{"id":86817,"date":"2014-10-09T18:30:00","date_gmt":"2014-10-09T21:30:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=86817"},"modified":"2014-10-09T18:30:00","modified_gmt":"2014-10-09T21:30:00","slug":"as-origens-e-a-historia-da-maconaria-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/10\/09\/as-origens-e-a-historia-da-maconaria-parte-ii\/","title":{"rendered":"AS OR\u00cdGENS E A HIST\u00d3RIA DA MA\u00c7ONARIA &#8211; PARTE II"},"content":{"rendered":"<div style=\"width: 210px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/2014\/09\/Irm%C3%A3o-Everaldo-paramentado.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"337\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Ir.\u2019. Everaldo.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong>DOCUMENTOS ESCRITOS<\/strong><\/p>\n<p>Durante a Idade M\u00e9dia, a hoje chamada Ma\u00e7onaria Operativa ou Ma\u00e7onaria de Of\u00edcio se desenvolveu fortemente, preservando assim a Arte Real entre os mestres construtores da Europa.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s o s\u00e9culo VI o segredo da arte de construir ficou confinada aos conventos, pois as associa\u00e7\u00f5es mon\u00e1sticas eram formadas por cl\u00e9rigos. Isso deu certa seguran\u00e7a, pois a qualquer ataque b\u00e1rbaro os artistas e arquitetos se escondiam nos conventos e os segredos estavam salvos.<\/p>\n<p>Surgem ent\u00e3o os frades construtores que ensinam leigos e isso gera a forma\u00e7\u00e3o de confrarias leigas at\u00e9 o s\u00e9culo X. Acontece que em 926, o rei Athelstan, ap\u00f3s vencer os escoceses, passa pela cidade de York onde se re\u00fane com os Colideus na Catedral de S\u00e3o Pedro. Imediatamente ele proclama um \u00e9dito para que todos os oper\u00e1rios e construtores se re\u00fanam ali para tratar de assuntos pertinentes \u00e0 associa\u00e7\u00e3o de construtores, ou seja: reparar os preju\u00edzos que as associa\u00e7\u00f5es tiveram com as sucessivas guerras e invas\u00f5es.<\/p>\n<p>York era famosa pelo n\u00famero de confraria de construtores. Sua funda\u00e7\u00e3o remonta a 71dC quando o governador romano da Brit\u00e2nia, Quintus Petillius Cerialis invade a Brigantia (\u00dambria) e fixa acampamento entre os rios Ouse e Foos. Com o tempo ergueram no local uma fortaleza que ganhou o nome de Eboracum. O ponto virou cidade, cresceu e tornou-se de grande import\u00e2ncia para o Imp\u00e9rio Romano. Tudo leva a crer que os colegiatti participaram da constru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Voltando a 926, ap\u00f3s a reuni\u00e3o, o pr\u00edncipe Edwin (filho de Athelstan) concede Carta Constitutiva \u00e0 Loja de York e se torna o seu primeiro vener\u00e1vel-mestre. A carta (hoje chamada de York) cont\u00e9m um estatuto que deveria ser seguido como lei suprema pela<br \/>\nconfraria.<\/p>\n<p>Por volta do s\u00e9culo XII surgem associa\u00e7\u00f5es que preparam profissionais: as chamadas Guildas &#8211; associa\u00e7\u00f5es estabelecidas entre as corpora\u00e7\u00f5es de oper\u00e1rios, artes\u00e3os, negociantes e artistas.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>As guildas tinham um ritual no qual se despejava fora tr\u00eas chavelhos de cerveja: !\u00b0 Homenageava os deuses; 2\u00b0 Honrava antigos her\u00f3is; 3\u00b0 Agraciava os parentes e amigos mortos. Ap\u00f3s o ex\u00f3tico \u201cbrinde\u201d os participantes juravam defender uns aos outros como irm\u00e3os.<\/p>\n<p>As reuni\u00f5es das guildas eram feitas com banquetes, pr\u00e1tica repugnada veementemente pela Igreja devido a or\u00edgem pag\u00e3. Para abrandar os cl\u00e9rigos, cada guilda tinha um santo como patrono.<\/p>\n<p>A Carta de York \u00e9 o primeiro documento que cita a palavra Loja como designativo de corpora\u00e7\u00e3o. Outros documentos ma\u00e7\u00f4nicos antigos conhecidos s\u00e3o a Carta de Bolonha e o Poema R\u00e9gio.<\/p>\n<p>O texto da Carta de Bolonha foi redigido em latim por um tabeli\u00e3o sob a ordem do Prefeito da cidade italiana de Bolonha, Bonifacii De Cario, no dia 8 de agosto de 1248. O historiador espanhol, padre Ferrer Benimeli, especializado em Ma\u00e7onaria, traduziu e comenta: \u201cTanto pelo aspecto jur\u00eddico, quanto pelo simb\u00f3lico e representativo, o Estatuto de Bolonha de 1248 com seus documentos anexos nos coloca em contato com uma experi\u00eancia construtiva que n\u00e3o foi conhecida e que interessa \u00e0 moderna historiografia internacional, sobretudo da Ma\u00e7onaria, porque situa-se, pela sua cronologia e import\u00e2ncia, at\u00e9 agora n\u00e3o conhecida, \u00e0 altura do manuscrito brit\u00e2nico \u201cPoema R\u00e9gio\u201d, do qual \u00e9 muito anterior e que at\u00e9 hoje tem sido considerado a obra mais antiga e importante\u201d.<\/p>\n<p>Os Estatutos de Bolonha de 1248 foram seguidos pelos de 1254 &#8211; 1256. O fato \u00e9 que em 1257 decidiu-se a separa\u00e7\u00e3o entre os Mestres do M uro (pedreiros) e os Mestres da Madeira (marceneiros), que na \u00e9poca eram uma s\u00f3 corpora\u00e7\u00e3o, apesar de separados nas assembl\u00e9ias, tinham os mesmos Chefes.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do documento procede, pois em 1723, quando James Anderson compilou informa\u00e7\u00f5es para publicar as Constitui\u00e7\u00f5es de Anderson, com certeza consultou a Carta de Bolonha.<\/p>\n<p>O Poema R\u00e9gio (Regius Poem) ou Manuscrito Halliwell (sobrenome de seu descobridor) foi escrito por volta de 1390 em ingl\u00eas arcaico sobre pele de carneiro. Cr\u00ea-se que as 64 p\u00e1ginas s\u00e3o c\u00f3pias de um documento mais antigo. Cont\u00e9m lendas, fatos b\u00edblicos, descri\u00e7\u00f5es de artes e normas. O documento cita o rei Athelstan (924-939) que convocou um encontro de oper\u00e1rios para definir leis, regras e pre\u00e7os do of\u00edcio.<\/p>\n<p>Outros documentos antigos e interessantes sobre a Ma\u00e7onaria Operativa s\u00e3o: \u201cPreambolo Veneziano dei Taiapiera\u201d (1307); \u201cManuscrito de Cooke\u201d (1430-1440); \u201cManuscrito de Estrasburgo\u201d (1488).<\/p>\n<p>As sociedades ma\u00e7\u00f4nicas s\u00e3o oriundas ent\u00e3o das corpora\u00e7\u00f5es de construtores da Idade M\u00e9dia. Se n\u00e3o vejamos: a palavra francesa \u201cma\u00e7onnerie\u201d e a inglesa \u201cmasonry\u201d significam \u201cconstru\u00e7\u00e3o\u201d. Enfim, todas as afirma\u00e7\u00f5es est\u00e3o ligadas certamente \u00e0 constru\u00e7\u00e3o que, na verdade, significa a constru\u00e7\u00e3o de um homem melhor. Havia dois tipos de pedreiros: o rough mason (pedreiro bruto) que trabalhava com a pedra sem dar-lhe forma, e o free mason (pedreiro livre) que detinha o segredo de dar forma \u00e0 pedra bruta. A pedra bruta simboliza as \u201carestas\u201d da personalidade queo ma\u00e7om deve aparar para se aperfei\u00e7oar:. tais arestas s\u00e3o os v\u00edcios, a falta da moral e dos bons costumes; enfim, os defeitos humanos.<\/p>\n<p>A m\u00e1xima milenar \u201cConhece-te a ti mesmo\u201d (Nosce te ipsum, em latim, e Gnothi seauton, em grego), foi escrita no portal do templo de Apolo, em Delphos, e \u00e9 atribu\u00edda a S\u00f3crates (470aC) que ensinava a seus disc\u00edpulos. A primeira profiss\u00e3o de S\u00f3crates foi de pedreiro, of\u00edcio que aprendeu com o pai, mas depois se dedicou \u00e0 filosofia. Alegava que a sabedoria come\u00e7a no reconhecimento da pr\u00f3pria ignor\u00e2ncia: \u201cS\u00f3 sei que nada sei!\u201d. Dizia que a \u201cvirtude\u201d era a mais importante de todas as coisas. A m\u00e1xima \u201cConhece-te a ti mesmo\u201d encontra abrigo na a\u00e7\u00e3o do ma\u00e7om, pois esse conhecimento interior o tornar\u00e1 polido, perfeito (a pedra c\u00fabica).<\/p>\n<p>Muito se fala da diferen\u00e7a entre franco-ma\u00e7ons e ma\u00e7ons. Elucidando a quest\u00e3o, \u201cfranco\u201d significa: \u201cdesembara\u00e7ado\u201d, \u201clivre\u201d, portanto a tradu\u00e7\u00e3o correta do termo ingl\u00eas \u201cfreemason\u201d \u00e9 \u201cma\u00e7om-livre\u201d ou \u201cfranco-ma\u00e7om\u201d. Os pedreiros medievais trabalhavam com um calc\u00e1rio aplainado ou arenito chamado de cantaria, um tipo de pedra que podia ser cortada sem trincar. Quem trabalhava essas pedras esquadradas era \u201cfreestone\u201d (pedreiro-livre ou aut\u00f4nomo).<br \/>\nEm 1375, aparece o o termo \u201cfreemason\u201d (franco-ma\u00e7om). Trezentos anos depois a palavra \u201cfree\u201d foi abandonada. Em 1656 a Companhia de Pedreiros de Londres retirou a palavra \u201cfree\u201d antes de \u201cma\u00e7om\u201d, pois come\u00e7ou a receber membros n\u00e3o-pedreiros: chamados especulativos, livres ou aceitos.<\/p>\n<p>O termo \u201clivre e aceito\u201d foi usado pela primeira vez na The Old Constituitions, publicada por J. Roberts em 1722 da Sociedade Antiga e Honor\u00e1vel de Ma\u00e7ons Livres e Aceitos. O \u201caceito\u201d significa que a Fraternidade Interna de Ma\u00e7ons Especulativos, dentro da Companhia de Vener\u00e1veis Pedreiros de Londres, aceitava membros operativos por aprendizado ou patrim\u00f4nio.<\/p>\n<p>Informamos aos caros leitores e seguidores do <strong>R2CPRESS<\/strong>, em especial aos que se interessam pelo tema em foco, que \u00e0 partir da pr\u00f3xima etapa dessa pesquisa, abordaremos a parte relativa \u00e0 Ma\u00e7onaria Moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">JOS\u00c9 EVERALDO ANDRADE SOUZA<br \/>\nMESTRE MA\u00c7OM DA LOJA ELIAS OCK\u00c9 &#8211; NR 1841<br \/>\nORIENTE DE ILH\u00c9US-BA.<br \/>\nFILIADA AO GOB &#8211; RITO BRASILEIRO.<\/p>\n<p><strong>Para ler a PARTE I clique<\/strong> <a href = \"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/10\/08\/as-origens-e-a-historia-da-maconaria-parte-i\/\" target = \"_news\"><b>AQUI.<\/b><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>DOCUMENTOS ESCRITOS Durante a Idade M\u00e9dia, a hoje chamada Ma\u00e7onaria Operativa ou Ma\u00e7onaria de Of\u00edcio se desenvolveu fortemente, preservando assim a Arte Real entre os mestres construtores da Europa. 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