{"id":88547,"date":"2014-11-19T10:29:51","date_gmt":"2014-11-19T13:29:51","guid":{"rendered":"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/?p=88547"},"modified":"2014-11-19T10:29:51","modified_gmt":"2014-11-19T13:29:51","slug":"heckel-januario-em-umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-xvi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/2014\/11\/19\/heckel-januario-em-umas-e-outras-inusitadas-da-cidade-xvi\/","title":{"rendered":"Heckel Janu\u00e1rio em: UMAS E OUTRAS INUSITADAS DA CIDADE (XVI)"},"content":{"rendered":"<h2 style=\"text-align: center;\"><strong>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS)<\/strong><\/h2>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/www.r2cpress.com.br\/v1\/wp-content\/uploads\/HECKEL-NOVA.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"129\" \/>Alguns palavr\u00f5es, embora a princ\u00edpio sejam pejorativos, mudam de sentido ao sabor da mudan\u00e7a do tom.\u00a0 \u00a0\u00c9 o caso do popular\u00edssimo \u201cfilho da puta\u201d. Quem nunca, expressando embevecimento a algu\u00e9m, disse: \u201cEsse cara \u00e9 um filho da puta!\u201d? \u00a0E o porreta \u00e9 que na maioria das situa\u00e7\u00f5es nada tem a ver com a inocente genitora do qualificado, mesmo nos calorosos e tradicionais \u201celogios\u201d de torcida a \u00e1rbitros de futebol nos est\u00e1dios. \u00c9 com essa, digamos assim, \u2018palavra-chave\u2019, que iniciamos mais uma, a bem dizer, duas, de outras incomuns de alguma maneira ligadas a Bebel.<\/p>\n<p>Bom, o belmontense Carlos Mega nos anos 60 do s\u00e9culo passado estudava em Salvador e formou-se em bacharel em Direito, iniciando a carreira profissional como delegado numa delegacia nas cercanias da Pra\u00e7a da Piedade. Cidad\u00e3o do tipo s\u00e9rio, voz grave, mas gente da melhor qualidade e, como um farrista e carnavalesco de primeira, do de \u2018fazer acontecer\u2019 <strong>\u2013<\/strong>junto com Afr\u00e2nio(estudava qu\u00edmica na capital) e o empres\u00e1rio \u00a0Zeca de Pepino, \u00a0parceiros de f\u00e9<strong>\u2013<\/strong> nos velhos \u00a0\u00a0carnavais \u00a0de Bebel, que naqueles idos era de \u2018arrombar\u2019, a ponto de ser considerado um dos melhores da Bahia. J\u00e1 conhecido e com amigos no meio jur\u00eddico soteropolitano, estreita tamb\u00e9m, por for\u00e7a da fun\u00e7\u00e3o exercida, rela\u00e7\u00e3o com a \u201cmalandragem\u201d \u2013 mas, como natural, uma malandragem mais para a \u2018boemia\u2019, diferente da \u201cbarra pesad\u00edssima\u201d de hoje em dia. Certa feita, conta-se, que Mega estava a bebericar umas e outras numa barraca da tradicional festa da Ribeira com o ent\u00e3o Secret\u00e1rio de Seguran\u00e7a P\u00fablica do Estado da Bahia quando ao largo passam quatro personagens da referida categoria e o avista. Bastou para de forma un\u00edssona, bradarem: \u201cDoutor Mega, seu filho da puta, t\u00e1 tomando sua cervejinha a\u00ed e n\u00e3o nos convida, n\u00e9! N\u00f3s vamos at\u00e9 a\u00ed\u201d.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Outra semelhante ocorreu tempos depois. Alfredo Couto, aqui da Capitania dos Ilh\u00e9us, ao fim dessa mencionada d\u00e9cada fazia Emarc em Uru\u00e7uca e conhecendo, como colegas de turma, este escrevinhador e Amado Melo, ambos da terra da foz do Jequitinhonha, surgia uma amizade entre os tr\u00eas. Amado e Alfredo, por\u00e9m, tornaram-se, como se diz, \u201cpar de \u00e0s\u201d, pra tudo. Abrindo rapidinho um par\u00eantese para puxar a sardinha, esta escola, no n\u00edvel m\u00e9dio-t\u00e9cnico, era considerada \u2013pelo menos, tinha a fama\u2013 de excel\u00eancia em mat\u00e9ria de ensino no territ\u00f3rio baiano, al\u00e9m de intermediar ao final do curso um contrato de trabalho do aluno com a Ceplac, claro, ap\u00f3s v\u00e1rios est\u00e1gios seletivos. Continuando, n\u00e3o \u00e9 que os dois, por incr\u00edvel coincid\u00eancia, v\u00e3o trabalhar juntos no setor entomol\u00f3gico do Cepec, desta institui\u00e7\u00e3o!\u00a0 Amado mais tarde viria a se desligar do emprego, e Alfredo, sentindo que a \u00e1rea social lhe era mais compat\u00edvel, a concluir advocacia na faculdade da antiga Fespi. Nesse \u00ednterim se dedicando a concursos, \u00e9 aprovado em diversos, escolhendo o da Pol\u00edcia Federal, da\u00ed galgar o magistrado. Foi como Juiz de Direito, que o titularam \u201crei dos j\u00faris\u201d, tamanha a quantidade de julgamentos que empreendera na vara crime da comarca de Ilh\u00e9us. Sim, numa ocasi\u00e3o, encontrava-se o agente Alfredo a servi\u00e7o em Belmonte e, olha s\u00f3 quem de passagem o v\u00ea na porta do foro da cidade! Amado Melo \u2013e\u00a0 n\u00e3o podia ser outro\u2013 \u00a0que saltando serelepe de uma bicicleta, em alto e bom som dispara: \u201cDoutor Alfredo, seu filho da puta, voc\u00ea aqui por essas bandas e n\u00e3o me avisa! Tira logo esse palet\u00f3 e vamos tomar uma, agora\u201d. Comentaram ter o agente-policial meio sem gra\u00e7a e sorrindo, esbo\u00e7ado uma rea\u00e7\u00e3o e dito: \u201cAmado, Amado, se manca. N\u00e3o estamos mais na Emarc, n\u00e3o!\u201d.<\/p>\n<p>Como se v\u00ea, apesar de se tratar de duas autoridades, n\u00e3o se pode afirmar ter havido a aus\u00eancia do famoso \u2018simancol\u2019 nas ocorr\u00eancias, pois muito longe de pejorar, ou melhor, sem pejorar, a express\u00e3o conotou estima, intimidade e admira\u00e7\u00e3o dos falantes; imposs\u00edvel tratamento, por literais e imut\u00e1veis, com \u2018ladr\u00e3o\u2019 e \u2018corrupto\u2019, por exemplo, conhecid\u00edssimos e badalad\u00edssimos voc\u00e1bulos no meio pol\u00edtico e empresarial-empreiteiro brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<strong>\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Heckel Janu\u00e1rio<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>(NOTAS DE BELMONTE &#8211; \u2018BEBEL\u2019 PARA OS MAIS CHEGADOS) Alguns palavr\u00f5es, embora a princ\u00edpio sejam pejorativos, mudam de sentido ao sabor da mudan\u00e7a do tom.\u00a0 \u00a0\u00c9 o caso do popular\u00edssimo \u201cfilho da puta\u201d. 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