a movimentos p\u00fablicos organizados contra esses procedimentos; as discuss\u00f5es com os t\u00e9cnicos eram sempre com prop\u00f3sitos de influ\u00eancia pol\u00edtica partid\u00e1ria. Estes epis\u00f3dios abalaram o espirito ceplaqueano perturbando o seu desempenho t\u00e9cnico.<\/p>\n<p><strong>&#8211; Extin\u00e7\u00e3o da Cota de Contribui\u00e7\u00e3o Cambial e Imposto de Exporta\u00e7\u00e3o<\/strong> \u2013 esta contribui\u00e7\u00e3o dos produtores de cacau no processo da exporta\u00e7\u00e3o do produto (outubro\/1961) dava \u00e0 Ceplac um volume de recursos financeiros excelente, permitindo crescer o seu programa t\u00e9cnico e contribuir para o desenvolvimento regional, atrav\u00e9s de obras sociais e atividades econ\u00f4micas, em colabora\u00e7\u00e3o com outras entidades e com o governo estadual da Bahia. Por influ\u00eancia do FMI o governo federal eliminou esta Cota de Contribui\u00e7\u00e3o em dez\/1983; imediatamente o Ministro Delfim Neto estabeleceu o Imposto de Exporta\u00e7\u00e3o sobre o Cacau (1983) no desejo de manter os recursos destinados \u00e0 Ceplac. Infelizmente os procedimentos para obten\u00e7\u00e3o desses recursos passaram a ser burocratizados, dificultando o recebimento total e nos momentos mais necess\u00e1rios para a execu\u00e7\u00e3o das atividades t\u00e9cnicos de pesquisa.\u00a0 Em 1989, o governo acaba com o Imposto de Exporta\u00e7\u00e3o, sem qualquer rea\u00e7\u00e3o da lavoura e a Ceplac passa a atuar como uma depend\u00eancia do Minist\u00e9rio da Agricultura. Hoje vive implorando um maior volume de recursos e sua libera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Coloca\u00e7\u00e3o de pessoal t\u00e9cnico em disponibilidade<\/strong> \u2013 em 1987 uma administra\u00e7\u00e3o da Ceplac, comprometida com a influ\u00eancia pol\u00edtica e incapaz de orientar a lideran\u00e7a t\u00e9cnica existente, coloca in\u00fameros funcion\u00e1rios, especialmente cientistas e os mais experientes em disponibilidade; isto, significa: \u201c<em>ficar em casa sem trabalhar e recebendo o sal\u00e1rio<\/em>\u201d; o grupo reagiu e foi obtido o cancelamento ap\u00f3s um ano. Esta atitude da administra\u00e7\u00e3o influenciou na tranquilidade existente no exerc\u00edcio do trabalho t\u00e9cnico e administrativo.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Falta de apoio dos Produtores de Cacau<\/strong> &#8211;\u00a0 com os problemas existentes na Ceplac e em especial, a introdu\u00e7\u00e3o da Vassoura de Bruxa, os produtores de cacau e suas organiza\u00e7\u00f5es ficaram angustiados, com o grande preju\u00edzo financeiro ocorrido e a falta de uma solu\u00e7\u00e3o vi\u00e1vel pelo governo; perderam o estimulo e interesse, e da\u00ed a desorganiza\u00e7\u00e3o de suas associa\u00e7\u00f5es e quase um abandono \u00e0 Ceplac. Esta situa\u00e7\u00e3o levou a perda de trabalhadores e a ocorr\u00eancia de movimentos dos \u201csem terra\u201d e das hist\u00f3ricas invas\u00f5es dos falsos \u00edndios (muitas fazendas foram e continuam sendo invadidas).<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Falta de recursos financeiros e admiss\u00e3o de t\u00e9cnicos<\/strong> &#8211; \u00a0a introdu\u00e7\u00e3o da Ceplac no Minist\u00e9rio da Agricultura, apesar de l\u00f3gica e correta, tornou-se um grande problema devido ser um Minist\u00e9rio sem grande import\u00e2ncia no cen\u00e1rio do governo federal. Mesmo o Brasil tendo um potencial agropecu\u00e1ria excelente, o \u00f3rg\u00e3o governamental respons\u00e1vel por esta \u00e1rea n\u00e3o tem o devido apoio e facilidades para um melhor desempenho. A car\u00eancia e dificuldades de libera\u00e7\u00e3o dos recursos financeiros s\u00e3o extremante desastrosos impedindo a realiza\u00e7\u00e3o de obras e pesquisas agr\u00edcolas.\u00a0 O mesmo procedimento est\u00e1 na pol\u00edtica de recursos humanos para autorizar a admiss\u00e3o de novos t\u00e9cnicos em substitui\u00e7\u00e3o de aposentados. J\u00e1 s\u00e3o 27 anos sem autoriza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Perda do patrim\u00f4nio f\u00edsico<\/strong> \u2013 pr\u00e9dios, instala\u00e7\u00f5es e \u00e1reas f\u00edsicas \u2013 com o tempo a Ceplac foi adquirindo \u00e1reas e pr\u00e9dios para realizar seus trabalhos de assist\u00eancia t\u00e9cnica, de pesquisas e de administra\u00e7\u00e3o. Com a aquisi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas para reserva florestal e experimentos formou um excelente patrim\u00f4nio necess\u00e1rio a uma institui\u00e7\u00e3o de objetivos crescentes e ligados ao desenvolvimento regional. A influ\u00eancia pol\u00edtica e o descontrole administrativo levaram \u00e0 concess\u00e3o de \u00e1reas, de utiliza\u00e7\u00e3o da maior parte dos escrit\u00f3rios locais e de representa\u00e7\u00e3o, culminando com a perda definitiva do pr\u00e9dio da ent\u00e3o Secretaria Geral da Ceplac em Bras\u00edlia, do pr\u00e9dio onde funcionava o CNPC sede nacional dos produtores de cacau em Itabuna. \u00c1reas de reservas e de experimenta\u00e7\u00e3o s\u00e3o pretendidas por \u00f3rg\u00e3os alheios \u00e0 agricultura e ao cacau. \u00a0\u00a0E as entregas parecem que continuam, neste processo de desmantelamento institucional.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Perda das Emarcs para o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o<\/strong> &#8211; talvez tenha sido a menor perda do programa global da Ceplac. Apesar do excelente trabalho t\u00e9cnico e educativo desenvolvido, as Emarcs vinham sofrendo problemas no seu desempenho causados pela crise que dominava a Ceplac. \u00a0A cria\u00e7\u00e3o dos Institutos Tecnol\u00f3gicos ligados ao M. Educa\u00e7\u00e3o, onde as Emarc est\u00e3o inseridas representa uma esperan\u00e7a para a educa\u00e7\u00e3o e treinamento de jovens necess\u00e1rios \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o da tecnologia em todos os campos.<\/p>\n<p>&#8211; <strong>Introdu\u00e7\u00e3o perversa da Vassoura de Bruxa \u2013 <\/strong>esta enfermidade j\u00e1 existia na Amaz\u00f4nia no estado de Rond\u00f4nia. Uma das raz\u00f5es para a Ceplac ampliar suas a\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas nesta regi\u00e3o no sentido de estudar e pesquisar os problemas existentes. Assim foi designado um profissional para trabalhar nesta \u00e1rea e logo foi feito o plano Campanha de Controle da Vassoura de Bruxa, com objetivo de impedir a introdu\u00e7\u00e3o de mudas de plantas originarias de toda a regi\u00e3o para a Bahia.\u00a0 Estabeleceu tamb\u00e9m uma Esta\u00e7\u00e3o de Quarentena em Salvador, Bahia apropriada para atender qualquer tipo de planta introduzida no estado e originarias de qualquer parte do mundo. Infelizmente, mesmo com as pesquisas e o controle fiscal em v\u00e1rios locais (eliminou-se algumas centenas de mudas de plantas) a enfermidade Vassoura de Bruxa penetra na regi\u00e3o do cacau. Inicialmente em duas fazendas de cacau em Uru\u00e7uca e em Camacan, conforme o registro dos propriet\u00e1rios e seus trabalhadores; como estavam amarradas aos cacaueiros era um evidencia de que foi uma a\u00e7\u00e3o do ser humano. A doen\u00e7a logo disseminou-se por toda a regi\u00e3o, causando a maior destrui\u00e7\u00e3o da economia do cacau neste \u00faltimo s\u00e9culo. Logo veio a p\u00fablico a exist\u00eancia de um plano pol\u00edtico elaborado por um grupo com a intens\u00e3o de eliminar o poder econ\u00f4mico dos grandes produtores. Providenciaram a busca por mais de uma vez, de material vegetativo infectado com a doen\u00e7a e localizaram em algumas fazendas de cacau. A doen\u00e7a espalhou-se e a \u201cbomba\u201d explodiu. Muitas discuss\u00f5es, confiss\u00e3o p\u00fablica do transportador da doen\u00e7a de Rond\u00f4nia para regi\u00e3o, abertura de processo policial, at\u00e9 a elabora\u00e7\u00e3o do Coment\u00e1rio cinematogr\u00e1fico do epis\u00f3dio (<strong>O N\u00f3 \u2013 ato humano deliberado)<\/strong> e muito falat\u00f3rio. At\u00e9 hoje nada; processo arquivado e nada se fez em benef\u00edcio dos prejudicados e dos trabalhadores rurais.<\/p>\n<p>O importante foi o estrago doloroso ocorrido em toda a regi\u00e3o do cacau. Fal\u00eancias, desist\u00eancias de cultivar o cacau, ac\u00famulo de d\u00e9bitos financeiros, enfermidades contra\u00eddas e at\u00e9 morte com suic\u00eddio. Mas, de todos os males n\u00e3o podemos entender, como sobreviveram (se \u00e9 que ainda vivem) os 230 a 250.000 trabalhadores rurais despedidos das fazendas de cacau com a entrada da Vassoura de Bruxa; a economia regional foi dizimada, o comercio, os bancos, toda a sociedade. Os respons\u00e1veis por esta desgra\u00e7a n\u00e3o pensaram no mal que estavam fazendo \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, por ignor\u00e2ncia ou por maldade mesmo. Infelizmente, est\u00e3o por ai&#8230;<\/p>\n<p>Iniciei esta s\u00e9rie de 30 artigos, feitos durante todo este tempo 1964 a 2014 quando a institui\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica completava seus 50 anos de exist\u00eancia. Apesar de solicitar uma comemora\u00e7\u00e3o p\u00fablica e expressiva, ela n\u00e3o foi programada pelos dirigentes, ficando o tempo encarregado de apagar as lembran\u00e7as, as realiza\u00e7\u00f5es, a melhoria para toda a sociedade do cacau. Ficaram os eternos problemas econ\u00f4micos e sociais. Talvez mais descren\u00e7as que esperan\u00e7as de melhora.<\/p>\n<p>Os primeiros 25 anos foram \u00e1ureos. Grandes realiza\u00e7\u00f5es constru\u00e7\u00e3o do Centro de Pesquisas do Cacau, do Departamento de Extens\u00e3o, da Emarc, do apoio \u00e0 infraestrutura regional, da organiza\u00e7\u00e3o da classe produtora e em especial, da sonhada Universidade Estadual de Santa Cruz. Os outros vinte e cinco anos marcados com a introdu\u00e7\u00e3o da politica partid\u00e1ria na administra\u00e7\u00e3o, a elimina\u00e7\u00e3o da cota de contribui\u00e7\u00e3o cambial, o desestimulo do governo e finalmente a introdu\u00e7\u00e3o maldosa da Vassoura de Bruxa, ocasionando a destrui\u00e7\u00e3o da economia cacaueira e o desemprego de mais de 230.000 trabalhadores rurais,<\/p>\n<p>Em 1990, novamente escrevi e citei os planos existentes de retalia\u00e7\u00e3o da CEPLAC \u2013 o CEPEC para a Embrapa, com todo seu acervo cientifico, pessoal e trabalhos experimentais. O resto destinado a empr\u00e9stimos (que n\u00e3o retornam nunca), doa\u00e7\u00f5es etc. Uma mutila\u00e7\u00e3o eliminando da institui\u00e7\u00e3o sua fun\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a na solu\u00e7\u00e3o dos problemas regionais. Estamos em 2014, talvez no fundo do po\u00e7o, sem recursos financeiros suficientes, sem admiss\u00e3o de novos pesquisadores (h\u00e1 27 anos), sem qualquer est\u00edmulo governamental e por incr\u00edvel que pare\u00e7a, sem defesa da classe produtora rural. Apatia ou realmente falta de interesse em lutar por uma institui\u00e7\u00e3o que foi criada e defendida por eles, no passado quando a Ceplac administrou a composi\u00e7\u00e3o de suas d\u00edvidas, aumentou sua produ\u00e7\u00e3o e proporcionou tantos benef\u00edcios para suas propriedades rurais e para a sociedade em que vivem. Tudo executado com seriedade, compet\u00eancia e honestidade.<\/p>\n<p>Esqueceram tudo isto? Ser\u00e1 que a desgra\u00e7a da Vassoura de Bruxa, introduzida maldosamente, varreu seus sentimentos e mem\u00f3ria para a vala do esquecimento?<\/p>\n<p><strong>O que restou depois destes 50 anos passados?<\/strong><\/p>\n<p>Um Centro de Pesquisas vivendo de um idealismo e da capacidade e experi\u00eancia dos seus poucos pesquisadores, ainda realizando estudos apesar das grandes dificuldades para execut\u00e1-los. A Extens\u00e3o Rural orientada para atendimento a Agricultura Familiar, financiado pelo Minist\u00e9rio do Desenvolvimento Agr\u00e1rio \u2013 MDA. Programa sem import\u00e2ncia na economia cacaueira regional.\u00a0 O programa da Amaz\u00f4nia, certamente com os mesmos problemas de natureza financeira e administrativa.<\/p>\n<p>Sem raz\u00e3o da sua exist\u00eancia, ainda mantem uma estrutura administrativa (superintend\u00eancias), abrigando cargos de utiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica; da\u00ed, as concess\u00f5es de instala\u00e7\u00f5es e \u00e1reas para outros \u00f3rg\u00e3os, muitos deles sem qualquer v\u00ednculo e realiza\u00e7\u00f5es em benef\u00edcio da economia cacaueira e da regi\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>E agora, o que vai acontecer? <\/strong><\/p>\n<p>V\u00e1rias ideias surgiram. Elas est\u00e3o escritas, assim como projetos de lei, tentativas de institucionaliza\u00e7\u00e3o, maior presen\u00e7a e poder dos produtores de cacau mas, nada foi concretizado. Restou a perman\u00eancia no Minist\u00e9rio da Agricultura, como um programa sem autonomia, poucos recursos e sem prestigio. Parece mais, um problema pol\u00edtico que um desejado programa de trabalho do minist\u00e9rio.<\/p>\n<p>A ideia de ser absorvida pela UESC \u201cfederalizada\u201d, n\u00e3o foi compreendida e considerada pelos seus dirigentes. Faltou vis\u00e3o de futuro dos educadores. Agora o \u201c<em>trem j\u00e1 passou<\/em>\u201d e uma nova Universidade, UFSB que inicia suas atividades na regi\u00e3o, absorver\u00e1 lentamente as instala\u00e7\u00f5es e \u00e1reas com planta\u00e7\u00f5es e experimentos do Cepec.<\/p>\n<p>Concretiza-se o desmonte institucional; mais um pouco de tempo, o que restou passar\u00e1 a ser talvez, um Centro de Estudos e Pesquisas Agr\u00edcolas da Universidade ainda em instala\u00e7\u00e3o.\u00a0 Dos males o menor!\u00a0 Assim desejamos.<\/p>\n<p>Com a esperan\u00e7a que a nova Universidade seja de fato uma \u201cUniversidade\u201d com o ensino e pesquisas de qualidade e sem conota\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica de pol\u00edtica partid\u00e1ria.<\/p>\n<p>Meus votos para que a regi\u00e3o tenha um novo per\u00edodo \u00e1ureo de trabalho e de realiza\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Ilh\u00e9us, Bahia, julho de 2014.<\/p>\n<p>Jorge Raymundo Vieira, Eng. Agr\u00f4nomos, MS &#8211; aposentado Ceplac<\/p>\n<p>&#8212;<br \/>\n<strong>PARA LER O ARTIGO N\u00ba 29 CLIQUE<\/strong> <a href=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/04\/24\/jorge-vieira-ceplac-em-30-artigos-xxix\/\"><b>AQUI.<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>REALIZA\u00c7\u00d5ES E HISTORIA DA CEPLAC\u00a0 1964 \u2013 2014 \u00a02014 \u2013 50 anos vivendo a CEPLAC 1964 -2014 \u00a0 Ingressei nesta institui\u00e7\u00e3o em outubro de 1963 para organizar o programa de assist\u00eancia t\u00e9cnica aos produtores de Cacau do sul da Bahia. Somente desliguei-me legalmente pela aposentadoria; nos anos seguintes acompanhei atentamente seus planos, realiza\u00e7\u00f5es e problemas. 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